quarta-feira, 4 de maio de 2022

FEIRA DO LIVRO

Durante todo o mês de Maio de 2022

Grande selecção de livros esgotados e raros
Preços desde os 3 euros

Rua Passos Manuel
1150-258 Lisboa

quinta-feira, 28 de abril de 2022

A Dificuldade de Ser


A Dificuldade de Ser
Jean Cocteau

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-8833-69-3 | EAN 9789898833693 

Edição: Março de 2022 
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas)
 Número de páginas: 208

Jean Cocteau: «No fim de contas tudo tem solução, salvo a dificuldade de ser, que não tem solução nenhuma.»

É preciso, repito-o, compreender que a arte não existe enquanto arte, enquanto coisa separada, livre, desembaraçada do criador, e só existe se prolongar um grito, um riso ou um lamento. É o que leva certas telas de museus a fazerem-me sinais e viverem com angústia, enquanto outras estão mortas e só mostram os cadáveres embalsamados do Egipto. 
[Jean Cocteau] 

Em 1947 A Dificuldade de Ser tinha surgido como seu auto-retrato íntimo, espalhado por trinta e um textos de títulos à moralista clássico e a lembrarem-se de uma frase de Fontenelle no leito de morte: «Sinto uma dificuldade de ser.» 
André Fraigneau (num dia de diálogos): Por que escreveu A Dificuldade de Ser? 
Cocteau: O impudor é o meu heroísmo; lavo a roupa suja em público. Além disso, eu podia trabalhar ali o estilo que me agrada: Montaigne, Stendhal, o Código de Napoleão, o Hugo das Choses vues e Balzac que escreve muito bem, desculpe que lho diga.
André Fraigneau: Para si, Balzac escreve bem?
Cocteau: Ah, sim! Ele diz o que quer dizer. O estilo é isso. O mau estilo é Flaubert, o das pessoas que fazem poses. Devemos procurar ser exactos como os algarismos e, custe o que custar, dizer o que queremos dizer; acertar no alvo sem as poses do atirador presunçoso.
Flaubert é o atirador presunçoso. Há no seu túmulo este aviso: Continuo convosco. E quarenta e oito anos antes tinha escrito no poema «Discurso do Grande Sono»:
Uso uma tinta que é o sangue azul de um cisne, 
E sempre que é preciso ele morre para estar mais vivo. 
[Aníbal Fernandes]

Casa de Incesto

Casa de Incesto
Anaïs Nin

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN 978-989-8833-73-0 | EAN 9789898833730

Edição: Abril de 2022
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 144

Anaïs Nin: «A minha primeira visão da terra foi uma água sem transparência. Sou da raça de homens e mulheres que vêem todas as coisas através desta cortina de mar, e os meus olhos são cor de água.» 

O seu nome. Naquele registo de Neuilly-sur-Seine e numa página de Fevereiro de 1903 consta que o seu pai, um pianista cubano, e a sua mãe vagamente cantora com uma complicada ascendência de dinamarqueses, cubanos e franceses, lhe deram um nome de linha inteira; e vemo-nos incitados a percorrer num esforço de nove palavras, não menos, as que lhe chamam Angela Anaïs Juana Antolina Rosa Edelmira Nin y Culmell. Tudo o que veio a parecer-lhe — mesmo num tempo de alargados nomes que eram aviso de bons nascimentos — excessivo; e que aos vinte e nove anos de idade, quando teve de designar-se como escritora, fê-la chegar na sua folgada sucessão de títulos à simplificação que a resumia num Anaïs Nin agradável na música e que também soaria, num mais atento mundo de leitores, como Ana is (é) NIN, «a Ana é NIN», ou seja, marcada pelo I «eu» entalado entre idênticos e inter-negativos opostos — entendam-se aqui o sexo, os desejos e a vida. […] 
Aos trinta e três anos de idade, Anaïs ainda não era autora publicada de nenhum dos seus romances; o seu nome nas letras podia apenas reivindicar a autoria de um ensaio sobre Lawrence e de um poema em prosa, Casa de Incesto, que parecia dever tudo aos franceses do surrealismo. Diz-nos o seu Diário: umas trinta páginas de prosa poética, escrita de uma forma totalmente imaginativa, uma explosão lírica. […]
Stuart Gilbert, o erudito inglês, o «imbatível» tradutor da prosa de Cocteau para a sua língua, foi entre todos o mais expressivo e o que mais alegria deu a Anaïs Nin: «É evidente que o autor de Casa de Incesto teria, numa época mais recuada, terminado a sua carreira na fogueira — na boa companhia, seria inútil dizê-lo, de Joana d’Arc. Porque há qualquer coisa de inquietante na sua clarividência. É como se ela tivesse bebido uma poção ou descoberto um sortilégio que lhe desse acesso a esse mundo subterrâneo que à entrada tem escrito este aviso: “Vós, que aqui entrais, abandonai toda a consciência!” É preciso coragem para alguém se lançar nesta busca, e além de coragem, perspicácia e um delicado sentido de equilíbrio e o abandono de si.Todas estas qualidades, e com elas uma habilidade pouco comum a manejar as palavras e os ritmos, são evidentes na obra de Anaïs Nin.» 
[Aníbal Fernandes]

A Vida Apaixonada da Grande Catarina

A Vida Apaixonada da Grande Catarina 
Princesa Lucien Murat

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-568-017-7 | EAN 9789895680177 

Edição: Abril de 2022 
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 144

«Os sinos dão pancadas no céu, acompanhando com o seu dobre abafado pela neve a galante imperatriz de triunfos e aventuras que agitaram a Europa; que teve a vitória e o amor a seu soldo sem nunca saborear, na vida amorosa, a alegria de ser conquistada nem o tão feminino prazer de enganar.» 

