terça-feira, 20 de julho de 2021

O Bar dos Dois Caminhos


O Bar dos Dois Caminhos 
Gilbert de Voisins 

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-9006-90-4 | EAN 9789899006904 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 192

Os crimes do «amor louco» consumados com desumana determinação. «Há momentos em que já não sou eu… em que me transformo num animal enraivecido. 
Nada me pára… São horas em que só o sangue fala.» 

Mas se o Oeste desta história, escrita por um francês e publicada em 1909 (numa altura em que o cinema pouco se atrevia a significativas longas metragens) não tem vaqueiros, nem cavalgadas, nem grandes manadas de gado; se não tem índios implacáveis para aqueles que tomam e desfiguram a sua terra; vai no entanto mostrar-nos, entre os símbolos que o cinema impôs, e assim mesmo de forma muito lateral, a paciência dos apanhadores de ouro num rio pouco generoso; e vai pôr em pleno centro o saloon e a sensação de impunidade do homem que se sabe distante da Justiça e não atingido pela sua Lei. 
[…] 
O saloon desta história é gerido por uma mulher velha e gorda que cobra a três dólares as suas noites de amor com todos os que a solicitam, sem excluir delas o seu empregado adolescente; tem à volta jogadores, bebedores e uma ninfomaníaca esquelética com o rosto sulcado por cicatrizes e uma fealdade exemplar, incomodada por um ardor sensual que o seu marido não acalma; e que não hesita em aplacar a fúria do sexo com a inocente disponibilidade de um belo e muito jovem pobre de espírito. Tem sobretudo Vincent van Horst; o que arrasta ao centro da história os seus crimes de «amor louco» consumados com desumana determinação. «Há momentos em que já não sou eu», diz a mostrar-se sincero, «em que me transformo num animal enraivecido. Nada me pára. O obstáculo não me incomoda. São horas em que só o sangue fala.» 
Tudo isto vai conseguir que O Bar dos Dois Caminhos fuja, nesta terra de impunidades, à consagrada fórmula do «crime com castigo da lei»; haverá como seu sucedâneo outro crime, crime-resposta, crime-vingança, crime «barroco» (poderia chamar-lhe assim Herberto Helder), insensível às previsíveis formas da execução mortal; um castigo que pedirá a um tresloucado impulso imaginativas crueldades e surgirá tocado por um desvario paroxístico, com laivos pagãos acompanhados por cânticos de religiosidade cristã; um castigo com lugar merecido entre as negras criações da literatura. 
[Aníbal Fernandes]

Paludes — Sotia


Paludes — Sotia 
André Gide 


Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-8833-48-8 | EAN 9789898833488 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 12,26 euros | PVP: 13 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 128

Palude é uma palavra que, nas línguas francesa e também portuguesa, designou em tempos passados — e nunca com muita popularidade — aquilo a que hoje chamamos vulgarmente «pântano». 

André Gide estava no seu sexto livro; tinha vinte e seis anos de idade e escrevia a sua primeira sotia — seriam na sua obra três — lembrando-se com esta palavra arcaica das peças medievais assim chamadas e que parodiavam de forma estouvada, ou mesmo enlouquecida, realidades familiares aos seus populares espectadores. 
1895 foi também o ano em que ele saiu de uma determinante viagem à África do Norte, onde cedeu pela primeira vez à sua verdade sexual; também o ano em que se casou com a sua prima Madeleine Rondeaux (um casamento «branco») e teve o enorme transtorno sentimental provocado pela morte da sua mãe. São factos que não devem ser esquecidos se quisermos perceber o abalo interior que agudizou a sua percepção dos intelectuais parisienses, o seu cansaço perante o vazio que tinha à sua volta, um mundo de estilizadas vaidades e com a futilidade «pantanosa» que o incitou às metáforas virgilianas de Paludes
[…] 
O Tityre de André Gide vive numa torre circundada por campos pantanosos, mas para encarnar como metáfora actores que representam a intelectualizada e vácua monotonia dos salões parisienses do final do século XIX; propõe-se como personagem central da história de um homem que não pode viajar, que vive num campo de lamas e lodos (o Paris dos intelectuais) e nenhum esforço faz para sair de lá. O autor identifica este Tityre consigo próprio (no livro, o único Tityre consciente da sua tityrização) e com todos os que giram à sua volta, literatos vazios e cheios de uma retórica fútil, os frequentadores do salão de Angèle, a única figura feminina que surge com presença física no livro e não podemos deixar de associar a Madeleine Rondeaux, a que já era então sua mulher na vida real, sendo a isto levados por duas frases: — Dormir à casa da Angèle. Digo à casa e não com ela, uma vez que nunca ultrapassámos pequenos e anódinos simulacros. E mais adiante: Não somos desses de onde nascem, cara amiga, os filhos dos homens. 
[Aníbal Fernandes]

Crítica das Mediações Totais – Perspectivas Expandidas dos Media


Crítica das Mediações Totais 
Perspectivas Expandidas dos Media 
Aida Estela Castro, Carlos Natálio, Catarina Patrício, Hermínio Martins, João Ribas, José A. Bragança de Miranda, José Gomes Pinto, Luís Cláudio Ribeiro, Luís Mendonça, Manuel Bogalheiro 


Edição, coordenação e introdução de Manuel Bogalheiro 

ISBN 978-989-9006-83-6 | EAN 9789899006836 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros 
Formato: 16 × 22 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 224 

Com o apoio da SOPCOM

É a crise desta noção estável e circunscrita do conceito de media — crise que se foi manifestando desde o final do século passado com a generalização dos computadores e a abstracção progressiva dos seus comandos — que constitui o mote deste livro. 


