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segunda-feira, 3 de junho de 2013

«O Cinema da Poesia», de Rosa Maria Martelo, por Tatiana Faia

O Cinema da Poesia de Rosa Maria Martelo colige uma série de ensaios (alguns inéditos e outros anteriormente publicados mas que aqui surgem sob forma reformulada ou revista*) sobre o tema que o título da obra sugere. O título, no entanto, pode ser um pouco enganador, se nos levar a pensar que o livro se trata meramente de um exercício de mapeamento da relação ecfrástica que alguns poemas pudessem estabelecer com o cinema.

Embora este aspecto esteja contemplado (veja-se especialmente o capítulo “Imagens de Imagens na poesia de Manuel Gusmão”, pp. 225-248, em que se reflecte sobre o diálogo entre certos poemas de Migrações do Fogo e In the Mood for Love de Wong Kar-Wai), o tema é mais abrangente e a leitura que Rosa Maria Martelo vai fazendo ao longo do livro, apoiando-se no pensamento crítico de realizadores, teóricos do cinema e da cultura e dos próprios poetas mencionados, é muito mais profunda do que isso e estabelece precedentes que configuram um modelo útil para continuar a estudar o diálogo entre cinema e poesia na poesia portuguesa contemporânea (e talvez a relação, aqui compreensivelmente menos explorada, da influência da poesia no cinema).

O núcleo do tema que Rosa Maria Martelo estuda ao longo destes ensaios – que talvez se possa resumir como a afinidade entre o cinema e poesia (sobretudo de tradição moderna portuguesa) a partir do fundo comum da relação entre cinema, poesia e imagem – estará definido nas pp. 181-182 (embora esta seja uma tese evocada em páginas anteriores), nos seus traços essenciais, quando se afirma:


"Quando a poesia fala da experiência do espectador de cinema, essa experiência facilmente se confunde com a do poeta enquanto escreve. Talvez os textos que procurei cotejar abram alguns dos sentidos desta aproximação, pois a vibração da imagem e o choque entre as imagens produzem um sentido de presentificação tanto na poesia como no cinema. Há uma tradição de poetas que vêem a poesia como arte da imagem e da montagem. Creio que quando esses poetas falam da sala escura do cinema e do que é ser espectador de cinema é também do seu processo de criação que estão a falar, e daquilo que entendem ser a poesia. Apesar de tudo quanto separa uma arte da palavra de uma arte essencialmente visual, não deixa de ser determinante, para esta complexidade entre as duas artes aquilo que Artaud considera ´verdadeiramente cinematográfico': o facto de as imagens cinematográficas participarem 'da própria vibração e do nascimento inconsciente, profundo, do pensamento'..."

O livro de Rosa Maria Martelo está dividido em quatro capítulos que depois se subdividem: “Preâmbulo”; “Deambulações na Poesia”; “De Imagem em Imagem” e “O Cinema da Poesia”. Há uma certa ordem cronológica por que se aborda a relação do cinema sobretudo com a poesia de tradição moderna portuguesa, mas esta não é rígida. Veja-se, por exemplo, o capítulo dedicado a Al Berto, enquadrado em “Deambulações na Poesia”, depois de um ensaio sobre Cesário e antes de Sophia, o que reflectirá a noção de que a organização deste livro é estruturada mais pelos termos em que nos textos se estabelece o diálogo entre poesia e cinema do que propriamente por factores de ordem cronológica.

No capítulo “Preâmbulo” (literalmente «o que está antes de se começar a andar», o que estabelece uma relação com “Deambulações…”), a autora estabelece eficazmente a presença pertinente nos textos que aqui são trazidos à colação daquilo que se define na última linha do trecho acima citado como «verdadeiramente cinematográfico».

Uma das possibilidades mais interessantes que este livro coloca em evidência será talvez o facto de haver uma espécie de qualidade cinematográfica inata em alguns dos poemas aqui revisitados (“Qualquer poema é um filme?”, é a pergunta que dá título a uma das últimas secções, mas de que este livro se ocupa amplamente no seu conjunto), que está já patente em poemas que são anteriores ou muito contemporâneos dos primórdios do cinema. Isto permite a Rosa Maria Martelo expor com bastante eficácia que há uma base comum, uma prática poética comum, que une cinema e poesia (ainda que, como se nota na p. 234, o cinema tenha de facto permitido à poesia «o desenvolvimento de novas técnicas de olhar»).

Deste ponto de vista, destacaria particularmente a leitura da poesia de Cesário (e particularmente de “O Sentimento dum Ocidental”) e a leitura de alguns dos poemas de Sophia. Pessoa e Herberto Helder, mas sobretudo Herberto, em certo sentido enquadram a discussão da geografia desta relação (a palavra não é influência) entre poesia de tradição moderna portuguesa e cinema, não só porque se trata de dois poetas maiores do século XX português mas também porque no que escreveram há uma relação muito evidente com técnicas e recursos próprios do cinema e, talvez de forma mais concretizada no caso de Herberto (também porque de Pessoa a Herberto o cinema evoluiu), uma teorização sobre a relação entre cinema e poesia que aponta para um favorecimento e um sublinhar da necessidade de poesia enquanto forma contagiada pelo cinema (veja-se a secção “Na sala escura”, pp. 167 e seguintes).

Em certo sentido, O Cinema da Poesia estabelece uma relação de continuidade com a antologia Poemas com Cinema, editada por Rosa Maria Martelo, Luís Miguel Queirós e Joana Matos Frias em 2010, e ambas se incluem na tarefa mais vasta de mapear a relação entre poesia portuguesa e cinema. Outra discussão que esta abre e que esperamos poder ver concretizada, a par talvez com o mapear do processo inverso (a poesia do cinema), é a da transformação que esta relação poderá eventualmente estar a impor ao nosso entendimento da poesia enquanto género (não propriamente ou não só do âmbito do) literário.

