sexta-feira, 9 de abril de 2021

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Grande Prémio Fundação EDP Arte 2021

 

Luisa Cunha acaba de ser distinguida com o

Grande Prémio Fundação EDP Arte 2021

Parabéns, Luisa Cunha!

quarta-feira, 24 de março de 2021

O Filho de Duas Mães

O Filho de Duas Mães 
Edith Wharton 


Tradução e apresentação Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-9006-69-0 | EAN 9789899006690 

Edição: Março de 2021 
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 128


Bernard Berenson: «Edith Wharton mantém-se apenas incontactável, num sítio qualquer onde não a ouvimos e de onde não pode responder-nos. É muito duro, mas não aquilo a que chamamos morte.»


Em 1906 Edith Wharton decide viver quase permanentemente em Paris. Tem ali oportunidades de convívio que a América, mesmo oferecendo com frequência a sua mesa a convivas escolhidos, não lhe saberia dar. E Paris também a faria esquecer-se dos lados negativos do seu marido inerte. Envolveu-se com o jornalista americano Morton Fullerton, representante de The Times na França, e teve as noites de amor com a intensidade que o seu poema «Terminus» nos revela (Wonderful were the long secret nights you gave me, my Lover…, lemos no seu primeiro verso). [...]
Em Paris, a vida agitada desfaz-lhe uma grande parte dos vazios que ela, no seu «quarto secreto», não consegue nunca preencher. Vive rodeada de relacionamentos masculinos que vão de Paul Bourget a Anna de Noailles, que vão de Henry James a Howard Sturges; sente-se bem no centr
o de homens cultos, de uma corte onde é adulada e elogiada, sobretudo por homossexuais. […] 
Mas esta celebração literária, estes sucessivos êxitos de crítica e público, são ensombrados por uma porção de desgostos que lhe tocam muito de perto os sentimentos. Em 1927 Walter Berry, o «seu» advogado americano, o dedicatário de Pastiches et Mélanges de Proust, o homem a quem ela chamava the love of my life, morre em Paris; pouco depois morrem-lhe dois dos seus antigos empregados; e um criado de quarto é assassinado pela sua mulher.
A sua literatura acusa estes maus dias enchendo-se de histórias com subtilezas amargas, pessimis
mos e sombras. Talvez por tudo isto, em 1933 se tenha resolvido a escrever Her Son (O Filho de Duas Mães, que ocupa o maior número de páginas de Human Nature), onde a rivalidade esgrimida entre duas «falsas mães» se resolve num sombrio desaire de esplendorosa ironia. 
Edith Wharton terá mais quatro anos de vida. Em 11 de Abril de 1935 é atingida por um premonitório ataque cardíaco; outro, dois anos mais tardee mais grave, deixa-a fechada no Pavillon Colombes queela tinha adquirido sete anos antes em Saint-Brice-sous-Fôret, perto de Paris. Morre a 11 de Agosto de 1937, e é enterrada no cemitério de Versalhes, ao lado de Walter Berry. 
[Aníbal Fernandes]

Topografias Rurais / Rural Topographies

Topografias Rurais / Rural Topographies 
Alberto Carneiro, Ana Lupas, Lala Meredith-Vula, Claire de Santa Coloma 


Organização de Tobi Maier 
Textos de Tobi Maier, Irene Buarque, Catarina Rosendo, Bernardo Pinto de Almeida e Marina Lupas Collinet

 ISBN 978-989-9006-39-3 | EAN 9789899006393 

Edição: Dezembro de 2020 
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros 
Formato: 17 × 22 cm (brochado) 
Número de páginas: 192 

Com a Fundação Carmona e Costa e Galerias Municipais / EGEAC 
Edição bilingue: português-inglês



Alberto Carneiro: «A arte faz-se para transformar as imagens do quotidiano.» 



Os trabalhos dos artistas apresentados nesta exposição «Topografias Rurais» chamam a atenção, de forma vibrante e poética, para os mistérios que habitam tanto a mente humana como a paisagem natural que nos circunda. 
[Tobi Maier] 

No final de Abril de 2017, a Irene Buarque manifestou a vontade de se fazer uma exposição da obra de Alberto Carneiro na Galeria Diferença, no âmbito do programa de celebração do quadragésimo aniversário desta cooperativa de artistas. Mesmo sendo demasiado cedo para qualquer iniciativa pública em torno da obra do Alberto Carneiro, que havia falecido no dia 15 desse mesmo mês, a ideia era irrecusável, desde logo pela circunstância de ele ter feito parte do grupo original dos fundadores da Cooperativa Diferença em 1979 e de, em vida, nutrir uma carinhosa amizade, mesmo que por vezes à distância, por Irene Buarque. Quando, de imediato, aceitei o repto, foi também porque seria isso que o próprio Alberto faria. 
A associação das Galerias Municipais e do seu director Tobi Maier a este projecto enriqueceu-o em múltiplas instâncias, permitindo alargar o enquadramento da desejada homenagem ao Alberto às duas galerias com as quais mais trabalhou nos anos 1970, a Quadrum, então dirigida por Dulce d’Agro e hoje integrada nas Galerias Municipais, e a Diferença. Como sucedeu com outros artistas na mesma altura, estas galerias proporcionaram ao Alberto importantes espaços de visibilidade para aquelas que são, de entre o seu vasto corpo de trabalho, algumas das suas obras mais experimentais, realizadas num período que aliou uma pessoal e radical indagação artística a um contexto institucional livre dos constrangimentos impostos pelo mercado artístico, então inexistente. A evocação visual deste passado, documentada nas duas exposições agora patentes na Quadrum e na Diferença, partiu do olhar curatorial que Tobi Maier dedicou ao projecto, um olhar atento à circunstância nacional que possibilitou a consolidação do percurso artístico do Alberto mas, sobretudo, dirigido para a construção de ligações com artistas de várias nacionalidades e gerações, como são os casos de Ana Lupas, Lala Meredith-Vula e Claire de Santa Coloma. 
[Catarina Rosendo]

Como Se Chama o Dia Hoje?

