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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Lembrar e ler Mário Cesariny

Cesariny no atelier. Foto de Eduardo Tomé

Mário Cesariny nasceu em Lisboa no dia 9 de Agosto de 1923, faz hoje 94 anos.




CESARINY NA DOCUMENTA

Edição de António Cândido Franco

Edição de Perfecto E. Cuadrado, António Gonçalves e Cristina Guerra

Edição de Luís Amorim de Sousa

Com a Fundação Cupertino de Miranda


terça-feira, 11 de julho de 2017

Em todas as ruas te encontro / Em todas as ruas te perco

Obra artística de Smile. Foto: DMC/DPC/José Vicente, 2016

Obra artística de Uivo e Murta. Foto: DMC/DPC/José Vicente, 2016

Evocação de Mário Cesariny realizada pelos artistas plásticos Smile, Uivo e Murta.

Projecto realizado na Rua Mário Cesariny, em Lisboa, «fruto de uma proposta subscrita pela Associação de Moradores da Praça de Entrecampos e eleita no âmbito do orçamento participativo lançado pela CML em 2014.»




«Lisboeta, surrealista, pintor, poeta. Vários serão os qualificativos adequados para esta figura ímpar da cultura portuguesa que é Mário Cesariny e a quem a Câmara Municipal de Lisboa tem o prazer de homenagear numa rua* desta cidade que também foi sempre a sua.»

Catarina Vaz Pinto
Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa
Lisboa, Setembro de 2016



* Freguesia das Avenidas Novas, Loteamento da EPUL à  Avenida das Forças Armadas.





