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segunda-feira, 20 de março de 2017

Mário Cesariny no Centro Cultural de Belém

                                                                                                                                 Fotografia de Susana Paiva

Tributo a Mário Cesariny nos 10 anos da sua morte
Centro Cultural de Belém - Sábado, 25 de Março de 2017 
ENTRADA LIVRE


14h-19h I Poema Colagem – Homenagem a Mário Cesariny. Vídeo-instalação (curta-metragem de 16’). Foyer Almada Negreiros.

14h30 I Casa Pia de Lisboa evoca Mário Cesariny. Alunos da Casa Pia de Lisboa lêem a poesia de Mário Cesariny e executam peças de Ravel, G. Händel e J.S. Bach. Sala Sophia de Mello Breyner Andresen.

15h I Maratona de leitura. Mário Cesariny dito por diferentes personalidades. Sala Fernando Pessoa.

15h30 I Conversa sobre Mário Cesariny. Com José Manuel dos Santos, João Soares, Ilda David, Manuel Rosa e Elísio Summavielle (Presidente do CCB). Sala Luís de Freitas Branco.

17h-18h30Autografia. Documentário sobre Mário Cesariny realizado por Miguel Gonçalves Mendes (90’). Sala Luís de Freitas Branco.

18hOrquestra Sinfónica Juvenil – Tributo a Mário Cesariny. Neste concerto ouve-se a música de que Cesariny gostava: a abertura de Tristão e Isolda, de Wagner, Concerto para Piano e Orquestra de Grieg, Valsas de Erik Satie. Em estreia mundial uma composição de Christopher Bochmann, feita a partir de versos de Cesariny. Direcção de Christopher Bochmann. Grande Auditório.


A exposição 
continua patente, até 16 de Abril de 2017, no Centro de Congressos e Reuniões, no Piso 1
Segunda a Sexta | 10:00 às 20:00 I Sábado, Domingo e feriados | 10:00 às 18:00
ENTRADA LIVRE

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Um Rio à Beira do Rio – Cartas para Frida e Laurens Vancrevel I Mário Cesariny



Um Rio à Beira do Rio – Cartas para Frida e Laurens Vancrevel
Mário Cesariny

Apresentação, tradução e notas de Maria Etelvina Santos
Posfácio e comentários de Laurens Vancrevel

ISBN: 978-989-8834-82-9

Edição: Outubro de 2017

Preço: 23,58 euros | PVP: 25 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 512


[co-edição com a Fundação Cupertino de Miranda]



Mário Cesariny: «talvez possamos conversar um pouco – sobre a vida em geral»

«enquanto houver água na água»
expressão tão bela,
tão reveladora, da sede, do desejo a agir,
com a sua imagem dupla de redução
(pela purificação) da água pela água –
num poema meu, diz-se
«um rio à beira do rio»
[Mário Cesariny a Frida e Laurens Vancrevel, 23 de Julho 1978]

A correspondência trocada durante trinta e seis anos entre Mário Cesariny, a minha mulher Frida e eu próprio, da qual se reproduzem neste livro as cartas do Mário, dá testemunho da profunda amizade que nos uniu e, é preciso dizê-lo, revela apenas uma pequena parte da história. Faltam a essa correspondência as conversas calorosas que tivemos durante as nossas estadas em Lisboa e as visitas do Mário a Amsterdão; faltam ainda todas as conversas telefónicas.
[Laurens Vancrevel]

[…] a troca epistolar, prolongada e intensa pela amizade, de Cesariny com Frida e Laurens Vancrevel, excede em muito o interesse factual, embora também este seja da maior importância, uma vez que os factos mais relevantes associados ao(s) movimento(s) surrealista(s), cisões, novos recomeços, revistas e outras publicações, exposições, nomes reconhecidos no domínio literário e nas artes plásticas, são objecto de diálogo, de opinião, de tomada de posições, desde finais dos anos sessenta até 2005, data da última carta enviada por Cesariny aos Vancrevel.
[…]
Estes três interlocutores – Mário Cesariny, Frida De Jong e Laurens Vancrevel – escrevem, pintam, traduzem. […] Do livro que nasce ao livro que se publica, quer seja pela mão de Laurens Vancrevel, da casa editora Meulenhoff ou da revista Brumes Blondes que dirige, quer em folhas volantes tão do agrado de Cesariny, fala-se muito de pintura, de música, de poesia, da vida: «talvez possamos conversar um pouco – sobre a vida em geral», escreve o poeta na última carta.
[Maria Etelvina Santos]

