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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

«O Aperto do Parafuso», de Henry James


O Aperto do Parafuso
Henry James


Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8566-10-2
Edição: Julho de 2013
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 14,5×20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 176

Para entretenimento do período de Natal, o Colliers’Weekly de Nova Iorque propunha a Henry James (1843-1916) que escrevesse «um produto da época», o que desde logo lhe fez pensar no mais interessante projecto de narrativa lúgubre que tinha alguma vez registado e podia apertar até à dimensão de dez episódios a serem publicados pela revista, entre Janeiro e Abril de 1898 (a edição em livro surgiria alguns meses mais tarde). Nos seus cadernos de apontamentos afirma que a história — um «esboço simples, vago e sem pormenores» — lhe foi contada dois anos antes pelo arcebispo de Cantuária, «entre duas chávenas de chá», por sua vez ouvida da boca de uma mulher mantida sob anonimato, e que esta mulher tê-la-ia escutado de um desconhecido.
Mais tarde, estudiosos da obra literária de James vieram a dar esta génese como falsa e apenas destinada «a baralhar as pistas»; porque seria impossível coincidência uma história anónima, chamada «Tentation» e cinquenta anos antes publicada no Frank Leslie’s New York Journal, ter posto em cena crianças violentadas psicologicamente por criados, e uma dessas crianças chamar-se Miles (como a personagem de James), sujeita às maldades de Peter Quin (que na novela de James surge numa posição idêntica e com o nome de Peter Quint); passada numa mansão de Harley Street, a mesma rua onde a preceptora de O Aperto do Parafuso é recebida pelo seu empregador; acrescentando-se a tudo isto Sigmund Freud descrever, em Studien über Hysteria, o caso de uma miss Lucy R., preceptora inglesa de duas crianças nos arredores de Viena, vítima de alucinações idênticas às da preceptora imaginada por James, consequência de uma paixão reprimida pelo seu empregador. Para um grande número de jamesianos são estas as verdadeiras fontes de O Aperto do Parafuso; mas frequentes as tentativas de encontrar outros antepassados a esta novela de James, e destroçar-lhe as ambiguidades; decidir se na história há fantasmas ou apenas uma alucinação da preceptora, uma vez que só ela os vê. A este jogo Pietro Citati chama, no seu livro Il Male Assoluto, «um desporto nacional inglês». 
A.F.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

«O Mentiroso», de Henry James


O Mentiroso

Henry James


Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8566-15-7

Edição: Novembro 2012

Preço: 9,43 euros | PVP: 10 euros

Formato: 11,8×16,6 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 120 (extratexto a cores)


O escritor Henry James (1843-1916) prolongou-se numa obra literária de 135 títulos publicados entre 1864 e 1917 (na sua maior parte com o texto posteriormente revisto pelo autor) e coleccionados nos 24 volumes de The Novels and Tales of Henry James da New York Edition de 1917. Reconhecido com parcimónia pela crítica e pelo público do seu tempo, prejudicado pela fama de escritor difícil e com histórias de acção mínima espalhada por um grande número de páginas, depois da sua morte passou por um esquecimento quase absoluto até à «redescoberta» que o mantém hoje como grande referência na literatura em língua inglesa do final do século XIX. O reaparecimento deste gigante foi desde logo celebrado por T.S. Eliot e Ezra Pound; foi tema de um emocionado poema de W.H. Auden: «Oh, severo procônsul de indóceis províncias / Oh, poeta da dificuldade, querido artista consagrado», são dois dos seus versos; sugeriu ao narrador de The Green Hills of Africa (a conhecida novela de Ernest Hemingway) a sua inclusão entre os maiores escritores da América, ali associado a Stephen Crane e Mark Twain. […] Este poet of the difficult celebrado por Auden – o que afastava leitores das suas ficções mais extensas – fazia-se mais acessível quando o número de palavras aceite por jornais e revistas o constrangia à disciplina da história não diluída naquela onda larga, a que melhor servia e mais brilho dava, de resto, à sua experiência formal. James também sabia levar a bom termo um esforço de contenção que atingia com poucas páginas o que ele chamava the real thing (a coisa autêntica) – título, aliás, de um destes textos, e considerava objectivo central em toda a exposição literária. Cerca de 80 ficções dominadas por esta economia surgiram nas suas Obras Completas de Nova Iorque. Há nas ficções curtas de James bastantes surpresas ligadas à sua arte de saber insinuar conteúdos latentes sob outros explícitos, de ultrapassar as evidências do visível, de nos obrigar a descobrir qual é the figure of the carpet (o nunca descrito desenho do tapete).
O Mentiroso é uma das suas pequenas novelas menos conhecidas e, apesar disso, dominada por uma cintilante singularidade. [A.F.]