Marie, a sua mãe e uma criadagem que incluía Émile, Vincent e Adèle, partiram num expresso do Oriente que ia parando em capitais da Europa até chegar dez dias depois a Petersburgo, onde a alta sociedade falava francês atraiçoando a língua russa de futuros Tolstóis e Dostoiévskis, descendo-a até ao contacto com criados ou a acidentais falas com gente do povo. Imaginem-se estas convidadas numa sucessão de castelos, bailes e reverências; destinatárias de convites que não lhes deixavam tempo para sentir a verdadeira Rússia, exterior a dourados salões. Marie encantou-se com o rasto deixado pela imperatriz Catarina nos cenários que ia percorrendo e que insistiam, apesar de um século já passado, em não apagar o seu poderoso fantasma. Salomé Chalandon escreverá: «Marie partilha com a imperatriz um ponto comum: uma ingénua candura que oculta por vezes o raciocínio de uma aguda inteligência. E muitas outras coisas quando começar, anos mais tarde, a escrever a sua biografia e descobrir que atrás de A Vida Apaixonada da Grande Catarina se perfila num ponto e noutro a vida da própria Marie.» 
[…] 
Desde meados do século XIX eram conhecidas as Mémoires de l’Impératrice Catherine II par elle-même, a principal fonte da biografia da Princesa Lucien Murat. Este texto, sem grande valor literário, deu à princesa o direito a pormenores que poderiam, na descrição de cenários e sentimentos, tomar-se por liberdades de um biógrafo-romancista. Embora haja nesta obra elementos exteriores às confissões íntimas da imperatriz, poderá dizer-se que é na sua maior parte fiel à visão que a própria biografada dá a respeito do seu percurso amoroso e do seu triunfo político; e que se fez seu principal encanto a «passagem a autêntica literatura» de um texto escrito em francês por uma imperatriz russa sem vocação para as letras. 
[Aníbal Fernandes]

Falar com o Tempo

Falar com o Tempo 

Ilda David’ 

Textos de Sérgio Fernando da Silva Costa, Thierry Santos, Nuno Faria 

ISBN 978-989-568-014-6 | EAN 9789895680146 

Edição: Abril de 2022 
Preço: 20,76 euros | PVP: 22 euros 
Formato: 17 × 23,5 cm (brochado, com sobrecapa) 
Número de páginas: 144 

Com o apoio da Câmara Municipal da Guarda | Museu da Guarda 
Edição bilingue: português-inglês


Thierry Santos: «Este é o catálogo da exposição Falar com o Tempo, de Ilda David’, que esteve patente ao público no Museu da Guarda, de 10 de Fevereiro a 18 de Abril de 2022, e exibiu obras realizadas maioritariamente nos últimos três anos.»


Às pinturas de Ilda David’ aflui uma multitude de gestos e de vozes, vindas de tempos, de lugares e com fôlegos diferentes. Uma experiência de intensidades, uma viagem sem ideia de regresso. 
Ouçamos os títulos das (séries de) pinturas agora expostas: Peregrino, O viandante, Homem silvestre, Génesis, A luz entra na caverna, Sol a sol, Águas estreitas, Evaporação. Dão-nos o mote e o espírito de um percurso longo, lento, denso, que se vai tecendo desde o princípio dos anos 1980, quando frequentou a Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. 
Exercício espiritual e busca fenomenológica, meditação e contemplação, visão interior e vibração, a prática pictórica de Ilda David’ constitui-se a partir de uma abertura total ao mundo e às mais diversas formas visíveis e invisíveis de existência. 
Sobretudo nos últimos anos do seu trabalho, sobre os quais incide esta exposição, essa empatia manifesta-se, na maior parte dos casos, mais do que pela tematização da natureza, pela fusão dos seus elementos e pela tradução quase material do seu sincretismo. 
As aproximações ao mundo natural que Ilda David’ incansavelmente e metodicamente enceta são como caminhadas. Erráticas errâncias, por vezes, metódicos percursos, apoiados numa cartografia literária e iconográfica, outras vezes. Fá-lo em solitário mas acompanhada de todos os autores e autoras que são a sua comunidade fraterna e cósmica. Místicos, românticos, contempladores, botanistas, semeadores, viajantes, poetas, pintores, astrónomos e outros. 
O seu trabalho é uma espécie de herborização cujo programa seria tornar a vida em obra e a obra em vida. Uma recolha atenta aos pequenos pormenores e aos amplos e aos vastos saberes contidos no mundo. Uma caminhada, um exercício vitalista, «um lugar onde se vai respirar», parafraseando Eça sobre os livros de Júlio Dinis. 
[Nuno Faria]

Devagar, a Poesia

Devagar, a Poesia 
Rosa Maria Martelo


ISBN 978-989-8833-81-5 | EAN 9789898833815 

Edição: Março de 2022 
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 224 

Colecção «Linhas de Fuga»

Como qualquer outra arte, a poesia produz uma interrupção no curso do tempo, e essa intempestividade é experimentada de forma libertária tanto por quem a escreve quanto por quem a lê. 