terça-feira, 21 de março de 2017

Liberdade, Poesia, Amor




Ouvimos esta voz com o poema que nos traz e não sabemos se é a voz que diz o poema ou se é o poema que diz a voz. Esta coincidência do dizer e do dito, do som e do sentido, do corpo e do espírito, da poesia e da vida, do dia e da noite foi sempre o sinal de Mário Cesariny.
Já Breton escrevera: «Tudo leva a crer que existe um certo ponto do espírito donde a vida e a morte, o real e o imaginário, o passado e o futuro, o comunicável e o incomunicável, o que está em cima e o que está em baixo deixam de ser apercebidos contraditoriamente». Cesariny afirmava: «O único fim que eu persigo / é a fusão rebelde dos contrários».
É por isso que estamos aqui: não apenas para cumprir um acto de homenagem civil e cultural, mas acreditando que Cesariny reconhecia neste lugar onde a sua luz encontra a sua sombra, um sentido sagrado, dando a esta palavra a fundura mais funda e a liberdade mais livre. A morte é o que resta do sagrado e mesmo isso está a desaparecer, afirmava ele. E, às vezes, falava do osso sacro como de um segredo que é preciso guardar.
Cesariny era distante de tudo o que é oficial, convencional e vazio, mas aceitava os ritos que protegem os mitos. Foi assim que aceitou a Ordem da Liberdade, que lhe foi entregue em sua casa, numa tarde em que tudo se calava para o ouvir. Ele recebeu a Grã-Cruz, beijou-a e gritou: «A Santa Liberdade!». A liberdade era a sua medida desmedida, o rosto do seu rosto.
Nessa tarde, recordei uma outra tarde passada com Jorge Luis Borges, que acabava de receber a Ordem de Sant’Iago da Espada, que a sua cegueira o impedia de ver. Ele pediu-nos para lhe descrevermos as cores e as figuras do colar. A seguir, num gesto que foi repetindo, levou a mão ao frio do metal, exclamando: «Sant’Iago! Sant’Iago!» Falámos então daquela passagem de São Paulo que diz «Agora, vemos como num espelho, mas um dia veremos face a face». Borges falava e a nossa visão era o rascunho da sua cegueira. 
Sabemos que esta homenagem nunca conseguirá oficializar, normalizar, naturalizar, neutralizar Cesariny. Ao contrário, e por contraste, torna ainda mais nítido e invencível o seu escárnio selvagem, a fúria firme e feroz, o desassombro ímpio.
A sua vida foi vivida em nome da Liberdade, da Poesia e do Amor, de que os surrealistas fizeram a nova trilogia, juntando ao «transformar o mundo» o «mudar a vida». Em cada dia e em cada passo dele havia uma grande razão, aquela que num poema reclamava: «Falta por aqui uma grande razão / uma razão que não seja só uma palavra / ou um coração/ ou um meneio de cabeças após o regozijo / ou um risco na mão…» Cesariny procurava o ouro do tempo.
Agora, lembro. O Mário fala de Pascoaes, o velho da montanha, e conta o momento sagrado em que o conheceu. Fala de Lautréamont e de Rimbaud com palavras lentas e acesas. Fala de Artaud e a sua cara coincide com a dele. Já na rua, passa a velha que apanha o que encontra e ele faz-lhe perguntas que guiam respostas assombradas. O Mário ri e diz: «É a Vieira da Silva!» Agora, estamos nos Açores e ele toca piano, enquanto, da janela, vemos o mar erguer-se como no Moby-Dick, esse livro mágico e trágico, que lia e voltava a ler.
Estar com Cesariny era partir numa nave espacial e olhar cá para baixo com os olhos muito abertos. Havia nas suas mãos um fogo que, quando queimava, mostrava a tragédia, e, quando iluminava, fazia aparecer a comédia. Esse sentimento trágico e cómico da vida é o dos visionários do visível. Ele confessou um dia: «Para mim, só o momento da criação é linguagem, tudo o mais é baço, não diz, pertence ao sono das espécies, mesmo quando dormem inteligentemente.» Mas em todos os momentos dele havia criação. Nunca o ouvi dizer lugares-comuns, ideias mortas, frases feitas.
Na sua poesia, as palavras têm a exactidão cortante da ponta do diamante sobre o vidro, a velocidade densa dos grandes êxodos, o brilho obscuro dos olhos no amor. Na sua pintura, as cores levam o braço até à proximidade do mar e as formas são as do vento a abrir o portão do castelo.
Cesariny gostava de anarquistas, videntes, xamãs, usurpadores, hereges, piratas, incendiários e revoltosos. E de reis destronados, deuses abolidos, bruxas acossadas, fidalgos arruinados, heróis vencidos, náufragos salvos no último momento. Detestava tiranos, tiranetes, moralistas, hierarcas, burocratas, preopinantes, instalados, acomodados, calculistas, carreiristas, conformistas, cínicos, convencidos, contentinhos, coitadinhos.
Desses, ria com um riso que era sal insolúvel e tinha a grandeza escura da tempestade no Verão. O país dos risinhos, das piadinhas, das gracinhas, e das graçolas, não aguentava um riso tão livre: enorme e desassombrado. Não suportava esse riso cheio de amargura e desdém, de raiva e protesto. Nesse riso, passavam o riso antigo de Rabelais e o riso moderno de Artaud, o riso dos funâmbulos e das feiticeiras.
Num país em que o medo gerava cobardia e obediência, do medo dele nasciam coragem, insubmissão, subversão. No fim, estava ainda mais desencontrado com aquilo com que sempre se desencontrou: a vida pequenina, a vidinha de que falava o seu amigo Alexandre O’ Neill. E agora («O tecto está baixo», avisava-nos ele) só se fala da vidinha - e só a vidinha fala.
Afinal, é preciso repetir a pergunta de Hölderlin: «Para quê os poetas em tempos de indigência?» Afinal, é preciso repetir a resposta de Hölderlin: «O que permanece os poetas o fundam». E a resposta de Cesariny: «A palavra poética é a palavra verdadeira. É a única que diz.» Então, os poetas, se os houver, são para dizer o que ninguém diz, mesmo que ninguém oiça. Mas nesse dizer que ninguém ouve salva-se a honra de um tempo em que tudo se perde.
De Mário Cesariny, não basta afirmar que a sua poesia é das maiores do nosso século XX. Nem que a sua pintura é das mais originais desse tempo. É preciso reafirmar que, nele, pessoa, vida, morte, obra, atitude, ímpeto tinham a força que nos atira para um abismo de claridade.
Nestes 10 anos da sua morte, ouvir a voz de Cesariny é olhar o céu naquele momento em que o sol ainda não partiu e a lua já chegou.

