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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Hugo Canoilas: A Exposição como Parcela de Tempo — Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro

Hugo Canoilas: A Exposição como Parcela de Tempo 
Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro 
Hugo Canoilas, Pedro Faro, Sara Antónia Matos 

ISBN 978-989-9006-93-5 | EAN 9789899006935 

Edição: Dezembro de 2020 
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros 
Formato: 12 × 17 cm (brochado) 
Número de páginas: 192 

Com o Atelier-Museu Júlio Pomar

«Adoro vir [a Portugal], sabendo que vou regressar a Viena, percebem? Não sei se estou preparado para viver aqui outra vez. Começo a sentir-me um pária. Significa que não sou de nenhum dos lados exclusivamente. Vou aos lugares onde faço exposições e projetos. Nos últimos dois anos, contudo, tenho vindo mais a Portugal por questões de trabalho.» 
[Hugo Canoilas] 



As conversas com Hugo Canoilas pretendiam dar a conhecer o percurso de um artista de uma geração e com uma experiência diferente da dos anteriores entrevistados. Formado na ESAD (Caldas da Rainha) e assistente de Pedro Cabrita Reis — «escola» que certamente lhe trouxe uma experiência e uma confiança inigualáveis —, o artista decide sair de Portugal em 2003 e virar o rumo do seu trabalho. Esse momento, como o mesmo refere, constituiu uma espécie de arranque «falhado» no aspeto da subsistência, o qual lhe podia ter custado não a sua vida, mas o espírito. 
Volvida essa página e os diferentes momentos difíceis, como o nascimento da sua filha, a mudança de galeria, a apresentação de uma nova linguagem — figurativa — a qual foi mal recebida pelo meio artístico, que dele tinha ideias feitas e criou certas expectativas, o artista resiste e fala-nos com frontalidade, sem pudores ou receios, o que pensa do sistema da arte. 
Nesta conversa, Hugo Canoilas chama a atenção para a ausência de partilha e diálogo entre pares e profissionais, apontando vícios estruturais do sistema e a necessidade de libertação das convenções. Terá sido esse o maior motivo para a sua partida: um alargamento de horizontes e possibilidades, em simultâneo, com a necessidade de não ter de corresponder ao esperado por uma comunidade e um consenso instalados. Isso ficou patente nas conversas que se foram tendo, em que o mesmo revela, sem a certeza de poder divulgar publicamente o gesto de destruição de toda a obra realizada antes dessa viragem, com o propósito de não carregar sobre si, sobre as suas costas, uma força opressora, coerciva e limitativa. 
Sobre o projeto no próprio Atelier-Museu, sobre a sua faceta antropofágica, isto é, de amante e devorador do mundo, é reveladora a sua insistência em ver transformada a exposição a apresentar ao público no decorrer do tempo. 
É nesse momento que se torna claro que, para o artista, é vital algo que também era para Júlio Pomar: o movimento e a transformação, o risco e a mudança que lhe estão inerentes. Essa faceta, essa energia contagiante e «canibalística» também Hugo Canoilas reconhece a Pomar e certamente teria feito, de um encontro entre os dois, surtir centelha, clarão, vivacidade, faísca. 
[Sara Antónia Matos]

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Antes do Início e Depois do Fim: Júlio Pomar e Hugo Canoilas


Antes do Início e Depois do Fim: Júlio Pomar e Hugo Canoilas 

Júlio Pomar, Hugo Canoilas 


Textos de Sara Antónia Matos, Chus Martínez, Hugo Canoilas 
Design de Ilhas Estúdio 

ISBN 978-989-9006-33-1 | EAN 9789899006331 
 
Edição: Junho de 2020 
Preço: 20,76 euros | PVP: 22 euros
Formato: 17 × 21 cm (brochado) 
Número de páginas: 204 (a cores) ´
Com o Atelier-Museu Júlio Pomar

As obras destes dois pintores configuram um campo híbrido, um território 
que leva a repensar a natureza das coisas, dos objectos, dos fenómenos da 
natureza, da arte, das suas matérias, exercícios e metodologias.

Combinando arte, investigação e documentação, o trabalho de Júlio Pomar é enformado por um património crítico que lhe permite abordar a natureza descontraidamente, sem pretensões de apresentar um conhecimento moldado pelos pressupostos da ciência. Natureza, olhar científico e olhar artístico conjugam-se num discurso que ultrapassa as determinações disciplinares e garante um resultado final revelável em diferentes camadas de informação. 
Em diálogo com a obra de Júlio Pomar, de Hugo Canoilas mostra-se um extenso corpo de trabalho que o artista tem desenvolvido nos últimos anos em torno de uma figuração por vezes pré-histórica ou pré-apocalíptica, e por vezes pós- -apocalíptica, numa espectacular tentativa crítica de pensar sobre a sociedade, sobre a relação com a arte e com a natureza através da arte. 
O que implica a criação? E a percepção? Qual é a verdade da natureza e quais são as origens do fazer artístico? No diálogo O Declínio da Mentira, Oscar Wilde sublinhava que «quanto mais estudamos a Arte, menos nos interessamos pela Natureza». […] 
As obras destes dois pintores configuram um campo híbrido, um território que leva a repensar a natureza das coisas, dos objectos, dos fenómenos da natureza, da arte, das suas matérias, exercícios e metodologias. A arte em geral faz equacionar os modos de ver e percepcionar a realidade, implicando o observador numa participação construtiva. A relação entre arte e natureza, entre forma viva e forma artística, revela-se então num espaço de inteligibilidade capaz de esclarecer, heuristicamente, a própria forma do pensamento. 
Foi neste âmbito lato que a exposição ultrapassou a temática explícita nas obras — animais selvagens e domésticos, existentes e extintos — para permitir um outro domínio de reflexões mais abrangentes, particularmente associado às questões da sustentabilidade, da tecnologia, das possibilidades da vida na Terra e, não menos importante, do tempo.
[Sara Antónia Matos]