terça-feira, 21 de março de 2017

Liberdade, Poesia, Amor




Ouvimos esta voz com o poema que nos traz e não sabemos se é a voz que diz o poema ou se é o poema que diz a voz. Esta coincidência do dizer e do dito, do som e do sentido, do corpo e do espírito, da poesia e da vida, do dia e da noite foi sempre o sinal de Mário Cesariny.
Já Breton escrevera: «Tudo leva a crer que existe um certo ponto do espírito donde a vida e a morte, o real e o imaginário, o passado e o futuro, o comunicável e o incomunicável, o que está em cima e o que está em baixo deixam de ser apercebidos contraditoriamente». Cesariny afirmava: «O único fim que eu persigo / é a fusão rebelde dos contrários».
É por isso que estamos aqui: não apenas para cumprir um acto de homenagem civil e cultural, mas acreditando que Cesariny reconhecia neste lugar onde a sua luz encontra a sua sombra, um sentido sagrado, dando a esta palavra a fundura mais funda e a liberdade mais livre. A morte é o que resta do sagrado e mesmo isso está a desaparecer, afirmava ele. E, às vezes, falava do osso sacro como de um segredo que é preciso guardar.
Cesariny era distante de tudo o que é oficial, convencional e vazio, mas aceitava os ritos que protegem os mitos. Foi assim que aceitou a Ordem da Liberdade, que lhe foi entregue em sua casa, numa tarde em que tudo se calava para o ouvir. Ele recebeu a Grã-Cruz, beijou-a e gritou: «A Santa Liberdade!». A liberdade era a sua medida desmedida, o rosto do seu rosto.
Nessa tarde, recordei uma outra tarde passada com Jorge Luis Borges, que acabava de receber a Ordem de Sant’Iago da Espada, que a sua cegueira o impedia de ver. Ele pediu-nos para lhe descrevermos as cores e as figuras do colar. A seguir, num gesto que foi repetindo, levou a mão ao frio do metal, exclamando: «Sant’Iago! Sant’Iago!» Falámos então daquela passagem de São Paulo que diz «Agora, vemos como num espelho, mas um dia veremos face a face». Borges falava e a nossa visão era o rascunho da sua cegueira. 
Sabemos que esta homenagem nunca conseguirá oficializar, normalizar, naturalizar, neutralizar Cesariny. Ao contrário, e por contraste, torna ainda mais nítido e invencível o seu escárnio selvagem, a fúria firme e feroz, o desassombro ímpio.
A sua vida foi vivida em nome da Liberdade, da Poesia e do Amor, de que os surrealistas fizeram a nova trilogia, juntando ao «transformar o mundo» o «mudar a vida». Em cada dia e em cada passo dele havia uma grande razão, aquela que num poema reclamava: «Falta por aqui uma grande razão / uma razão que não seja só uma palavra / ou um coração/ ou um meneio de cabeças após o regozijo / ou um risco na mão…» Cesariny procurava o ouro do tempo.
Agora, lembro. O Mário fala de Pascoaes, o velho da montanha, e conta o momento sagrado em que o conheceu. Fala de Lautréamont e de Rimbaud com palavras lentas e acesas. Fala de Artaud e a sua cara coincide com a dele. Já na rua, passa a velha que apanha o que encontra e ele faz-lhe perguntas que guiam respostas assombradas. O Mário ri e diz: «É a Vieira da Silva!» Agora, estamos nos Açores e ele toca piano, enquanto, da janela, vemos o mar erguer-se como no Moby-Dick, esse livro mágico e trágico, que lia e voltava a ler.
Estar com Cesariny era partir numa nave espacial e olhar cá para baixo com os olhos muito abertos. Havia nas suas mãos um fogo que, quando queimava, mostrava a tragédia, e, quando iluminava, fazia aparecer a comédia. Esse sentimento trágico e cómico da vida é o dos visionários do visível. Ele confessou um dia: «Para mim, só o momento da criação é linguagem, tudo o mais é baço, não diz, pertence ao sono das espécies, mesmo quando dormem inteligentemente.» Mas em todos os momentos dele havia criação. Nunca o ouvi dizer lugares-comuns, ideias mortas, frases feitas.
Na sua poesia, as palavras têm a exactidão cortante da ponta do diamante sobre o vidro, a velocidade densa dos grandes êxodos, o brilho obscuro dos olhos no amor. Na sua pintura, as cores levam o braço até à proximidade do mar e as formas são as do vento a abrir o portão do castelo.
Cesariny gostava de anarquistas, videntes, xamãs, usurpadores, hereges, piratas, incendiários e revoltosos. E de reis destronados, deuses abolidos, bruxas acossadas, fidalgos arruinados, heróis vencidos, náufragos salvos no último momento. Detestava tiranos, tiranetes, moralistas, hierarcas, burocratas, preopinantes, instalados, acomodados, calculistas, carreiristas, conformistas, cínicos, convencidos, contentinhos, coitadinhos.
Desses, ria com um riso que era sal insolúvel e tinha a grandeza escura da tempestade no Verão. O país dos risinhos, das piadinhas, das gracinhas, e das graçolas, não aguentava um riso tão livre: enorme e desassombrado. Não suportava esse riso cheio de amargura e desdém, de raiva e protesto. Nesse riso, passavam o riso antigo de Rabelais e o riso moderno de Artaud, o riso dos funâmbulos e das feiticeiras.
Num país em que o medo gerava cobardia e obediência, do medo dele nasciam coragem, insubmissão, subversão. No fim, estava ainda mais desencontrado com aquilo com que sempre se desencontrou: a vida pequenina, a vidinha de que falava o seu amigo Alexandre O’ Neill. E agora («O tecto está baixo», avisava-nos ele) só se fala da vidinha - e só a vidinha fala.
Afinal, é preciso repetir a pergunta de Hölderlin: «Para quê os poetas em tempos de indigência?» Afinal, é preciso repetir a resposta de Hölderlin: «O que permanece os poetas o fundam». E a resposta de Cesariny: «A palavra poética é a palavra verdadeira. É a única que diz.» Então, os poetas, se os houver, são para dizer o que ninguém diz, mesmo que ninguém oiça. Mas nesse dizer que ninguém ouve salva-se a honra de um tempo em que tudo se perde.
De Mário Cesariny, não basta afirmar que a sua poesia é das maiores do nosso século XX. Nem que a sua pintura é das mais originais desse tempo. É preciso reafirmar que, nele, pessoa, vida, morte, obra, atitude, ímpeto tinham a força que nos atira para um abismo de claridade.
Nestes 10 anos da sua morte, ouvir a voz de Cesariny é olhar o céu naquele momento em que o sol ainda não partiu e a lua já chegou.