Este livro procura apreender a experiência temporal expansiva gerada pelo discurso poético enquanto forma de resistência, e acompanha alguns processos de inquirição do tempo em que vivemos, dos ritmos com que vivemos. Essa inquirição envolve uma atenção exacerbada ao vocabulário, aos modos de dizer. E passa, de maneira não necessariamente explícita, pela inquirição metadiscursiva e pela experimentação do discurso. Somos as palavras que dizemos, mas também somos a recusa de muitas outras, que não iremos proferir nunca. Palavras que instituem papéis sociais injustos, regulações e normas discutíveis, palavras que tantas vezes espartilham a imaginação e a possibilidade de outros mundos. Como se não houvesse alternativa. 
[…] 
Passámos a viver isolados, a marcar encontros em ambientes digitais que nos parecem tremendamente insípidos, mesmo se em grande parte lhes devemos o pouco contacto que nos foi possível manter nas fases mais críticas. A vida parece suspensa, como se, entre o passado e o futuro, habitássemos um hiato, um intervalo que ninguém sabe ao certo quando e como vai terminar. Neste mundo ferido de estranha irrealidade, o discurso da poesia mantém-se tremendamente real, denso. Percebemos que a suspensão gerada pelo tempo da poesia nada tem a ver com estas formas de parálise porque releva de outro tipo de suspensão, feita de possibilidade e expectativa criadora. E de memória, também. Pela sua natureza libertária, a poesia não pactua com o esquecimento dos erros e das sujeições do passado. É deles que nos preserva quando nos faculta uma outra experiência do tempo, mais introspectiva e menos maquínica, ou quando ouve e experimenta o que alguns, antes de nós, sonharam como possível. Quando valoriza e exemplifica a dúvida, a possibilidade e a expectativa, a poesia preserva-nos do pior, ainda que não lhe caiba mostrar-nos um caminho a seguir. 
[Rosa Maria Martelo]

Martha Nussbaum – Uma Filosofia Comprometida com a Cidade

Martha Nussbaum – Uma Filosofia Comprometida com a Cidade 
Fernanda Henriques


ISBN 978-989-568-006-1 | EAN 9789895680061 

Edição: Março de 2022 
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros 
Formato: 16 x 22 cm (brochado) 
Número de páginas: 136 

Com o apoio do Grupo de Filosofia Prática LabCom.IFP


Trazer a filosofia para o espaço público onde se jogam os grandes problemas da nossa vida coletiva, retirando-a do mero enclausuramento académico. 


Martha Nussbaum é, sem qualquer sombra de dúvida ou de controvérsia, uma das mais conhecidas personalidades filosóficas da atualidade. 
A sua vastíssima obra cobre uma diversidade de temáticas todas elas alinhadas com questões centrais no debate filosófico contemporâneo e, por outro lado, expressam uma clara decisão de trazer a filosofia para o espaço público onde se jogam os grandes problemas da nossa vida coletiva, retirando-a do mero enclausuramento académico. 
A presente publicação pretende divulgar o pensamento de Martha Nussbaum e trata de algumas das temáticas centrais do pensamento de Nussbaum, nomeadamente, a das relações entre filosofia e literatura, a das questões da justiça, a sua defesa das humanidades como sustentáculo da vida democrática e a sua perspetiva sobre o feminismo. 

O livro é constituído por quatro capítulos, cada um deles desenvolvendo uma temática específica. O primeiro capítulo, com o título «Humanidades, democracia, justiça e igualdade», ocupa-se da perspetiva de filosofia de educação de Martha Nussbaum. O segundo capítulo, intitulado «Filosofia e Literatura», além de uma apresentação da própria temática da relação entre a filosofia e a literatura, faz uma exploração do tema no pensamento de Nussbaum e de Paul Ricoeur. O terceiro capítulo, com o título «Reconhecimento, capacitação e justiça social», propõe o cruzamento entre o pensamento sobre as capacidades de Nussbaum e a perspetiva do reconhecimento de Ricoeur, no sentido de levar mais longe a proposta de Nussbaum. Finalmente, o quarto capítulo, intitulado «A Modernidade normativa e universalista do feminismo de Martha Nussbaum», parte da polémica entre Nussbaum e Judith Butler para apresentar a posição própria e controversa de Martha Nussbaum acerca do feminismo. 
[Fernanda Henriques]

Uma Coisa não É Outra Coisa – Teatro e Literatura


Uma Coisa não É Outra Coisa – Teatro e Literatura
José Maria Vieira Mendes

Design gráfico de Horácio Frutuoso

ISBN 978-989-8833-90-7 | EAN 9789898833907

Edição: Abril de 2022
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 17 x 24 cm (brochado)
Número de páginas: 208

Com o Teatro Praga (colecção «Sequência»)

O teatro e a literatura são diferentes porque são duas coisas, duas pessoas. À partida não há qualquer distância entre as duas artes, tal como não há entre uma viagem de barco pelo Amazonas e uma equação física ou entre a cidadania e uma pintura da Idade Média. 