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Preceptores – Gabrielle de Bergerac seguido de O Discípulo I Henry James


Preceptores – Gabrielle de Bergerac seguido de O Discípulo
Henry James

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8833-13-6

Edição: Outubro de 2017
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 200



Em tempos que não exigiam aos mundos do trabalho e do êxito social um certificado comprovador de estudos académicos, de bom-tom era mostrar que se dispensavam as más convivências do ensino público, fazendo tudo passar-se em ambientes domésticos e com mestres privativos. Nasceu assim o preceptor.


O preceptor dos antigos gregos e latinos era em geral um escravo liberto com conhecimentos suficientes para aproximar os jovens das suas letras e da sua erudição. A Idade Média, cheia de homens religiosos, preferiu neste papel os capelães. Mas a Idade de Ouro do preceptor foi a época do Renascimento. Havia, quanto a artes e a ciências, uma vontade colectiva de chegar mais alto, dando a estes mestres de casa rica um imprescindível papel. Começam depois as opiniões a dividir-se. Rousseau, que se estendeu sobre este tema no seu Émile ou de l’éducation de 1762, preconizou que era preferível o mestre «de cabeça bem formada ao de cabeça bem cheia» e, a exigirem-se ambas as coisas, houvesse mais sobre costumes e entendimento do que ciência. Mas seria preferível tudo isto sem um preceptor.
[…]
«Gabrielle de Bergerac» conta uma história escrita por um Henry James com vinte e seis anos de idade; ou seja, da época em que ele se resolvia, perturbado por algumas hesitações, a dar à escrita um papel que a faria surgir como sua ocupação central. […] Não obstante este lugar muito do início da sua carreira literária, «Gabrielle de Bergerac» surge com uma característica que viria a tornar-se persistente ao longo de toda a sua obra, ou seja, a narrativa contada a partir de um ponto de vista associado a uma das suas personagens.
[…]
Esta história dos começos do autor Henry James também nos mostra a sua preferida criança complexa (muitas vezes mais complexa do que os adultos da sua convivência) a primeira entre as que ele viria a criar em The Turn of the Screw, What Maisie knew ou no conto «O Discípulo» que integra este volume; crianças abandonadas pela indiferença paterna e que a outros distribuem o papel de personagens centrais da sua vida – aquelas que muitos estudiosos da obra de James reconhecem como uma inequívoca referência autobiográfica. […]
[Aníbal Fernandes]

segunda-feira, 9 de julho de 2012

«Eu abrira-me em confidência a Mrs Prest; e é verdade que poucos progressos teria feito sem ela, porque dos seus lábios amigos saiu a frutuosa ideia de todo este caso.»


Os Manuscritos de Aspern

Henry James


Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8566-07-2
Preço: 12,26 euros | PVP: 13 euros