* Para uma lista dos textos dispersamente publicados e onde v. “Nota”, p. 257.


Tatiana Faia, Orgia Literária, 19-III-2013.

segunda-feira, 4 de março de 2013

«Partilha de fantasmas», por Gustavo Rubim



«Rosa Maria Martelo continua a percorrer o território da poesia portuguesa e a sua acidentada história de forma corajosa.

Não é preciso insistir na importância dos estudos de Rosa Maria Martelo para quem se interessa sobretudo por poesia: é uma evidência e já não é de agora. Mas vale a pena notar que esses trabalhos são dos mais corajosos na abertura e na instalação de linhas de pesquisa incomuns no discurso crítico português sobre poesia. Este novo livro é uma prova disso.
Compõe-se de três partes: Deambulações na Poesia, De Imagem em Imagem e por fim a homónima do livro, O Cinema da Poesia. Nesta última estão talvez os textos mais inspirados de todo o volume, um conjunto de quatro ensaios cujas figuras tutelares são Herberto Helder e Manuel Gusmão, ambos intensamente lidos em função das conexões diretas que estabelecem entre poema e cinema.
[...] Há, porém, antes das três partes mencionadas, um duplo preâmbulo que de modo nenhum cai fora do livro. Se o primeiro texto (Poesia: imagem, cinema) constitui uma espécie de leitura antecipada de todo o livro e de roteiro histórico-teórico para o problema que o estrutura, o segundo, Pensar e sentir por imagens (Fernando Pessoa, 1912), situa o próprio livro e a escolha deste problema numa genealogia que reconduz aos ensaios que Pessoa publicou na revista  Águia e com os quais inaugurou a linha de reflexão crítica sobre a poesia moderna de que Rosa Maria Martelo não quer afastar-se.
[...] Não só Pessoa está aqui decididamente em causa, como toda a possibilidade de estudar a linha de articulação entre cinema e poesia depende de figuras como Marcel Duchamp, Fernand Légier, Man Ray, Jean Epstein, Apollinaire, Eisenstein, Ezra Pound ou a bem pouco conhecida produção teórica dos Formalistas Russos sobre a poética do cinema. [...] De Cesário Verde a Ruy Belo, antes de Herberto, Gusmão, Al Berto e Luís Miguel Nava, com passagens importantes por Fiama Hasse Pais Brandão e Sphia de Mello Breyner Andresen, é esse território e a sua acidentada história que Rosa Martelo continua a percorrer e que o leitor mais informado conhece bem de um volume ainda recente: A Forma Informe, editado em 2010.
[...]
O ponto crítico do jogo entre o poético e o cinematográfico situa-se talvez na modificação da ideia retórica de "imagem" pela ideia tecnológica da imagem que a fotografia e o cinema teriam trazido à consciência dos modernos. E o ponto polémico desse jogo, que fez Herbero Helder falar algures dos "poetas futuros com máquinas de filmar nas mãos", é sem dúvida o da oposição entre o que seria "uma ontologia da imagem" e o que, por outro lado, não ultrapassaria um "plano formal ou técnico" (como escreve a autora na página 28) em que se identificariam pontuais afinidades ou influências entre poesia e cinema (por exemplo, a montagem, que o modernismo absorveu intensamente).
[...]
Estamos agora, com Rosa Maria Martelo, a começar a ler a frase de Pessoa que ela mesma nos convida a pensar: "As coisas passam na medida em que não são."»

Gustavo Rubim, «Partilha de fantasmas», in «Ípsilon» / Público, 1-III-2013, onde pode ser lido na íntegra.





quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Rosa Maria Martelo vence Prémio PEN Clube de Ensaio | 2012


O PEN Clube Português anuncia que foi atribuído a Rosa Maria Martelo, pelo seu livro O Cinema da Poesia, o Prémio PEN Clube de Ensaio | 2012.

O júri foi constituído por Teresa Salema, João de Almeida Flor e António Carlos Cortez.


Parabéns, Rosa Maria Martelo!

Rosa Maria Martelo nasceu no Porto, em 1957. É professora associada com agregação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. Doutorada em Literatura Portuguesa, tem estudado a poesia moderna e contemporânea e as relações inter-artísticas (poesia/cinema). Algumas publicações: Carlos de Oliveira e a Referência em Poesia (Campo das Letras, 1998), Em Parte Incerta. Estudos de Poesia Portuguesa Contemporânea (Campo das Letras, 2004), Vidro do Mesmo Vidro – Tensões e deslocamentos na poesia portuguesa depois de 1961 (Campo das Letras, 2007), A Porta de Duchamp (Averno, 2009), A Forma Informe – Leituras de Poesia (Assírio & Alvim, 2010, Prémio Jacinto do Prado Coelho), O Cinema da Poesia (Documenta, 2012). Organizou, com Joana Matos Frias e Luís Miguel Queirós, a antologia Poemas com Cinema (Assírio & Alvim, 2010). Tem colaboração dispersa em várias publicações colectivas nacionais e estrangeiras, e em diversas revistas (Colóquio/Letras, Relâmpago, Telhados de Vidro, Diacrítica, Cadernos de Literatura Comparada, Abril, Tropelías, entre outras).

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Rosa Maria Martelo vence Grande Prémio de Ensaio "Eduardo Prado Coelho" APE / V. N. Famalicão - 2012

clicar na imagem

A Associação Portuguesa de Escritores anuncia que foi atribuído a Rosa Maria Martelo, pelo seu livro O Cinema da Poesia, o Grande Prémio de Ensaio "Eduardo Prado Coelho" APE / Vila Nova de Famalicão - 2012.

O júri, que deliberou por unanimidade, foi constituído por Clara Rocha, José Cândido Martins e José Carlos Seabra Pereira. 

