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terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Sinal Respiratório — Cartas para Sergio Lima I Mário Cesariny


Sinal Respiratório — Cartas para Sergio Lima
Mário Cesariny



Apresentação de Sergio Lima
Edição e posfácio de Perfecto E. Cuadrado

ISBN 978-989-9006-02-7 | EAN 9789899006027

Edição: Novembro de 2019
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 200

Com a Fundação Cupertino de Miranda



Atrasado como estou em dar-lhe sinal respiratório não vou deixar o dia de hoje sem ao menos pôr aqui escrito o abraço ininterrupto que vai de mim para seu 
desde o primeiro dia do nosso contacto.
[Mário Cesariny, carta de 20 de Abril de 1977]



A primeira notícia de Mário Cesariny me foi dada por Aldo Pellegrini, em meados de 1967, quando da nossa troca de cartas para a montagem em São Paulo da I Exposição Surrealista, aliás XIII Exposição Internacional do Movimento dos Surrealistas. De imediato lhe escrevi sobre os planos da exposição. Em seguida enviou todo um material do movimento em Lisboa — envio urgente que Mário me comunicou por telegrama, dia 13 de julho ’67. A partir do que nossa correspondência vai se estender larga e loucamente, com umas poucas interrupções até 1995 e depois, nos últimos anos, torna-se rara e muito espaçada.
Mesmo assim vigorou sempre a parceria e cumplicidades que culminariam com a entrevista em vídeo que lhe fiz — em fins de junho 2006 — por ocasião da apresentação da «boneca» da revista-almanaque A Phala 2. Projeto esse, afinal, de que fora o principal incentivador desde meados de 1987 e que agora tinha em suas mãos.
[Sergio Lima]


O Surrealismo é justamente o mar de descobertas e naufrágios onde navegaram juntos Mário Cesariny e Sergio Lima, junto a muitos outros que sentiram a necessidade e a urgência românticas de sair da caverna à procura da luz e do caminho para a conquista do Absoluto (no conhecer, no sentir e no dizer uma realidade reabilitada, uma realidade poética, isto é, transformada e transtornada pela imaginação, como Cesariny pedia). 
[…] 
As cartas de Mário Cesariny para Sergio Lima, como as enviadas para Laurens Vancrevel ou Cruzeiro Seixas, são um documento importante para a história do Surrealismo e, de maneira muito especial, para a história da intervenção surrealista em Portugal e no Brasil e as suas ligações através do diálogo entre dois dos seus protagonistas maiores.
[Perfecto E. Cuadrado]


Sergio Lima, nome artístico de Sergio Claudio de Franceschi Lima, nasceu no dia 28 de Dezembro de 1939 em Pirassununga, São Paulo, Brasil. Escritor-pintor, envolveu-se, desde 1955, com o surrealismo e o cinema. Em Paris, a partir de Setembro de 1961, passa a participar nas reuniões do grupo surrealista de Paris, no café La Promenade de Vénus, convidado pelo seu fundador André Breton. Desde então, é o responsável pela activação do surrealismo no Brasil e nos países de língua portuguesa, especialmente em Portugal, onde estabeleceu um diálogo muito próximo com Mário Cesariny. Estreou-se com Amore (Massao Ohno, 1963), obra referida na revista surrealista parisiense La Brèche. No Brasil, entre outras actividades, realizou a XIII Exposição Internacional do Surrealismo (1967), traduziu e organizou a antologia de poemas Amor Sublime, de Benjamin Péret (Brasiliense, 1985), e promoveu a exposição «Collage — Homenagem ao Centenário de André Breton (1896-1996)». Em 1995, inicia a publicação de A Aventura Surrealista, projecto de grande fôlego que se propõe compilar as ideias e as produções do movimento surrealista no Brasil e no mundo. Vive em São Paulo, num pequeno bosque verde cercado pelo bares da Vila Madalena.

Espelho / Mirror I Rui Sanches


Espelho / Mirror
Rui Sanches

Textos de Delfim Sardo, Sara Antónia Matos e Richard Deacon

Design de Pedro Falcão

ISBN 978-989-9006-00-3 | EAN 9789899006003

Edição: Novembro de 2019
Preço: 33,19 euros | PVP: 35 euros
Formato: 22,3 x 29,7 cm (brochado)
Número de páginas: 280 (a cores)

Com a Fundação Carmona e Costa

Edição bilingue: português-inglês



Este livro documenta a exposição «Espelho/Mirror», de Rui Sanches, que teve lugar em Lisboa, no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional entre 29 de Setembro de 2019 e 12 de Janeiro de 2020, com curadoria de Delfim Sardo, e no Museu Coleção Berardo entre 10 de Outubro de 2019 e 12 de Janeiro de 2020, com curadoria de Sara Antónia Matos.


A obra de Rui Sanches tem vindo a desenvolver-se, ao longo dos últimos 35 anos (a sua primeira exposição individual em Portugal teve lugar em 1984), como uma extensa reflexão em torno de três questões fundamentais: a relação da criação moderna e contemporânea com a história e as diferentes linhagens que se foram definindo, a possibilidade de tematizar a questão do ponto de vista (do espectador e dos que a obra em si mesma propõe) — quer em termos físico-percetivos, quer em termos representacionais — e a questão da relação da arte com o mundo, seja por processos de ressignificação, de relação com o contexto, de citação ou paráfrase ou pelo léxico material utilizado. 
[Delfim Sardo]


Cada desenho fixa momentos ou estados, não tanto sobre a figura ou os objectos, antes sobre as suas qualidades líquidas, os movimentos e as vibrações que antecedem a forma. Na obra de Rui Sanches, o desenho parece sair da folha de papel, extravasando as suas margens, para lá dele, como se se estendesse pelo espaço. Assim, em certas circunstâncias, o desenho parece poder ser atravessado pelo espectador: este, não tendo base firme (referências de escala, perspectivas) onde assentar os pés, pode aproximar-se ou afastar-se daquele, afundar-se na janela que abre para o lado de lá ou ficar deste lado e vê-lo à distância.
[Sara Antónia Matos]

Os trabalhos produzidos por Rui Sanches nos últimos dois anos, Os espaços em volta, sugerem que os espaços, como vórtices em água turbulenta ou portais cósmicos (wormholes), se abrem por toda a parte em nosso redor. Dois destes trabalhos, os de maior dimensão, contêm mesmo portas, apesar de a entrada permanecer no domínio do imaginário, não no do possível — o que, aliás, faz todo o sentido, pois se de facto entrássemos, muito provavelmente desapareceríamos. 
[Richard Deacon]

