terça-feira, 29 de novembro de 2022

Mário Cesariny: A Obra ou a Vida


Mário Cesariny: A Obra ou a Vida
Maria Silva Prado Lessa


ISBN 978-989-568-066-5 | EAN 9789895680665

Edição: Novembro de 2022
Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros
Formato: 16 × 22 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 336 (16 a cores)

Com a Fundação Cupertino de Miranda


O poeta-Cesariny encarna uma recusa insistente do emparedamento e do amesquinhamento imposto por uma redução do cotidiano a mero espaço de troca comercial, de trabalho empregado, de consumo, de repetição maquinal e de limitação do sentido do desejo e do espanto de estarmos vivos.


Buscamos demonstrar que as múltiplas facetas da produção cesariniana se encontram no cruzamento entre arte e vida, num esburacamento da fronteira entre identidade civil e aventura criadora que se encontra incorporada na atitude pública do artista enquanto poeta. Não defendemos, portanto, que a análise dessa figura nos vá revelar um «eu» fixo, verdadeiro e secreto, ou nos mostrar o fundo íntimo do sujeito, ligado à revelação de uma dimensão biográfica que explique a obra, ainda que a mitografia sobre o artista e a criação de uma narrativa sobre uma vida «exemplar» contribuam justamente para uma tal abordagem da sua produção. Aquilo que nos parece relevante é, justamente, a indissociabilidade do projeto poético que identificamos em sua obra multioficinal e a elaboração performática (e performativa) de uma figura de poeta, concebida como gesto de liberdade, como exercício em ato de produção de singularidade.
Ao investigar os modos de produção dessa figura em diversos momentos de sua trajetória e em suportes distintos, pretendemos estabelecer um paradigma de leitura da obra de Mário Cesariny em que a figura do poeta, pensada em termos de uma performance, é convocada como peça-chave de interpretação da «obra como um todo».
[Maria Silva Prado Lessa]

Cartas Menez | Pomar

Cartas Menez | Pomar
Júlio Pomar, Menez


Edição e apresentação de Sara Antónia Matos e Pedro Faro

ISBN 978-989-568-026-9 | EAN 9789895680269

Edição: Outubro de 2022
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 12 × 17 cm (brochado, com pintura trilateral das páginas)
Número de páginas: 128

Com o Atelier-Museu Júlio Pomar


«Reparei agora que tu, como eu, não pões datas», diz Pomar a Menez (13/11/1979), como se nada nesta correspondência fosse testemunho do tempo e ambos existissem absorvidos no fazer e não-fazer da obra, fazendo girar a própria existência em torno dela.



São cartas pintadas, por vezes. Outras, postais com reproduções de pinturas. São todos manuscritos. Neste pequeno livro reúnem-se cerca de 25 cartas e postais trocados entre Menez e Júlio Pomar, de 1972 a 1982, encontrados nos espólios documentais dos dois artistas e facultados pelas respectivas famílias e herdeiros. O Atelier-Museu Júlio Pomar traz assim a público uma inquietante troca epistolar entre dois artistas, que, além de profundamente amigos, tinham um aguçado sentido crítico sobre o trabalho que produziam e sobre o mundo que os rodeava.
Uma vez que Menez e Júlio Pomar não datavam a correspondência, esta foi organizada, sempre que possível, com base nas datas dos carimbos dos correios, visíveis no topo dos envelopes e dos postais, ou através de indicações feitas pelos próprios acerca de diferentes efemérides.
[…]
A publicação deste material acontece no seguimento da exposição «Imagem em Fuga: Júlio Pomar, Menez e Sónia Almeida», com curadoria de Sara Antónia Matos, no Atelier-Museu Júlio Pomar, que pretendeu pensar o modo como o trabalho de Júlio Pomar se cruza com o trabalho de Menez, com quem manteve uma relação epistolar e artística de grande cumplicidade e admiração, e de uma pintora de uma geração mais nova, Sónia Almeida, para quem o trabalho de Menez foi referência no tempo de faculdade. Em torno da ideia de influência e contaminação em arte, procurou explorar-se o modo como as imagens se transmitem entre artistas, se fixam, simultaneamente, transfigurando-se e fugindo à frente do olhar.
[…]
As cartas entre artistas, e estas em particular, oferecem-se assim como um mapa cartográfico ligado aos afectos e às intensidades vividas pelos artistas, a que de outro modo não se tem acesso.
[Sara Antónia Matos e Pedro Faro]