José Manuel dos Santos
Tributo a Mário Cesariny, Cemitério dos Prazeres, Lisboa 8 de Dezembro de 2016


Fotografia: Túmulo de Mário Cesariny (pormenor), Cemitério dos Prazeres, Lisboa

segunda-feira, 20 de março de 2017

Mário Cesariny no Centro Cultural de Belém

                                                                                                                                 Fotografia de Susana Paiva

Tributo a Mário Cesariny nos 10 anos da sua morte
Centro Cultural de Belém - Sábado, 25 de Março de 2017 
ENTRADA LIVRE


14h-19h I Poema Colagem – Homenagem a Mário Cesariny. Vídeo-instalação (curta-metragem de 16’). Foyer Almada Negreiros.

14h30 I Casa Pia de Lisboa evoca Mário Cesariny. Alunos da Casa Pia de Lisboa lêem a poesia de Mário Cesariny e executam peças de Ravel, G. Händel e J.S. Bach. Sala Sophia de Mello Breyner Andresen.

15h I Maratona de leitura. Mário Cesariny dito por diferentes personalidades. Sala Fernando Pessoa.

15h30 I Conversa sobre Mário Cesariny. Com José Manuel dos Santos, João Soares, Ilda David, Manuel Rosa e Elísio Summavielle (Presidente do CCB). Sala Luís de Freitas Branco.

17h-18h30Autografia. Documentário sobre Mário Cesariny realizado por Miguel Gonçalves Mendes (90’). Sala Luís de Freitas Branco.

18hOrquestra Sinfónica Juvenil – Tributo a Mário Cesariny. Neste concerto ouve-se a música de que Cesariny gostava: a abertura de Tristão e Isolda, de Wagner, Concerto para Piano e Orquestra de Grieg, Valsas de Erik Satie. Em estreia mundial uma composição de Christopher Bochmann, feita a partir de versos de Cesariny. Direcção de Christopher Bochmann. Grande Auditório.


A exposição 
continua patente, até 16 de Abril de 2017, no Centro de Congressos e Reuniões, no Piso 1
Segunda a Sexta | 10:00 às 20:00 I Sábado, Domingo e feriados | 10:00 às 18:00
ENTRADA LIVRE

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Mário Cesariny e O Virgem Negra ou A morte do autor e o nascimento do actor I Fernando Cabral Martins


Mário Cesariny e O Virgem Negra
ou A morte do autor e o nascimento do actor

ISBN: 978-989-8834-45-4

Edição: Novembro de 2016
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5x20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 152

[ Em colaboração com a Fundação Cupertino de Miranda ]



Este livro foi publicado por ocasião dos «X Encontros Mário Cesariny» realizados na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, de 24 a 26 de Novembro de 2016.

Cesariny, uma arte da montagem. Pessoa, uma arte do desdobramento. Um e outro têm um sistema que os organiza e fundamenta, o Surrealismo para um, a heteronímia para o outro. Mas o Surrealismo de Cesariny é pouco ortodoxo e muito ligado ao contexto próprio português. E a heteronímia presta-se demasiado a leituras delirantes, e, na verdade, acaba sendo semi-abandonada por Pessoa nos seus últimos anos. Um e outro estão entre os poucos realmente grandes poetas do século XX, e é intrigante que o mais novo deles tenha dirigido ao primeiro uma diatribe tão violenta como O Virgem Negra. A hipótese aqui desenvolvida, em duas séries de comentários, é que não é Pessoa que é atacado (nem as suas obras maiores), mas o mito que dele se criou, e, sobretudo, certos persistentes lugares-comuns da sua leitura.

Fernando Cabral Martins é professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, onde ensina Estudos Pessoanos. Preparou diversas edições de Fernando Pessoa, e ainda de Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Alexandre O'Neill e Luiza Neto Jorge. Coordenou em 2008 um Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, com noventa colaboradores. Publicou antologias comentadas e livros de ensaio sobre literatura e pintura. Publicou também livros de ficção, entre eles Os Fantasmas de Lisboa, em 2012. Com Irene Freire Nunes, traduziu Boris Vian (1997) e os trovadores provençais (2014). Organiza, com Richard Zenith, uma colecção de antologias de Fernando Pessoa, «Pessoa Breve».