Sérgio Pombo — Obras 1973-2017


Sérgio Pombo — Obras 1973-2017
Sérgio Pombo

Textos de João Pinharanda, Jorge Silva Melo e José Alexandre de São Marcos

ISBN 978-989-9006-08-9 | EAN 9789899006089

Edição: Novembro de 2019
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 17 x 22 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 208 (a cores)

Com a Fundação Carmona e Costa

Edição bilingue: português-inglês



João Pinharanda: «No seu trabalho ecoam a potência masculina da vida (a vitalidade sujeita à morte) e a potência espiritual feminina (transportadora de vida) […]»


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Sérgio Pombo: Obras 1973-2017», com curadoria de João Pinharanda, realizada na Fundação Carmona e Costa, entre 23 de Novembro de 2019 e 11 de Janeiro de 2020.


Sérgio Pombo exprime a sua subjectividade dominante e o seu «sentimento trágico da vida» através de uma figuração exacerbada; cria o seu próprio tempo e universo mas insere-os num tempo cronológico que os ultrapassa e num campo longo, expressionista (ainda não inteiramente revelado e estudado), da criação artística portuguesa. A sua obra está presa à angústia que os românticos e os modernos deixaram como herança à contemporaneidade: a vã procura do fio de Ariadne deitado ao chão por Teseu. 
[João Pinharanda]


A pintura de Sérgio Pombo — pintura, desenho, com figuras ou sem, a pintura que nele tudo é pintura, irredutivelmente pintura — é tão brilhantemente viva que ofusca, é tão desassombrada que nos assalta o equilíbrio, sofre, o dia em que nasci morra e pereça, dizia Job, amaldiçoa-nos — mas promete-nos o humano, o humano presente, o humano simplesmente, a vida de hoje, esta, sufocantemente bela na sua crueza rápida, na sua imensa solidão. 
Porque Sérgio Pombo, com a rapidez das estrelas cadentes no céu de todas as noites, persegue a beleza, promete-nos que ela aí vem, está a chegar, voluptuosa, fulgurante, escandalosamente nova, de ontem à noite sempre, nua ainda. 
[Jorge Silva Melo]


O Sérgio Pombo está para lá da contemplação, da interrogação, coloca-se sempre no lugar da acção. Não há comodismo, há uma intransigência quase autofágica que vive a inadaptação como elemento para evoluir. A sua pintura é ele, o seu corpo e os corpos que encontra, e pedaços de todos os lugares que se atravessam na vida humana, sempre à escala do ser humano vezes o infinito. 
[José Alexandre de São Marcos]

Uma Luz sobre a Noite seguido de O Pão e a Alma


Uma Luz sobre a Noite seguido de O Pão e a Alma
Paulo Pires do Vale, Rui Serra, Tomás Maia

Apresentação de Ricardo Escarduça

ISBN 978-989-9006-07-2 | 9789899006072

Edição: Novembro de 2019
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 17 x 24 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 60 (a cores)

Com o Projecto Travessa da Ermida


A arte não transfigura a noite em dia; ela faz luz sobre a noite. O que já é muito — mesmo se, para muitos, pode parecer pouco. Miséria da arte. Mas miséria que alimenta a nossa fome negra.


Uma Luz Sobre a Noite, de Paulo Pires do Vale e Tomás Maia, publicado pela Documenta, é apresentado pelo Projecto Travessa da Ermida no contexto do encerramento da exposição «Fome» de Rui Serra. O livro é o corolário de um encontro a dois tempos entre os autores e o pintor, iniciado em Abril de 2017 no âmbito da sua exposição «Todas as Noites», no Museu de Arte Contemporânea de Elvas (colecção António Cachola). 
[Ricardo Escarduça, «Apresentação»]


— … se a Noite é «antiquíssima» — a Noite que nos faz falar —, não será ela então e sempre o antiquíssimo em nós? Quando fazemos uma obra, necessariamente trazida à luz, não estaremos assim a responder à Noite e, ao mesmo tempo, não a chamaremos? Ser chamado e chamar pela Noite, não será isso o que faz a obra dizendo ou ecoando Vem— «Vem, Noite antiquíssima e idêntica»? E, no entanto, essa obra não mostrará também que a Noite recua e se esquiva sempre, cada vez mais longínqua, mais antiga?

— Sim, antiquíssima porque originante — e os mitos da criação sublinham que antes da luz ou do dia, havia a noite: ela é o Anterior. Escuridão que antecede o começo. […]
[Paulo Pires do Vale e Tomás Maia, «Diálogo»]


De que fome se está a falar com este título — «Fome»? E quem pode falar da fome, e a que título? 
Há pelo menos duas fomes, a do animal físico e a do animal metafísico. O humano, se não vir saciada a primeira fome, não pode experienciar a insaciabilidade da segunda. Leio Pascoaes:
Viver é ter fome! A vida é fome: fome de alma e de pão! Fome negra!
Seja de alma ou de pão, a fome é negra. E tal é a primeira experiência desta exposição — que nos convida a entrar e a atravessar um negrume. Travessia da qual não sairemos incólumes: seremos expulsos para ver, a outra luz, a noite. Para rever a noite à luz da arte.
[Tomás Maia, «O Pão e a Alma»]

Uncanny River (The Crossing) I João Biscainho


Uncanny River (The Crossing)
João Biscainho

Textos de Paulo Campos Pinto, Luísa Santos, Peter Hanenberg e Bernardo Barahona Corrêa
Seleta de textos de João Biscainho

Design de Ricardo Assis

ISBN 978-989-9006-01-0 | EAN 9789899006010

Edição: Outubro de 2019
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 16,8 x 22,5 cm (brochado)
Número de páginas: 96 (com encarte a cores)

Com a Universidade Católica Portuguesa – Colecção Cultura@Católica 2

Edição bilingue: português-inglês



João Biscainho: «A instalação vídeo Uncanny River (The Crossing) (2014-2015), projeta ao espectador vinte e cinco composições simétricas por segundo. A experiência sobre esta peça não é substituível por qualquer descrição.»