Formato: 14,5×20,5 cm (brochado, com badanas) / Número de páginas: 160

Henry James [1843-1916] escreveu ao contrário dos êxitos literários do seu tempo. Numa época de leitores a preferirem histórias com surpresas de percurso, pôs um grande talento de escritor ao serviço de uma corrente calma, discreta e a espalhar-se num extenso número de páginas, entravada por análises psicológicas de personagens distanciadas, na cultura e nos confortos, do homem mais comum nesse final do século XIX. E se o século seguinte o compreendeu como bom exemplo do construtor da obra de arte literária no mais nobre sentido que a expressão pode sugerir, a solicitar do leitor uma sensibilidade idêntica à exigida na apreciação de uma sonata ou de um quadro, durante a sua vida só teve êxitos pouco generosos e reticentes.
[…]
Dir-se-á, porém, que este Henry James sofredor recebia com desdém o entusiasmo alheio pelas suas ficções, e via-o como resultado da cedência do texto ao que era um mais trivial gosto do público. Sentimo-lo encolher os ombros aos elogios que valorizavam The Turn of the Screw, e bem podia Oscar Wilde designá-lo como surpresa «enorme». Numa carta a H.G. Wells acusou o seu texto de «irresponsável» e de apenas ser «um pedaço de engenhosidade pura e simples». E quando publicou Os Manuscritos de Aspern, uma das suas ficções curtas mais brilhantes (para o seu biógrafo Leon Edel, a melhor de quantas escreveu), aos acidentais entusiasmos contrapôs esta água fria: «não passa de uma anedota»; verdade apenas de fundo porque Os Manuscritos de Aspern repensam e dão dimensões nostálgicas, amargas e perversas ao caso verídico que determinou a sua génese e em conversas de salão pôde ser contado com os picantes de uma anedota.

A.F.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Henry James



Henry James 
[Nova Iorque, 15 de Abril de 1843 - Londres, 28 de Fevereiro de 1916]






quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

«Uma pequena obra-prima» - José Guardado Moreira


«A novela O Mentiroso revela toda a arte do escritor anglo-americano Henry James (1843-1916): virtuosismo, atenção ao pormenor, sentido de ironia subtil - marcas de um mestre que se queixava ao irmão William, filósofo, de não ser reconhecido, mas que recolhia a admiração de Robert Louis Stevenson, Edith Wharton ou Joseph Conrad. Graham Greene disse que ele era "tão solitário na história do romance como Shakespeare na história da poesia". Seria redescoberto por T.S. Eliot, Ezra Pound, Hemingway e W.H. Auden, [...].
O narrador é um pintor de retratos, com créditos firmados na sociedade. Um dia, ao ser convidado para uma casa de campo, reencontra uma antiga paixão, casada agora com um pândego, coronel das Índias e senhor de uma verve algo inusitada e extravagante. Por despeito, ciúme ou desafio, propõe-se pintar o retrato do personagem, de tal modo que lhe desvende o embuste aos olhos de todos, principalmente da mulher, que o idolatra, aparentemente ignorante da patologia do marido. [...] O jogo de enganos termina com um resultado fulgurante e uma constatação não desejada. Uma pequena obra-prima.»

José Guardado Moreira, «Henry James - Mentiras e Enganos», LER, nº 121, Fevereiro de 2013,

sábado, 25 de agosto de 2012

«"Os Manuscritos de Aspern" é uma novela perfeita.»


Uma novela perfeita, criada a partir de uma “anedota” byroniana e escrita num estilo refinado, simples e claro, em que tudo surge nas devidas proporções