Num momento em que nada parece escapar às mediações técnicas, o conceito de media dissolve-se numa generalização possível a todos os campos da experiência. Seja na metáfora da rede, da nuvem, da máquina universal, da mnometecnologia geral, do meta-medium do computador ou do big data, as configurações holísticas proliferam e apontam o aparelhamento geral da experiência como uma nova natureza, uma nova metafísica ou um novo sublime, dependendo da metaforização que se queira fazer do cenário. Uma crítica da mediação enquanto totalidade implica reconhecer que os media constituem a infra-estrutura de determinação da experiência, a partir da qual os próprios media e o real são reconhecíveis e pensáveis, mas implica também reconhecer que essa infra-estrutura se encontra saturada de processos de individuação e de objectos potentes e instáveis, no limiar do desvio, da imprevisibilidade e da entropia, que compõem uma imagem viva do real, não antecipável e constantemente remodelável. 
[Manuel Bogalheiro] 

Enlaces Culturais Brasil-Portugal


Enlaces Culturais Brasil-Portugal 
Adriano de Oliveira Sampaio, Antonio Albino Canelas Rubim, Fernanda Coelho, Giuliana Kauark, Ígor Lopes, João Morgado, José Eduardo Franco, José Roberto Severino, Laura Bezerra, Luiz Eduardo Oliveira, Mariana Pinto Miranda, Miguel Real, Onésimo Teotónio Almeida, Paulo André Lima, Paulo Serra, Rita de Cássia Aragão Matos, Urbano Sidoncha 

Edição, coordenação e organização de 
Urbano Sidoncha e Antonio Albino Canelas Rubim 


ISBN 978-989-9006-75-1 | EAN 9789899006751 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 20,75 euros | PVP: 22 euros
Formato: 16 × 22 cm (brochado) 
Número de páginas: 352 

Com o apoio do PRAXIS — Centro de Filosofia, Política e Cultura


Enlaces Culturais Brasil-Portugal é um livro tecido nas trocas e intercâmbios de conhecimento e experiência de autores portugueses e brasileiros, cada qual olhando simultaneamente para a sua realidade e para a realidade do outro. 



Enlaces Culturais Brasil-Portugal é um projeto editorial que nasce de uma constatação que os seus organizadores foram consolidando ao longo dos anos em contextos muito diversos: existe efetivamente um desconhecimento recíproco de portugueses e brasileiros da realidade cultural dos seus países. É uma constatação que enfrenta consideráveis dificuldades para se afirmar, desde logo a prosaica ideia que há muito se instalou de que Portugal e Brasil são «países irmãos», uma máxima que de tantas vezes repetida cristalizou a convicção de um conhecimento recíproco que a realidade não sanciona. Será necessário, portanto, desconstruir essa crença, apreciá-la nas suas pretensões e exigir prova efetiva da sua validade. Desconstruí-la não significa, todavia, que ela não tenha razão de ser, que ela não se faça sentir em determinados segmentos da nossa vida em comum ou até que ela não possa apresentar argumentos válidos em sua defesa. Desconstruir significa tão-só abandonar o ponto de vista utilitário que dá uma realidade como absolutamente adquirida sem antes interpelá-la ao nível das suas formas de doação de sentido. Se o fizermos, estaremos mais próximos de produzir um conhecimento comum de nossas realidades que consiga romper de entrada o limite do simples chavão, das proclamações estrepitosas, mas absolutamente desprovidas de significado e alcance. 
A ideia que dá origem a este volume nasce, como foi dito, desse diagnóstico de que há diálogos por fazer entre as realidades culturais do Brasil e de Portugal. Mas a origem da própria ideia não é coeva da coletânea que aqui se inicia. A sua origem, pelo menos na sua expressão mais sistemática e duradoura, está intimamente associada ao surgimento do movimento dos Congressos Internacionais sobre Cultura, nascido em 2015 de uma parceria científica e académica entre a Universidade da Beira Interior (Portugal) e a Universidade Federal da Bahia (Brasil), a que se associariam mais tarde a Universidade do Minho e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. 
[Urbano Sidoncha e Antonio Albino Canelas Rubim]

Língua Bífida – Ensaio sobre Ecce Corpus, uma performance de António Gonçalves


 Língua Bífida 
Ensaio sobre Ecce Corpus, uma performance de António Gonçalves 
Pedro Eiras 


Imagens de António Gonçalves

ISBN 978-989-9006-80-5 | EAN 9789899006805 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado) 
Número de páginas: 96 (a cores)


Ecce Corpus, então. Mas qual corpo — este ou o outro? 
— Este é o outro. 



— Este é um ensaio sobre Ecce Corpus, uma performance do artista plástico António Gonçalves. 
— No princípio era a performance
— Resta saber se a performance pode ser um princípio, ou se exige algo que seja antes do princípio. 
— Se algo for antes do princípio, então o princípio não é o princípio. 
— Talvez seja preciso escolhermos um princípio, um certo princípio nem aleatório nem definitivo; e depois descrevermos o nosso objecto com o máximo rigor, ignorando tudo o que estiver antes e depois dele. 
— Podemos tentar (com alguma inocência, e q.b. de estratégia). Aliás, já começámos, mais acima, no princípio, quando disseste (ou terei sido eu?): «Este é um ensaio sobre Ecce Corpus, uma performance do artista plástico António Gonçalves». 
[…] 
— No princípio eram as performances, e elas são múltiplas. 
— Nesse caso, observemo-las uma a uma, porque cada qual é o princípio. 
— O princípio, por definição, não tem de ser único? 
— Talvez seja preciso desafiar as definições, pensar que pode haver vários princípios, vários singulares (que não formam um plural). E talvez cada uma dessas performances abra por seu turno para uma pluralidade de referências, jogos, linguagens, outros princípios e origens, e esses para outros ainda mais antigos. 
— Vejamos então. No princípio, António Gonçalves escolheu projectar sobre o seu corpo fotografias de diversas performances de diversos artistas. Do infinito de exemplos possíveis, fez uma escolha finita, será preciso explicá-la, ou pelo menos tentar. Escolhe uma, começa. 