Viagens no Tempo

Viagens no Tempo
Luís Pinheiro de Almeida


Edição de João Pinheiro de Almeida e Teresa Lage
Prefácio de José Manuel Barroso

ISBN 978-989-568-037-5 | EAN 9789895680375

Edição: Outubro de 2022
Preço: 23,58 euros | PVP: 25 euros
Formato: 17 × 24 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 328 (16 a cores)

 
José Manuel Barroso: «O livro é recheado de episódios da sua vida pessoal e profissional que caracterizam a sua personalidade de furador de vidas e de caçador de notícias.»
 


As muitas viagens de Luís Pinheiro de Almeida pelo mundo, e muitas foram, retratam um xadrez de paixões. O tesão pelo stress das «viagens difíceis», profissionalmente, é repartido pelo das «caminhadas musicais» — para ver e ouvir os Beatles, Rolling Stones, U2, Pink Floyd, Bob Dylan, Springsteen, Oasis, Eric Clapton e tantos mais.
O Luís pode gabar-se, e com toda a justiça, de ser testemunha vivida de duas histórias paralelas: a da história contemporânea política e social, de seus relevantes acontecimentos nacionais e internacionais; e da grande música popular dos anos que se seguiram ao aparecimento da banda dos anos 60 que marcou a viragem musical da segunda metade do século XX, os Beatles.
[José Manuel Barroso]
 
Ser jornalista é a melhor profissão do Mundo, ser jornalista é a melhor coisa do Mundo. Ponto. Mas também é uma responsabilidade enorme. Nas suas mãos pode estar uma vida, a reputação de uma pessoa, de uma instituição. […]
Antes do 25 de Abril, não era fácil ser jornalista, era duro, era limitado, mas aprendia-se a viver nos limites da imaginação criativa. […]
Depois da Revolução dos Cravos, foi a explosão. Viajava-se para todo o lado, sem fronteiras, e amiúde eram as próprias entidades oficiais que financiavam as deslocações dos órgãos de comunicação social, cronicamente deficitários. Só uma equipa da RTP eram quatro pessoas: o jornalista propriamente dito, o homem da câmara, o homem do som e o homem da luz. E se na equipa houvesse uma mulher, era um quarto a mais.
Fui duplamente privilegiado: primeiro, porque sempre gostei de viajar e de política, depois, e sobretudo, porque sempre trabalhei em agência noticiosa, uma plataforma de distribuição de notícias para todos os órgãos de Comunicação Social pelo que, felizmente, era sempre apontado para embarcar.
Tanto quanto a memória me permite e os papéis que fui guardando me lembram, este livro retratará muitas dessas viagens e as suas histórias curiosas, sem segredos.
[Luís Pinheiro de Almeida]

No Reino Terrível da Pureza – Bibliografia da Prosa Dispersa não Ficcional de Sophia de Mello Breyner Andresen e Três Ensaios

 

No Reino Terrível da Pureza – Bibliografia da Prosa Dispersa não Ficcional de Sophia de Mello Breyner Andresen e Três Ensaios
Federico Bertolazzi


Fotografias de António Jorge Silva, Duarte Belo e Pedro Tropa

ISBN 978-989-568-007-8 | EAN 9789895680078

Edição: Outubro de 2022
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 16 × 22 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 96 (a cores)

Com o apoio da Cátedra Agustina Bessa-Luís da Universidade de Roma Tor Vergata



Sophia de Mello Breyner Andresen: «Mas a busca da transparência das coisas só é possível no reino terrível da pureza. Só aquele que tiver vivido com pureza o terrestre poderá suportar o fulgor do divino.»
 