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Cruzeiro Seixas e Mário Cesariny no Cinema

clicar na imagem para a aumentar

O que a Cláudia Rita Oliveira nos oferece é da ordem do ouro. Guarda-se na caixa inacabável do coração. Valter Hugo Mãe, in Jornal de Letras

Primeiro documentário sobre a relação amorosa entre os nomes maiores da arte portuguesa, Cruzeiro Seixas e Mário Cesariny. Bruno Horta, in Observador 

É um objecto de liberdade absoluta, feito de confissões e de achados espontâneos. Uma revelação. Rui Tendinha, in Jornal de Notícias Magazine

(...) Um documentário tocante onde se joga por inteiro. João Paulo Cotrim, in Vogue

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A Arte de Bailar em Silêncio I Danças Ocultas e Cesariny

Fotografias de Joana Rosa de Sousa


A ARTE DE BAILAR EM SILÊNCIO
Música de 
DANÇAS OCULTAS 
para poesia de 
MÁRIO CESARINY
dita por Cesariny

Concerto de Encerramento
Organização: Fundação Cupertino de Miranda
Comissários: Perfecto E. Cuadrado e António Gonçalves 
Vila Nova de Famalicão, 24, 25 e 26 de Novembro de 2016

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O poeta (...) é também um actor, um prestidigitador


 Fotografias de Joana Rosa de Sousa

Lançamento de Mário Cesariny e O Virgem Negra ou A morte do autor e o nascimento do actor, de Fernando Cabral Martins (Documenta), e de Cadernos 15: Mário Cesariny - Entre nós e as palavras (Centro de Estudos do Surrealismo), no dia 26 de Novembro de 2016, no âmbito dos X Encontros Mário Cesariny, organizados pela Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Mário Cesariny e "O Virgem Negra" I Convite

Capa: Mário Cesariny, Homenagem a Fernando Pessoa Ocultista
Página de um caderno de esboços para escultura, s/d. Col. Fundação Cupertino de Miranda.

Mário Cesariny e O Virgem Negra
ou A morte do autor e o nascimento do actor
Fernando Cabral Martins


O poeta é o autor do poema 
e é também um actor, um prestidigitador.
Mário Cesariny


Cesariny, uma arte da montagem. Pessoa, uma arte do desdobramento. Um e outro têm um sistema que os organiza e fundamenta, o Surrealismo para um, a heteronímia para o outro. Mas o Surrealismo de Cesariny é pouco ortodoxo e muito ligado ao contexto próprio português. E a heteronímia presta-se demasiado a leituras delirantes, e, na verdade, acaba sendo semi-abandonada por Pessoa nos seus últimos anos. Um e outro estão entre os poucos realmente grandes poetas do século XX, e é intrigante que o mais novo deles tenha dirigido ao primeiro uma diatribe tão violenta como O Virgem Negra. A hipótese aqui desenvolvida, em duas séries de comentários, é que não é Pessoa que é atacado (nem as suas obras maiores), mas o mito que dele se criou, e, sobretudo, certos persistentes lugares-comuns da sua leitura. Fernando Cabral Martins


LANÇAMENTO

Sábado | 26 Novembro | 16h00
Pequeno Auditório da Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão
apresentação por
Perfecto E. Cuadrado

no âmbito da iniciativa
Mário Cesariny - Encontros X
24, 25 e 26 de Novembro de 2016
organização 
Fundação Cupertino de Miranda
comissários 
Perfecto E. Cuadrado e António Gonçalves 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Mário Cesariny I Encontros X


MÁRIO CESARINY - ENCONTROS X

organização 
Fundação Cupertino de Miranda
comissários 
Perfecto E. Cuadrado e António Gonçalves 

24, 25 e 26 de Novembro de 2016


Neste décimo ano da partida de Mário Cesariny [Lisboa, 9 de Agosto de 1923 - 26 de Novembro de 2006] os Encontros dedicados ao autor realizam-se na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, entre os dias 24 e 26 de Novembro. Na continuidade do que tem vindo a acontecer em anos anteriores e com o intuito de lembrar um dos grandes nomes da cultura nacional, a Fundação Cupertino de Miranda detentora de uma parte do espólio artístico e documental do artista convida-o a estar presente. 