[…] 

— Ficámos sem saber, afinal, o que havia no princípio. 
— Mas que importa, que importa o que havia no princípio? 
[Pedro Eiras]

Gaëtan


Gaëtan 
Gaëtan 


Textos de Alberto Caetano, João Lima Pinharanda, João Miguel Fernandes Jorge, 
Jorge Molder, Manuel Castro Caldas, Maria Filomena Molder e Rui Sanches 
Design de Vera Velez 
Traduções de José Gabriel Flores e Rui Cascais Parada 

ISBN 978-989-9006-91-1 | EAN 9789899006911 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros
Formato: 20 × 28 cm (brochado) 
Número de páginas: 248 (a cores) 

Com a Fundação Carmona e Costa 

Edição bilingue: português-inglês

Verdadeiro flâneur e um espírito livre, Gaëtan teve uma presença simultaneamente discreta e marcante no meio artístico português. Envolvido em variadas actividades,
nunca encarou a sua produção artística com dedicação exclusiva e muito menos como uma carreira. 
[Alberto Caetano e Rui Sanches] 



A Fundação Carmona e Costa tinha programado uma exposição do Gaëtan. Para concretizar esse plano, ele propôs-me que fizesse a curadoria. Surpreendido pelo convite, acabei por aceitar, na condição de que trabalhássemos o projecto em conjunto. Ao começarmos a fazer o levantamento das obras, rapidamente percebemos que o espaço da Galeria da FCC iria ser pequeno. Desde 1996 que não era dedicada uma grande exposição à obra de Gaëtan, e pareceu-me que seria essa a ocasião para voltar a mostrar uma selecção representativa do trabalho dele. Nesse sentido, propusemos à Fundação a mudança da exposição para o salão da SNBA, que poderia acolher um número muito maior de obras, sugestão que foi imediatamente aceite. Pouco tempo depois, tivemos o choque da morte do nosso amigo.

Pareceu-nos, à FCC e a mim, que, apesar das circunstâncias, era importante manter o projecto. Por minha sugestão, foi incluído na equipa de curadoria o Alberto Caetano, amigo de longa data do Gaëtan e, seguramente, uma das pessoas que melhor conhecem a sua obra. Decidimos os dois que iríamos tentar fazer a exposição como o Gaëtan a teria feito. 
[Rui Sanches]

domingo, 4 de julho de 2021

Prémio Melhor Monografia – CEIS20 distingue José Bértolo

 

José Bértolo, com «Sobreimpressões – Leituras de Filmes», venceu o prémio de melhor monografia da 1.ª edição dos Prémios AIM — Associação de Investigadores da Imagem em Movimento.

Parabéns, José Bértolo!
«Os ensaios que compõem a monografia de José Bértolo começaram por ser textos publicados, à razão de um por mês, entre setembro de 2017 e novembro de 2018, no website À pala de Walsh. Para este livro, o autor reviu-os, modificou-os e acrescentou outros, que antes haviam tomado a forma de comunicações em diversos encontros académicos. O júri destaca, aqui, o estudo nada compósito sobre o conceito de “sobreimpressão”, que surge clarificado e consolidado pelas leituras dos diferentes objetos fílmicos, em análises de grande rigor e maravilhamento.»

segunda-feira, 14 de junho de 2021

terça-feira, 8 de junho de 2021

A Minha Amiga Nane

A Minha Amiga Nane 
Paul-Jean Toulet 


Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-8833-27-3 | EAN 9789898833273 

Edição: Maio de 2021 
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 176


Irmã mais frívola de Naná, de Manon, de Albertine a Desaparecida. 
Nos excessos brilhantes de 1900, uma estranha 
e paradoxal batalha de açúcar salgado. 


[…] Mon amie Nane apareceu em 1905. 
Com Nane, P.-J.Touletera um fauno a contar uma história de demi-mondaine belle époque, irmã mais frívola de Naná, de Manon, de Albertine a Desaparecida. Não construía à sua custa uma trama rica em peripécias, e preferia mostrá-la num compêndio de situações diferentes que acrescentavam, novos a novos traços, o pormenor do seu retrato. Era, nos excessos brilhantes de 1900, uma estranha e paradoxal batalha de açúcar salgado. Mas oiçamos Fredéric Martinez, um dos seus biógrafos: «Está escrito numa prosa saturada de adjectivos, que nos faz lembrar um apartamento de cocotte atravancado por relógios e caixas, estatuetas e esmaltes; entramos lá em ponta de pés, com os braços bem pendurados ao longo do corpo, com medo de partir qualquer coisa. Também nos falta o ar. O capitoso perfume dos advérbios e dos boleios de frase preciosos fazem alguma dor de cabeça; a coisa é bonita de mais para ser honesta. Quer-se mal a Toulet por ele ser desagradável. Deploramos-lhe a misoginia galopante, o assumido anti-semitismo. Gostar-se-ia que o grande estilista fosse um grande homem. Toulet desagrada, e é isto o que nos diverte.» 
Todas estas frases de Martinez procuram definir o incómodo de um objecto insólito; um estranho corpo que surgia a contrapelo do que era previsível na onda do romance oferecido aos leitores dos primeiros anos do século XX. Toulet não levava a sério as regras que o romance tinha estabelecido pela mão de grandes escritores. Era indiferente à continuidade lógica da narrativa, dava a escolher alternativas para a mesma situação, recusava-se ao final de acordes bem marcados, e achava que num sorriso de mulher pode adivinhar-se todo o segredo do seu corpo. Nane define-se nas entrelinhas do que nos é dito por este sorriso e parece muitas vezes menos importante; oferece-se e furta-se ao sabor daquele que a julga impiedosamente com uma «sensibilidade magoada», para utilizar uma expressão de Claude Debussy. Estes momentos de amor cru vistos por um olhar não isento de snobismo, embrulhados numa prosa de bom ouvido e amor às palavras, destinou-se a perdurar sob desconfiados olhares de esguelha que não souberam evitar-lhe um garantido lugar de «clássico marginal». 
[Aníbal Fernandes]

