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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Júlio Pomar e Rui Chafes: Desenhar


Júlio Pomar e Rui Chafes: Desenhar
Júlio Pomar, Rui Chafes

Textos de Sara Antónia Matos, João Barrento, Maria João Mayer Branco

ISBN: 978-989-8618-98-6

Edição: Janeiro de 2016

Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros
Formato: 17 × 21 cm [brochado, com sobrecapa]
Número de páginas: 192 (com imagens a cores)

Edição bilingue: português-inglês

[ Em colaboração com o Atelier-Museu Júlio Pomar ]

Catálogo publicado por ocasião da exposição «Júlio Pomar e Rui Chafes: Desenhar», realizada no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, de 8 de Outubro de 2015 a 21 de Fevereiro de 2016.

«Júlio Pomar e Rui Chafes: Desenhar» dá início a um programa de exposições do Atelier-Museu que procura cruzar a obra de Júlio Pomar com a de outros artistas, de modo a estabelecer novas relações entre a obra do pintor e a contemporaneidade.

A exposição foi pensada, desde a sua génese, como uma intervenção específica no espaço do Atelier-Museu, onde Júlio Pomar [Lisboa, 1926] e Rui Chafes [Lisboa, 1966] desenham recorrendo às qualidades dos traços negros, esboçados ora em linhas de carvão e grafite ora em linhas de ferro tridimensionais, assim investindo sobre uma ideia particular de «desenho» que toma corpo no espaço.

Sendo a exposição pensada como um desenho que ocupa todo o Atelier-Museu, transformando-se o espaço do museu no suporte dessa disciplina, isso envolve questões disciplinares, nomeadamente a de pensar o desenho no campo da espacialidade, e a permeabilidade da obra pelo espectador, que nela penetra ao entrar no espaço. [Sara Antónia Matos]

quinta-feira, 10 de março de 2016

Rui Chafes: Sob a Pele - conversas com Sara Antónia Matos


Rui Chafes: Sob a Pele
conversas com Sara Antónia Matos
Rui Chafes, Sara Antónia Matos

Apresentação de Sara Antónia Matos

ISBN: 978-989-8833-00-6

Edição: Fevereiro de 2016

Preço: euros 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 12 x 17 cm [brochado]
Número de páginas: 192

[ Em colaboração com o Atelier-Museu Júlio Pomar ]


«[…] No nosso mundo actual, tudo é horizontal, tudo está ao mesmo nível e tem o mesmo valor. Os valores são todos iguais, não há hierarquias, os conhecimentos não são transmitidos dos mais velhos para os mais novos: as pessoas não olham para cima, olham para o lado, logo, nunca aprendem, só copiam.
Interessa-me mais uma ética samurai, corajosa e vertical, determinada, radical, consequente até ao fim. Gosto de pessoas (e de artistas) verticais, que pensam e agem desta maneira. Talvez esteja a falar dos últimos samurais.»

«A palavra pode ter um poder conciliador ou mortal, um poder redentor ou destrutivo. Uma palavra pode salvar uma pessoa ou aniquilá-la. Todos nós já tivemos experiências dessas, momentos em que alguém nos disse alguma coisa que nos levantou ou, pelo contrário, arruinou. “Diz uma só palavra e seremos salvos…”».

«Eu acredito que nada que um artista diga tem demasiada importância face à sua obra, a obra deve valer por si. Ela fala e transporta uma voz mais poderosa do que as suas pobres palavras. Só a obra tem uma linguagem auto-suficiente, própria, interna, o resto surge como acessório. O que não significa que não haja um complemento indispensável à obra que passa pelo discurso e pela tentativa de produção de pensamento. Não é só o objecto que conta, é importante que exista um corpo de ideias e um discurso por detrás, a acompanhar, a sustentar ou a fundamentar a obra, e que a torne diferente dos outros objectos e artefactos comuns.» [Rui Chafes]