Parabéns, Rosa Maria Martelo!


Rosa Maria Martelo nasceu no Porto, em 1957. É professora associada com agregação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. Doutorada em Literatura Portuguesa, tem estudado a poesia moderna e contemporânea e as relações inter-artísticas (poesia/cinema). Algumas publicações: Carlos de Oliveira e a Referência em Poesia (Campo das Letras, 1998), Em Parte Incerta. Estudos de Poesia Portuguesa Contemporânea (Campo das Letras, 2004), Vidro do Mesmo Vidro – Tensões e deslocamentos na poesia portuguesa depois de 1961 (Campo das Letras, 2007), A Porta de Duchamp (Averno, 2009), A Forma Informe – Leituras de Poesia (Assírio & Alvim, 2010, Prémio Jacinto do Prado Coelho), O Cinema da Poesia (Documenta, 2012). Organizou, com Joana Matos Frias e Luís Miguel Queirós, a antologia Poemas com Cinema (Assírio & Alvim, 2010). Tem colaboração dispersa em várias publicações colectivas nacionais e estrangeiras, e em diversas revistas (Colóquio/Letras, Relâmpago, Telhados de Vidro, Diacrítica, Cadernos de Literatura Comparada, Abril, Tropelías, entre outras).

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Os Nomes da Obra – Herberto Helder ou O Poema Contínuo I Rosa Maria Martelo


Os Nomes da Obra – Herberto Helder ou O Poema Contínuo
Rosa Maria Martelo

ISBN: 978-989-8834-19-5

Edição: Abril de 2016

Preço: 10,38 euros | PVP: 11 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 96

[em colaboração com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa]


«O filme [da alma] é uma secreta murmuração e nela participam obliquamente todas as coisas, há a memória de um crime arcaico, maternal, um baptismo no sangue múltiplo daquilo que vive para morrer, e a paixão, o vento das potências que nos extravia, braços abertos, rosto luzindo, um grito contra a parede. Vê como as folhas das árvores palpitam na claridade! Vê como a noite fecha as tuas janelas! É isto.»
No título Ou o Poema Contínuo, que Herberto Helder usou por duas vezes, a conjunção inicial relaciona-se com o nome de autor e diz-nos como ler a escrita de uma vida. Leia-se em Herberto Helder o outro nome da obra, o outro nome da «canção ininterrupta». O poeta via na escrita um processo de «nomeação física», de montagem das imagens, a invenção de uma «irrealidade objectiva». Em 2013, recuperou um texto anterior para sopesar o caminho percorrido: «cumprira-se aquilo que eu sempre desejara — uma vida subtil, unida e invisível que o fogo celular das imagens devorava. Era uma vida que absorvera o mundo e o abandonara depois, abandonara a sua realidade fragmentária. Era compacta e limpa. Gramatical».

Rosa Maria Martelo [Vila Nova de Gaia, 1957] é professora associada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e investigadora do Grupo Intermedialidades do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, a cuja Direcção pertence. Doutorada em Literatura Portuguesa, tem privilegiado o estudo da poesia e das poéticas modernas e contemporâneas. No âmbito da Literatura Comparada e dos Estudos Interartísticos, os seus trabalhos centram-se nas relações palavra/imagem, particularmente nos diálogos da poesia moderna e contemporânea com o cinema. Algumas publicações no âmbito do ensaio: A Forma Informe — Leituras de Poesia (2010) e O Cinema da Poesia (2012).

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

«O Cinema da Poesia», de Rosa Maria Martelo



O Cinema da Poesia

Rosa Maria Martelo


ISBN: 978-989-8618-19-1

Preço: 19,81 euros | PVP: 21 euros

Formato: 14,5x20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 264


[ Em colaboração com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa - Faculdade de Letras do Porto ]


«L’homme est le seul être qui s’intéresse aux images en tant que telles.»
Giorgio Agamben, Image et Mémoire

Que carga e equilíbrio de forças são esses que atravessam o universo lírico, as suas ameaças e imagens, e nos depõem na órbita da palavra, da figuração, da música?

Herberto Helder, «O Nome Coroado»


«Os ensaios reunidos neste livro constituem diferentes tentativas de aproximação aos processos de fazer imagem na poesia moderna e contemporânea. Embora trabalhem obras e questões diferenciadas, todos incidem sobre formas de conceber e articular as imagens na poesia, ou sobre os modos como o texto poético se pensa em diálogo com outras artes da imagem, especialmente o cinema.

[...]
 Ao acentuar a visualidade e o visionarismo das imagens verbais, ou a sua tensão e rapidez, a poesia de tradição moderna apresenta-se muitas vezes como uma espécie de cinema, uma arte na qual o fluxo das imagens desempenha um papel determinante. «O cinema extrai da pintura a acção latente de deslocação, de percurso. Tome-se um poema: não há diferença», escreveu Herberto Helder. Como pensar esta similaridade, esta convergência? Em que consiste o cinematismo da poesia? Os autores estudados neste livro encaminham-nos para algumas respostas.
[…]
Quando são tidos em conta os diálogos da poesia com o cinema, a presença temática do universo cinematográfico é normalmente destacada, pelo que ganham especial relevância os poemas dedicados a filmes, realizadores e actores, ou os poemas que funcionam por processos ecfrásticos e por transposição narrativa.
[…]
Há um outro tipo de relação entre a poesia e o cinema que diz respeito às cumplicidades entre duas artes que partilham uma extensa e multímoda reflexão sobre os processos de fazer imagem. Herberto Helder, Carlos de Oliveira, Luiza Neto Jorge, Al Berto, Luís Miguel Nava, Fernando Guerreiro ou Manuel Gusmão desenvolvem formas de intermedialidade situáveis nesse plano, que este livro procura apreender.»