A Ideia de Felicidade na Cultura Europeia — Eticidade, Moralidade e Transcendência

A Ideia de Felicidade na Cultura Europeia  
Eticidade, Moralidade e Transcendência 

Manuel Afonso Costa 


ISBN 978-989-9006-62-1 | EAN 9789899006621 

Edição: Maio de 2021 
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 224


Porque é que a promessa de felicidade se transformou progressivamente num imenso pesadelo? Não num pesadelo total, mas mesmo assim pesadelo o suficiente para se falar reiteradamente de fracasso e falência da aventura da modernidade. 


O que é que o homem procura quando procura a felicidade? O que é que o homem encontra quando encontra (ou pensa que encontra) a felicidade? Estas são perguntas sem resposta objectiva. Em boa verdade são perguntas às quais não espero nem esperava responder. Espero, todavia, que através de sucessivas aproximações temáticas aos conteúdos que as perguntas subentendem, quer dizer, aos domínios onde a ideia de felicidade se encontra implicada directa ou indirectamente, de forma próxima ou apenas remota, o tema e os problemas possam dilucidar-se por si mesmos. O esboço de qualquer resposta objectiva às questões formuladas, para além da ingenuidade de que daria provas, redundaria paradoxalmente num amontoado de sentenças, inevitavelmente subjectivas. Em contrapartida, o esforço de contextualização, os rodeios ou digressões teoréticas, o levantamento de paradigmas temáticos adjacentes, o afloramento tópico de orientações existenciais, de perspectivas normativas, de modos de vida ou de formas de comportamento subordinados a princípios ético-morais, etc., tudo isso acabará por se tornar bastante objectivo. Deste modo, quase que se pode dizer que para se falar (saber) da felicidade interessa falar o menos possível de felicidade, até porque uma fenomenologia do sentimento feliz não é mais do que um momento na abordagem do tema e dos menos importantes. 
[…] 
A ideia de felicidade, se não é a chave, é seguramente uma das chaves privilegiadas, talvez a mais privilegiada, para abrir o imenso segredo da maior contradição, paradoxal esta, da modernidade, e que reside no facto de que pensando a cultura moderna levar por diante o grande processo da emancipação, da realização plena da vida humana em cenário mundano, cavou cenários que se aparentam a formas de escravatura moderna. […] 
Finalmente, o que de facto penso e já o pensava à partida é que a modernidade, tal como eu a entendo etal como salientou Habermas, é apenas um projecto em crise, conjunturalmente interrompido, mas não esgotado nas suas potencialidades emancipadoras. 
[Manuel Afonso Costa]

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Manuel Cargaleiro — Uma Vida Desenhada

Manuel Cargaleiro — Uma Vida Desenhada 
Manuel Cargaleiro 


Edição de João Pinharanda 

978-989-9006-81-2 | EAN 9789899006812 

Edição: Abril de 2021 
Preço: 35,85 euros | PVP: 38 euros 
Formato: 21 × 27 cm (encadernado) 
Número de páginas: 208 (a cores) 

Com o apoio da Fundação Manuel Cargaleiro 

Edição bilingue: português-inglês 

«Principalmente, são formas de alegria e esperança de vida, ilhas de felicidade que Cargaleiro cultiva numa dimensão e persistência que raramente se encontra na 
produção artística portuguesa; que, de qualquer modo, em nenhum outro artista, 
se constitui como centro da acção criativa e como eixo de sentido do conjunto da obra.» 
[ Siza Vieira in Manuel Cargaleiro, Vida e Obra, Museu Cargaleiro ] 


Este livro foi publicado por ocasião da exposição Manuel Cargaleiro — Uma Vida Desenhada, com curadoria de João Pinharanda, realizada no Museu Cargaleiro, em Castelo Branco, a partir de 5 de Junho de 2021. 


Este livro lança, a partir do desenho, pontes de interpretação entre todas as dimensões da obra de Manuel Cargaleiro (seja a pintura, sejam as várias dimensões dos seus trabalhos cerâmicos), ou seja, faz-nos entender melhor a génese do seu trabalho mas também os diálogos que estabelece com a tradição dos saberes artesanais e a história da arte do seu tempo, fazendo parte da estratégia de democratização que referimos. Na verdade, estes desenhos necessitarão de ser lidos em paralelo com a restante criação de Manuel Cargaleiro (centenas de outras obras de pintura e cerâmica). Como sabemos, o desenho mantém grande autonomia face às outras expressões na obra de todos os artistas e é como desenhador, na dimensão de liberdade e autoridade que essa disciplina confere, que principalmente o vamos considerar. 
Percebemos na sua obra uma constante atenção ao mundo que o rodeia. É uma atitude que caracteriza a sua maneira de ser e Manuel Cargaleiro exprime-a como curiosidade pela natureza, suas formas e seus materiais, seus modelos e possibilidades técnicas de representação — essa leitura dá-nos o essencial do seu procedimento e atitude abrindo a via para as suas criações. 
[João Pinharanda]

Europa à Vista?!

Europa à Vista?! 
Michael Kountouris 


Introdução de Alberto Mesquita, 
Apresentação de Rui Tavares, 
Coordenação editorial de António Antunes 
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ISBN 978-989-9006-86-7 | EAN 9789899006867 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros 
Formato: 17 × 21 cm (encadernado) 
Número de páginas: 120 (a cores) 

Com o apoio da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira 

Edição bilingue: português-inglês

Rui Tavares: «A Europa não é europeia quando se esquece que foi mulher e refugiada. 
A Europa não é europeia quando se esquece da sua história.»