Uncanny River (The Crossing) inaugura o espaço de programação Generation Next (GN) da Galeria Fundação Amélia de Mello, dedicado a artistas, curadores, designers emergentes, bem como a projetos de investigação com metodologias research-based art e art-based research, produzidos em contexto académico.
Com uma periodicidade anual, as exposições GN pretendem potenciar e dar visibilidade à investigação e criação artísticas produzidas em modelos de interligação entre teoria e prática, nos domínios das artes plásticas e multimédia, no reconhecimento da prática artística — enquanto resultante do trabalho académico — como criadora de conhecimento qualitativamente relevante, e da validade das metodologias de investigação académica, que convocam a arte e o fenómeno artístico para a produção de saber confiável.
[Paulo Campos Pinto]


O Uncanny River de João Biscainho move-se, precisamente, entre a atração empática e a repulsa à estranheza criados pela justaposição de elementos familiares em combinações inesperados. Perante a imagem dupla de um movimento simétrico, reconhecemos um curso de água, uma travessia de um rio, que vemos de cima como se estivéssemos dentro de um barco a passar de um lado ao outro. Contudo, perante a combinação da imagem e respectivo reflexo simétrico, e pelo facto de nunca podermos ver quaisquer elementos físicos que permitam uma percepção geográfica ou temporal, a esta sensação de familiaridade sobrepõe-se um sentimento de estranheza.
[Luísa Santos]

sábado, 2 de novembro de 2019

Diálogos das Carmelitas I Georges Bernanos


Diálogos das Carmelitas
Georges Bernanos

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN 978-989-8833-42-6 | EAN 9789898833426

Edição: Outubro de 2019
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 160


Georges Bernanos:
o homem que escreveu e viveu com uma incómoda incandescência interior.


[…] quando as freiras de Compiègne resolvem adoptar o martírio, sem cumprir as ordens da Revolução que as deixariam livres se aceitassem renegar os seus votos e a sua fé, a superiora mostra um desacordo. Ela preferiria uma anuência falsa, que mantivesse secretamente condições para o renascimento da Ordem quando surgissem na situação política condições que o permitissem. Mas é tarde de mais para fazê-las voltar atrás.
[…]
Sente-se no Bernanos de Diálogos das Carmelitas a consciência desta mesma oposição, mas agora com a vitória do Orgulho.
As freiras guilhotinadas caminham para o cadafalso com muito mais orgulho do que fé; vão de cabeça levantada por um orgulho soprado pela Verdade que defendem, sem importar aqui se davam um exemplo de «más carmelitas», como lhes era sugerido pelo bom sensoda sua superiora. Mas Blanche? Quem nos garante que Blanche de la Force, novamente fustigada pelo mundo que não suporta, aterrorizada a todo o momento pelos homens que agora a maltratam e violentam, não o faz por um patológico desespero de mundo onde nada existe da orgulhosa força que suporta uma superior Verdade? Blanche de la Force avança para o cadafalso com um rosto despojado de todo o temor; mas Bernanos também não se esquece de escrever qualquer coisa que parece logo a seguir desajustada a esta aparência de invencível decisão; porque é, no final do seu caminho em direcção ao sacrifício, empurrada para a guilhotina por um grupo de mulheres. Qual é a função dramática deste empurrão, numa personagem que parece tão decidida a enfrentar a guilhotina?
Teremos até ao fim consciência das indecisões que oscilaram entre a duvidosa Blanche da Força, que o seu involuntário nome de baptismo lhe impôs, e a Blanche da Fraqueza, que o seu comportamento quis mostrar; e do texto sairemos — muito ao gosto das contradições caras a Bernanos — sem uma definitiva resposta para dar.
[Aníbal Fernandes]

O Estranho Animal do Vaccarès I Joseph d’Arbaud


O Estranho Animal do Vaccarès
Joseph d’Arbaud

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN 978-989-8833-43-3 | EAN 9789898833433

Edição: Outubro de 2019
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 116


Os deuses também morrem.

As palavras de O Estranho Animal do Vaccarès nunca associam a sua criatura nominalmente a Pã, embora tudo façam para nos lembrarmos dele: descrevem-na com a sua forma caprina, dão-lhe uma flauta que encanta os animais; mas deslocam-no para a Camarga medieval e mostram-no ali com uma velhice de deus decrépito e fora de época, nostalgicamente anulado no seu poder e destinado à morte de todos os deuses quando o progresso cultural dos homens os destrói para encontrar outros adaptados à sua necessidade de fé, mas compatíveis com o avanço da sua cultura e do seu progresso civilizacional.
[…]
No canto selvagem de D’Arbaud, esta Camarga de silêncios, de animais e deuses é o cenário adequado ao envelhecimento de um grande mito, para as infinitas águas e as lonjuras de que não vemos nenhum fim, para um calor que abrasa, para caminhos de sonho, para águas que cintilam. E o seu animal de poesia e lenda — saído de uma elegia pânica que o faz aparecer e desaparecer sem sabermos de onde veio e para onde vai partir, talvez expulso de velhos países com uma religião morta que já não o abriga nem reconhece — escolhe uma terra que ainda não perdeu o seu travo primitivo, onde o seu resto de deus talvez possa viver e confundir-se com ela. Mas tudo isto — mesmo no século XV desta história — não passa de uma ilusão. Esta Camarga de cavalos e touros que um Pã envelhecido ainda seduz com a sua flauta, nega-se à sua pretendida e desesperada extensão de vida; esta Camarga de lama, húmus e areia só consegue oferecer-se como cenário do seu fim.
D’Arbaud chegou ao Estranho Animal do Vaccarès depois de ele próprio procurar, como o seu fauno, uma possibilidade de vida fantástica na Camarga de irreal atmosfera, com auroras, noites, sombra adormecida, e arrepio de folhas no silêncio, como ficou descrita num dos seus poemas.
[Aníbal Fernandes]

Anti-Doxa — A filosofia na era da comunicação I Sousa Dias


Anti-Doxa — A filosofia na era da comunicação

Sousa Dias


ISBN 978-989-8902-99-3 | EAN 9789898902993

Edição: Outubro de 2019
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado)
Número de páginas: 260



A filosofia é coisa unicamente greco-europeia, greco-ocidental, e não o dizemos para fazer nosso o cliché hegelo-heideggeriano. Aquilo que define a filosofia desde os primeiros filósofos gregos, já nos pré-socráticos ou «naturalistas», é, antes de mais, a recusa de toda e qualquer transcendência da Natureza ou do Ser, é a exigência de um pensamento capaz de proceder por imanência […]

A presente colectânea reúne, com inúmeras modificações substanciais até por vezes do respectivo título, todos os textos de Estética do conceito (1998) e alguns de Questão de estilo (2004), ambos publicados pela extinta Pé de Página Editores, de Coimbra, e que não serão reeditados. Acrescenta-lhes novos textos, um dos quais, sobre as idades da filosofia, inédito.