Rosa Maria Martelo é professora associada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde se doutorou em 1996, e investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. Tem colaborado em diversas revistas e publicou vários livros de ensaios, entre os quais A Forma Informe — Leituras de Poesia (2010). Organizou, com Joana Matos Frias e Luís Miguel Queirós, a antologia Poemas com Cinema.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Poemas onde a imagem e o cinema se insinuam


O Cinema da Poesia de Rosa Maria Martelo reúne não só ensaios inéditos como outros que vêm sendo esparsamente publicados desde 2005. À semelhança de A Forma Informe, Vidro do mesmo Vidro e Em Parte Incerta, também O Cinema da Poesia se concentra na poesia portuguesa moderna e contemporânea, embora neste caso a autora tenha estudado poemas onde a imagem e o cinema se insinuam, desta feita desbravando linhas de estudo até agora menos cultivadas no campo crítico português. Este conjunto de ensaios é importante porque nos permite entender com maior acuidade não só como a poesia consiste na criação de imagens mentais, mais ou menos insólitas, de fantasmas, mas também como o primeiro modernismo iniciou um programa poético que vem sendo actualizado ao longo do tempo, nomeadamente através do estabelecimento de relações ecfrásticas com o cinema.



Este livro está dividido em três partes: “Deambulações na poesia”, “De imagem em imagem” e “O cinema da poesia”. A abrir o livro, um preâmbulo em duas partes: “Poesia: imagem, cinema” e “«Pensar e sentir por imagens» (Fernando Pessoa, 1912)”, ambos ensaios inéditos.

A primeira parte do preâmbulo discute os conceitos de imagem e de cinema e enquadra teórica e historicamente os ensaios do livro. Aliás, muitos dos nomes convocados são muito relevantes para o estudo da relação entre poesia e cinema. Desde nomes menos familiares no panorama crítico português como Noël Carroll, Laura M. Sager Eidt, James Elkins, Lawrence Goldstein, Scott MacDonald ou Susan McCabe, entre outros, passando por nomes que vêm sendo chamados à colação com mais frequência, como Gilles Deleuze, Georges Didi-Huberman, André Bazin, João Mário Grilo ou Jean-Luc Nancy. A autora esclarece que cada uma das artes entende as imagens de maneira distinta, apesar de em todas haver o interesse pelos “processos de relação entre as imagens (transição, descontinuidade, choque)” (p. 13). Talvez também por isso Eisenstein se tivesse interessado pelo haiku, de modo a compreender a relação entre os elementos dentro do mesmo plano. E talvez por isso Haroldo de Campos tenha traduzido os ensaios de Eisenstein sobre poesia haiku. É ao filósofo analítico Noël Carroll que a autora recorrerá para dizer que a imagem não está necessariamente acoplada à noção de representação. E apenas modernamente se privilegiou o entendimento da poesia como fluxo de imagens que se impõe ao poeta, o qual deverá atender a processos de montagem que permitam encadeá-las. Daí a menção, na primeira parte do preâmbulo, a autores como Rimbaud, Artaud, Pound, Blanchot, Fernando Guerreiro ou Herberto Helder. Potenciando o fluxo de imagens, através de uma linguagem levada até ao limite, a poesia gera um efeito de choque, de estranheza, de alucinação, efeitos também gerados pelo cinema. A segunda parte do preâmbulo sublinha justamente a urgência das imagens no modernismo português, a partir do terceiro artigo que Fernando Pessoa publicou na Águia, “A poesia portuguesa psicologicamente considerada”. Neste artigo, Pessoa considera que a nova poesia portuguesa é simultaneamente subjectiva e objectiva, sendo que a sua objectividade deflui de, entre outras coisas, ser capaz de “pensar e sentir por imagens” (p. 44), e todo o poeta deveria aliar “rapidez” e “deslumbramento” (p. 46). Isto é, o fluxo de imagens deverá ser poeticamente o mais rápido possível, eliminando pelo caminho o sujeito que as pensa e sente. Ao poeta apenas incumbirá, o que convalida o afirmado na primeira parte do preâmbulo, submeter esse acervo de imagens a um plano de construção que confira organicidade ao poema. Ao encerrar o preâmbulo, demonstra-se como tais postulados serão essenciais para Poesia 61, ficando claro que nela desaguará uma linhagem que vem do simbolismo e atravessa modernismo e surrealismo. Isto é, a ideia de recriar na poesia uma alucinação afim da que a imagem cinematográfica provoca encontra uma primeira formulação no modernismo. Os poetas que ocuparão a primeira e a segunda partes do livro são herdeiros (a excepção é Cesário, um modernista avant la lettre) desta tradição; são poetas cujo lirismo é «abstracto», como o disse a autora noutros ensaios.