Entre 1953 e 2003, Sophia de Mello Breyner Andresen publicou quase duas centenas de textos de vária natureza que ficaram dispersos em jornais, periódicos, livros, folhetos, plaquettes e outras publicações. Estes textos testemunham uma vivência da cultura profundamente integrada na vida e restituem a dimensão do empenho artístico de Sophia para que a poesia não fosse uma coisa exclusiva de «clérigos e letrados», mas acessível a todos os níveis, e para que a cultura pudesse realmente «habitar a vida quotidiana», proporcionando a todos o «direito à beleza».
Este livro apresenta uma bibliografia dos textos dispersos e um exemplo da sua utilização em sentido crítico: uma interpretação da obra de Sophia à luz das suas palavras.
 
Indubitavelmente, estamos perante uma parte da obra da autora que nunca por ela foi recusada e na qual a reflexão metaliterária, metacultural, política, social se desenvolve com sempre maior clareza, ajudando a penetrar o complexo e fascinante mundo desta escritora. Os ensaios sobre outros escritores representam uma espécie de cânone mínimo e pessoal que enriquece as relações intertextuais da obra de Sophia. Os depoimentos sobre outros artistas (como, por exemplo, Maria Helena Vieira da Silva) mostram a abertura da visão com que Sophia considera a arte e o papel do artista no «mundo dos homens», realçando muitos conceitos que a ela própria se adequam. As entrevistas aprofundam e alargam a perspectiva com a qual se pode abordar a leitura da poesia e da prosa da autora, sempre posta em relação com a concretude do mundo real e da vida quotidiana, na qual a cultura constantemente tem de se integrar para que, como Sophia deseja, ela não seja expressão de uma elite restrita, mas possa pertencer a todos e possa a todos melhorar a vida. Os testemunhos e os depoimentos mais envolvidos politicamente sublinham, justamente, este papel da cultura que, com clareza, Sophia descreveu desde as intervenções na Assembleia Constituinte até às páginas dos jornais.
[Federico Bertolazzi]

Recordações d’uma Colonial (Memorias da preta Fernanda)

Recordações d’uma Colonial (Memorias da preta Fernanda)
A. Totta, F. Machado


Introdução de Pedro Schacht Pereira
Epílogo de Inocência Mata
Design gráfico de Horácio Frutuoso

ISBN 978-989-9006-53-9 | EAN 9789899006539

Edição: Outubro de 2022
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 17 × 24 cm (brochado)
Número de páginas: 256

Com o Teatro Praga (Colecção «Sequência»)


Fernanda do Vale: «Não me move, ao catalogar as remeniscencias aventureiras da minha mocidade, o odio negro da raça ou a alvura branca do rastejante reconhecimento pelo bem e pelas atenções que sempre tenho recebido d’aqueles a quem todavia não é facil conformarem-se com a minha côr. Move-me, sim, o desejo sincero, o anelo constante, acariciado sempre no meu espirito, de contribuir como sincera colonial para o resurgimento e resolução completa do decadente problema da literatura intermetropolitana.»
 


Recordações d’uma Colonial (Memorias da preta Fernanda) é uma autobiografia ficcional originalmente publicada em 1912, e redigida em coautoria por dois escritores hoje obscuros, A. Totta e F. Machado. O livro, que contém muitos dos elementos de um bildungsroman satírico, narra o percurso de Fernanda do Vale (nome que no livro é apresentado como pseudónimo literário de Andrêsa do Nascimento), uma mulher vulgarmente conhecida na época como «preta Fernanda», que os autores apresentam como sendo cabo-verdiana, desde o nascimento e infância na ilha de S. Tiago, passando brevemente por Dakar, até à capital do império então em fase de consolidação, Lisboa, cidade onde decorre a maioria dos acontecimentos narrados e que contribuíram para a notoriedade do sujeito retratado. Sobre a vida de Fernanda do Vale, muito pouco se sabe para além do que é representado na narrativa, que, sendo pouco fidedigna, obtém corroboração parcial nas poucas fontes externas que sobrevivem. Sabe-se, no entanto, que a data de nascimento apresentada na narrativa não coincide com a que se deduz dos registos de casamento e óbito, que têm Andreza de Pina como seu nome verdadeiro; os mesmos registos desmentem também a informação sobre o lugar de origem, que terá sido a Guiné-Bissau e não Cabo Verde, ainda que tenha sido aqui que Andreza terá sido batizada, na Cidade da Praia. Uma portaria régia de 1880 confirma que Andreza foi contratada para servir como modelo para a estátua a Sá da Bandeira, que ainda hoje se encontra na Praça de D. Luís I em Lisboa, trabalho pelo qual lhe terá sido atribuído o subsídio diário de 560 réis.
[Pedro Schacht Pereira]