José Manuel dos Santos
Tributo a Mário Cesariny, Cemitério dos Prazeres, Lisboa 8 de Dezembro de 2016


Fotografia: Túmulo de Mário Cesariny (pormenor), Cemitério dos Prazeres, Lisboa

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Um Sol Esplendente nas Coisas – cartas de Mário Cesariny para Alberto de Lacerda


Um Sol Esplendente nas Coisas – cartas de Mário Cesariny para Alberto de Lacerda

Edição de Luís Amorim de Sousa

ISBN: 978-989-8618-86-3

Edição: Outubro de 2015

Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 144

[Em colaboração com a Fundação Cupertino de Miranda]


Livro publicado por ocasião dos IX Encontros Mário Cesariny realizados na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, de 26 a 28 de Novembro de 2015.

Conduzido pelo Alberto [de Lacerda] o Mário [Cesariny] conheceu poetas, escritores, gente ligada ao mundo da cultura, andou pelas galerias do West End, bisbilhotou livrarias e cultivou amizades. Entre os amigos londrinos mais estimados figurava Paula Rego. Mas será erro pensar que a relação entre os dois, Alberto e Mário, se confinou à experiência de uma Londres que, durante um certo tempo, partilharam, mas que viveram tão diferentemente. Onde o Mário navegava como um nauta em mares distantes, Alberto estava possuído dos mistérios da cidade. Outros interesses os aproximavam. O prazer da descoberta, e amigos que cultivavam fora de Londres também, noutras paragens: os casais Vieira e Arpad, e Octavio e Marie Jo Paz, para citar só dois exemplos. E livros, é claro, e quadros, e Lisboa, e a poesia. Sempre, sempre, a poesia. De tudo isso há registos nas «recordações» que o Alberto foi guardando do seu amigo Mário Cesariny. Recordações que são cartas, fotografias, obras de arte, folhas volantes, recortes de jornal. […] O que há para descobrir de Cesariny no mundo íntimo de Alberto de Lacerda excede em muito os contornos deste livro. Mas nesse mundo e sempre nos dois sentidos, resplendem admiração e amizade que o tempo nunca deixou de sustentar. Nenhum deles desejou que fosse uma amizade literária. O que a define é uma alta camaradagem marcada, muito ao contrário, pelo desejo de aventura e de magia com que Alberto e Cesariny sempre quiseram viver.
[da Introdução de Luís Amorim de Sousa]