[do programa, que pode ser consultado aqui]



Para mais informações: www.fcm.org.pt
Praça D. Maria II, 4760-111 V.N. Famalicão, telefone 252 301 650 / geral@fcm.org.pt


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O Jovem Mágico I a partir de Mário Cesariny

O Jovem Mágico
a partir de
Mário Cesariny
Teatro do Bairro
Rua Luz Soriano, 63, em Lisboa
26 de Outubro a 20 de Novembro
Quarta a sábado: 21h30 / Domingo: 17h00
M/16


Encenação António Pires Com Maria João Luís, Cassiano Carneiro, Elias Ramos, Graciano Dias, Mário Sousa, Rafael Fonseca, Ricardo Nagy Dramaturgia António Pires e Hugo Mestre Amaro Música original Ricardo Nagy com Paulo Abelho Vídeo José Budha Figurinos Luís Mesquita Caracterização Ivan Coletti Desenho de luz Vasco Letria Movimento Paula Careto Consultoria de cenografia Luísa Gago Assistência de encenação Hugo Mestre Amaro Operação de luz Filipe Pacheco Operação de som Lourenço Guerreiro Construção de cenário Fábio Paulo Mestra Costureira Rosário Balbi Ilustração Joana Villaverde Comunicação Isabel Marques Direção de produção Ivan Coletti Administração de produção Ana Bordalo Produtor Alexandre Oliveira Produção Ar de Filmes/Teatro do Bairro

Mais informações


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Um Sol Esplendente nas Coisas – cartas de Mário Cesariny para Alberto de Lacerda


Um Sol Esplendente nas Coisas – cartas de Mário Cesariny para Alberto de Lacerda

Edição de Luís Amorim de Sousa

ISBN: 978-989-8618-86-3

Edição: Outubro de 2015

Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 144

[Em colaboração com a Fundação Cupertino de Miranda]


Livro publicado por ocasião dos IX Encontros Mário Cesariny realizados na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, de 26 a 28 de Novembro de 2015.

Conduzido pelo Alberto [de Lacerda] o Mário [Cesariny] conheceu poetas, escritores, gente ligada ao mundo da cultura, andou pelas galerias do West End, bisbilhotou livrarias e cultivou amizades. Entre os amigos londrinos mais estimados figurava Paula Rego. Mas será erro pensar que a relação entre os dois, Alberto e Mário, se confinou à experiência de uma Londres que, durante um certo tempo, partilharam, mas que viveram tão diferentemente. Onde o Mário navegava como um nauta em mares distantes, Alberto estava possuído dos mistérios da cidade. Outros interesses os aproximavam. O prazer da descoberta, e amigos que cultivavam fora de Londres também, noutras paragens: os casais Vieira e Arpad, e Octavio e Marie Jo Paz, para citar só dois exemplos. E livros, é claro, e quadros, e Lisboa, e a poesia. Sempre, sempre, a poesia. De tudo isso há registos nas «recordações» que o Alberto foi guardando do seu amigo Mário Cesariny. Recordações que são cartas, fotografias, obras de arte, folhas volantes, recortes de jornal. […] O que há para descobrir de Cesariny no mundo íntimo de Alberto de Lacerda excede em muito os contornos deste livro. Mas nesse mundo e sempre nos dois sentidos, resplendem admiração e amizade que o tempo nunca deixou de sustentar. Nenhum deles desejou que fosse uma amizade literária. O que a define é uma alta camaradagem marcada, muito ao contrário, pelo desejo de aventura e de magia com que Alberto e Cesariny sempre quiseram viver.
[da Introdução de Luís Amorim de Sousa]


Meu querido Londrino
Gosto muito do seu poema, forma, ou mais força que forma, embora forma também, ou sobretudo — isto, assim, nunca mais acaba e a caneta é nova e é péssima.
O que eu queria dizer é que este poema é muito parecido consigo, espécie de relação nove-dez de si com o mundo ou dele com a poesia. Se é uma série mande mais, se não é série, mande outros. Para lhe descrever o meu estado de espírito de há meses teria de ir procurar algumas formas espanholas, mas antes do século de oiro, do terror, do frio, e da solidão. Soledad. 
[Mário Cesariny]