Rui Chafes nasceu em Lisboa, em 1966. Formou-se em Escultura na ESBAL, em 1989, seguindo depois para Dusseldórfia, onde frequentou a Kunstakademie, sob a direcção do artista alemão Gerhard Merz. Expôs pela primeira vez individualmente em Lisboa (1986) numa exposição intitulada Pássaro Ofendido. Sonho e Morte, Centro Cultural de Belém, Lisboa (1993). Würzburg Bolton Landing (CAM/FCG), Lisboa (1995) e Durante o Fim, Sintra Museu de Arte Moderna, Palácio Nacional da Pena, Sintra (2000), são algumas das suas exposições mais importantes. Publicou vários livros (Würzburg Bolton Landing, Durante o Fim, O Silêncio de…), escolheu e traduziu Fragmentos de Novalis. Vencedor do Prémio Pessoa 2015.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Exúvia, Gelo e Morte – A arte de Rui Chafes depois do fim da arte I Luís Quintais


Exúvia, Gelo e Morte – A arte de Rui Chafes depois do fim da arte
Luís Quintais

ISBN: 978-989-8566-93-5

Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado)
Número de páginas: 120

Edição bilingue: português-inglês

[Em colaboração com a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão (Ala da Frente)]

Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Exúvia», de Rui Chafes, com curadoria de António Gonçalves, em colaboração com a Galeria Filomena Soares, realizada na Galeria Ala da Frente, em Vila Nova de Famalicão, de 17 de Outubro de 2015 a 23 de Janeiro de 2016.

Uma medida de melancolia ou uma hipótese elegíaca torna-se manifesta. O trabalho de Rui Chafes adquire tonalidades que o colocam do lado de uma certa consciência de que vivemos num mundo onde a beleza é um dilaceramento, uma contemplação do gelo, um confronto com uma inscrição violenta e ilegível que percorre a pele da terra, da Natureza, do rosto de humanos nas grandes metrópoles do abandono […]. [Luís Quintais]

terça-feira, 5 de maio de 2015

Oracular Spectacular: Desenho e animismo I Daniel Barroca, Rui Chafes, Alexandre Conefrey, Mattia Denisse, Otelo Fabião, Jorge Feijão, Rui Moreira, Pedro A.H. Paixão, Gonçalo Pena, António Poppe, Paulo Serra, Thierry Simões


Oracular Spectacular: Desenho e animismo
Vários autores

Edição bilingue – português/inglês

ISBN: 978-989-8618-62-7

Edição: Abril de 2015

Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 16 × 24 cm
Número de páginas: 264 (a preto e branco e a cores)

[ Co-edição: A Oficina, CIPRL ]

Catálogo publicado por ocasião da exposição «Oracular Spectacular: Desenho e animismo», de Daniel Barroca, Rui Chafes, Alexandre Conefrey, Mattia Denisse, Otelo Fabião, Jorge Feijão, Rui Moreira, Pedro A.H. Paixão, Gonçalo Pena, António Poppe, Paulo Serra, Thierry Simões [24 de Janeiro 2015 – 5 de Abril 2015, na Plataforma das Artes e da Criatividade / CIAJG, Guimarães], produzida pelo Centro Internacional das Artes José de Guimarães.

Reenviando para o título da exposição, familiar a um alargado conjunto de pessoas por ser o título de um álbum de uma conhecida banda de música pop, mas de certa forma misterioso na formulação e na terminologia, procuramos relevar o cariz ou a natureza propiciatória, divinatória do desenho, que é tributário, por um lado, da rapidez, leveza e intuição, capacidades aliadas ao inconsciente, e, por outro lado, da minúcia, qualidade de pormenorização e de ordenação que, indiscutivelmente, possibilita. Assim, o desafio foi de revelar o modo particular como, num conjunto amplo de uni-versos artísticos, se processa, se formula o momento antes de mostrar, antes de fixar a forma ou a figura. No fundo, fazer aceder o espectador ao círculo que delimita o território interdito do ritual, o espaço do sagrado e do segredo do fazer artístico do qual o desenho participa. Oracular Spectacular convoca e faz conviver aparições, fantasmas, esconjurações, ocultações, camadas temporais e semânticas, corpos sem forma e formas sem corpo, cantos, orações e meditações, o ar e a terra, entidades humanas, vegetais e animais, num mesmo plano de significação. [Nuno Faria]