Meu querido Londrino
Gosto muito do seu poema, forma, ou mais força que forma, embora forma também, ou sobretudo — isto, assim, nunca mais acaba e a caneta é nova e é péssima.
O que eu queria dizer é que este poema é muito parecido consigo, espécie de relação nove-dez de si com o mundo ou dele com a poesia. Se é uma série mande mais, se não é série, mande outros. Para lhe descrever o meu estado de espírito de há meses teria de ir procurar algumas formas espanholas, mas antes do século de oiro, do terror, do frio, e da solidão. Soledad. 
[Mário Cesariny]

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Mário Cesariny e "O Virgem Negra" I Convite

Capa: Mário Cesariny, Homenagem a Fernando Pessoa Ocultista
Página de um caderno de esboços para escultura, s/d. Col. Fundação Cupertino de Miranda.

Mário Cesariny e O Virgem Negra
ou A morte do autor e o nascimento do actor
Fernando Cabral Martins


O poeta é o autor do poema 
e é também um actor, um prestidigitador.
Mário Cesariny


Cesariny, uma arte da montagem. Pessoa, uma arte do desdobramento. Um e outro têm um sistema que os organiza e fundamenta, o Surrealismo para um, a heteronímia para o outro. Mas o Surrealismo de Cesariny é pouco ortodoxo e muito ligado ao contexto próprio português. E a heteronímia presta-se demasiado a leituras delirantes, e, na verdade, acaba sendo semi-abandonada por Pessoa nos seus últimos anos. Um e outro estão entre os poucos realmente grandes poetas do século XX, e é intrigante que o mais novo deles tenha dirigido ao primeiro uma diatribe tão violenta como O Virgem Negra. A hipótese aqui desenvolvida, em duas séries de comentários, é que não é Pessoa que é atacado (nem as suas obras maiores), mas o mito que dele se criou, e, sobretudo, certos persistentes lugares-comuns da sua leitura. Fernando Cabral Martins


LANÇAMENTO

Sábado | 26 Novembro | 16h00
Pequeno Auditório da Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão
apresentação por
Perfecto E. Cuadrado

no âmbito da iniciativa
Mário Cesariny - Encontros X
24, 25 e 26 de Novembro de 2016
organização 
Fundação Cupertino de Miranda
comissários 
Perfecto E. Cuadrado e António Gonçalves 

domingo, 16 de dezembro de 2012

Cartas de Mário Cesariny para a Casa de Pascoaes


Cartas para a Casa de Pascoaes
Mário Cesariny


Edição de António Cândido Franco

ISBN: 978-989-8618-00-9

Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros

Formato: 14,5x20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 304


[ Com a Fundação Cupertino de Miranda ]


As relações de Mário Cesariny com a obra de Teixeira de Pascoaes, que abriram em força na década de 60 do século XX e se alargaram depois até ao seu desaparecimento físico já em 2006, marcaram a terceira fase do desenvolvimento do surrealismo em Portugal, a da maturidade, ajudando a reorientar a obra poética de Cesariny numa direcção inesperada, a da sátira anti-pessoana, com as duas edições do Virgem Negra.
Conhecíamos os vários momentos públicos deste relacionamento — em que entra o trabalho de selecção de duas compilações, Aforismos e Poesia de Teixeira de Pascoaes, ambas de 1972, e a frase capital dita em 1973 no texto «Para uma Cronologia do Surrealismo Português», Teixeira de Pascoaes, poeta bem mais importante, quanto a nós, do que Fernando Pessoa — mas ignorávamos, e continuamos em parte a ignorar, o percurso por dentro dessa ligação, bem como desconhecíamos o convívio do autor de Pena Capital com o lugar e a casa em que Pascoaes viveu.
Com a publicação das cartas de Cesariny para os dois habitantes da casa de Pascoaes, João e Maria Amélia Vasconcelos, de 1968 a 2004, ficamos a conhecer elementos do relacionamento entre Mário Cesariny e a obra de Teixeira de Pascoaes e a perceber uma parcela importante da teia em que tudo aconteceu, quer dizer, do como, do quando e do através de quem se deu e processou o convívio de Cesariny com o lugar e a casa de Pascoaes.
António Cândido Franco