 

Através do traço de Michael Kountouris, já muitas vezes premiado ao longo da sua carreira com mais de trinta anos, esta é uma exposição que marca a atualidade e é um convite aberto à reflexão sobre a União Europeia dos nossos dias. Uma reflexão que não esquece os valores que estão na base da sua criação, mas que expõe também, em muitos dos trabalhos apresentados, os grandes desafios que hoje em dia se apresentam à Europa. 
[Alberto Mesquita] 

No mito grego de Europa, a primeira coisa a saber é que Europa não é europeia. Europa é o nome de uma princesa fenícia que foi vista por Zeus numa praia que seria no atual Líbano e, portanto, na Ásia. O deus dos deuses enamorou-se dela e decidiu seduzi-la, raptá-la ou violá-la (é impossível distinguir o sentido nas fontes gregas antigas) transformando-se em touro e levando-a pelo mar até à ilha de Creta.
Só aí Europa pisa o continente que tem o seu nome, e se torna europeia. Se formos às origens, portanto, Europa não é o nome de uma fortaleza que recusa a entrada de refugiados. Pelo contrário, Europa é o nome de uma mulher, ela própria refugiada e talvez vítima de violência sexual. 
[…] 
A Europa de Kountouris pode ser uma princesa sim, mas uma princesa egoísta e distante e não aquela que se banhava simples na praia quando Zeus a raptou. A Europa de Kountouris pode ser o vizinho que fecha os olhos à ascensão dos nazismos mas que se incomoda com o menino, o refugiado morto cujo crime foi ter vindo das praias orientais para as ocidentais — como a própria Europa foi forçada a fazer. 
[Rui Tavares] 

Michael Kountouris nasceu em 1960, em Rodes, na Grécia. Desde 1985, tem trabalhado como cartoonista editorial em jornais e revistas gregos. Trabalha atualmente no jornal Efimerida ton Syntakton. Colabora também com o Courrier International e a Caglecartoons. Tem participado em muitas exposições individuais e coletivas na Grécia e no estrangeiro. Desde 2011, tem trabalhado em projetos inovadores para a utilização de cartoons no sector da Educação.

Rosstoons

Rosstoons 
Ross Thomson 


Introdução de Alberto Mesquita
Coordenação editorial de António Antunes 

ISBN 978-989-9006-87-4 | EAN 9789899006874 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros 
Formato: 17 × 21 cm (encadernado) 
Número de páginas: 120 (a cores) 

Com o apoio da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira 

Edição bilingue: português-inglês


Defensor do gag visual que não exige palavras e traduções, 
os seus cartoons atraem um público global.



Desde 2008 que a Cartoon Xira conta com a presença de um convidado internacional, a qual acrescenta ainda mais valor a esta grande Exposição dedicada ao desenho humorístico. Nesta edição de 2021 damos calorosas boas-vindas ao cartoonista Ross Thomson, um artista do Reino Unido cuja presença em Vila Franca de Xira vem provar que a criatividade e a cultura não conhecem fronteiras. 
[Alberto Mesquita] 

Ross Thomson, cartoonista e ilustrador, é conhecido profissionalmente por Ross. As suas obras já apareceram em publicações como Reader’s Digest, Playboy, Private Eye e London Times, livros infantis, campanhas publicitárias, anúncios de TV e numa tira chamada «Hoff of Heybridge Heath» no Saturday Times. Nascido em Hawick, Escócia, em 1938, frequentou o Edinburgh College of Art, onde se formou em Artes Gráficas. […] Um convite de Skopje, na então Jugoslávia, no início dos anos 70, abriu as portas para o universo dos festivais, prémios, viagens internacionais e encontros com cartoonistas de todo o mundo. […] Defensor do gag visual que não exige palavras e traduções, os seus cartoons atraem um público global.

Cartoons do Ano 2020

Cartoons do Ano 2020 
António Antunes, André Carrilho, Cristina Sampaio, João Fazenda, Vasco Gargalo, António Maia, Henrique Monteiro, Rodrigo de Matos, Cristiano Salgado, 
Nuno Saraiva 


Introdução de Alberto Mesquita 
Apresentação de Pedro Mexia 
Comentários de José António Lima 
Coordenação editorial de António Antunes 

ISBN 978-989-9006-88-1 | EAN 9789899006881 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros 
Formato: 17 × 21 cm (encadernado) 
Número de páginas: 128 (a cores) 

Com o apoio da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira 

Edição bilingue: português-inglês


Pedro Mexia: «É que enquanto muita gente exige cartoons sem exageros, o mundo anda tão exagerado que até o exagero parece um eufemismo.» 



O tema incontornável nesta retrospetiva é a pandemia de Covid-19, que aliás acaba por ser transversal a muitos outros aspetos também relevantes da conjuntura social e política nacional e internacional. Num ano tão difícil quanto este que atravessámos, tornou-se ainda mais importante a presença do humor nas nossas vidas, sendo por vezes o elemento catalisador que nos ajudou a renovar energias e a enfrentar tantas circunstâncias dramáticas que preencheram o nosso dia-a-dia. 
[Alberto Mesquita] 