Informação, pensamento e criação, cultura comunicacional e filosofia: o desastre do pensamento na era da comunicação, dos media e do marketing — as co-dimensões lógica e estética, intelectual e perceptual, do conceito filosófico — afinidade da filosofia com a arte — as 4 idades históricas da filosofia — do fundamento ao «afundamento» da metafísica: do problema da fenomenologia à questão do ser — a ultrapassagem desta questão nos últimos escritos de Heidegger — Michel Serres, René Thom, a teoria da ciência e os critérios de cientificidade: para acabar de vez com a epistemologia — pintura e filosofia: Álvaro Lapa — a filosofia como descomunicação: teoria da argumentação e prática filosófica — a filosofia escolar: ensinar o ensinável.


Sousa Dias nasceu em 1956. Professor de Filosofia no ICAFG (Porto). Publicou, entre outros livros, Lógica do Acontecimento — Introdução à filosofia de Deleuze, O Que É Poesia?, Grandeza de Marx — Por uma política do impossível, Žižek, Marx & Beckett — E a democracia por vir, O Riso de Mozart — Música, pintura, cinema, literatura, Pre-Apocalipse Now — Diálogo com Maria João Cantinho sobre política, estética e filosofia e Teologia da Carne — A pintura de António Gonçalves. Traduziu para a Documenta: Gilles Deleuze, A Imagem-Tempo — Cinema 2, A Imagem-Movimento — Cinema 1.

Tudo É Outra Coisa I Rui Chafes



Tudo É Outra Coisa
Rui Chafes

Texto de Manuel de Freitas

ISBN 978-989-8902-94-8 | EAN 9789898902948

Edição: Outubro de 2019
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 13,5 x 20,5 cm (encadernado)
Número de páginas: 64

Com a Câmara Municipal de Almada

Edição bilingue: português-inglês




Manuel de Freitas: 
«Na sala de exposições, o Verão e o Inverno dialogam frontalmente, materializando-se (ou desafiando-se?) em duas estruturas ondulantes que se completam e que têm a nobreza firme de armaduras medievais.»

Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Tudo é Outra Coisa» de Rui Chafes, com curadoria de Filipa Oliveira, encomendada e produzida pela Câmara Municipal de Almada, a qual teve lugar no Convento dos Capuchos, entre 16 de Março a 19 de Outubro 2019.

[…] O que esta exposição me ensinou passa, seguramente, por uma funda noção de humildade e por um extremo respeito pelo espaço sagrado ou natural em que acontecem as esculturas de Rui Chafes. Senti-o noutras exposições, noutros espaços, por exemplo na igreja de São Cristóvão ou no Jardim da Sereia (onde o meu nome e o do Rui por acaso se cruzaram, muito antes de nos conhecermos).
Mas eu não acredito em acasos, para ser franco. Há cerca de dez anos, um amigo meu perguntou-me se queria ficar com o número de telemóvel do Rui. Disse-lhe que não; caso tivéssemos de nos conhecer, isso aconteceria naturalmente, sem que nenhum de nós procurasse o outro. Assim foi.
Assim, creio, terá acontecido sempre nesta terra gasta, onde tantas vezes os nossos verdadeiros contemporâneos morreram há muito — mas revivem em nós através de gestos, palavras, sílabas de metal, silêncios.

*

Temos pouco tempo, como é sabido. O mais provável é que eu nunca mais regresse ao Convento dos Capuchos da Caparica. Foi um dia de sol. E seria uma redundância dizer que foi um dia irrepetível ou inolvidável, embora isso em nada faltasse à verdade. Também a verdade é uma coisa extremamente frágil.
Vê-se, mas talvez não se possa provar. Tal como não se pode cientificamente demonstrar que a luz atravessa o ferro (mas atravessa) ou que só havia mar e árvores à espera do nosso olhar, enquanto o ferro cantava. Mas foi assim, este dia.
[Manuel de Freitas]

Lugares de Sophia I António Jorge Silva, Duarte Belo, Pedro Tropa


Lugares de Sophia
António Jorge Silva, Duarte Belo, Pedro Tropa

Textos de Federico Bertolazzi e José Manuel dos Santos

ISBN 978-989-8902-96-2 | EAN 9789898902962

Edição: Setembro de 2019
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 17 x 22 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 96, a cores

Com o Centro Nacional de Cultura

Edição bilingue: português-inglês



António Jorge Silva escolheu um verso de Sophia que fala da alma e da maresia da sua metade. […] Pedro Tropa fez seu um verso dela que diz a construção como promessa da destruição. […] Duarte Belo guarda a memória do único encontro que teve com ela. […] — e dessa memória faz um fio de Ariadne num labirinto de lugares iluminados pela luz e pela sombra das cores.

Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Lugares de Sophia», de António Jorge Silva, Duarte Belo e Pedro Tropa, com curadoria de Federico Bertolazzi e José Manuel dos Santos, realizada no Centro Cultural de Lagos entre 14 de Setembro e 26 de Outubro, na ala sul do Claustro do antigo Convento do Carmo, actual Parada de Cavalaria do Quartel do Carmo entre 12 de Novembro e 27 de Dezembro de 2019 e na Biblioteca Municipal de Loulé entre 21 de Março e 9 de Maio de 2020.