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Cartas de Mário Cesariny para Cruzeiro Seixas


Cartas de Mário Cesariny para Cruzeiro Seixas
Mário Cesariny

Edição de Perfecto E. Cuadrado, António Gonçalves e Cristina Guerra

ISBN: 978-989-8566-83-6

Edição: Novembro 2014

Preço: 17,92 euros | PVP: 19 euros
Formato: 14,5x20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 320

[ Em colaboração com a Fundação Cupertino de Miranda ]


«Estas cartas de Mário Cesariny para Cruzeiro Seixas, que abrangem o longo período que vai de 07-08-1941 a 13-12-1975, pouco ou nada têm que ver com o género ou subgénero literário chamado “epistolografia”. Itinerário ou roteiro dalgumas das estações principais duma singular viagem interior, sim; confissões do lado de lá da barricada, também; e ainda mais: mão cheia de reflexões, iluminações, relâmpagos, faíscas que nos falam do amor consumado e fugidio e dos sucessivos objectos do desejo (com ou sem nomes dos parceiros ou destinatários), da poesia, de penas (capitais) e de prestidigitações (de manual); projectos de publicações e exposições no Reino da Dinamarca e noutras terras — franças, holandas, inglaterras… —, para conquistar e onde semear os sonhos e os incêndios; quadros e estórias da história da intervenção surrealista em Portugal e dalguns dos seus protagonistas; intersecções de bildungsroman e künstlerroman, cachoeiras líricas e charcos dramáticos que nunca chegaram a lagoas e acabaram travestidos também de artefactos poéticos; cantigas de amigo e de escárnio e maldizer (em prosa, naturalmente, como anunciava Nicolau Cansado Escritor); via sacra e feira popular, Mário no desenvolver-se e no despir-se do seu eu mais profundo e mais seu em diálogo com quem foi sempre — mesmo quando passaram a espreitar-se de longe — o seu eu mais próximo, Artur Manuel do Cruzeiro Seixas (camarada e amigo; depois aquele a quem Mário “toma os olhos e as mãos e […] beija devagarinho”), os dois às vezes fundidos e até confundidos num espaço onde brincavam amor e admiração; fragmentos, enfim, do plano do tesouro da geografia afectiva de Mário Cesariny.» [Perfecto E. Cuadrado

«Queridíssimo Artur Manuel: A tua carta! A tua carta! A tua carta! Eu estava já assustado com o teu silêncio! Desculpa se te pareço ilógico: é que o meu silêncio para contigo, que mais de uma vez referiste magoadamente, perdoa, não é um silêncio, penso em ti todos os dias dos meses com muito amor, muita admiração e muito desespero, ou, se é silêncio, é, perdoa outra vez, parecer-te-á ridículo, um silêncio de trabalho, como se disse “chá de trabalho” quando as perspectivas terráqueas são o estoiro atómico e as personagens, ultrapassadas pelos acontecimentos, dão o resto, isto é, a hora do chá, que era para cruzar a perna e olhar pela janela. Nem perna, nem janela, nem nada. Nem silêncio. Sei que te devo, devemos, graves obrigações. Ou, se te parece pesado dito dessa maneira: que me impus duas ou três importantes tarefas, em relação a ti: uma, os teus poemas escritos; outra, o teu mundo infinito de desenhos, de pinturas, de objectos — o teu amor; outra — tudo isso e tu próprio — talvez o único de todos a quem pode chamar-se sem restrições O POETA. Outra: as tuas cartas! As cartas do rei Artur!» [Mário Cesariny, 12-03-1963]

Cesariny – em casas como aquela | Duarte Belo, José Manuel dos Santos



Cesariny – em casas como aquela
Duarte Belo, José Manuel dos Santos

ISBN: 978-989-8566-82-9

Edição: Novembro 2014

Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 16,7x21 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 88 (fotografias impressas em duotone)

[ Em colaboração com a Fundação EDP e com a Fundação Cupertino de Miranda ]


Este livro foi publicado com o apoio da Fundação EDP, por ocasião dos VIII Encontros de Mário Cesariny, realizados pela Fundação Cupertino de Miranda em Vila Nova de Famalicão, em Novembro de 2014. Reúne um conjunto de fotografias de Duarte Belo registadas na casa de Mário Cesariny, na Rua Basílio Teles, n.º 6 – 2.º dir., em Lisboa, no âmbito da atribuição do Grande Prémio EDP – Artes Plásticas, em 2002, e integrando o conjunto de iniciativas comissariadas por João Pinharanda que conduziram à realização da exposição retrospectiva, em 2004, no Museu da Cidade, em Lisboa.