As distâncias são fruto de uma proposta de relação que, como tentei demonstrar, alimenta frustrações e imobiliza identidades. O que proponho implica reconhecer o outro no encontro e identificar o óbvio: eu não sou tu. A diferença deixa de ser eterna e constante, passa a ser negociável, mutável e não dependente da semelhança. Acontece a cada momento, comportando simultaneamente o que é conhecido, as histórias e as certezas. Nisto participa no jogo da existência, no mundo em movimento. 
Não há, à partida, qualquer contradição entre o teatro e a literatura, não existe qualquer oposição, dissociação ou diferença, nem qualquer relação necessária. O reconhecimento da separação e da intransponibilidade, o facto de eu não ser tu ou de uma pessoa não ser outra permite um pensamento mais livre sobre o teatro e a literatura porque não estaremos condicionados por um só tipo de relação, nem por um conhecimento exclusivo da disciplina; escaparemos, tanto quanto possível, a uma autoridade que precede e limita o objeto. 
A inexistência de uma solução para o problema da relação entre o teatro e a literatura conforme ele é apresentado ao longo dos tempos por diferentes histórias do teatro, autores teatrais e dramáticos, bem como críticos ou académicos, deve-se à própria formulação do problema. Ao reformular o problema, deixamos de estar dependentes de uma descrição epistemológica de cariz dualista que segue em busca de uma solução para as dúvidas e colocamo-nos dentro de um quadro de aceitação ou de reconhecimento de uma ontologia própria e escandalosa, abrindo esta relação ao quotidiano. É por isso que não devemos negligenciar o papel da vontade nesta equação. As descrições antiliterárias, pós-dramáticas ou a defesa do teatro literário insistem, porque é a sua vontade, em tornar compreensíveis e iluminar o que observam. 
Para complementar a afirmação de que uma coisa não é outra coisa é necessário então uma disponibilidade ou vontade própria do observador. Depois de descrições várias de teatro e da sua relação com a literatura, concluirei com o modo como o reconhecimento da vontade e um outro conceito de conhecimento podem afetar as descrições de espetáculos e literatura dramática, o olhar do leitor e do espectador e a relação deste com a obra que lê ou vê. Isto porque, mais do que abrir possibilidades e significados para o teatro e literatura, me interessa reconhecer outros pares, de que espetáculo e espectador são exemplos, capturados por uma lógica antinómica que limita significados. 
[José Maria Vieira Mendes]

Cartoons do Ano 2021


Cartoons do Ano 2021 
António Antunes, André Carrilho, Cristina Sampaio, João Fazenda, Vasco Gargalo, António Maia, Henrique Monteiro, Rodrigo de Matos, Cristiano Salgado, Nuno Saraiva, Pedro Silva 

Curadoria e coordenação editorial de António Antunes
Introdução de Fernando Paulo Ferreira
Apresentação de Manuel Carvalho
Comentários de José António Lima

ISBN 978-989-568-012-2 | EAN 9789895680122

Edição: Abril de 2022 
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros 
Formato: 17 x 24 cm (encadernado) 
Número de páginas: 128 (a cores) 

Com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira 
Edição bilingue: português-inglês


«Se uma imagem vale por vezes mais do que mil palavras, um cartoon pode valer muito mais do que mil imagens.» 



A palavra significa, a imagem revela, o cartoon vai às causas profundas e faz emergir pela sátira ou pelo humor o significado e a revelação do que é uma pessoa, um facto, um acontecimento. Não é sem razão que a imprensa e o jornalismo em geral se aproveitam dos cartoons para explorar o seu potencial informativo. Se a notícia ou a reportagem tem de ser e parecer séria, o cartoon é uma espécie de notícia ou reportagem à solta, sem estribos, sem formalismos, inteiramente livre sem poder deixar de ser radicalmente autêntico. Uma espécie de condimento especial que enriquece o jornalismo e o torna mais vívido, intenso e atrativo. 
[…] 
Num país tantas vezes sisudo, avesso a riscos, embrenhado na ordem e na hierarquia ou subordinado ao respeitinho, os cartoons e os cartoonistas fazem mais falta do que em outro lado. Ao tornar a seriedade artificial ou institucional risível, ao subverter a noção da respeitabilidade pública ou política, ao exacerbar a hipocrisia pelo traço ou o conservadorismo pela cor, eles ajudam a tornar o nosso espaço público mais habitável e democrático. 
[…] 
Devemos muito aos cartoonistas, aos nossos cartoonistas. Nós, os jornalistas, mas também todos os que se divertem, refletem, indignam, protestam e criticam as suas criações. Porque, em última instância, há no seu mester um irreprimível instinto de liberdade, uma saudável propensão para demolir convenções ou, pelo menos, para as causticar. Um mundo sem este instinto e sem esta propensão seria sem dúvida muito pior. 
[Manuel Carvalho]

Desenhos à Margem – Sideline Drawings

 

Desenhos à Margem – Sideline Drawings 
Osmani Simanca 

Curadoria e coordenação editorial de António Antunes 
Introdução de Fernando Paulo Ferreira 
Apresentação de Hermenegildo Sábat

ISBN 978-989-568-018-4 | EAN 9789895680184 

Edição: Abril de 2022 
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros 
Formato: 17 x 24 cm (encadernado) 
Número de páginas: 128 (a cores)
Com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira 

Edição bilingue: português-inglês

Hermenegildo Sábat: «As condições de Osmani Simanca estão à nossa vista: é um excelente cartoonista com grande habilidade cromática. As suas virtudes são: um supremo sentido de humor, uma ironia compassiva e uma percepção dos acontecimentos, sejam felizes ou tristes, que temos de vivenciar. A integração das condições e das virtudes transformou-o numa importante referência do jornalismo continental, numa profissão onde nem sempre se ganha amigos.» 