O desenho provém das zonas mais íntimas e luminosas de um artista, aquelas que o acompanham sempre e das quais ele não poderá fugir nunca. O desenho é uma linha contínua, permanente em toda a caminhada que um artista faz através do Mundo. É uma escrita de fogo, frágil e irredutível ao mesmo tempo. Para qualquer artista, é a linha mais curta entre a cabeça e a mão, entre o coração e a alma: é, sem dúvida, o trabalho mais íntimo de um artista. São estas frágeis linhas que são capazes de instaurar as mais profundas sombras neste mesmo Mundo. [Rui Chafes]

sábado, 17 de novembro de 2012

«Entre a Terra e o Céu», de Rui Chafes


Entre o Céu e a Terra
Rui Chafes


ISBN: 978-989-97719-6-3

Edição: Outubro 2012

Preço: 9,43 euros | PVP: 10 euros

Formato: 17×21 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 64 (com reproduções)

«Luz e trevas são a mesma coisa, em ambas reside a mesma energia. Quem possui ouro no seu âmago tem de aprender a trabalhar com ele, para que as outras pessoas consigam ver que, por trás da aparente escuridão, existe um ser de luz, um ser luminoso. A luz vem das trevas, pois é aí que nasce a luz.»


Rui Chafes, «O perfume das buganvílias», Entre o Céu e a Terra

«Reunindo a autobiografia do escultor (tão exacta quanto a memória o permite) e o registo de uma sua conferência, Entre o Céu e a Terra testemunha uma posição no mundo e, ao mesmo tempo, a dificuldade de resistir, sem nunca desistir.
Também a resistência poética que uma obra oferece, inclusivamente ao seu próprio autor, é a medida da sua qualidade. Uma obra de arte exige trabalho e esforço do público, não pode ser apenas mais um sedutor espectáculo para preguiçosos. Ela não deve menosprezar o espectador, tem de o ajudar a defender a sua dignidade nesta era de massificação, banalização, frivolidade, superficialidade, efemeridade mediática, consumismo desenfreado e sensacionalismo que espelham a vacuidade dos desígnios desta civilização do espectáculo que nos habituámos a aceitar com passiva indiferença.
Na esterilidade deste vazio, não se pode desistir de procurar a beleza e a verdade. Há que densificar o trabalho, para que possa existir espírito e pensamento. Será necessário instaurar pontos ásperos, baços, rugosos, e foscos num mundo escorregadio, brilhante e digital.» [Contracapa]

sábado, 31 de março de 2018

Todos os Títulos Estão Errados I Paulo Quintas


Todos os Títulos Estão Errados
Paulo Quintas

Textos de Isabel Carlos, Sara Antónia Matos, Rui Chafes

ISBN 978-989-8902-09-2 | EAN 9789898902092

Edição: Março de 2018
Preço: 26,42 euros | PVP: 28 euros
Formato: 20 x 25,4 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 224 (a cores)

Edição bilingue: português-inglês

[EGEAC, Documenta, Fundação Carmona e Costa]



Quintas tem vindo a construir uma obra assente na rarefacção da imagem, onde o «escavar» é tão importante como o colocar ou o acrescentar camadas, na incerteza  do destino da interpretação e num regresso ao gesto primeiro da pintura. 