Conta o tradutor Aníbal Fernandes na magnífica introdução que faz ao livro do escritor norte-americano Henry James (1843-1916), Os Manuscritos de Aspern (segundo muitos estudiosos, um dos seus melhores textos curtos), que a história que inspirou a trama ouviu-a James em Janeiro de 1887 numa das suas muitas viagens à Europa, em Florença, no Palazzo Barbaro, casa da escritora Vernon Lee, a propósito da grande quantidade de cartas de Lord Byron que uma tal condessa Gamba - visita da escritora - tinha na sua posse. Contou então o meio-irmão da escritora Vernon Lee que uma tal Miss Clairmont, que fora também amante de Byron, vivera em Florença até uma idade muito avançada, na companhia de uma sobrinha-neta 30 anos mais nova. Um dia, um capitão natural de Boston, Edward Silsbee - que sabia que as duas mulheres estavam na posse de cartas dos poetas românticos Percy B. Shelley e Lord Byron -, pôs em prática um estratagema para se apossar do espólio. Para isso, hospedou-se na casa das senhoras Clairmont esperando que a mais velha - cuja saúde estava já bastante debilitada - morresse para que ele deitasse à mão aos manuscritos. Quando a velha senhora morreu, o capitão Silsbee informou a sobrinha Clairmont dos seus propósitos. Ela respondeu-lhe que lhe entregaria todas as cartas se ele casasse com ela. Conta James nos seus The Notebooks que Silsbee “pôs-se a milhas” e não tornou a querer saber das cartas.
[...]
Esta deliciosa novela, quase em jeito de thriller recheado de elementos psicológicos, é uma espécie de “jogo do tesouro” dados os fervorosos estratagemas que o narrador aplica na busca incessante do objecto da sua devoção. Mas ao mesmo tempo - e com o final inesperado - é também uma divagação sobre a licitude (ou não) da devassa da vida privada das figuras públicas após a sua morte - o próprio James teve o cuidado de queimar, anos antes da sua morte, várias cartas que não queria que no futuro chegassem às mãos dos seus biógrafos.
[...]
Também nesta narrativa curta James não deixou de fora um dos seus temas preferidos: o confronto cultural entre a América e a Europa. Os Manuscritos de Aspern é uma novela perfeita. 
 

José Riço Direitinho, «Um Verão em Veneza», «Ípsilon» / Público, 17 de Agosto de 2012.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

«Em "O Aperto do Parafuso", é como se o autor tecesse uma tapeçaria com um só fio.»


«Num dos seus notáveis cadernos, a propósito de O Aperto do Parafuso, Henry James usou a imagem de uma esponja espremida. Apesar da sua trivialidade, ela é capaz de dar o tom e o efeito desta novela, um dos pontos máximos do género em qualquer tempo. Uma história de mistério delineada de forma impecável e exasperante, como um parafuso que se vai apertando sobre um corpo. Esta é a primeira tradução convincente do título. Aníbal Fernandes, em mais uma apresentação que fica para a história (não se percebe porque não estão reunidos em livro os seus prefácios), encerra o debate – «Calafrio (…) deixa um título-causa transformado num título-efeito» (p.8).
A singularidade de James reside no império do seu estilo e na capacidade de manobrar a intriga até o leitor mais não ser do que um peão no xadrez da sua escrita. As suas narrativas são o inimigo declarado da sinopse. Pouco nelas se passa, efectivamente, mas nessa brecha encaixa toda a escala do humano. Em O Aperto do Parafuso, é como se o autor tecesse uma tapeçaria com um só fio.
Embora escassos, os materiais da ficção, graças à alquimia jamesiana, expandem-se, como a luz passada por um prisma. O prisma é James; a luz, a sua escrita; o assombro é de quem lê – «Não o vermos é a mais forte das provas.» (p.158) De outra forma, como fazer uma obra-prima do relato em torno dos irmãozitos Miles e Flora, assombrados pelo espectro de dois antigos empregados da casa? Como se engendraria esta tortura a que o leitor se submete voluntariamente? Genial masoquismo.

Hugo Pinto Santos, Time Out Lisboa, 2-8 de Outubro de 2013.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Cada livraria é um ponto de encontro com os leitores.




Uma iniciativa aberta a todos os livreiros e leitores que queiram participar


Fotografe-se ou faça-se fotografar na sua livraria ou numa livraria à sua escolha:

a) – com um livro Sistema Solar;
b) – com um livro Documenta;
c) – com leitor(es) e os nossos livros ou com livreiro(s) e os nossos livros.

Envie essas fotos para comunicacao(arroba)sistemasolar.pt ou através de mensagem via facebook (juntar legenda e nome da livraria com contactos e ligações). 

Publicaremos as fotos e os dados das livrarias aqui no blogue e na página da Sistema Solar no facebook.

Cada livraria é um ponto de encontro com os leitores. 

Marcamos encontro? Olha o passarinho. Já está! 