Floresta


Floresta
Ana Izabel Miranda Rodrigues


Texto de Maria Filomena Molder
Fotografia de António Jorge Silva
Tradução de José Gabriel Flores

ISBN 978-989-568-070-2 | EAN 9789895680702

Edição: Novembro de 2022
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 17 × 22 cm (brochado)
Número de páginas: 96

Com a Giefarte

Edição bilingue: português-inglês


Maria Filomena Molder: «A floresta é um lugar onde se vai saindo para fora da vida em comum, onde se entra para conhecer os perigos de se perder. […] Não se avistando ninguém nestas florestas, sente-se que anda por lá alguém, isto é, as florestas são domicílios da mais secreta expectativa […].»


 
Este livro foi publicado por ocasião da exposição Floresta, de Ana Izabel Miranda Rodrigues, realizada na Giefarte, em Lisboa, de 19 de Novembro de 2022 a 14 de Janeiro de 2023.


 
Aprendi com Kleist que não há mal absoluto (o que não afecta o conceito de mal radical nem a sua versão arendtiana de «banalidade do mal»), quase equivalente a «Deus escreve direito por linhas tortas» ou a uma concepção cósmica do mal. Bem, cósmico é capaz de ser exagerado, talvez seja suficiente subir ao pico de um monte (e não é preciso que seja nos Himalaias). Vemos então que os atrasos e os adiamentos da exposição da Ana Izabel (desde 2019), que pareciam tão irritantes e desmoralizadores, acabaram por se mostrar favoráveis, propícios. A artista mudou tudo, a primeira leva de desenhos de jardins a tinta-da-china (caneta) sobre papel foi despachada para lugar protegido e, em vez deles, apareceram vinte desenhos em papel de arroz pincelado a tinta-da-china diluída em água e três dezenas de pequenas esculturas, moldadas em terra, que espontaneamente foram baptizadas como Orelhas. E são. Agora fazem parte de um conjunto chamado Nuit. Os desenhos chamam-se Floresta.
[…]
Não será por acaso que Ana Izabel Miranda Rodrigues começou por preparar a exposição para a Giefarte com uma série de desenhos de jardins, e depois os substituiu pela série das florestas. Continuamos no reino elementar (as plantas alimentam-se directamente de luz e de ar, a água e a terra penetram nelas através dos seus órgãos), em que o desejo sossega e as angústias do tempo tendem a apaziguar-se, isto é, o encontro consigo mesma aprofunda-se. Aí o ouvido nocturno põe-se alerta e dispõe-se a escutar.
[Maria Filomena Molder]

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Debate em torno do livro «Vida a Crédito — Arte Contemporânea e Capitalismo Financeiro», de Tomás Maia

 

25 NOVEMBRO 2022 > 10h00-13h00 I FACULDADE DE BELAS-ARTES DA UNIVERSIDADE DE LISBOA, AUDITÓRIO LAGOA HENRIQUES

Com a presença de Tomás Maia, Fernando António Baptista Pereira e Fernando Rosa Dias

Sessão Aberta no âmbito da unidade curricular de Teorias da Arte do Doutoramento em Artes Performativas e da Imagem em Movimento, presencial e aberta ao público.