A par com os Cartoons do Ano, a presença de um cartoonista internacional na Cartoon Xira é já uma componente essencial desta grande mostra dedicada ao desenho humorístico e mordaz. […] Através da Cartoon Xira, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira continua a divulgar o que de melhor se faz à escala nacional e internacional no âmbito do cartoon. 
[Fernando Paulo Ferreira] 


Osmani Simanca nasceu em 1960 em Santa Clara, Cuba. Formou-se na Academia de Belas-Artes San Alejandro e no Instituto Superior de Arte em Havana. Começou a sua carreira em 1975, no jornal humorístico Dedeté no seu país natal. Foi cartoonista editorial do jornal A Tarde (2002-2017), em Salvador, Bahia, Brasil. Em 1994 recebeu a Distinção pela Cultura Nacional do Ministério de Cultura da República de Cuba. Em 1995 mudou-se para o Brasil, onde se naturalizou brasileiro. Os seus desenhos têm sido publicados em inúmeras revistas e jornais de todo o mundo. Entre os seus prémios destacam-se: Primeiro Prémio Perenquén de Oro, VII Bienal de Caricatura y Dibujo Humorístico de Tenerife, Ilhas Canárias, Espanha (2002); Primeiro Prémio (Gag Cartoon), World Press Cartoon 2009, Sintra, Portugal (2009); Terceiro Prémio, The United Nations Correspondents Association, Ranan Lurie Political Cartoon Award for the Year, Nova Iorque, EUA (2005-2010); Prémio de Jornalismo Vladimir Herzog de Amnistia e Direitos Humanos (categoria Artes), São Paulo, Brasil (2017).

quarta-feira, 23 de março de 2022

O Duplo Rimbaud (com um preâmbulo de Benjamin Fondane)

 O Duplo Rimbaud (com um preâmbulo de Benjamin Fondane) 
Victor Segalen 

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-568-005-4 | EAN 9789895680054 

Edição: Março de 2022 
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 144


Benjamin Fondane: «O seu génio, como se tivesse pressa de se soltar, sobrevoa a idade, o tempo, a falta de experiência e — amadurecido não sei à luz de que sol de além-túmulo — explode e derrama-se.» 



Em 15 de Abril de 1906 surgiu na revista Mercure de France o seu texto «O Duplo Rimbaud». Em cada um de nós, dirá Segalen, e para cada uma das nossas formas de pensar, de querer e sentir, existe um irredutível e não utilizável covil que não podemos, com complacência ou à força, com ódio ou amor, entreabrir aos outros. Estaremos perante um labirinto onde os leitores não encontram nenhuma saída? Segalen faz-nos crer que Rimbaud fala sempre de si próprio, com uma chave que só ele sabe utilizar; que os seus poemas são imaginadas memórias das coisas e dos dias da sua infância, e só ele os compreende na sua integralidade. Depois desta análise passa ao «segundo» Rimbaud, o de uma «curiosa e intensa fobia»; o que tem «horror à poesia», di-lo a sua irmã categórica e, por decisão, detentora de uma única e irrecusável verdade. 
[Aníbal Fernandes] 

Rimbaud foi outra coisa além de um cometa e mais do que um «assinalável transeunte». O seu génio, como se tivesse pressa de se soltar, sobrevoa a idade, o tempo, a falta de experiência e — amadurecido não sei à luz de que sol de além-túmulo — explode e derrama-se. O que espanta na sua obra não são tanto as virtudes do escritor, ainda assim fulgurantes, mas a espessura da página, a densidade do vivido, as riquezas do subsolo. O poeta desdobra-se, pluraliza-se; faz sobre todas as coisas «o salto do animal feroz». Estou por uma vez perfeitamente de acordo com a sua irmã Isabelle, ao descobrir sob a multiplicidade das personagens dos seus poemas o único rosto do Jean-Arthur e do escritor […] 
[Benjamin Fondane]

A Vida na Terra

A Vida na Terra 
Pedro Valdez Cardoso 

Textos de Sérgio Fazenda Rodrigues, Ana Anacleto, Sandra Vieira Jürgens, Nuno Faria e João Pinharanda 
Tradução de José Gabriel Flores 

ISBN 978-989-8833-84-6 | EAN 9789898833846 

Edição: Março de 2022 
Preço: 28,30 euros | PVP: 30 euros 
Formato: 20,5 × 30 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 280 (a cores) 

Com o apoio da Fundação Carmona e Costa e dgARTES 

Edição bilingue: português-inglês


Sérgio Fazenda Rodrigues: «[…] o trabalho de Pedro Valdez Cardoso inquire os protocolos do poder, num recorte que vai do indivíduo à sociedade, e do passado à contemporaneidade.» 



