terça-feira, 20 de julho de 2021

O Bar dos Dois Caminhos


O Bar dos Dois Caminhos 
Gilbert de Voisins 

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-9006-90-4 | EAN 9789899006904 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 192

Os crimes do «amor louco» consumados com desumana determinação. «Há momentos em que já não sou eu… em que me transformo num animal enraivecido. 
Nada me pára… São horas em que só o sangue fala.» 

Mas se o Oeste desta história, escrita por um francês e publicada em 1909 (numa altura em que o cinema pouco se atrevia a significativas longas metragens) não tem vaqueiros, nem cavalgadas, nem grandes manadas de gado; se não tem índios implacáveis para aqueles que tomam e desfiguram a sua terra; vai no entanto mostrar-nos, entre os símbolos que o cinema impôs, e assim mesmo de forma muito lateral, a paciência dos apanhadores de ouro num rio pouco generoso; e vai pôr em pleno centro o saloon e a sensação de impunidade do homem que se sabe distante da Justiça e não atingido pela sua Lei. 
[…] 
O saloon desta história é gerido por uma mulher velha e gorda que cobra a três dólares as suas noites de amor com todos os que a solicitam, sem excluir delas o seu empregado adolescente; tem à volta jogadores, bebedores e uma ninfomaníaca esquelética com o rosto sulcado por cicatrizes e uma fealdade exemplar, incomodada por um ardor sensual que o seu marido não acalma; e que não hesita em aplacar a fúria do sexo com a inocente disponibilidade de um belo e muito jovem pobre de espírito. Tem sobretudo Vincent van Horst; o que arrasta ao centro da história os seus crimes de «amor louco» consumados com desumana determinação. «Há momentos em que já não sou eu», diz a mostrar-se sincero, «em que me transformo num animal enraivecido. Nada me pára. O obstáculo não me incomoda. São horas em que só o sangue fala.» 
Tudo isto vai conseguir que O Bar dos Dois Caminhos fuja, nesta terra de impunidades, à consagrada fórmula do «crime com castigo da lei»; haverá como seu sucedâneo outro crime, crime-resposta, crime-vingança, crime «barroco» (poderia chamar-lhe assim Herberto Helder), insensível às previsíveis formas da execução mortal; um castigo que pedirá a um tresloucado impulso imaginativas crueldades e surgirá tocado por um desvario paroxístico, com laivos pagãos acompanhados por cânticos de religiosidade cristã; um castigo com lugar merecido entre as negras criações da literatura. 
[Aníbal Fernandes]

Paludes — Sotia


Paludes — Sotia 
André Gide 


Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-8833-48-8 | EAN 9789898833488 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 12,26 euros | PVP: 13 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 128

Palude é uma palavra que, nas línguas francesa e também portuguesa, designou em tempos passados — e nunca com muita popularidade — aquilo a que hoje chamamos vulgarmente «pântano». 

André Gide estava no seu sexto livro; tinha vinte e seis anos de idade e escrevia a sua primeira sotia — seriam na sua obra três — lembrando-se com esta palavra arcaica das peças medievais assim chamadas e que parodiavam de forma estouvada, ou mesmo enlouquecida, realidades familiares aos seus populares espectadores. 
1895 foi também o ano em que ele saiu de uma determinante viagem à África do Norte, onde cedeu pela primeira vez à sua verdade sexual; também o ano em que se casou com a sua prima Madeleine Rondeaux (um casamento «branco») e teve o enorme transtorno sentimental provocado pela morte da sua mãe. São factos que não devem ser esquecidos se quisermos perceber o abalo interior que agudizou a sua percepção dos intelectuais parisienses, o seu cansaço perante o vazio que tinha à sua volta, um mundo de estilizadas vaidades e com a futilidade «pantanosa» que o incitou às metáforas virgilianas de Paludes
[…] 
O Tityre de André Gide vive numa torre circundada por campos pantanosos, mas para encarnar como metáfora actores que representam a intelectualizada e vácua monotonia dos salões parisienses do final do século XIX; propõe-se como personagem central da história de um homem que não pode viajar, que vive num campo de lamas e lodos (o Paris dos intelectuais) e nenhum esforço faz para sair de lá. O autor identifica este Tityre consigo próprio (no livro, o único Tityre consciente da sua tityrização) e com todos os que giram à sua volta, literatos vazios e cheios de uma retórica fútil, os frequentadores do salão de Angèle, a única figura feminina que surge com presença física no livro e não podemos deixar de associar a Madeleine Rondeaux, a que já era então sua mulher na vida real, sendo a isto levados por duas frases: — Dormir à casa da Angèle. Digo à casa e não com ela, uma vez que nunca ultrapassámos pequenos e anódinos simulacros. E mais adiante: Não somos desses de onde nascem, cara amiga, os filhos dos homens. 
[Aníbal Fernandes]