A primeira parte do livro é constituída por três ensaios: “Imagens, paisagens, espaços poéticos”, “Metáfora e imagem perceptiva na poesia de Cesário Verde” e “Errância e imagem na escrita de Al Berto”. O primeiro ensaio enuncia, através de W. J. T. Mitchell, uma mudança de paradigma: o nosso tempo preocupa-se com imagens, as quais encontramos no fundo dum texto, tal como no fundo duma imagem encontramos um texto. Tal asserção diz da necessidade de se encontrar na poesia as imagens que a constituem, até porque elas são muitas vezes reconstruções mais ou menos inventivas das imagens captadas quando o poeta deambula. Ou seja, o poema pode engendrar as suas próprias imagens e o seu próprio espaço. Se os engendrar deveras criativamente, eles poderão não ser visualizáveis para o leitor; cegá-lo-ão, portanto, como não raro sucede com a leitura de Herberto Helder. No caso desta poesia, nem de verosimilhança nem de representação se trata, mas de um outro mundo onde a voraz “proliferação das imagens” (p. 65) nos ensina a não ver. A deambulação a que a cidade moderna convida coloca diante dos olhos do poeta muitas imagens, como o segundo ensaio vai tornando claro. Cesário Verde foi um poeta “permeável” (p. 70) a essas imagens, que seriam reconstruídas poeticamente, já com uma persona que lhe oferecesse a distância não só para as pensar como para delas se proteger. Durante O Sentimento dum Ocidental, o sujeito torna-se progressivamente mais permeável à dor e apenas a procura da “perfeição das cousas” e a consecutiva transfiguração poética delas lhe oferecerá algum consolo. Isto é, Cesário “reabilita o real” (p. 84) quando o transfigura, quando mostra mais de que o visível, e é este tão pouco que o sustenta. Já Al Berto é uma “figura da errância” (p. 89) em cuja obra se cruzam, entre outros pares contraditórios, “experiência vivida e ficção”,  “prosa e verso”, “velocidade e contemplação”, “luz e sombra” (p. 90). Nela se plasma a “vertigem (da experiência urbana, da viagem, da paixão)” (p. 91) e se anseia por uma correspondência entre as imagens interiores e as que provêm do exterior, entre o eu e o outro, entre o eu e o mundo. Do mundo é esperada a forma que desminta a insistente desolação que dele nos repele, desta feita empurrando-nos para uma “preocupação imunitária, defensiva” que “acaba por tornar a comunidade impossível” (p. 100).

Da segunda parte do livro fazem parte quatro ensaios sobre poetas que partilhavam uma visão artesanal da poesia: “Imagens e sons no mundo de Sophia”, “1961: as imagens” (inédito), “Fiama ou opensamen- / tovisual” e “Alegoria, fragmento e montagem nos poemas longos de Ruy Belo” (o último dos inéditos). A abordagem a Sophia inicia-se pela mão de Herberto Helder, que dizia que os poemas da poeta se apresentam objectivamente, existem por si, são formas impessoais, são “o nome deste mundo dito por ele próprio” (Sophia dixit, p. 104). Esta apresentação impessoal do mundo dá-se porque a visualidade das imagens se combina com a dimensão fonemática do poema. Aliás, Sophia, como se sabe, lia os seus poemas sílaba a sílaba, fazendo jus aos versos de “Poema”, que integra Geografia. Mais de que procurar uma religação ao sagrado, os poemas de Sophia, diz Rosa Maria Martelo recorrendo a Giorgio Agamben, ostentam e vincam a distância que ao «distinto» está reservada. O cinema chega mesmo a insinuar-se em “Arte Poética IV” quando a poeta compara a consciência a um ecrã onde as coisas aparecem, mas apenas após um exercício paciente de escuta. Como se as imagens aparecessem acompanhadas pelos sons que lhes correspondessem, devolvendo-as à dimensão sagrada que as abriga (Jean-Luc Nancy), na medida em que também elas estão separadas das coisas: “as imagens não são as coisas na sua percepção negligente, como a sonoridade do poema acentua: elas são a intensidade absoluta das coisas, ou seja, o poético” (p. 116). Para a poética de Poesia 61, como explanado ao longo do segundo ensaio da parte que nos ocupa, a imagem também era estruturante, não porque houvesse intenção de converter o texto num ícone, como estaria previsto pela Po.Ex., antes cultivar a imagem mental, frequentemente com recurso à metáfora. Gastão Cruz, o principal teorizador de Poesia 61, considera, na esteira de Blanchot, que a poesia se deve libertar dos “constrangimentos do olhar” (p. 125), engendrando imagens fulgurantes que não são afins das que o mundo habitual nos concede. O poema engendra um “lugar” (Herberto Helder) ou uma “área branca” (Fiama), “um espaço de resistência ao hábito, à ordem, ao senso-comum” (p. 126) através da palavra poética. O poema é entendido como um processo de montagem de imagens que não são necessariamente visualizáveis, através de uma linguagem essencialmente substantiva e sintacticamente subversiva, questionando modos tradicionais de leitura. A poesia de Fiama, ao perseguir as imagens, vai em busca da própria biografia. No fundo de nós estão imagens indissociáveis de pensamentos: “opensamen- / tovisual”. Qualquer imagem poética é sempre uma selecção, tal como um enquadramento, embora também tenha o condão de sugerir outras imagens; e nenhum poeta se pode alhear da história das imagens transmitida pela cultura. Para Fiama, o poema resulta do intenso exercício da imaginação e do fascínio com a presença da Natureza, a qual nem nas imagens poéticas se nos torna menos invisível. O último ensaio desta parte sublinha a preferência, nos poemas longos de Ruy Belo, pelo emblema, em detrimento do símbolo, este mais propenso à convergência, enquanto o outro permite ao poeta destacar a desolação desencadeada pela distância. Diz a autora, numa passagem imparafraseável: “em Ruy Belo, como em Campos, raramente a alegria iguala o dia, sendo mais comum nos seus poemas o efeito em abismo pelo qual todas as vivências se desfazem ao reflectirem-se noutras vivências, tal como as estações se desfazem no desejo de outras estações e na suposição de que, essas sim, seriam autênticas. Ou melhor: autêntico será, em si mesmo, o processo pelo qual cada acontecimento traz em si a sua negação, destinado que está a medir-se com o tempo e com a perda, e acima de tudo com essa perda absoluta que é a morte.” (p. 153-154) E, um pouco à frente, rematando: “em rigor, perder é que é propriamente a autêntica estação”. (p. 154) Será dentro de um programa poético de concatenação de fragmentos, que dizem da perda provocada pela imparável passagem do tempo, que a autora caracteriza Ruy Belo como alegorista (como, de resto, a autora o havia feito a propósito de Manuel de Freitas noutros ensaios), posição sustentada por considerações de Walter Benjamin sobre poesia moderna. Apesar de ostentarem ruínas, o que é revelador da impossibilidade da expressão de totalidades, os poemas longos de Ruy Belo são orgânicos por se submeterem a um processo de montagem que se salda não raras vezes pelo uso dos mesmos recursos: paronomásia, anáfora, enumerações, decassílabo, rima interna, repetições, assonâncias, entre outros.