O que realmente interessa a PVC é aquilo que está nas entrelinhas, o que não se lê ou diz mas é demasiado perceptível. Interessam-lhe os mecanismos de controlo, as relações de poder, a subjugação permanente, ainda que subversiva, do outro. 
O efeito de paralaxe em que frequentemente vivem as suas peças é a pedra-de-toque de um discurso que se constrói sobre uma lógica de intervalo, de lacuna e de antecipação — o pré-conceito como dispositivo. Interessa-lhe, basicamente, a forma de contar, a história e os elementos no seu interior, por esta ordem. 
O que parece estar sempre em cena, ou em causa, é o corpo, em rigor o único barómetro mensurável, o único lugar comum e último reduto da individualidade e da diferença — o lugar de todas as formas de dominação. A natureza, a animalidade, a caça, a guerra, são, finalmente, formas de (des)figuração de um medo original, de uma dobra escondida: o outro em nós. Porque, afinal, «o inferno são os outros». 
[Nuno Faria] 

Encontrarmo-nos perante uma obra de Pedro Valdez Cardoso é permitirmo-nos responder ao desafio do cruzamento e da dissolução, conscientes de que, dos vários processos de justaposição que vai promovendo na dinâmica construtiva própria do seu trabalho podem resultar momentos de maravilhamento que carregam sempre um peso, lembrando-nos que por detrás de uma máscara está sempre um rosto que é ele próprio, simultaneamente, sempre uma máscara. 
[Ana Anacleto] 

Degelo

Degelo 
Inez Teixeira 

Edição e apresentação de Nuno Faria 
Tradução de José Gabriel Flores 

ISBN 978-989-568-009-2 | EAN 9789895680092 

Edição: Fevereiro de 2022 
Preço: 24,52 euros | PVP: 26 euros 
Formato: 22 × 31 cm (encadernado) 
Número de páginas: 192 (a cores) 

Com a Fundação Carmona e Costa 

Edição bilingue: português-inglês


Nuno Faria: «[…] o desenho não é aqui um espaço de representação, mas de revelação; uma forma de conduzir forças interiores que, misteriosamente, nos pertencem e transcendem.» 


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «DEGELO — Desenho 1989-2021», de Inez Teixeira, com curadoria de Nuno Faria, realizada na Fundação Carmona e Costa, de 19 de Fevereiro a 21 de Maio de 2022. 



A produção em desenho de Inez Teixeira tem permanecido na sombra de um percurso cuja face visível e reconhecível é a pintura. E é, eloquentemente, da sombra que este amplo, diverso e desconcertante conjunto de desenhos desponta para revelar uma particular sensibilidade à emergência da imagem como negativo, decalque, vestígio. 
Desenho, desenhar, entendidos em sentido amplo, como campo de imanência e de experiência sensível do mundo. A prática do desenho não tanto como exercício autoral mas como indagação interior, como campo de possibilidades, como ritual meditativo. 
O conjunto de desenhos reunidos na exposição «Degelo», realizados durante um extenso período de tempo, inédito na sua quase integralidade, revela um programa de pesquisa livre de constrangimentos formais e um entendimento do desenho como prática processual e experiencial. 
Da exposição (e deste livro) constam cerca de uma centena de desenhos, sobretudo organizados em séries, pontuadas por surpreendentes excepções, e um singular conjunto de pequenas esculturas em que a artista integra pedras encontradas no espaço natural. 
A pedra, elemento geológico, que remete para um fazer da terra — aquém, portanto, do exercício artístico — é, pois, o elemento transitivo desta experiência em que se constitui não somente a prática do desenho, mas também o conjunto de aflorações presentes nesta exposição. 
[Nuno Faria]

Delirar a Anatomia: Partituras-Poemas de Ana Rita Teodoro + (des)léxico para A.A. de Joana Levi

Delirar a Anatomia: Partituras-Poemas de Ana Rita Teodoro + (des)léxico para A.A. de Joana Levi
Ana Rita Teodoro, Joana Levi 


Design gráfico de Horácio Frutuoso 

ISBN 978-989-8833-89-1 | EAN 9789898833891 

Edição: Fevereiro de 2022 
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros 
Formato: 17 x 24 cm (brochado) 
Número de páginas: 204 

Com o Teatro Praga (colecção «Série»)


Delirar a Anatomia é uma coleção de estudos febris dedicados a uma parte do corpo. Delirar a Anatomia é uma coleção de peças de dança e uma coleção de partituras-poemas. O presente livro compila cinco partituras-poemas desta coleção, intercaladas pelo (des)léxico para A.A. de Joana Levi, artista, performer e estudiosa sensível ao corpo proposto por Antonin Artaud. 

Delirar a Anatomia reestuda as partes do corpo, acumulando e entrelaçando visões díspares — poéticas exageradas, simplistas, descabidas, ignorantes e eruditas — para conceber um corpo que dança. Propõe um estudo que isola as diferentes partes (boca, pele, coração, joelho, esfenoide, nuca, intestinos, etc.) para tentar ver o corpo não como um todo — máquina útil —, mas como um ser de diversos, composto de plurissistemas. Para desviar o foco do eu-corpo-todo-potente ou do eu-corpo-que-me-mata, talvez se possa propor um corpo-plural composto de diversas potências. 
[…] 
Quando comecei a dançar, no início da década de 2000, o pensamento de Antonin Artaud e especificamente o texto «Corpo sem órgãos» desenvolvido por Deleuze e Guattari em Mil Planaltos estavam em voga no contexto da dança contemporânea. Coreógrafos, críticos e bailarinos evocavam constantemente este texto para atualizar (e por vezes justificar) os corpos presentes na dança, corpos que se afastaram da dança clássica e da dança moderna. Voltei a encontrar Artaud no meu interesse pelo Butô e, concretamente, em Hijikata Tatsumi, grande apaixonado pelo escritor, e que trabalhou na coreografia de um corpo virado do avesso, um corpo que fala desde as suas entranhas, e também um corpo que não-pertence — um corpo que não pertence aos cânones estéticos e sociais estipulados pela sociedade japonesa dos anos 60. 
Delirar a Anatomia, como tantos outros projetos, está na continuidade dos processos e do corpo pensado por Artaud. Manifesta o desejo de virar o corpo do avesso e procurar na constituição física dos corpos um mundo livre, sensual e à medida de cada 1. 
[Ana Rita Teodoro]