«Estas fotografias de Duarte Belo são como um navio de espelhos onde o mundo fechado de Cesariny nos entrega os seus sinais, as suas sombras, as suas solidões, os seus sóis, os seus fantasmas, os seus funâmbulos. Nesse navio, ele era como um capitão na sua ponte de comando sob os relâmpagos que dão a fundura do mar à altura do céu. 
Agora, olho estas fotografias (Cesariny gostava de dizer: lindas) de Duarte Belo e elas são a madalena do Proust que-ele-não-leu-porque-não-precisava e que me traz o tempo e os seus habitantes. Olho-as e digo com ele: “… a sombra dita a luz / não ilumina realmente os objectos / os objectos vivem às escuras / numa perpétua aurora surrealista / com a qual não podemos contactar / senão como os amantes / de olhos fechados / e lâmpadas nos dedos e na boca”. 
Olho-as e vejo-me nelas como se tivesse acabado de chegar àquela casa que apenas foi inteiramente dele quando a rua lhe negou abrigo, susto e aventura. Nestas fotografias, a casa é uma colagem de objectos em êxtase, uma colecção de imagens em rotação, uma constelação de astros em fuga, uma sucessão de sinais sagrados. Aqui, Mário Cesariny é um rei no seu castelo de relâmpagos e raios.» [José Manuel dos Santos

Duarte Belo nasceu em Lisboa (1968). Licenciado em Arquitectura (1991). Paralelamente à actividade inicial em Arquitectura, desenvolve projectos em Fotografia. Expõe individualmente desde 1989, tendo já participado em numerosas exposições individuais. Está representado em diversas colecções públicas e privadas, em Portugal e no estrangeiro. Já desenvolveu a actividade de docência e participa regularmente em seminários, congressos e mesas redondas. 
Da obra publicada poderíamos destacar Orlando Ribeiro — Seguido de uma viagem breve à Serra da Estrela (1999); Ruy Belo — Coisas de Silêncio (2000); À Superfície do Tempo — Viagem à Amazónia (2002); Geografia do Caos (2005); Olívia e Joaquim – Doces de Santa Clara em Vila do Conde (2007); desenha, produz e fotografa as ilustrações do conto O Príncipe-Urso Doce de Laranja (2009). De uma obra documental extensa, centrada no levantamento fotográfico da paisagem e das formas de ocupação do território, são de destacar as obras Portugal — O Sabor da Terra (1997) e Portugal Património (2007-2008).


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Mário Cesariny e O Virgem Negra ou A morte do autor e o nascimento do actor I Fernando Cabral Martins


Mário Cesariny e O Virgem Negra
ou A morte do autor e o nascimento do actor

ISBN: 978-989-8834-45-4

Edição: Novembro de 2016
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5x20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 152

[ Em colaboração com a Fundação Cupertino de Miranda ]



Este livro foi publicado por ocasião dos «X Encontros Mário Cesariny» realizados na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, de 24 a 26 de Novembro de 2016.

Cesariny, uma arte da montagem. Pessoa, uma arte do desdobramento. Um e outro têm um sistema que os organiza e fundamenta, o Surrealismo para um, a heteronímia para o outro. Mas o Surrealismo de Cesariny é pouco ortodoxo e muito ligado ao contexto próprio português. E a heteronímia presta-se demasiado a leituras delirantes, e, na verdade, acaba sendo semi-abandonada por Pessoa nos seus últimos anos. Um e outro estão entre os poucos realmente grandes poetas do século XX, e é intrigante que o mais novo deles tenha dirigido ao primeiro uma diatribe tão violenta como O Virgem Negra. A hipótese aqui desenvolvida, em duas séries de comentários, é que não é Pessoa que é atacado (nem as suas obras maiores), mas o mito que dele se criou, e, sobretudo, certos persistentes lugares-comuns da sua leitura.