A derradeira parte do livro, cujo título é homónimo do do livro, “O cinema da poesia”, é sobretudo dedicada às obras de Herberto Helder e de Manuel Gusmão e é composta por quatro ensaios: “Na sala escura”, “«Qualquer poema é um filme»?”, “Entre poesia e cinema (Herberto Helder e Manuel Gusmão)” e “Imagens de imagens na poesia de Manuel Gusmão”. É nesta última parte que a presença do cinema mais se faz sentir, já que até este ponto os ensaios se centravam mais propriamente na relação entre poesia e imagem.

O primeiro ensaio gira em torno de um texto de Herberto Helder, “Cinemas”, publicado no número 3 da Relâmpago, e de uma entrevista concedida por Manuel Gusmão a Luís Miguel Queirós em 2008 integrada no n.º 18 dos Cadernos de Literatura Comparada. Da leitura paralela dos dois textos resulta uma visão comum da experiência cinematográfica, marcada pelo arrebatamento epifânico (à poesia herbertiana interessar-lhe-á o cinema sobretudo enquanto descarga de energia que faz vibrar os corpos). Manuel Gusmão acentua inclusivamente o facto de, na sala escura do cinema, todo um filme se desenrolar no interior do espectador, graças a rememorações e associações individuais. De resto, como acentua Max Milner, “no cinema contemplamos as imagens como se elas emanassem do nosso cérebro” (p. 172). As imagens cinematográficas transportam o espectador para um plano de indistinção entre real e imaginário (como curiosidade, acentue-se que “imagem” parece um anagrama de “magia”), que o leva a debater-se com os seus fantasmas pessoais. Para além disso, o cinema ainda conduz o espectador à percepção de imagens não humanas, como é acentuado por Artaud, Deleuze e Anne Sauvagnargues. O segundo ensaio inicia-se com uma comparação, devida a Luís Miguel Nava, entre a pele do corpo e a película do filme, espaços frágeis de inscrição de memórias e de imagens. A autora destaca ainda que a obra de Luís Miguel Nava “estabelece um nexo explícito entre experiência da memória e o cinema” (p. 185), ressalvando todavia que “as suas referências ao cinema nunca comportam qualquer dimensão ecfrástica reconhecível” (p. 186). Para Luís Miguel Nava, a memória humana é um acervo de imagens (umas mais visualizáveis de que outras), e não tanto de narrativas, delineado ao acaso, sucedendo o mesmo com a memória do cinema, como Godard, Passolini e Tarkovski, evocados pela autora, sublinham. Em “Salto em altura”, poema de Carlos de Oliveira incluído no livro Entre Duas Memórias de 1971, a relação com o cinema também não é ecfrástica, antes se dá através de uma transposição de processos, como o slow motion ou a montagem dialéctica. “Qualquer poema é um filme”, asserção de Herberto Helder que Rosa Maria Martelo procura debater, se e só se for capaz de traduzir uma “experiência do tempo em sentido absoluto, crónico, não sequencial ou cronológico” (p. 195) através da concreção das suas imagens fantasmáticas, tal como o primeiro modernismo, de que são herdeiros Luís Miguel Nava, Herberto Helder e Carlos de Oliveira, ensinara. O terceiro ensaio aprofunda a relação entre poesia e cinema, desta feita explorando mais um texto convocado noutros momentos do livro: “(memória, montagem)” de Herberto Helder. Neste texto, o poeta diz que o tempo apenas se exprime no espaço poeticamente engendrado. As imagens que formam o espaço poético contêm, de acordo com Herberto, “partes inflamáveis” (p. 199), assim interpelando o sujeito. Tais “pontos luminosos” (referência a Pound na nota a Ou o poema contínuo (súmula)) estimulam a memória que por sua vez sobre eles agirá. É a organização das imagens, a montagem, a excitar a memória, concedendo-lhe “a evidenciação absoluta do tempo da vida (e da morte)” (p. 200), sem que a esse tempo presida necessariamente uma sequencialidade. Para explicar este regime poético em que o tempo se sobrepõe ao movimento, em que imagens pouco mais deixam que ver que intensidade, com isso deixando o leitor siderado, Rosa Maria Martelo recorre à noção deleuziana de “imagem-cristal” (p. 202-203). Um dos autores mais empenhados nesta intermedialidade é Manuel Gusmão, sobretudo em Migrações do Fogo. Logo no título desta obra é sugerido um diálogo com outros poemas e outras artes (que se efectiva sobretudo com o cinema). Nos poemas em que o cinema se insinua, toda a possibilidade de sentido nasce do confronto entre a enciclopédia cinematográfica do leitor e as suas memórias. Para Manuel Gusmão, filme é entendido como narrativa ou como encadeamento não linear de imagens, e cada alusão intertextual está em itálico, como sucede no primeiro poema de Migrações do Fogo, analisado pela autora, onde é estabelecida uma relação ecfrástica com In the mood for love de Wong Kar-Wai. Este poema, para além de conseguir traduzir “a proximidade física, mas existencialmente desencontrada das personagens” do filme, a que o poeta chama “dança” (p. 209), explora a noção de “labirinto” (p. 214), entendida como “coalescência de vários tempos numa dada unidade de tempo” (p. 215) e de várias imagens que deles são concreções respectivas, factor que torna plurissignificativo o texto. Certo cinema, que Deleuze viu sob o regime da imagem-tempo, afim da imagem poética, interrompe a linearidade temporal, o que o torna “denso de sentido” (p. 217), activando a memória e propiciando ipso facto a irradiação de um filme interior. Nesse sentido, a imagem-tempo é homóloga da imagem poética. A migração das imagens, isto é, dos tempos, é mediada pela memória e pela experiência humanas, através das quais todo o sentido se produz e metamorfoseia. No derradeiro ensaio do livro, a autora começa por rastrear na poesia de Gusmão referências a espaços nos quais tempos se estratificam, como a Igreja de S. Clemente, em Roma. Não esquecer as imagens é tarefa ética: é reconhecer o tempo – o outro – que nos espera. É por isso que Rosa Maria Martelo diz ser o tempo uma das questões essenciais na obra (poética e ensaística) de Manuel Gusmão. Toda as imagens poéticas são imateriais, mas as da poesia de Manuel Gusmão são fluidas particularmente pela função catacrética que desempenham, ao distenderem a língua até ao ponto onde ela gagueja o não-dito. As imagens sucedem-se mas nem por isso se tornam visíveis ou estabelecem entre si relações de sentido imediatamente apreensíveis pelo leitor. No fundo, Manuel Gusmão recupera alguns dos princípios modernistas que definiam a poesia como arte autotélica, assente numa imaginação sem freio e na “derrota do olhar” (p. 231) que ensinaria o leitor a ver. Nas últimas páginas do ensaio, a autora salienta que os mecanismos ecfrásticos da poesia de Gusmão reproduzem formas de “ver com(o) o cinema” (p. 235), como sucede com o enquadramento, que consiste numa selecção de informação visual devidamente delimitada. Isto diz da forma como o poeta encara o mundo, que já nos chega enquadrado pela História, pelas vozes do passado com as quais é nossa responsabilidade manter o diálogo, não sendo possível a emergência de “uma voz irremediavelmente lírica como expressão prospectiva de uma identidade sentimental” (p. 238), nem um “olhar isento da memória das imagens” (p. 238), o que leva a autora a concluir que “a presença do mundo (que se pressente como ausência) depende da precipitação das imagens que o actualizam” (p. 239). A poesia de Manuel Gusmão consiste no reconhecimento da impossibilidade de um olhar inocente, do que decorre a incorporação das vozes e imagens que enformam o mundo. A despolarização do sujeito lírico é outra das características da sua poesia, configurada como teatro do tempo onde se vêm inscrever estratos sobre estratos, vozes sobre vozes, imagens sobre imagens, tempos sobre tempos, como sucede com a Igreja de S. Clemente de Roma. Tal polifonia é, afinal, a materialização da “espécie de nostalgia da poesia narrativa” (p. 246) que Manuel Gusmão, numa entrevista, reconheceu sentir.