Coisas de Theatro e Loisas de Theatro

Coisas de Theatro e Loisas de Theatro 
Sousa Bastos, Santos Gonçalves 


Prefácio de André e. Teodósio 
Prelúdio de Paula Gomes Magalhães 
Design gráfico de Horácio Frutuoso 

ISBN 978-989-8833-88-4 | EAN 9789898833884 

Edição: Fevereiro de 2022 
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros 
Formato: 17 x 24 cm (brochado) 
Número de páginas: 144 

Com o Teatro Praga (colecção «Sequência»)


Com este volume, reeditamos uma polémica. Na sua leitura, vamo-nos informando, deleitando e rindo com o próprio «meio» artístico. O dissenso nas artes não só tem servido como estratégia de posicionamento mas também como marcador para períodos e movimentos. As muitas querelas que se vivem hoje são assim uma versão 2.0 de um certo passado. A vida, como a performance e a história, é um processo. Com meios e com fins e, esperemos, também e sempre com princípios. Nem que para isso se tenha de partir a loiça. 



A reedição conjunta dos livros aqui presentes, «Coisas de Theatro» de Sousa Bastos e «Loisas de Theatro» de Santos Gonçalves, são disto um exemplo e por isso merecem toda a atenção enquanto fontes primárias para uma historiografia da sociedade portuguesa nos seus mais diferentes aspetos, dos costumes às artes performativas e ao pensamento gerado pelo eclodir de formas laborais teatrais.
Antecedida por uma contextualização rigorosa da investigadora e escritora Paula Gomes Magalhães, a quem agradecemos a autorização para publicação do capítulo «Escritos de teatro: práticas, saberes e recordações» do livro Sousa Bastos da sua autoria, encontramos na polémica dos dois autores uma proto-sinédoque do que descrevemos. E, pelo meio, vamo-nos deleitando e rindo com o próprio «meio» artístico. Editar este dois livros, além de uma missão historiográfica em torno do património performativo, é um convite a uma viagem pelo passado e pelo presente(e uma certa ideia de futuro), tempos em que tanto nos aproximamos como nos distanciamos. 
Porque a vida, como a performance e a história, é um processo. Com meios e com fins e, esperemos, também e sempre com princípios. 
[André e. Teodósio]

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

A Mulher 100 Cabeças

A Mulher 100 Cabeças 
Max Ernst


Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-8902-60-3 | EAN 9789898902603 

Edição: Janeiro de 2022 
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 188

Robert Desnos: «Sujeito ao destino próprio de todo o poeta, Max Ernst arranca assim um pedaço ao maravilhoso e restitui-o à veste despedaçada do real.» 

O poeta é um lobo para a poesia. Combate-a, tira-lhe o valor e destrói-a à dentada e com garras longas. Alimenta-se dela. Tal como na luta eterna, a do combate sem tréguas dos amantes, uma paixão forte como o ódio e a morte une e opõe ao mesmo tempo o poeta e o seu superior ideal. Sem este gosto pelo crime e pelo sangue, não há neste domínio obra válida. 
É este gosto do crime, este sabor a sangue, que caracterizam a obra de Max Ernst, e em particular A Mulher 100 Cabeças; que é, de algum modo, a soma das suas buscas. 
Para o poeta não há alucinações. Há o real. E é ao espectáculo de uma realidade mais extensa do que a vulgarmente conhecida, que o inventor destas colagens nos convida. 
É um novo domínio adquirido à memória pela imaginação, uma colónia conquistada à liberdade do sonho, em proveito do imperialismo do «Já Visto». 
Porque vai ser-nos hoje mostrado um panorama suficientemente grande de todo um desconhecido de pesadelos e visões, para nos ser possível identificar de ora em diante as outras vistas que poderão ser-nos submetidas e nos autorizam a dizer: «isto faz parte do país de A Mulher 100 Cabeças, onde Max Ernst foi o primeiro a penetrar; está situado a uma enorme distância do ponto de chegada dos titãs, à sombra da escada que viu a fuga do Eterno, não longe da estranha gruta onde ratos insólitos se divertem, no território de apanágio dos tremores de terra e das flexíveis subidas de balões, a meio caminho do despertar e do crepúsculo, no país dos sonhos, das luxúrias, dos tenebrosos horrores e das auroras artificiais.» 
Ao longo de toda esta narrativa de viagem, deste diário de exploração, surge a imagem indecisa que nos habita os cérebros no momento preciso onde deixamos, durante um tempo muito curto, de ser homens, e pela graça erótica dos sentidos penetramos num universo de delírio, gemidos e beijos. 
Trata-se, a bem dizer, do conhecimento adquirido de um novo olimpo. (E bem podemos passar a empregar esta palavra, porque está despojada de todo o significado religioso.) 
Os deuses privados de prerrogativas injustas e arbitrárias não são, diga-se de passagem, seres muito humanos (mas nós sê-lo-emos mais?)etemos uma forma de entender-nos perfeitamente com eles e lutar.
[Robert Desnos]