Nos últimos tempos, os cartoonistas tornaram-se alvos habituais de reacções fortes. Reacções fortes a ideias fortes são compreensíveis e até desejáveis, mas os cartoons costumavam ser vistos, antes de mais, como um efeito forte. Os cartoonistas têm ideias, claro, mas também têm um método, que é o exagero. E esse método passou a ser tratado como uma ideia, quer dizer, como uma afronta. 
[…] 
Esta antologia dos melhores cartoons portugueses de 2020 mostra-nos um planeta doente. Trata-se, em primeiro lugar, da pandemia e dos medos que desencadeou. O coronavírus, com a sua característica (e microscópica) configuração, faz-se bem visível nestas páginas: é uma bola, um novelo, um escudo, um sol, uma forma que tomou conta da nossa existência e da nossa imaginação visual. Mas depois vem o «exagero» de apresentar a Covid como um de vários vírus em voga, entre os quais o neonacionalismo, o fundamentalismo, a democracia iliberal ou os líderes mundiais com penteados estrambólicos, incluindo aquele que achava que isto ia lá com lixívia. É que enquanto muita gente exige cartoons sem exageros, o mundo anda tão exagerado que até o exagero parece um eufemismo. 
[Pedro Mexia]

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Apresentação do livro «Diário do Confinamento»

 



Um Jardim na Margem do Orontes

Um Jardim na Margem do Orontes 
Maurice Barrès 

Tradução e apresentação de Diogo Ferreira 


ISBN 978-989-9006-71-3 | EAN 9789899006713 

Edição: Abril de 2021 
Preço: 12,26 euros | PVP: 13 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 128


René Gillouin: «Não lemos este livro, respiramo-lo como um perfume,
saboreamo-lo como se fossem frutos, escutamo-lo como uma sinfonia, 
seguimos no fundo de si próprio, na articulação da alma sensível 
e da imaginação, o desenrolar de uma sucessão de frescos 
voluptuosos e pungentes.»



Um Jardim na Margem do Orontes surgiu na Revue des Deux Mondes nas edições de 1 até 15 de Abril [1922], assumindo o formato de livro no mês seguinte. Este texto começou por querer-se uma novela que integraria um volume, mas viu-se com as dimensões de um romance. Repleto da energia e do ritmo de uma ópera (e Barrès dizia: «Vou contar umas das pequenas óperas que tenho no espírito.»), compõe o cenário de uma tragédia; e dele foi, de facto, retirada uma ópera pelas mãos de Alfred Bachelet. Mas essa estrutura que se constrói sobre uma tragédia é percorrida por uma linguagem enérgica que não se demora em tornar vivos os cheiros, as cintilações, as texturas de que o texto está cheio — são palavras de sábia escolha que chegam ao leitor à custa de uma pureza de estilo que confere ao romance uma qualidade de cápsula do tempo, onde os amores de um cristão e de uma rainha sarracena vão decorrendo com a consistência de uma lenda. […] 
Para servir de pano de fundo aos amores que se contam neste livro, Barrès decidiu colocar o narrador ao abrigo do ruído milenar das gigantescas nórias que hoje permanecem em Hamã apenas pelo seu valor histórico. Talvez seja esse o sábio ardil de Maurice Barrès, fazer acompanhar a sua história com o ruído dessas gigantescas rodas de madeira, ao mesmo tempo que invoca um Oriente secreto que o tempo tem conservado com toda a sua singularidade ficcional, criando simultaneamente um efeito hipnótico através da linguagem que utiliza. 
Ainda assim, este romance de fulgores orientais não agradou a certos leitores de Barrès; e aquele Guillaume, que por causa dos seus amores distorce o que são os bem firmados valores da igreja, não foi do agrado de muitos cristãos. […] Então Barrès surge aqui como um romancista mais livre de pejos, coisa que não agradaria a alguns e deu início àquilo que o padre Brémond, seu amigo, disse ser a «tola querela do Orontes.» 
[Diogo Ferreira]

Erotika Biblion

Erotika Biblion 
Conde de Mirabeau 


Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-9006-85-0 | EAN 9789899006850 

Edição: Maio de 2021 
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 152


Torrentes de subtil ironia, leve no gracejo, parodiando com frequência Voltaire.

 

O título Erotika Biblion exigiu ao autor uma argumentadora nota prévia transferida para a voz dos editores: 
«Aviso dos Editores — O título desta obra não vai ser inteligível a todos os leitores,e vários haverá a não lheencontrarem nenhuma relação com o tema. Não obstante, nenhum outro lhe conviria; e se o deixámos em grego, adivinhar-se-á com facilidade a razão.» 
Difícil seria não darmos voz a Guillaume Apollinaire, que tão extensamente se demorou sobre este livro no prefácio à edição que ele próprio preparou para a colecção Les Maîtres de l’Amour
«Mirabeau acabou-o em 1780, e a 21 de Outubro desse ano escreveu a Sophie: … Eu contava, minha querida gatinha, enviar-te hoje um novo manuscrito que o teu infatigável amigo terminou, mas a cópia que destino ao livreiro de M.B. ainda não chegou ao fim; fica para a próxima vez. Vai divertir-te: são temas muito engraçados, tratados com um ar sério não menos grotesco do que eles, embora bastante decente. Acreditarias que fosse possível fazer na Bíblia e na Antiguidade investigações sobre o onanismo, as tríbades, etc., etc., e sobre as mais escabrosas matérias que os casuístas abordaram, e tornar tudo isso legível, mesmo aos que forem mais anacronicamente empertigados e polvilhados com ideias filosóficas? […] 
«A Erotika Biblion é um muito singular monumento de impiedade. É fruto das leituras de Mirabeau na sua prisão. Ele lia com curiosidade, e até com prazer, obras de erudição sagrada de exegese bíblica; “Com aparas dos comentários de Don Calmet”, diz um seu biógrafo, “compôs a Erotika Biblion, recolha de indecências onde se registam os desvios do amor físico em diferentes povos antigos; em especial, dos Judeus, onde a originalidade, pelo menos, compensa a obscenidade da matéria.” 
«A primeira edição, segundo alguns, apareceu em Neuchâtel, segundo outros em Paris. Diz-se que a primeira só divulgou catorze exemplares, apreendida quase na sua totalidade pela polícia. Ao que parece, a edição de 1792 foi de igual modo perseguida, embora um certo número de exemplares tenha chegado ao estrangeiro. Chegou mesmo a Roma, e o livro foi posto no índex a 2 de Julho de 1794. […]» 
[Aníbal Fernandes]