Para Sophia de Mello Breyner Andresen a poesia sempre principiou na concretude do real. A sua atenção, concentrada nas coisas, almeja o desvelamento da verdade primordial do ser no seio do aparecer, num processo de nomeação exacta no qual a beleza e a verdade coincidem.
É este, como ela própria diz, o «estar-ser-inicial», o brilho que, no rolar da vida, suspende o tempo, ou, sempre com palavras de Sophia, o «instante que surpreende e fita e enfrenta a eternidade».
Assim, o poeta cria o domínio da «terrível pureza», domínio em que não há lugar para a mentira, e a verdade reina e impõe o seu clarão. 
[Federico Bertolazzi]

Cada um dos três fotógrafos tem mais olhares no seu olhar do que o olhar desse próprio olhar — e o encontro de todos eles nesta exposição dá-nos uma multiplicação e não uma soma. Eles implicam-se e explicam-se uns nos outros, multiplicam-se uns pelos outros, intensificam-se, acrescentam-se, aumentam-se, abrem-se, desdobram-se, conluiam-se e concluem-se uns aos outros, reflectindo as suas visões volúveis e veementes num espelho sem superfície e ecoando as suas vozes visuais e votivas num túnel sem saída.
Cada um dos fotógrafos não olha apenas os lugares da vida e da obra de Sophia com um olhar único e fitado. Cada um deles olha esses lugares com o seu olhar e olha também, neles, o olhar de Sophia a olhá-los.
[José Manuel dos Santos]

Júlio Pomar: Ver, Sentir, Etc. — Obras do acervo do Atelier-Museu Júlio Pomar


Júlio Pomar: Ver, Sentir, Etc. — Obras do acervo 
do Atelier-Museu Júlio Pomar
Júlio Pomar

Textos de Jorge Macau, Sara Antónia Matos, Júlio Pomar

ISBN 978-989-8902-97-9 | EAN 9789898902979

Edição: Outubro de 2019
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 17 x 21 cm (brochado)
Número de páginas: 72 (a cores)

Com o Atelier-Museu Júlio Pomar

Júlio Pomar: «A arte não é outra coisa senão um poderoso e apaixonado meio de conhecimento, uma forma superior de comunicação, um instrumento que o homem tem ao seu alcance na luta contra a alienação.»



A exposição «Júlio Pomar: Ver, Sentir, Etc. — Obras do Acervo do Atelier-Museu Júlio Pomar», no espaço museológico do Centro Interpretativo do Tapete de Arraiolos [24-X-2019 a 16-II-2020, com curadoria de Sara Antónia Matos e Pedro Faro], mostrando obras de várias épocas e apropriando-se do título de um texto escrito pelo artista em 1951, chama à atenção para a importância da familiarização com a obra de arte, da participação da experiência estética na formação do conhecimento e dos actos perceptivos — particularmente ver e sentir — nesse processo.
[…] 
O que Júlio Pomar faz reequacionar é uma outra relação entre espaço óptico e espaço háptico, dito de outro modo, o ver e o sentir, em que a experiência do desenho e da pintura não é apenas mental e ocular. Existe uma permeabilidade evidente entre interior e exterior do corpo, tornando-se este indispensável na apreensão do meio envolvente. É este corpo, do artista e do observador, nosso corpo irregular, de relevos e texturas irrepetíveis, que a arte põe em movimento. Ela gera pontos de atracção que actuam não apenas sobre o intelecto mas sobre todo o ser somático, recobrindo-o de interrogação e pondo-o em movimentação.
Para sintetizar, pode dizer-se que a obra de arte põe em jogo um movimento dialéctico entre saberes e não-saberes, raciocínios e fantasias, metáforas e metamorfoses, revelando a erupção da visceralidade, dos desejos e do erotismo do corpo. Assim, a obra de arte é, como defendem Georges Didi-Huberman e José Gil, mencionados ao longo deste texto, uma superfície de conversão através da qual o corpo manifesta os seus sintomas, dando corpo e materialidade sensível à expressão e vertendo nela um sentido incorporado de vivência e significado.
[Sara Antónia Matos]

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Cáustico Lunar seguido de Ghostkeeper I Malcolm Lowry


Cáustico Lunar seguido de Ghostkeeper
Malcolm Lowry

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN 978-989-8566-11-9 | EAN 9789898566119

Edição: Outubro de 2019
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 160



«De manhã cedo um homem sai de uma taberna ao pé das docas, com o cheiro do mar no nariz e uma garrafa de uísque no bolso, a deslizar tão levemente na calçada como um navio que abandona a barra.»


Nos últimos dias de vida, em clareiras de lucidez que lhe permitiam o regresso a hábitos de escrita, Malcolm Lowry trabalhou no texto de Cáustico Lunar e desde há quatro anos tinha «parado» o primeiro esboço da novela a que ele quereria chamar Ghostkeeper ou Henrik Ghostkeeper, ou Lost and Found, ou I Walk in the Park, ou But Who Else Walks in the Park?, ou O. K. But What Does it Mean?, ou ainda Wheels Within Wheels, como ficamos a saber pelas hesitações registadas no manuscrito.
Juntar estes dois textos no mesmo livro nada tem de arbitrário. São assombrados ambos por um destroço de barco, carcaça desfigurada pela usura do tempo e que se faz anúncio de uma inevitável mas indescortinável catástrofe.
[…] Malcolm Lowry tinha passado por dois períodos de tratamento psiquiátrico; o primeiro em 1935 — aquele que nos interessa — num hospital de Bellevue em Nova Iorque, internamento de dez dias celebrado à saída com uma vingadora bebedeira de quarenta e oito horas. É a experiência literariamente transposta para Cáustico Lunar, uma hiperlucidez visionária mais tarde diluída em opacidades anuladoras de toda a criação.
[…] Em Cáustico Lunar, o adolescente Garry vive obcecado pelo prenúncio de uma destruição universal sonhada através da imagem da carcaça de uma lancha de carvão anos antes encalhada ao pé de um hospital de Nova Iorque; em Ghostkeeper, Tom Goodheart associa o encontro que tem, com os restos de um salva-vidas naufragado, ao mau presságio que o domina sem nunca definir a sua mensagem nem denunciar a sua dimensão.
Estes barcos destroçados são como que centro emocional em ambas as novelas, o foco que em Cáustico Lunar ilumina a percepção do mundo de Bill Plantagenet, que em Ghostkeeper projecta uma luminosidade sombria sobre o futuro de Tom Goodheart.
[Aníbal Fernandes]

Balkis (A Lenda num Café) I Gérard de Nerval


Balkis (A Lenda num Café)
Gérard de Nerval

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN 978-989-8833-41-9 | EAN 9789898833419

Edição: Outubro de 2019
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 168



Balkis, a nascida do fogo, como os muçulmanos lhe chamam…
Rainha de Sabá, como aparece na tradição cristã.



Salomão reinou durante quarenta anos. E já entrava, dizem-nos contas por alto, na sua idade madura quando foi visitado por Balkis, a rainha de Sabá.