Pedro Meneses, O Melhor Amigo (Março de 2013).

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Prémio de Ensaio do PEN Clube é hoje entregue a Rosa Maria Martelo


Os Prémios PEN nas áreas da Poesia, Narrativa, Ensaio e Primeira Obra, são entregues hoje, às 18:30, na Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), em Lisboa.

O Prémio de Ensaio distinguiu duas obras ex-aequo, entre as quais O Cinema da Poesia, de Rosa Maria Martelo, publicada pela Documenta.

O júri foi constituído por Teresa Salema, João de Almeida Flor e António Carlos Cortez



terça-feira, 17 de setembro de 2013

Grande Prémio de Ensaio "Eduardo Prado Coelho" é amanhã entregue em Vila Nova de Famalicão


Rosa Maria Martelo recebe o Grande Prémio de Ensaio “Eduardo Prado Coelho" no próximo dia 18 de Setembro, pelas 17h30, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão. 

Este prémio, decidido por unanimidade por um júri constituído por Clara Rocha, José Cândido Martins e José Carlos Seabra Pereira, foi atribuído pela obra O Cinema da Poesia, editada pela Documenta.


Rosa Maria Martelo nasceu no Porto, em 1957. É professora associada com agregação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. Doutorada em Literatura Portuguesa, tem estudado a poesia moderna e contemporânea e as relações inter-artísticas (poesia/cinema). Algumas publicações: Carlos de Oliveira e a Referência em Poesia (Campo das Letras, 1998), Em Parte Incerta. Estudos de Poesia Portuguesa Contemporânea (Campo das Letras, 2004), Vidro do Mesmo Vidro – Tensões e deslocamentos na poesia portuguesa depois de 1961 (Campo das Letras, 2007), A Porta de Duchamp (Averno, 2009), A Forma Informe – Leituras de Poesia (Assírio & Alvim, 2010, Prémio Jacinto do Prado Coelho), O Cinema da Poesia (Documenta, 2012). Organizou, com Joana Matos Frias e Luís Miguel Queirós, a antologia Poemas com Cinema (Assírio & Alvim, 2010). Tem colaboração dispersa em várias publicações colectivas nacionais e estrangeiras, e em diversas revistas (Colóquio/LetrasRelâmpago, Telhados de Vidro, Diacrítica, Cadernos de Literatura Comparada, Abril, Tropelías, entre outras).

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Rosa Maria Martelo recebe Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho


Rosa Maria Martelo recebe o Grande Prémio de Ensaio “Eduardo Prado Coelho" no próximo dia 18 de Setembro, pelas 17h30, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão. 