Como Se Chama o Dia Hoje?
Augusto Rainho (fotografias) José Luís Porfírio (textos) 


Prefácio de Marta Morais 

ISBN 978-989-8618-84-9 | EAN 9789898618849 

Edição: Novembro de 2020 
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros 
Formato: 21 × 21 cm (cartonado) 
Número de páginas: 124 

Com a Fundação Carmona e Costa 


Todos os dias.
Quase todos os dias.
À sombra do fim.

A minha Mãe perguntava-me:
 — Como se chama o dia hoje?
[Augusto Rainho]

 
Cada uma das 50 fotografias de Augusto Rainho é acompanhada por um curto texto de José Luís Porfírio que dela deriva, tudo dedicado a Pedro Morais.

Embora os textos deste livro não designem, à maneira concretíssima do haiku tradicional, essa impermanência mais visível que é o fluir das estações, pois não têm uma origem directa nesta tradição poética, nem a intenção de serem «à sua maneira», eles apontam para um opaco, que, aqui, é o da própria fotografia do Augusto. Será esta qualidade que curiosamente permite a visão da impermanência. Nem sempre completamente cerrado, selado ou barrado, às vezes com profundidade, este opaco das fotografias de Comosechamaodiahoje? é como a chegada a um beco sem saída, no qual se escarrapacham os limites da vontade, da fuga ou da acção (linguagem). Ele é o muro, a parede, o tecto, o fundo, a fronteira, um pedregulho, uma fenda, um buraco, uma cavidade, o caos, o escuro, a sombra, o negrume, uma nuvem, uma névoa, neblina, nevoeiro, bruma — essa «parte nenhuma», aquilo que permaneceu: o opaco perante o qual só é possível a espera, a quietude, o silêncio. Chegados aqui, a este impenetrável, resta-nos desistir ou delegar, e receber-ver o que não permanece, o devir. Quando nada há a fazer, larga-se e deixa-se entrar como nunca o fulgor da vida e da sua impermanência no movimento entre a frente e o verso, o verso e o reverso, as várias faces… Quando se bate no fundo, o fundo é a saída, o trampolim! para a visão do incidente transformador: a aberta de um céu nublado, a luz de uma nuvem ou de um tecto, o voo de uma cegonha, o alado de um anjo, a cruz, a boca, o grito, o vento, a torre, o cocuruto da árvore, a cambalhota de um matraquilho, a serenidade da vaca, o espelho e o vazio. 
[Marta Morais] 

KWØ / KWZero

KWØ / KWZero 
Manuel Vieira, Pedro Portugal, Pedro Proença 


ISBN 978-989-9006-55-3 | EAN 9789899006553 

Edição: Dezembro de 2020 
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros 
Formato: 17 × 21 cm (brochado, a cores) 
Número de páginas: 148



A vida é uma alquimia e as nossas personagens ajudam-nos a aprofundar e a mudar de vida, a ser mais íntimos e profundos, a dizermos o que nunca pensaríamos dizer, ou o que queríamos mais intimamente dizer. Por vezes não nos reconhecemos nelas, e segui-las é um pouco como seguir até ao fim uma possibilidade combinatória.



A exposição KWØ de Manuel João Vieira, Pedro Portugal e Pedro Proença teve lugar na Galeria Valbom, em Lisboa, de 10 de Outubro a 12 de Dezembro de 2020. A mostra, acompanhada pelo presente catálogo e por uma edição de doze números das revistas KWØ, constituem elementos essenciais de ligação entre as obras dos três artistas. A palavra escrita desdobra-se em diversos suportes, cujo ponto de partida são múltiplas personagens artísticas, as quais funcionam como pseudónimos, ou até mesmo heterónimos, dos artistas. Estes heterónimos concedem entrevistas, realizam as suas próprias obras, em formato digital ou em peças incluídas na exposição. Colectivamente, o grupo produz manifestos de filiação dadaísta, com fortes influências pop e um humor característico. 
Como os artistas anunciaram, o nome da exposição está radicado no grupo KWY e na Alternativa Zero — já a exposição «Continentes»(1986) do Grupo Homeostético tinha constituído uma homenagem ao «agitador cultural» Ernesto de Sousa. […] 
A saga dos três quase velhos artistas do KWØ é uma saga juvenil que se vai atrapalhando com os percalços da idade. Há um outro artista que não está presente, Fernando Brito, que projecta a sua sombra feita de obra, vida e muita conversa. Na meia dúzia de anos que precedem esta exposição fizemos a exposição e o filme Pandemos, a performance Zuturismo no teatro S. Luís e o ciclo de exposições-filmes Arthomem. […] Qualquer um destes artistas nos deixa desorientados, mas após quase 40 anos de cumplicidade continua a ser difícil perceber que este lado não é simplesmente maroto e des-construtivo — é também a estratégia de alcançar um inter-lirismo intrínseco, acompanhado da doçura e da alegria. Não é um trabalho de grupo uniforme (um colectivo), não é um duo tipo Gilbert & George, não é uma formação conjuntural que surgiu apenas como fenómeno geracional e afinitário de promoção e expansão. 
Podíamos ver-nos como cada um para seu lado fazendo o seu percurso, percurso que se cruza muitas vezes, para além da antiga amizade. 
[Pedro Proença]