Na pintura de Paulo Quintas […] não há figuração humana e a rarefacção da figura, em geral geométrica e abstracta, a dissolução ou erosão das formas nas superfícies pictóricas parecem ser marcas da sua obra — o que me leva a dizer que a pintura  de Paulo Quintas é tocada pela índole da morte e da anulação. Tudo nela é da ordem da erosão, tudo tende a desaparecer e como que a desfazer-se na superfície da tela, tudo nela remete para a dissolução espacial. 
[Sara Antónia Matos

A designação da exposição impôs-se, assim, com uma clareza tão luminosa quanto cortante: «Todos os títulos estão errados», ou poderíamos dizer o seu contrário, todos os títulos estão certos. A intenção é propositadamente instalar uma espécie de desconforto com as afirmações, as nomeações, as sínteses, as grandes definições e os sistemas fechados: «Gosto de dizer uma coisa e o seu contrário. Os fragmentos estão cheios de identidade» (PQ). 
[Isabel Carlos

Gosto desta pintura, porque é verdadeira e corajosa. É directa, vem de dentro, de uma urgência de a fazer para a poder ver feita. […] 
Esta é a pintura de quem gostaria de se enterrar e deixar de ser (a vida do artista é a cova que ele vai cavando com os pés até desaparecer por completo na terra, enquanto vai revelando ao Mundo as «verdades místicas»). É a Obra de alguém que sabe que o preço é altíssimo: de alguém que paga as coisas (e a vida) com a própria alma. 
[Rui Chafes]



Paulo Quintas nasceu na Ericeira, em 1966. Vive e trabalha em Santa Rita, Torres Vedras. Frequenta o curso de Doutoramento em Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2009); Pós-graduação em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2005); Licenciatura em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (1997). Participa em exposições individuais e colectivas, no país e no estrangeiro, desde 1990. Está representado nas seguintes colecções: BANIF MAIS, Lisboa, Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Lisboa; Fundação PLMJ, Lisboa; Culturgest - Caixa Geral de Depósitos, Lisboa; Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, Lisboa; ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações, Lisboa; Colecções privadas em Portugal, Espanha e Suíça.

«Tem vindo a desenvolver, desde o final da década de oitenta, um percurso artístico sólido e radicalmente individual, impermeável a modismos ou tendências diáfanas e talvez seja por isso que a sua obra não tem tido a visibilidade merecida.» [Isabel Carlos]

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Cabrita Reis: A Voragem do Mundo – Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro


Cabrita Reis: A Voragem do Mundo – Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro
Pedro Cabrita Reis, Pedro Faro, Sara Antónia Matos

ISBN: 978-989-8834-99-7

Edição: Dezembro de 2017
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 12 x 17 cm [brochado]
Número de páginas: 192

[ Em colaboração com o Atelier-Museu Júlio Pomar ]



Eu e o mundo alimentamo-nos mutuamente… […] Está tudo ao meu alcance, 
ao alcance da vontade, ao alcance do desejo de devorar. Só se ama, só se vive 
devorando o corpo amado. Neste caso, o «corpo amado» é o mundo inteiro. 


Cabrita Reis: A voragem do mundo. Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro insere-se na colecção Cadernos do Atelier-Museu Júlio Pomar e dá seguimento ao projecto de entrevistas que se iniciou com Júlio Pomar: O Artista fala…[2014], continuou com Rui Chafes: Sob a pele [2015] e teve seguimento com Julião Sarmento: O Artista como ele é [2016]. 
As entrevistas são feitas por ocasião do programa de exposições do Atelier-Museu, que cruza a obra do pintor com artistas convidados, mostrando novas relações daquele com a contemporaneidade. 
Periodicamente, durante a investigação, as conversas vão acontecendo, ora no atelier do artista, ora no museu, gerando-se um corpo de diálogos espaçados no tempo, que poderá servir para o leitor acompanhar e desvendar o processo de preparação da exposição, desde a sua concepção até às opções de montagem e materialização. 
De realçar que o projecto de exposição Das Pequenas Coisas foi construído passo a passo com Cabrita Reis, concorrendo estas conversas para definir as obras que entraram na exposição, o conceito a elas inerente, a forma de as apresentar no espaço, o título da exposição e as publicações. Desse modo, as conversas e períodos de investigação desenvolvidos com o artista revelaram-se fundamentais para a exposição que se centrou (por sugestão do próprio Cabrita Reis) nas assemblages de Júlio Pomar (realizadas sobretudo nas décadas de 1960 e 1970) e num conjunto de peças relativamente pequenas de Cabrita Reis, intimamente relacionadas com momentos da sua vida privada. Na verdade, através das conversas, veio a perceber-se que, embora não esteja explícito na materialização da obra, cada peça conta uma história e um episódio de vida. 
[Sara Antónia Matos