Crítica das Mediações Totais – Perspectivas Expandidas dos Media


Crítica das Mediações Totais 
Perspectivas Expandidas dos Media 
Aida Estela Castro, Carlos Natálio, Catarina Patrício, Hermínio Martins, João Ribas, José A. Bragança de Miranda, José Gomes Pinto, Luís Cláudio Ribeiro, Luís Mendonça, Manuel Bogalheiro 


Edição, coordenação e introdução de Manuel Bogalheiro 

ISBN 978-989-9006-83-6 | EAN 9789899006836 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros 
Formato: 16 × 22 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 224 

Com o apoio da SOPCOM

É a crise desta noção estável e circunscrita do conceito de media — crise que se foi manifestando desde o final do século passado com a generalização dos computadores e a abstracção progressiva dos seus comandos — que constitui o mote deste livro. 


Num momento em que nada parece escapar às mediações técnicas, o conceito de media dissolve-se numa generalização possível a todos os campos da experiência. Seja na metáfora da rede, da nuvem, da máquina universal, da mnometecnologia geral, do meta-medium do computador ou do big data, as configurações holísticas proliferam e apontam o aparelhamento geral da experiência como uma nova natureza, uma nova metafísica ou um novo sublime, dependendo da metaforização que se queira fazer do cenário. Uma crítica da mediação enquanto totalidade implica reconhecer que os media constituem a infra-estrutura de determinação da experiência, a partir da qual os próprios media e o real são reconhecíveis e pensáveis, mas implica também reconhecer que essa infra-estrutura se encontra saturada de processos de individuação e de objectos potentes e instáveis, no limiar do desvio, da imprevisibilidade e da entropia, que compõem uma imagem viva do real, não antecipável e constantemente remodelável. 
[Manuel Bogalheiro] 

Enlaces Culturais Brasil-Portugal


Enlaces Culturais Brasil-Portugal 
Adriano de Oliveira Sampaio, Antonio Albino Canelas Rubim, Fernanda Coelho, Giuliana Kauark, Ígor Lopes, João Morgado, José Eduardo Franco, José Roberto Severino, Laura Bezerra, Luiz Eduardo Oliveira, Mariana Pinto Miranda, Miguel Real, Onésimo Teotónio Almeida, Paulo André Lima, Paulo Serra, Rita de Cássia Aragão Matos, Urbano Sidoncha 

Edição, coordenação e organização de 
Urbano Sidoncha e Antonio Albino Canelas Rubim 


ISBN 978-989-9006-75-1 | EAN 9789899006751 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 20,75 euros | PVP: 22 euros
Formato: 16 × 22 cm (brochado) 
Número de páginas: 352 

Com o apoio do PRAXIS — Centro de Filosofia, Política e Cultura


Enlaces Culturais Brasil-Portugal é um livro tecido nas trocas e intercâmbios de conhecimento e experiência de autores portugueses e brasileiros, cada qual olhando simultaneamente para a sua realidade e para a realidade do outro. 



Enlaces Culturais Brasil-Portugal é um projeto editorial que nasce de uma constatação que os seus organizadores foram consolidando ao longo dos anos em contextos muito diversos: existe efetivamente um desconhecimento recíproco de portugueses e brasileiros da realidade cultural dos seus países. É uma constatação que enfrenta consideráveis dificuldades para se afirmar, desde logo a prosaica ideia que há muito se instalou de que Portugal e Brasil são «países irmãos», uma máxima que de tantas vezes repetida cristalizou a convicção de um conhecimento recíproco que a realidade não sanciona. Será necessário, portanto, desconstruir essa crença, apreciá-la nas suas pretensões e exigir prova efetiva da sua validade. Desconstruí-la não significa, todavia, que ela não tenha razão de ser, que ela não se faça sentir em determinados segmentos da nossa vida em comum ou até que ela não possa apresentar argumentos válidos em sua defesa. Desconstruir significa tão-só abandonar o ponto de vista utilitário que dá uma realidade como absolutamente adquirida sem antes interpelá-la ao nível das suas formas de doação de sentido. Se o fizermos, estaremos mais próximos de produzir um conhecimento comum de nossas realidades que consiga romper de entrada o limite do simples chavão, das proclamações estrepitosas, mas absolutamente desprovidas de significado e alcance. 
A ideia que dá origem a este volume nasce, como foi dito, desse diagnóstico de que há diálogos por fazer entre as realidades culturais do Brasil e de Portugal. Mas a origem da própria ideia não é coeva da coletânea que aqui se inicia. A sua origem, pelo menos na sua expressão mais sistemática e duradoura, está intimamente associada ao surgimento do movimento dos Congressos Internacionais sobre Cultura, nascido em 2015 de uma parceria científica e académica entre a Universidade da Beira Interior (Portugal) e a Universidade Federal da Bahia (Brasil), a que se associariam mais tarde a Universidade do Minho e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. 
[Urbano Sidoncha e Antonio Albino Canelas Rubim]