Fernando Cabral Martins é professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, onde ensina Estudos Pessoanos. Preparou diversas edições de Fernando Pessoa, e ainda de Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Alexandre O'Neill e Luiza Neto Jorge. Coordenou em 2008 um Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, com noventa colaboradores. Publicou antologias comentadas e livros de ensaio sobre literatura e pintura. Publicou também livros de ficção, entre eles Os Fantasmas de Lisboa, em 2012. Com Irene Freire Nunes, traduziu Boris Vian (1997) e os trovadores provençais (2014). Organiza, com Richard Zenith, uma colecção de antologias de Fernando Pessoa, «Pessoa Breve».

terça-feira, 11 de julho de 2017

Em todas as ruas te encontro / Em todas as ruas te perco

Obra artística de Smile. Foto: DMC/DPC/José Vicente, 2016

Obra artística de Uivo e Murta. Foto: DMC/DPC/José Vicente, 2016

Evocação de Mário Cesariny realizada pelos artistas plásticos Smile, Uivo e Murta.

Projecto realizado na Rua Mário Cesariny, em Lisboa, «fruto de uma proposta subscrita pela Associação de Moradores da Praça de Entrecampos e eleita no âmbito do orçamento participativo lançado pela CML em 2014.»




«Lisboeta, surrealista, pintor, poeta. Vários serão os qualificativos adequados para esta figura ímpar da cultura portuguesa que é Mário Cesariny e a quem a Câmara Municipal de Lisboa tem o prazer de homenagear numa rua* desta cidade que também foi sempre a sua.»

Catarina Vaz Pinto
Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa
Lisboa, Setembro de 2016



* Freguesia das Avenidas Novas, Loteamento da EPUL à  Avenida das Forças Armadas.





sábado, 26 de novembro de 2016

Tributo a Mário Cesariny

Mário Cesariny, 2004 (fotografia de Susana Paiva)

Falta por aqui uma grande razão:
nos 10 anos da morte de Mário Cesariny

Cemitério dos Prazeres, Lisboa
8 de Dezembro de 2016, quinta-feira, às 12 horas

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Lembrar e ler Mário Cesariny

Cesariny no atelier. Foto de Eduardo Tomé

Mário Cesariny nasceu em Lisboa no dia 9 de Agosto de 1923, faz hoje 94 anos.




CESARINY NA DOCUMENTA

Edição de António Cândido Franco

Edição de Perfecto E. Cuadrado, António Gonçalves e Cristina Guerra

Edição de Luís Amorim de Sousa

Com a Fundação Cupertino de Miranda


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O poeta (...) é também um actor, um prestidigitador


 Fotografias de Joana Rosa de Sousa

Lançamento de Mário Cesariny e O Virgem Negra ou A morte do autor e o nascimento do actor, de Fernando Cabral Martins (Documenta), e de Cadernos 15: Mário Cesariny - Entre nós e as palavras (Centro de Estudos do Surrealismo), no dia 26 de Novembro de 2016, no âmbito dos X Encontros Mário Cesariny, organizados pela Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Mário Cesariny I Encontros X


MÁRIO CESARINY - ENCONTROS X

organização 
Fundação Cupertino de Miranda
comissários 
Perfecto E. Cuadrado e António Gonçalves 

24, 25 e 26 de Novembro de 2016


Neste décimo ano da partida de Mário Cesariny [Lisboa, 9 de Agosto de 1923 - 26 de Novembro de 2006] os Encontros dedicados ao autor realizam-se na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, entre os dias 24 e 26 de Novembro. Na continuidade do que tem vindo a acontecer em anos anteriores e com o intuito de lembrar um dos grandes nomes da cultura nacional, a Fundação Cupertino de Miranda detentora de uma parte do espólio artístico e documental do artista convida-o a estar presente. 