Com esta rainha, a nebulosa histórica ainda mais espessa se mostra. Temos, para este encontro, palavras da Bíblia e do Corão que chegam para ignorarmos se o reino de Sabá está hoje ocupado pelo Iémen ou pela Etiópia; para nos surpreendermos com a dilatada cultura de uma mulher, numa época em que o sexo feminino era arredado de um saber considerado exclusiva aquisição dos homens.
Balkis deslocou-se a Jerusalém, seguida por um pomposo séquito e camelos vergados com o peso de ofertas ao poderoso rei. Ia fazer de Esfinge; tentaria embaraçar a destreza de Salomão com enigmas que escapassem às malhas da sua cultura. E a mesquinhez deste propósito, posta ao lado do esforço e do incómodo que uma tal viagem exigiria, pode surpreender-nos se não lhe acrescentarmos outras intenções que a tradição de textos orientais lhe atribuem.
A Bíblia e o Corão divergem nos pormenores da sua visita. A verdade histórica (se alguma existir neste episódio) prefere admitir que Balkis, seduzida pela fama da inteligência e da cultura de Salomão, se deslocou a Jerusalém com o propósito de dar um pai com grandes qualidades genéticas a um filho seu, futuro rei de Sabá. E poderia haver nesta estratégia de acasalamento outras motivações. O rei de Israel descendia de Adão e Eva, feitos a partir do barro pelo Eloin Jeová, a raça que mais poder tinha naquela extensão da terra. E Balkis pertencia a uma outra humanidade nascida do fogo, mais nobre neste elemento básico do corpo mas menos bem sucedida no poder terreno. A conjunção destas duas origens garantiria um mestiço com qualidades humanas ímpares e capazes de garantir uma inegável supremacia ao reino de Sabá.
Gérard de Nerval, num dos seus momentos literários de ficção em prosa mais logrados, não permite nenhum êxito a esta heteróclita fusão genética; pede ajuda à imaginação livre dos contadores orientais de histórias para construir uma narrativa que concentra no discurso elementos de grande parte das tradições, sagradas e profanas, ligadas a este episódio.
[Aníbal Fernandes]

Pela Bruma Dentro I Pedro A.H. Paixão, Cristina Robalo


Pela Bruma Dentro — 
Conversa com Cristina Robalo em torno do desenho
Pedro A.H. Paixão, Cristina Robalo

ISBN 978-989-8902-98-6 | EAN 9789898902986

Edição: Outubro de 2019
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado)
Número de páginas: 80


Para terminar, gostaria de saber se tens uma ideia do que seria a tua vida sem o desenho?
Seria certamente uma existência sem assombro, como a de uma criança a quem tudo se dá e de tudo se protege, mas em quem a fantasia, que de tudo livra e com a qual ela tudo pode e tudo produz, não daria sinais de vida.

Durante uma década, Pedro A.H. Paixão criou um amplo corpo de desenho em que usou apenas a cor escarlate. Esse trabalho foi a base deste livro, que percorre algumas das etapas desse período e toca, retrospectivamente, em matérias complementares do seu percurso, tal como as tarefas do estudante, estudioso, docente, videógrafo e editor. Desenvolvida entre Junho de 2015 e Outubro de 2016, esta entrevista em forma de conversa, conduzida por Cristina Robalo, gira em torno do «desenho» e de questões que atravessam não apenas as inquietações e interesses do artista, mas aspectos fundamentais da sua teoria e prática.

Pedro A.H. Paixão (1971) é artista plástico, investigador e editor. Nasceu em Lobito, Angola, e tem vivido entre Lisboa, Chicago, Veneza, Porto e Milão. Tem um mestrado em Belas-Artes e um doutoramento em Filosofia. É membro do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto. O seu trabalho artístico é representado pela Galeria 111, em Lisboa. Fundou e dirige o projecto editorial «disciplina sem nome» para a editora Documenta, com o apoio da Fundação Carmona e Costa. Vive em Milão.

Cristina Robalo (1969) concluiu a tese no âmbito do doutoramento em Arte Contemporânea pelo Colégio das Artes na Universidade de Coimbra. É mestre em Estética pela Universidade Nova de Lisboa. A sua investigação contempla a relação entre fazer e pensar, em directo diálogo com o desenho. Formada em Artes Plásticas e Desenho pelo Ar.Co, expõe desde 2002.

Main Entrance: Quinta do Monte 1983-1988 I Lourdes Castro, Manuel Zimbro


Main Entrance: Quinta do Monte 1983-1988
Lourdes Castro, Manuel Zimbro

ISBN 978-989-8902-95-5 | EAN 9789898902955

Edição: Outubro de 2019
Preço: 45,28 euros | PVP: 48 euros
Formato: 24 x 28,5 cm (brochado)
Número de páginas: 432 (a cores)

Com a Fundação Carmona e Costa

Edição fac-símile



A memória daqueles dias luminosos permanece envolta num halo capaz de resistir a todas as tristezas e traições do esquecimento. [Almeida Faria]

Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Lourdes Castro – Manuel Zimbro: Quinta do Monte 1983-1988», realizada na Fundação Carmona e Costa, com curadoria de Paulo Pires do Vale, entre 1 de Outubro e 9 de Novembro de 2019.


Em 1983, Lourdes Castro e Manuel Zimbro deixaram Paris e regressaram a Portugal, à ilha da Madeira, onde a artista nasceu. No dia 21 de Abril desse ano, mudaram-se, então, para a Quinta do Monte, um palacete do início do século XIX, emprestado pela família Rocha Machado para aí residirem enquanto procuravam o lugar onde iriam construir a sua casa. Nesta exposição, concentramo-nos nos cinco anos vividos nessa Quinta, onde Lourdes Castro faz ou projecta as suas últimas obras, dando atenção às sombras do jardim e das suas flores, da casa e dos seus objectos. O nosso ponto de partida foi o Álbum da Quinta do Monte, nunca exposto, onde Lourdes Castro manifesta a prática de recolha recorrente em muitos dos seus livros de artistas, misturando a sua vida, durante a estada naquela Quinta, com a dos anteriores habitantes, cruzando referências e coleccionando indícios. Recolhe fotografias da casa, dos interiores, dos jardins, da vida quotidiana do casal; guarda fotocópias de livros sobre a história da Quinta e das famílias que a habitaram; acumula recortes com notícias relacionadas com o exílio do Imperador austro-húngaro, Carlos de Áustria, que aí morreu em 1922, e os relatos das conversas com os visitantes estrangeiros que iam visitar a última morada do Imperador. Lourdes Castro é uma artista-colectora, uma respigadora incansável, desenvolvendo um trabalho que se situa entre o diário, a investigação e o arquivo. No dia 23 de Maio de 1988, Lourdes Castro e Manuel Zimbro mudaram-se para a casa que construíram no Caniço. Aí continuaram a sua história, iniciaram um novo Álbum.
[Paulo Pires do Vale]