Escrita e Imagem

Escrita e Imagem 
Amândio Reis, Ana Bela Morais, Fernando Guerreiro, Golgona Anghel, Jeffrey Childs, Joana Matos Frias, João Oliveira Duarte, José Bértolo, Luís Mendonça, Maria Filomena Molder, Mariana Pinto dos Santos, Mário Avelar, Osvaldo Manuel Silvestre, Pedro Eiras, Rita Benis, Rosa Maria Martelo, Silvina Rodrigues Lopes 


Organização e nota introdutória de Elisabete Marques e Rita Benis 

ISBN 978-989-9006-67-6 | EAN 9789899006676 

Edição: Dezembro de 2020 
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros 
Formato: 16 × 22 cm (brochado) 
Número de páginas: 272 

Com o apoio do CEC 


«[…] escrita e imagem aparecem simultâneas ao olho interpretante. 
É a justaposição das duas que abre espaço a renovadas leituras e, 
por conseguinte, ao pensamento.» 
[Elisabete Marques e Rita Benis]



O presente volume é uma antologia de ensaios resultante de uma série de encontros abertos ao público, realizados no Outono de 2018, em formato de seminário, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Enquadrado no âmbito das actividades do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, sediado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o seminário constituiu um espaço partilhado de debate e reflexão sobre as relações entre a escrita e a imagem. Era um dos seus propósitos promover, a partir dos dois termos titulares, o questionamento e a análise das correspondências e das tensões entre diferentes práticas artísticas, bem como averiguar os efeitos dessa problematização na discussão de géneros, hierarquizações, categorizações, identificações. Cremos que o livro dá corpo a essas mesmas preocupações. Nos diversos ensaios que o compõem, assiste-se à investigação das contaminações ou intercâmbios entre diversos media, ao estudo de objectos híbridos, ou à observação da coexistência dos dois regimes, visível e dizível, aquando da recepção dos objectos. 
A organização deste livro, como não poderia deixar de ser, acompanha as confluências descobertas nos diferentes contributos. Tendo-se observado que as propostas oscilavam entre duas artes, a saber, o cinema e a poesia, optámos por criar duas secções, «Escrita e cinema» e «Poesia e imagem». Conforme se poderá adivinhar, estas partes não poderão deixar de exibir afinidades e cruzamentos, não existindo um limite estrito e rígido entre elas. Tal característica não corresponde, a nosso ver e de acordo com a nossa motivação original, tanto a uma fragilidade quanto à abertura a sentidos e a pensares. 

[Elisabete Marques e Rita Benis]

Jorge de Sena, 939 Randolph Road: Exílio, Erotismo, Escatologia


Jorge de Sena, 939 Randolph Road: 
Exílio, Erotismo, Escatologia 

Jorge Fazenda Lourenço 


978-989-9006-79-9 | EAN 9789899006799 

Edição: Abril de 2021 
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros 
Formato: 16 × 22 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 144 


A posteridade de Jorge de Sena está nas mãos de cada um de nós. 
É responsabilidade de todos e de cada um. A posteridade de um autor é uma questão literária, mas é também uma questão política, de cidadania. 



É a partir da última morada de Jorge de Sena que este livro procura abrir vistas sobre os seus longos anos de exílio, com relevo para o período norte-americano. Um exílio feito de múltiplos exílios: exílio político; exílio existencial e interior, físico e metafísico; exílio ansioso de um tempo alhures de amor, justiça e liberdade. Um exílio testemunhado, e transfigurado na demanda espiritual de uma peregrinação de mundo, o que levanta questões teológicas e escatológicas, associadas ao erotismo, princípio criador da obra de Jorge de Sena. 
[Jorge Fazenda Lourenço] 

Não tendo embora conhecido Jorge de Sena, acabou por manter com ele um trato próximo, íntimo. Quando é que se iniciou esta convivência? Como é que tudo começou? 
Jorge de Sena era para mim um poeta de que já tinha ouvido falar. Até que, no final dos anos 70, saiu uma sucessão fabulosa de obras suas: Os Grão-Capitães, em 1976; a edição isolada de O Físico Prodigioso, a sequência Sobre Esta Praia…, e a reedição de Poesia-I, em 1977; as duas Dialécticas da Literatura, em 77 e 78; Antigas e Novas Andanças do Demónio, Poesia-II e Poesia-III, em 1978; e, finalmente, Sinais de Fogo, em 1979. Fiquei completamente varado pelo poeta; e digo poeta, porque em tudo o que ele escreveu é sempre legível o trabalho de um poeta. E em 1982 comecei a escrever sobre «o meu poeta». Precisava de extravasar toda aquela admiração. 
[De uma entrevista a Teresa Carvalho, jornal i, 4/6/2018] 


Outras obras do autor sobre Jorge de Sena: O Essencial sobre Jorge de Sena (1987; nova edição, 2019), Uma Bibliografia Cronológica de Jorge de Sena (1939-1994), com Frederick G. Williams e Mécia de Sena (1994), A Poesia de Jorge de Sena: Testemunho, Metamorfose, Peregrinação (1998; edição revista, 2021), O Brilho dos Sinais. Estudos sobre Jorge de Sena (2002), A Arte de Jorge de Sena: Uma Antologia (2004), Corpo Arquitectura Poema. Leituras Inter-Artes na Poesia de Jorge de Sena, com João Borges da Cunha (2011), Matéria Cúmplice. Para Jorge de Sena (2012).