Língua Bífida – Ensaio sobre Ecce Corpus, uma performance de António Gonçalves


 Língua Bífida 
Ensaio sobre Ecce Corpus, uma performance de António Gonçalves 
Pedro Eiras 


Imagens de António Gonçalves

ISBN 978-989-9006-80-5 | EAN 9789899006805 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado) 
Número de páginas: 96 (a cores)


Ecce Corpus, então. Mas qual corpo — este ou o outro? 
— Este é o outro. 



— Este é um ensaio sobre Ecce Corpus, uma performance do artista plástico António Gonçalves. 
— No princípio era a performance
— Resta saber se a performance pode ser um princípio, ou se exige algo que seja antes do princípio. 
— Se algo for antes do princípio, então o princípio não é o princípio. 
— Talvez seja preciso escolhermos um princípio, um certo princípio nem aleatório nem definitivo; e depois descrevermos o nosso objecto com o máximo rigor, ignorando tudo o que estiver antes e depois dele. 
— Podemos tentar (com alguma inocência, e q.b. de estratégia). Aliás, já começámos, mais acima, no princípio, quando disseste (ou terei sido eu?): «Este é um ensaio sobre Ecce Corpus, uma performance do artista plástico António Gonçalves». 
[…] 
— No princípio eram as performances, e elas são múltiplas. 
— Nesse caso, observemo-las uma a uma, porque cada qual é o princípio. 
— O princípio, por definição, não tem de ser único? 
— Talvez seja preciso desafiar as definições, pensar que pode haver vários princípios, vários singulares (que não formam um plural). E talvez cada uma dessas performances abra por seu turno para uma pluralidade de referências, jogos, linguagens, outros princípios e origens, e esses para outros ainda mais antigos. 
— Vejamos então. No princípio, António Gonçalves escolheu projectar sobre o seu corpo fotografias de diversas performances de diversos artistas. Do infinito de exemplos possíveis, fez uma escolha finita, será preciso explicá-la, ou pelo menos tentar. Escolhe uma, começa. 

[…] 

— Ficámos sem saber, afinal, o que havia no princípio. 
— Mas que importa, que importa o que havia no princípio? 
[Pedro Eiras]

Gaëtan


Gaëtan 
Gaëtan 


Textos de Alberto Caetano, João Lima Pinharanda, João Miguel Fernandes Jorge, 
Jorge Molder, Manuel Castro Caldas, Maria Filomena Molder e Rui Sanches 
Design de Vera Velez 
Traduções de José Gabriel Flores e Rui Cascais Parada 

ISBN 978-989-9006-91-1 | EAN 9789899006911 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros
Formato: 20 × 28 cm (brochado) 
Número de páginas: 248 (a cores) 

Com a Fundação Carmona e Costa 

Edição bilingue: português-inglês

Verdadeiro flâneur e um espírito livre, Gaëtan teve uma presença simultaneamente discreta e marcante no meio artístico português. Envolvido em variadas actividades,
nunca encarou a sua produção artística com dedicação exclusiva e muito menos como uma carreira. 
[Alberto Caetano e Rui Sanches] 



A Fundação Carmona e Costa tinha programado uma exposição do Gaëtan. Para concretizar esse plano, ele propôs-me que fizesse a curadoria. Surpreendido pelo convite, acabei por aceitar, na condição de que trabalhássemos o projecto em conjunto. Ao começarmos a fazer o levantamento das obras, rapidamente percebemos que o espaço da Galeria da FCC iria ser pequeno. Desde 1996 que não era dedicada uma grande exposição à obra de Gaëtan, e pareceu-me que seria essa a ocasião para voltar a mostrar uma selecção representativa do trabalho dele. Nesse sentido, propusemos à Fundação a mudança da exposição para o salão da SNBA, que poderia acolher um número muito maior de obras, sugestão que foi imediatamente aceite. Pouco tempo depois, tivemos o choque da morte do nosso amigo.

Pareceu-nos, à FCC e a mim, que, apesar das circunstâncias, era importante manter o projecto. Por minha sugestão, foi incluído na equipa de curadoria o Alberto Caetano, amigo de longa data do Gaëtan e, seguramente, uma das pessoas que melhor conhecem a sua obra. Decidimos os dois que iríamos tentar fazer a exposição como o Gaëtan a teria feito. 
[Rui Sanches]