A leveza dos verões do passado tinge-os de tons de nostalgia. Uma vaga tranquilidade invade-nos ao ver as fotografias do verão em que tomávamos o pequeno almoço com Lourdes Castro e Manuel Zimbro na Quinta do Monte, sentados em volta da mesa posta no meio de um prado rodeado de altas árvores. Sentíamos que aquele momento estava certo, que tudo no mundo estava ligado, que até o bolo em cima da mesa evocava os bolos pintados por velhos mestres em quadros florentinos ou venezianos.
[Almeida Faria]

Momento à Parte / A Moment Apart I Vasco Araújo


Momento à Parte | A Moment Apart
Vasco Araújo

Textos de Ana Cristina Cachola, Inês Grosso, Ivo Mesquita, Alexandre Melo, André Tecedeiro, André e. Teodósio, Chantal Pontbriand, Colin Perry, Joacine Katar Moreira, João Pinharanda, Josué Mattos, Luísa Duarte, Rafael Esteves Martins, Rosa Lleó.

Design de Ana Luísa Bouza

ISBN 978-989-8902-92-4 | EAN 9789898902924

Edição: Junho de 2019
Preço: 28,30 euros | PVP: 30 euros
Formato: 19 x 24 cm (encadernado com sobrecapa)
Número de páginas: 144 (a cores)

Com o MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia

Edição bilingue: português-inglês


Ana Cristina Cachola: «Na exposição Momento à Parte, como em grande parte da obra de Vasco Araújo, a textualidade, a visualidade e a sonoridade sobrepõem-se para que as múltiplas instâncias discursivas que concorrerem para a criação de um sistema intersígnico revelem a complexidade do mundo.»


No seguimento de uma carreira internacional de vinte anos, marcada numa fase inicial pelo Prémio Novos Artistas Fundação EDP em 2002, a exposição de Vasco Araújo reúne muitas das peças que o artista produziu em torno dos temas da voz, do corpo e da performance— grande parte das quais raramente vistas em Portugal, ou mesmo aqui apresentadas pela primeira vez ao público português. Deste modo, a exposição antológica constitui, a um tempo, um estimulante veículo de rememoração da coesão da totalidade da sua obra, e uma avaliação crítica da sua evolução artística, desde o primeiro vídeo realizado em 2000, O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes, até uma performance especialmente produzida para a exposição, Libertas — a qual fez a extraordinária abertura da exposição, com mais de duzentos voluntários a cantarem publicamente o «Coro dos Escravos Hebreus», extraído da ópera Nabucco, de Giuseppe Verdi.
[da Apresentação]

Estes trabalhos não alinham no «novo» enquanto ideia comum. Vasco Araújo colecciona princípios dúplices de construção e destruição: o adorável enquanto terror, o velado enquanto estratégia emancipatória. Evitando apropriação e representação dos outros, evidenciam-se procedimentos culturais, geológicos, dispositivos e performances sociais, etc. intrínsecos a ontologias e comportamentos preponderantes que se tentaram naturalizar como sendo únicos. Diferindo de procedimentos museológicos conservadores, este «projecto expositivo» contínuo não é de afirmação mas de abandono; não um abandono pela demissão de tomada de posição ou neutralização mas pela intensificação da negatividade do projecto identitário.
[André e. Teodósio]

O Material Não Aguenta I Júlio Pomar, Luisa Cunha


O Material Não Aguenta
Júlio Pomar, Luisa Cunha

Textos de Sara Antónia Matos, Manuel Castro Caldas e Pedro Faro
Design de Paula Prates

ISBN 978-989-8902-89-4 | EAN 9789898902894

Edição: Junho de 2019
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 17 x 21 cm (brochado com badanas)
Número de páginas: 128 (a cores)

Com o Atelier-Museu Júlio Pomar

Edição bilingue: português-inglês



O mais importante, sempre mais importante, lembra-nos a obra de Luisa Cunha e de Júlio Pomar, é manter a liberdade de pensamento.


A preparação da exposição «O Material Não Aguenta» (18.10.2018 – 13.01.2019), com obras de Júlio Pomar e Luisa Cunha, foi iniciada com o pintor ainda em vida. Ambos detentores de sentido crítico, Júlio Pomar reconheceu na obra de Luisa Cunha uma qualidade irónica e até mordaz em relação à realidade, que, segundo o pintor, prometia uma aproximação inesperada da obra de ambos. […]
Ambos resistiram às convenções através da ironia e, sobretudo, Luisa Cunha faz recair esta ironia particularmente sobre as normas e os códigos de apresentação museológicos, desconstruindo os seus protocolos mais tradicionais a partir do seu interior, isto é, não se demitindo deles mas, pelo contrário, colocando-os em derisão através de um comentário subtil e subversivo. […]
Esta exposição, que junta o trabalho de Júlio Pomar a uma companhia porventura inesperada, Luisa Cunha, mostra o quanto a obra deste pintor, em sete décadas de trabalho, recorrendo a meios e suportes diferenciados, abriu avenidas no campo das artes plásticas. […]
A sua obra – tal como a de Júlio Pomar a outros níveis – subverte os consensos e as expectativas dos visitantes dos museus, mas mais do que isso, das próprias instituições, baralhando os códigos e as condutas de funcionamento mais comuns, tornando-os ridículos e, por vezes, irrisórios. […]
«O Material Não Aguenta», título da exposição, deriva de uma conversa com a artista, sublinhando a perda da dimensão icónica, celebrativa e por vezes intocável da obra de arte. […]
A obra de Luisa Cunha é, sobretudo, uma obra que dá relevância ao acto de recepção comum, desafiando a atenção e a acutilância da percepção, convidando o espectador a despir-se e a deixar para trás todo o peso institucional que reveste a sua postura, abraçando a liberdade de pensamento e de acção. O material não aguenta, não resiste a tanta convenção.
[Sara Antónia Matos]