Diário do Confinamento

Diário do Confinamento
 Paris, Março-Maio de 2020 

João Pinharanda 
Desenhos de Pedro Calapez 
ISBN 978-989-9006-82-9 | EAN 9789899006829 


Edição: Abril de 2021 
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado) 
Número de páginas: 72 (a cores)


Durante o primeiro período de confinamento e dias seguintes 
enviei a um conjunto restrito de amigos estes textos. São eles 
que me pedem agora que lhos faça chegar em conjunto. 



Escrevo estes textos como colagens e como vertigens, puzzles incompletos e saltos em queda-livre — assim é também quando consigo escrever sobre os artistas em total liberdade e não de modo explicativo ou pedagógico. Escrever, assim, é a maneira que tenho para pensar sobre as coisas do mundo — neste caso foi uma maneira de enfrentar estes dias estranhos, de lhes encontrar as forças da vida sem lhes esconder as sombras da Morte. 
[João Pinharanda] 

A ideia de pensarmos no progresso, no futuro, mas continuando desesperadamente a olhar o passado, sintetiza muitos momentos do que vivemos, particularmente agora em que cada um desses momentos se assombra com a incerteza dum futuro catastrófico e nos leva a pensar que só um Anjo nos iluminará o caminho. Desejo que venha agora aquele vendaval do Paraíso que nos impeça de fechar as asas — mas só se conseguirmos ser Anjos. 
[Pedro Calapez]

Impasse


Impasse 
João Pedro Vale, Nuno Alexandre Ferreira, Diogo Bento 


Design de Horácio Frutuoso 

ISBN 978-989-9006-65-2 | EAN 9789899006652

Edição: Dezembro de 2020 
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros 
Formato: 17 × 24 cm (brochado) 
Número de páginas: 202 

Com o Teatro Praga (colecção «Série») 

Edição bilingue: português-inglês 


Os tempos e os temas aqui convivem todos num drama partilhado. 



Os três textos apresentados neste livro, dois deles estreados em Portugal durante a ação pública Impasse, dialogam, de modos diferentes, com a performance Aqueles que só fazem meia revolução apenas cavam a sua sepultura, de João Pedro Vale & Nuno Alexandre Ferreira (JPV+NAF), mais tarde apresentado no Centre Pompidou no dia 5 de junho de 2019 com o título Those who make the Revolution halfway only dig their own graves, no âmbito do Festival MOVE 2019. Organizada pela dupla de artistas no seu atelier, a 9 de fevereiro de 2019, a ação Impasse contou também com a participação dxs artistas Vasco Araújo, Teatro Cão Solteiro, André e. Teodósio, Diogo Bento e Tiago Alexandre, e das curadoras Ana Cristina Cachola e Marta Espiridião, tendo como mote a denúncia da realidade do bairro João Nascimento Costa onde se situa o atelier dos artistas, um bairro social estigmatizado, precarizado e carenciado, abandonado à sua sorte e sofrendo, por default, da migração e guetização dxs excedentes, de uma política de higienização em torno do consumo de drogas e da especulação imobiliária que assola a cidade. Os textos que aqui se publicam ativam algumas destas questões, partindo de um encontro/desencontro entre os três artistas, durante as primeiras manifestações em Paris dos Coletes Amarelos, em 2018. 
[…]
Os tempos e os temas aqui convivem todos num drama partilhado.
Ainda que na génese da performance não tenha havido necessariamente a intenção de publicação dos seus materiais, pareceu-nos fundamental ultrapassar qualquer determinismo conservador e partilhar estes textos. 

[André e. Teodósio]

terça-feira, 11 de maio de 2021

«É apetecível fazermo-nos à estrada com este livro na mochila»

 
 
Doze Fronteiras é fruto do fascínio do seu autor por pessoas e lugares que, por sua vez, o levaram até à realidade atravessada pela fronteira «para ir à procura do genuíno, onde o belo (e o feio) têm sempre algo a dizer» (p. 14).
A sua viagem evidencia como as terras raianas portuguesas e espanholas, apesar da fronteira que as estanca, estão menos separadas umas das outras do que das capitais dos respetivos países, das quais estão realmente afastadas e por elas esquecidas.
 

Assim como estes países distintos se imiscuem mutuamente — através das suas culturas e das pessoas que recorrentemente ultrapassam a fronteira, enfraquecendo-a — também diferentes sentimentos se misturam durante a leitura desta obra. Se por um lado é interessante o despretensioso conceito de diário de bordo — de emoções feitas prosa, poesia ou fotografia — por outro, acaba por ser frustrante não se conseguir visualizar as terras, as pessoas, as igrejas, os animais e as paisagens sobre os quais se lê. No entanto, é apetecível fazermo-nos à estrada com este livro na mochila. E talvez seja esse mesmo o objetivo: assinalar os sítios a que já fomos e apontar aqueles que ficámos a querer visitar para testemunhar, com os nossos olhos, «o monumental que foi preterido em nome da singularidade do pequeno, do abandonado, do furtivo» (p. 13).
 

Contudo, a mais intensa mistura de sentimentos acontece quando uma visão mais idílica do campo é confrontada com a ausência de crianças, as construções de emigrantes e um abandono aparentemente irreversível.
O ideal será deixarmo-nos contagiar pelo olhar atento do autor e fazer deste livro um companheiro de viagem porque, como lemos na introdução, é importante viajar, tendo em conta este «nosso século de consumismos desenfreados e de omnipresentes e massificadoras tecnologias que acabarão […] por obliterar as frágeis periferias que formam o interior longínquo onde uma pedra é uma pedra e não uma imagem exposta num ecrã» (p. 16). Aconselha-se, portanto, uma leitura itinerante.
 
[Isabel Maria Mónica, Brotéria, Abril de 2021]