Sobre Pedro Cabrita Reis, consultar www.sistemasolar.pt

sábado, 9 de setembro de 2017

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Julião Sarmento: O Artista como ele é – Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro


Julião Sarmento: O Artista como ele é – 
Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro

ISBN: 978-989-8834-52-2

Edição: Dezembro de 2016
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 12 x 17 cm [brochado]
Número de páginas: 168

[ Em colaboração com o Atelier-Museu Júlio Pomar ]


Julião Sarmento: O Artista como ele é  Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro insere-se na colecção Cadernos do Atelier-Museu Júlio Pomar e dá seguimento ao projecto de entrevistas que se iniciou com Júlio Pomar: O Artista Fala… [2014], continuou com Rui Chafes: Sob a pele... [2015], surgindo agora a propósito da exposição Void*: Júlio Pomar & Julião Sarmento.
As entrevistas são feitas por ocasião do programa de exposições do Atelier-Museu que cruza a obra do pintor com artistas convidados, mostrando novas relações daquele com a contemporaneidade.
Esta publicação […] poderá servir para o leitor acompanhar e desvendar alguns dos processos mais exigentes e enigmáticos do mundo da arte, nomeadamente a criação artística e a concepção de exposições. Embora estes domínios sejam cada vez mais especializados, requerendo práticas, metodologias e saberes próprios, procurou aqui dar-se conta do processo de preparação da exposição: passando pela concepção, discussão de ideias a ela subjacentes, procura e selecção das obras, decisões de montagem e opções de materialização da exposição, bem como os avanços e recuos decorrentes do trabalho.
As conversas abrangeram questões relativas à vida pessoal, ao percurso profissional e aos posicionamentos ideológicos do autor, às conquistas e dificuldades pessoais no domínio específico das artes, e ainda às circunstâncias sociopolíticas que o mesmo viveu, ajudando a transformar ou sendo constrangido por elas.
As pequenas narrativas da vida do artista, aqui contadas pelo mesmo, oferecem-se assim como fontes históricas, de contexto, memórias a partir das quais se inferem questões relativas aos sistemas artísticos e sociopolíticos, da época e de hoje, muitas vezes revelando e pondo em cima da mesa nomes, protagonistas decisivos, que foram esquecidos ou ficaram submersos pelo tempo. [Sara Antónia Matos]

Julião Sarmento [Lisboa, 1948], artista plástico, é autor de uma obra multifacetada, tendo iniciado actividade nos anos de 1970, enquadrando-se nas práticas artísticas mais avançadas desse período. Na década seguinte iria afirmar-se como um dos artistas plásticos portugueses com maior projecção nacional e internacional, expondo em galerias e museus de grande prestígio.

segunda-feira, 17 de março de 2014

«A “Autobiografia” de Thomas Bernhard», por João Barrento




Acaba de sair, na editora Sistema Solar, um volume que reúne as cinco narrativas que, posteriormente à morte de Thomas Bernhard, foram agrupadas com o título — que o autor nunca lhes deu — de Autobiografia.

O Público de hoje  [14 de Março de 2014] traz um desenvolvido artigo de José Riço Direitinho sobre este novo livro de Bernhard traduzido por José Palma Caetano, onde são transcritas algumas declarações minhas. Elas resultaram de cinco perguntas que Riço Direitinho me colocou, e a que respondi procurando articular um discurso que fosse ao encontro das questões colocadas e ao mesmo tempo pensasse alguns tópicos essenciais desta «Autobiografia» e da Obra de Bernhard em geral. Como o texto aparece disperso e fragmentário no jornal de hoje, deixo aqui o que escrevi, pela ordem das questões que me foram colocadas. 