[do programa, que pode ser consultado aqui]



Para mais informações: www.fcm.org.pt
Praça D. Maria II, 4760-111 V.N. Famalicão, telefone 252 301 650 / geral@fcm.org.pt


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A Arte de Bailar em Silêncio I Danças Ocultas e Cesariny

Fotografias de Joana Rosa de Sousa


A ARTE DE BAILAR EM SILÊNCIO
Música de 
DANÇAS OCULTAS 
para poesia de 
MÁRIO CESARINY
dita por Cesariny

Concerto de Encerramento
Organização: Fundação Cupertino de Miranda
Comissários: Perfecto E. Cuadrado e António Gonçalves 
Vila Nova de Famalicão, 24, 25 e 26 de Novembro de 2016

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O Jovem Mágico I a partir de Mário Cesariny

O Jovem Mágico
a partir de
Mário Cesariny
Teatro do Bairro
Rua Luz Soriano, 63, em Lisboa
26 de Outubro a 20 de Novembro
Quarta a sábado: 21h30 / Domingo: 17h00
M/16


Encenação António Pires Com Maria João Luís, Cassiano Carneiro, Elias Ramos, Graciano Dias, Mário Sousa, Rafael Fonseca, Ricardo Nagy Dramaturgia António Pires e Hugo Mestre Amaro Música original Ricardo Nagy com Paulo Abelho Vídeo José Budha Figurinos Luís Mesquita Caracterização Ivan Coletti Desenho de luz Vasco Letria Movimento Paula Careto Consultoria de cenografia Luísa Gago Assistência de encenação Hugo Mestre Amaro Operação de luz Filipe Pacheco Operação de som Lourenço Guerreiro Construção de cenário Fábio Paulo Mestra Costureira Rosário Balbi Ilustração Joana Villaverde Comunicação Isabel Marques Direção de produção Ivan Coletti Administração de produção Ana Bordalo Produtor Alexandre Oliveira Produção Ar de Filmes/Teatro do Bairro

Mais informações


terça-feira, 21 de novembro de 2017

«Talvez possamos conversar um pouco – sobre a vida em geral» I Mário Cesariny



Mário Cesariny — Encontros XI
Fundação Cupertino de Miranda — Vila Nova de Famalicão
23, 24 e 25 de Novembro de 2017

Apresentação de 
Um Rio à Beira do Rio — Cartas para Frida e Laurens Vancrevel
por Frida e Laurens Vancrevel, Manuel Rosa e Perfecto E. Cuadrado

Pequeno Auditório, 25 de Novembro de 2017, sábado, às 15h45.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Uma Certa Quantidade I Jorge Queiroz


Uma Certa Quantidade
Jorge Queiroz

Poemas de Mário Cesariny

Traduções de Jethro Soutar e Richard Zenith

ISBN: 978-989-8834-83-6

Edição: Outubro 2017
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, a cores)
Número de páginas: 112

[com a Galeria Ala da Frente – Câmara Municipal de Famalicão]

Edição bilingue: português-inglês



Uma certa quantidade de gente à procura de gente à procura de uma certa quantidade
Mário Cesariny

Este livro foi publicado por ocasião da exposição Jorge Queiroz – Uma Certa Quantidade, com curadoria de António Gonçalves, realizada na Galeria Ala da Frente, em Vila Nova de Famalicão, de 7 de Outubro de 2017 a 20 de Janeiro de 2018.

Jorge Queiroz nasceu em Lisboa, em 1966. Estudou no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa (1992-93), e concluiu o mestrado em Belas-Artes na School of Visual Arts, Nova Iorque (1997-99). Expôs o seu trabalho nos Estados Unidos da América e pela Europa, destacando-se as exposições individuais na Fundação Carmona e Costa, Lisboa (2012), Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto (2007); Horst-Janssen-Museum, Oldenburgo (2006) e no Künstlerhaus Bethanien, Berlin (2004), onde fez uma residência artística. Participou na Bienal de Rennes (2016); 4.ª Bienal de Berlim (2006), 26.ª Bienal de São Paulo (2004) e na 50.ª Bienal de Veneza (2003). Foi distinguido com o Prémio Artes Plásticas 2015 da Associação Internacional dos Críticos de Arte. Após um longo período a viver em Berlim, actualmente vive e trabalha em Lisboa.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Cruzeiro Seixas e Mário Cesariny no Cinema

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O que a Cláudia Rita Oliveira nos oferece é da ordem do ouro. Guarda-se na caixa inacabável do coração. Valter Hugo Mãe, in Jornal de Letras

Primeiro documentário sobre a relação amorosa entre os nomes maiores da arte portuguesa, Cruzeiro Seixas e Mário Cesariny. Bruno Horta, in Observador 

É um objecto de liberdade absoluta, feito de confissões e de achados espontâneos. Uma revelação. Rui Tendinha, in Jornal de Notícias Magazine

(...) Um documentário tocante onde se joga por inteiro. João Paulo Cotrim, in Vogue