Muitas vezes marquei encontro comigo próprio no ponto zero I Prémio de Curadoria 2018 AMJP/EGEAC


Muitas vezes marquei encontro comigo próprio no ponto zero 
Prémio de Curadoria 2018 AMJP/EGEAC 

Organização de Hugo Dinis
Textos de António Guerreiro, Joaquim Oliveira Caetano, 
Maria de Fátima Lambert, Marta Rema, Sara Antónia Matos 
Design de Paula Prates 

ISBN 978-989-8902-93-1 | EAN 9789898902931 

Edição: Junho de 2019 
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros 
Formato: 17 x 21 cm (brochado) 
Número de páginas: 140 (a cores) 

Com o Atelier-Museu Júlio Pomar 

Edição bilingue: português-inglês




Curadoria: Marta Rema.
Artistas: Ana Pérez-Quiroga, Ana Pissarra, Cecília Costa, Fernando Calhau, Helena Almeida, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, Jorge Molder, Josef d’Óbidos, Júlio Pomar, Luisa Cunha, Paulo Lisboa, Pedro Vaz, Raul Domingues, Ricardo Jacinto, Rui Chafes, Sandro Resende, Sara & André.


O Prémio de Curadoria Atelier-Museu Júlio Pomar/EGEAC, criado em 2014-15, tinha como objectivo dar a conhecer novos profissionais da área, introduzindo-os no meio, assim renovando o próprio sistema bem como as perspectivas de abordagem curatorial. Simultaneamente, o prémio, que, além de uma componente monetária, se materializa numa exposição colectiva no espaço do museu, oferecia as condições para que estes novos profissionais, os quais muitas vezes ainda não tinham tido a oportunidade de pôr em prática as suas ideias de exposição, a concretizassem em contexto real, com o apoio financeiro, operacional e tecno-científico da instituição. […]
A exposição resultante da terceira edição do Prémio de Curadoria Atelier-Museu Júlio Pomar/EGEAC, à curadoria de Marta Rema, toma por título a frase «Muitas vezes marquei encontro comigo próprio no ponto zero», de Júlio Pomar, chamando à atenção para a necessidade de uma reflexão interior e de um posicionamento público e político, porventura mais atento, mais sóbrio mas, também, simultaneamente, mais participativo – atitude reflexiva pela qual Júlio Pomar nunca deixou de pugnar através e ao longo da sua obra, como é evidente no conjunto de desenhos patentes na exposição: desenhos da prisão realizados no Forte de Caxias, onde o artista esteve detido de 27 de Abril a 26 de Agosto de 1947.
[…] o Atelier-Museu entende que, no presente, e após a morte do pintor Júlio Pomar em Maio de 2018, faz mais sentido atribuir um incentivo à investigação de fundo que permita revelar novos investigadores, historiadores e ensaístas. […] Certamente que Júlio Pomar, ele próprio detentor de uma carreira ligada à escrita e ao pensamento, aplaudiria esta transformação do prémio de curadoria numa bolsa dedicada à investigação. 
[Sara Antónia Matos]

Canhota Universal I Mariana Gomes


Canhota Universal
Mariana Gomes

Textos de Ana Anacleto e Bruno Marchand

Design de vivóeusébio

ISBN 978-989-8902-86-3 | EAN 9789898902863

Edição: Junho de 201
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 12,5 x 19 cm (brochado com sobrecapa)
Número de páginas: 416 (a cores)

Com a Fundação Carmona e Costa

Edição bilingue: português-inglês




Os referentes que Mariana Gomes mais preza são aqueles que se situam na faixa particularmente estreita de inteligibilidade que sobrevive entre o banal e o absurdo.


Este catálogo foi produzido no âmbito da exposição «Canhota», de Mariana Gomes, que decorreu na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, entre 31 de Maio e 13 de Julho de 2019.


A obra de Mariana Gomes, e em particular aquela que a artista tem vindo a produzir nos últimos anos, pode ser lida como uma reacção, simultaneamente cândida e informada, a algumas das armadilhas que a situação artística contemporânea lhe oferece. Por um lado, ela dá por provada a vacuidade das discussões académicas relativamente ao grande destino da arte tanto quanto às suas tendências circunstanciais. Por outro, ela parece sentir que a resposta a este panorama de aparente dispersão da função e do impacto social da arte passa por voltarmos a centrar-nos (individualmente, mas como quem pergunta se alguém quer partilhar) naquilo que nos faria falta se um dia toda a arte — a boa, a má, a socialmente engajada, a esteticamente deslumbrada, etc. — deixasse subitamente de existir. Não há grandes dúvidas que, no caso de Mariana Gomes, a parte da arte que mais falta lhe faria seria constituída por obras da lavra de autores que usam de franca liberdade perante as expectativas da correcção artística, por projectos que manifestam doses generosas de criatividade delirante e por objectos artísticos capazes de religar a nossa consciência crítica adulta com os temas, as imagens e os objectos que a dada altura da nossa infância tiveram uma predominância evidente no nosso imaginário e que vieram, muito pouco tempo depois, a ser aquelas em que baseámos a nossa noção partilhada de vergonha, nojo e medo. 
[Bruno Marchand]


Uma característica que nos parece interessante e que ajuda a conferir à obra de Mariana Gomes aquilo a que chamaríamos uma pretensão para a despretensão, é a forma como introduz factores de humor no seu trabalho, recorrendo em muitas situações a referências estilísticas próximas da ilustração ou do cartoon, ou na forma como faz uso da alegoria, parecendo algumas das suas obras pregar-nos partidas, piscarem o olho à menos sofisticada das banalidades ou cortejarem uma qualquer
vulgaridade sentimental. 
[Ana Anacleto]

Uma Conversa I Luís Paulo Costa, Julião Sarmento


Uma Conversa
Luís Paulo Costa, Julião Sarmento

Design de Vera Velez

ISBN 978-989-8902-90-0 | EAN 9789898902900

Edição: Junho de 2019

Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 19 x 25 cm (brochado)
Número de páginas: 48 (a cores)

Com o apoio da Fundação Carmona e Costa
Edição bilingue: português-inglês




Uma conversa sem palavras.



Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Uma Conversa», de Luís Paulo Costa e Julião Sarmento, realizada na Museu José Malhoa, em Caldas da Rainha, de 1 de Junho a 1 de Setembro de 2019.