1.
Se colocar a mim próprio a questão do «grande escritor» no espaço de língua alemã, ocorre-me certamente um nome como Günter Grass, que, mais do que um grande escritor, é – como Thomas Mann antes dele, ou Goethe para este romancista – um dos grandes «representantes» da literatura de língua alemã do pós-guerra, com uma Obra que acompanha e reflecte como poucas a sua própria época. Um outro grande antecessor de Bernhard, simultaneamente espelho de uma época e «escritor da escrita» – falo de Robert Musil –, distinguia entre os «grandes escritores» (cujo paradigma seria Thomas Mann) e os «homens do circo» (ele próprio). Bernhard é um grande escritor – agora sem aspas! – precisamente porque é o grande «homem do circo» das letras austríacas na segunda metade do século XX. E a arena desse circo, não diria trágico, mas agónico, é a sua própria existência (a sua alma?) de palhaço pobre e hiperlúcido, muitas vezes cáustico, outras vezes snobe, sempre capaz de um humor soberano, no grande lunaparque da sociedade e da história austríaca e europeia. Ou do mundo em geral, que ele via – não sem razão, constatamo-lo hoje claramente – como «um lugar cheio de erros». Entre nós, alguns, que podemos ver como versão menos funambulesca, mas igualmente radical e íntegra, viram também desse modo aquilo a que se chama «mundo» – que «é um erro», disse um dia Rui Chafes, que não tem forma fixa nem é lugar idílico, mas um «jardim devastado», escreve Maria Gabriela Llansol).

2.
A questão da autobiografia é uma não-questão em Thomas Bernhard, de tal modo a sua obra é inequivocamente a sua vida genialmente transfigurada – ou nem tanto – como, uma vez mais, o é numa autora nossa como Llansol. O autobiográfico enquanto matéria ficcionada (e muito reinventada, em particular nos «factos» desta Autobiografia) é em Bernhard o equivalente do seu estilo enquanto linguagem redundante que, como Adorno dizia de Beckett, é espelho de uma «historicidade imanente». Toda a Obra de Bernhard – em especial a ficção, que é autobiográfica, e a autobiografia, que não pode deixar de ser lida como ficção, e como tal se apresenta – é uma construção comparável àquela que serve já a Goethe para definir a forma então nova da «novela»: a partir de um centro que é «um acontecimento insólito» e obsessivo (aqui: ele próprio, Thomas Bernhard), vão-se desenvolvendo ondas concêntricas, semelhantes, mas de amplitude e intensidade diversas, num eterno ciclo da diferença na repetição. Ler Bernhard é, assim descobrir esse núcleo central e seguir os círculos que dele nascem e constituem a matéria do romance – ou da autobiografia, que, deste ponto de vista, não é mais nem menos importante do que o romance propriamente dito. Aqui, a ficção é autobiografia deslocada e amplificada, e a autobiografia necessariamente ficcionada, isto é, transfigurada para servir, quer os mitos pessoais do autor, quer a sua vontade de dar a ler a História na experiência subjectiva. Esconde-se aqui um paradoxo central da escrita de Thomas Bernhard: o eu, empolado até ao limite do insuportavelmente reconhecível, é, afinal, o momento menos importante dessa escrita. É ela, a própria escrita, que verdadeiramente conta, na sua radicalidade e singularidade. O resto, que está fora dos círculos desse mar de linguagem, é... o chamado «mundo» – que não existe, e não interessa, a não ser para denunciar o seu absurdo pela escrita.

3.
Daqui, é fácil concluir por que razão a Obra de Bernhard continua a questionar-nos, mesmo fora do seu habitat mais evidente e natural, a Áustria do autor. Mas, por mais estranho que pareça, o mais importante nesta Obra não é, nem o autor, nem «a sua» Áustria (de que ele parece estar sempre hainamouré, diz um crítico francês). Isso torna-se evidente hoje, quando o podemos ler com maior distância e serenidade. O que conta e o que fica é essa sua capacidade de transpor para uma linguagem límpida e limpa (apesar de todo o esterco do mundo que lhe subjaz) um posicionamento heterofágico, que engole o outro, o social, a História, para o vomitar no papel, que destila veneno sobre o mundo, mas mais não pretende do que, à maneira do seu par Samuel Beckett e do seu «realismo» também agónico, ler o mundo a partir do seu centro – que só por grande hipocrisia ou ingenuidade se quererá ver fora do próprio sujeito, de um sujeito para quem a escrita é o seu modo de estar no mundo. Em Bernhard, como em Beckett ou ainda em Llansol, do tecido subjectivo, objectivado e obsessivo do texto evolam-se os vapores da grande História do século e do mundo.