Sistema Solar, Crl. Rua Passos Manuel, 67 B, 1150-258 Lisboa


Foto: montagem a partir de fotografias dos livreiros Cátia Monteiro e Arnaldo Vila Pouca, da Livraria Flâneur (Porto), e da capa do livro Os Manuscritos de Aspern, de Henry James, Sistema, Solar, 2012.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

«Cinco contos assombrados e inquietantes de Edith Wharton»


«Por vezes, pequenos incidentes” transformam-se em Acontecimentos Extraordinários. As expressões, e as maiúsculas, são de Edith Wharton (1862-1937), nova-iorquina de boas famílias que se tornou esposa-troféu de um banqueiro, passou a vida em mansões, festas e viagens, foi amiga e discípula de Henry James, e escreveu quatro ou cinco livros que se tornaram clássicos. O romance A Idade da Inocência (1920) valeu-lhe o Prémio Pulitzer, que nunca tinha sido ganho por uma mulher.
(…)
Como nota, na introdução, Aníbal Fernandes, o grande trunfo de Wharton é cingir-se ao ponto de vista do narrador ou do protagonista, limitando aquilo que sabemos. Há por isso um não-dito” que sustenta toda uma atmosfera de mistério e ameaça. E o naturalismo psicologista dá lugar à modernidade das narrativas sem desfecho.
(…)»

Pedro Mexia, «Fantasmagorias», «Actual»/ Expresso, 2 de Agosto de 2014

sexta-feira, 20 de junho de 2014

«Cinco Histórias de Luz e Sombra», de Edith Wharton



Cinco Histórias de Luz e Sombra 
Edith Wharton 

Selecção, tradução e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN: 978-989-8566-50-8 

Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros 
Formato: 14,5x20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 240 


procure-o na sua livraria habitual

Edith Wharton [ Nova Iorque, 1862 – Saint-Brice-sous-Forêt, 1937 ] fez-se uma hábil construtora de atmosferas batidas pela luz, pela sombra, e sobretudo por um não-dito que lhes garante a peculiar sedução. E em quase todas plana a fundamental lição dos textos de Henry James: o ponto de vista exclusivo de uma das personagens, limitador e a deixar-nos entregues ao que a sua participação na intriga permite conhecer. As escolhas deste livro passeiam por cinco destes textos «perturbados» [«A Sineta da Criada de Quarto», «Confissão», «Mais Tarde», «Segundo Holbein», «Uma Garrafa de Perrier»]. 

[ Aníbal Fernandes ]

Diz-se que o estilo de Edith Wharton é um claro e luminoso meio de fazer as coisas surgirem precisas e de nos atingirem para lá do que realmente está escrito. Mas não deixará aqui de se ter isto por verdadeiro: que o mistério e a ameaça das areias infinitas, o calor envolvente, a ausência da passagem do tempo, o silêncio, a inacessibilidade — tudo se faz luminoso embora seja mais qualquer coisa do que isso; é algo que nos põe a cismar, nos assombra quando fica claro, e acaba por desembocar na precisão, atingindo-nos para lá do que o seu desenho revela.

[ Ellery Queen ]

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Duas novas traduções de Aníbal Fernandes na Sistema Solar

Os dois de cima, 
O Aperto do Parafuso, de Henry James, e Bruges-a-Morta, de Georges Rodenbach,
são as mais recentes traduções de Aníbal Fernandes na Sistema Solar.
Já andam pelas livrarias e não estão em nenhum top. 
Procure-os na sua livraria habitual.
Boas leituras!


quarta-feira, 25 de julho de 2012

«Que as pessoas não lêem, quererá a senhora dizer?»


Olhou-me à sua maneira, como se estivesse a fazê-lo numa barricada.
—  Escreve livros e não consegue vendê-los?
— Que as pessoas não lêem, quererá a senhora dizer? Só um pouco… não tanto como eu desejaria. Escrever livros, só quando se é um génio… e mesmo assim!…

Henry James, Os Manuscritos de Aspern (tradução de Aníbal Fernandes), Sistema Solar, Junho de 2012.