Este prémio, decidido por unanimidade por um júri constituído por Clara Rocha, José Cândido Martins e José Carlos Seabra Pereira, foi atribuído pela obra O Cinema da Poesia, editada pela Documenta.


terça-feira, 7 de novembro de 2017

Contemplação Particular I António Gonçalves


Contemplação Particular
António Gonçalves

Textos de Elísio Summavielle, Rosa Maria Martelo, António de Castro Caeiro, Luís Quintais,
Maria Souto de Moura, António Celso Ribeiro Vitória

ISBN: 978-989-8834-78-2

Edição: Setembro 2017
Preço: 37,74 euros | PVP: 40 euros
Formato: 24 x 29,5 cm (encadernado)
Número de páginas: 104 (a cores) / contém DVD

Edição bilingue: português-inglês



«Apresento um corpo visto de dentro, feito da sua pulsão, do seu estímulo, dos seus impulsos, numa afiguração não objectiva, mas provocatória da sensibilidade.»


«Contemplação particular é o título atribuído ao políptico que apresento neste projecto, uma pintura de grande formato que se insere num núcleo de trabalhos resultantes do meu estudo e prática da pintura. Trabalhos desenvolvidos com base na leitura das Tentações de Santo Antão, entre outros que foram formando uma base de estudo do erótico, do religioso, do pensamento estético e filosófico onde o corpo e a sua sexualidade têm uma forte presença. O políptico foi impondo a necessidade de um espaço autónomo, um espaço que lhe fosse dedicado e para ele construído. Neste sentido, ocorreu-me a possibilidade de desafiar um arquitecto a projectar um edifício que albergasse a pintura, que fosse um espaço consagrado à contemplação da mesma, permitindo uma experiência de observação e de fruição, onde o público entre sem qualquer inibição, podendo vivenciar uma experiência contemplativa e de introspecção. […]

O projecto arquitectónico nasceu de uma necessidade imposta pela escala da pintura. O políptico foi adquirindo uma dimensão que me levou a pensar a sua forma de exposição. Senti que deveria ter um espaço próprio, um espaço que permitisse a sua contemplação, que não fosse o convencional espaço da galeria ou do museu, mas um espaço mais próximo dos espaços públicos que assistam a recolha e o silêncio daqueles que os frequentam.»
[António Gonçalves]


Pintura e concepção do projecto: António Gonçalves Arquitectura: Maria Souto de Moura Música: António Celso Ribeiro Vitória (com António Luís Silva no piano). Obra em exposição no CCB, em Lisboa, de 8 de Abril a 25 de Junho de 2017.

António Gonçalves (1975), Vila Nova de Famalicão. Frequentou a Escola Soares dos Reis, Porto. Licenciou-se em Artes Plásticas – Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Frequentou a Faculdade de Belas Artes de Cuenca-Espanha, ao abrigo do Projecto Erasmus 1998/1999.
 Doutorando em História de Arte, na Universidade de Les Illes Balears, Palma Maiorca. Artista Plástico; Director Artístico da Galeria Municipal, Ala da Frente, Vila Nova de Famalicão, desde 2015; Director Artístico da Fundação Cupertino de Miranda Vila Nova de Famalicão, desde 2002; Professor Auxiliar na Escola Superior Artística do Porto, extensão de Guimarães, de 2001 a 2014 e Adjunto do Director Artístico da Fundação Cupertino de Miranda - Famalicão 2000/2002.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A Escrita do Cinema: Ensaios I Vários autores



A Escrita do Cinema: Ensaios
Vários autores

Clara Rowland e José Bértolo (org.)

ISBN: 978-989-8618-97-9

Edição: Novembro de 2015

Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros
Formato: 16 x 22 cm [brochado]
Número de páginas: 336


Os ensaios reunidos neste livro […] partem do pressuposto de que um olhar teoricamente informado sobre as relações entre escrita e cinema – e não, atente-se, sobre literatura e cinema – necessariamente conjuga a tentativa de tornar visíveis os modos de inscrição de ideias de literatura no filme (por exemplo, na representação temática de cenas de escrita ou de leitura, ou na exploração da superfície fílmica como suporte para uma inscrição gráfica) com uma atenção à escrita como parte integrante, mas não visível, do filme.
Foi este, de facto, o ponto de partida para o projecto de investigação Falso Movimento – Estudos sobre Escrita e Cinema, que desde o início de 2012 procurou construir, a partir do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, um espaço de discussão das possíveis correspondências, diferenças e espelhamentos entre cinema e escrita, que não considerasse a adaptação como canal único para pensar estas questões e que permitisse interrogar formas diferentes de sobreposição, contaminação e oposição entre ideias de literatura e ideias de cinema em jogo em meios de representação distintos. Ao longo do projecto, procurámos pensar de forma cruzada os possíveis desdobramentos do binómio escrita-cinema: considerando as formas de presença, encenação e inscrição da escrita no cinema, a partir da presença material e temática da escrita ou de figuras do literário nos filmes; as formas de escrita à volta do cinema (argumento, crítica, novelização), e os problemas teóricos que levantam; e a possibilidade de entender o próprio cinema como uma forma de escrita, quer na apropriação, por analogia, de formas, géneros e tropos literários (pense-se no filme-diário, ou no filme-carta), quer nas múltiplas derivações de uma figura como a caméra-stylo, imaginada por Alexandre Astruc. [Clara Rowland]

Ensaios de Adrian Martin, Amândio Reis, Clara Rowland, Emília Pinto de Almeida, Fernando Guerreiro, Guillaume Bourgois, Hajnal Kiraly, Joana Matos Frias, Joana Moura, José Bértolo, Luís Mendonça, Maria Filomena Molder, Mário Jorge Torres, Pedro Eiras, Rita Benis, Rosa Maria Martelo, Sonia Miceli, Susana Nascimento Duarte, Timothy Corrigan e Tom Conley.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Poesia - Palavra, Imagem, Som


«Os ensaios reunidos neste livro constituem diferentes tentativas de aproximação aos processos de fazer imagem na poesia moderna e contemporânea.» Rosa Maria Martelo.


«A grande poesia da nossa época é o rock. As palavras são tão importantes como o ritmo.» Marshall McLuhan