4.
Como o próprio Bernhard escreve num dos seus romances traduzidos cá (Betão), andamos sempre «às voltas com os mortos». O que quer dizer que somos reféns de passados, o próprio e os alheios. O tema freudiano da «morte do pai» desloca-se, no caso de Bernhard, para um espaço mais amplo que parece ser o de todos os grandes pais (e mães) que nos moldam e condicionam, a começar pelos próprios (no caso de Bernhard a questão nem sequer se pode aplicar ao pai biológico, com quem não conviveu, sendo, como foi, substituído pelo avô que ele idolatrava) e acabando na famigerada «pátria/mátria», simbolizada em Bernhard na peça-testamento intitulada Praça dos Heróis, o locus horrendus vienense que consubstancia todo o seu amoródio pela Áustria.
Na Autobiografia, esse «pai» odiado é o próprio Estado (o nazi e o austríaco anexado e todos os outros), origem de todos os males, pessoais e históricos. É este composto explosivo de ressentimento e exclusão, de abandono e opressão, que alimenta toda essa narrativa das origens que é a Autobiografia (nisto idêntica a muitas outras obras do autor), estruturada em cinco partes que trazem nomes que são ao mesmo tempo «alusão» a uma «causa» («raiz»? «origem»?) de onde tudo nasce (a Guerra e o que se lhe segue, e esse lugar real-simbólico da morte, de seu nome Salzburg), um «isolamento» e uma «retirada», até à «decisão» de pôr meia vida em escrita.
As «origens» são importantes em toda a obra de Bernhard porque é o regresso a elas, sob a forma de ficção, que melhor lhe permite compreender o mundo, igual na sua essência ontem como hoje, já que, como lemos em A Cave, é pela encenação literária das origens próprias que melhor se pode realizar um dos pressupostos centrais desta Obra: a ideia de que «o importante, afinal, é o conteúdo de verdade da mentira».

5.
Penso que a «ferida» não sarável presente em tudo o que Bernhard escreveu divide os leitores porque, provavelmente, nem os adoradores nem os detractores o entendem – quero dizer, não é possível chegar perto desta escrita a partir de tais posições (pré-)determinadas. Isto, porque há na sua Obra um fundo de «a-moralidade» e de indiferença que dificulta um acesso mais sereno a esta obra. A «genial imperfeição» de que Bernhard tem consciência em relação a si próprio (apercebi-me disso nas duas ou três ocasiões em que tive contacto pessoal com ele) vai de par com um sentido de superioridade que lhe permite ser o lugar irreferenciável da total in-diferença. Sendo o niilista perfeito que é, Bernhard é também o impossível moralista. O grande paradoxo desta escrita que parece estar sempre de dedo em riste é que ela não se faz a partir de um «lugar de sentido» claro e unívoco, muito menos com pretensões de validade universal. Bernhard é também o perfeito relativista de uma ironia dissolvente que não poupa nada nem ninguém. A começar por si próprio, ao ver-se como exímio autor de «fracassos de escrita».

João Barrento Escrito a lápis | 14 de Março de 2014

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Luz e trevas são a mesma coisa...


«Luz e trevas são a mesma coisa, em ambas reside a mesma energia. Quem possui ouro no seu âmago tem de aprender a trabalhar com ele, para que as outras pessoas consigam ver que, por trás da aparente escuridão, existe um ser de luz, um ser luminoso. A luz vem das trevas, pois é aí que nasce a luz.» 

Rui Chafes, «O perfume das buganvílias», Entre o Céu e a Terra.