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Chita — Uma Memória da Ilha do Fim

 
Chita — Uma Memória da Ilha do Fim
Lafcadio Hearn 


Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-8833-98-3 | EAN 9789898833983 

Edição: Janeiro de 2022 
Preço: 12,26 euros | PVP: 13 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 148


A obra-prima de Lafcadio Hearn.
Chita, a órfã da Ilha do Fim, no «maravilhoso círculo duplo do Azul… glórias gémeas de profundidades infinitas que se entre-reflectem enquanto o Além do Mundo… Derrama uma preciosa luz.» 



[…] Antes deste Lafcadio Hearn dominado pela sedução japonesa há, portanto, o Lafcadio das «lamentáveis odisseias na Europa e na América», onde encontramos o autor de Chita, o seu primeiro romance, de 1887, no Harper’s Magazine de Nova Iorque, e dois anos depois em livro numa versão ligeiramente modificada. O japonês Yakumo Koisumi teve como o seu primeiro nome inteiro Patricio Lafcadio Tessima Carlos Hearn, o que lhe foi dado quando nasceu no ano 1850 em Lêucade, uma ilha do Mar Jónico nessa altura sob ocupação inglesa e hoje pertencente à Grécia. 
[…] 
Os seus seis anos de Cincinnati tiveram de ser prolongados por outros, agora no jornalismo de Nova Orleães, a cidade do Mississipi racialmente mais permissiva, e desta vez na redacção de Le Commercial. 
Foi ali, numa confusão urbana que misturava o inglês, o francês, o espanhol, e fazia nascer variantes crioulas, inventoras de palavras com ecos de todas estas línguas, que Lafcadio Hearn imaginou o seu primeiro romance — Chita (uma redução de Conchita), a personagem feminina que serviria de pretexto à longa evocação da tragédia da Ilha do Fim. 
[…] 
Lafcadio Hearn, já a assumir-se como autor de textos de ficção, escreveu para o jornal Times-Democrat inventados fragmentos de cartas de um dos sobreviventes dessa catástrofe, e chamou-lhes Torn Letters (Cartas Rasgadas), um êxito que o incitou à narrativa Chita, pouco depois publicada no Harper’s Magazine. 
Numa carta de 1888 — a altura em que ele viveu na Martinica como correspondente do Harper’s Magazine e pensava em publicarem livro a novela escrita um ano antes para esse mesmo jornal — Hearn informa que a «sua Conchita» lhe tinha sido inspirada pelo caso verídico de uma rapariguinha salva por pescadores do desastre da Ilha do Fim — e marcada, a partir dos quatro anos de idade, por uma paternidade desconhecida. 
[Aníbal Fernandes]

Cuidado e Afectividade – Em Heidegger e na Análise Existencial Fenomenológica

Cuidado e Afectividade – Em Heidegger e na Análise Existencial Fenomenológica 
Irene Borges-Duarte


Prefácio de Edgar Lyra 

ISBN 978-989-8833-58-7 | EAN 9789898833587 

Edição: Dezembro de 2021 
Preço: 17,92 euros | PVP: 19 euros 
Formato: 14 × 21 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 280 

Colecção «Fenomenologia e Cultura» | Volume 2 

Com o apoio do PRAXIS


Irene Borges-Duarte: «E, embora não possamos não prestar atenção ao que dizem os media na nossa civilização tecnológica, podemos escapar ao seu controle contrastando as informações; sofrendo, muitas vezes, com o que tiramos a limpo desse contraste, mas rindo também, outras vezes, do que é ridículo ou do que é agradável e divertido. Em qualquer caso, sem sentimentalismo. Apenas no exercício despretensioso do bom humor, comunicativo e crítico, afectuoso e simples. Como quem desfruta de uma reunião de amigos, depois de um longo dia, e de poder sair com eles para tomar algo.» 



Tenho a satisfação de prefaciar este segundo número da coleção luso-brasileira «Fenomenologia e Cultura», publicada conjuntamente pelas editoras Documenta, Nau e PUC-Rio. Escrito pela professora Irene Borges-Duarte, Cuidado e Afectividade leva ao grande público análises fenomenológicas de temas contemporâneos de central relevância e traz, simultaneamente, contribuição de grande importância para a comunidade de estudiosos da obra de Martin Heidegger. 
O livro reúne 10 ensaios com histórico de apresentação e publicação em eventos e periódicos voltados para a tradição fenomenológica. Revistos ou reformulados, eles cobrem o extenso arco da filosofia heideggeriana, abordando afetos que vão da angústia e do tédio, mais comumente associados ao pensamento do autor de Ser e Tempo, a análises do amor, da reserva, do bom humor e da aventura. A noção de cuidado dá unidade ao conjunto. 
Diversos são os autores mobilizados no generoso projeto. Junto com interlocutores primários de Heidegger, predecessores ou contemporâneos, como Aristóteles, Agostinho de Hipona, Husserl, Freud, Schelere Löwith, muitos outros nomes são evocados no livro. Figuram entre os mais conhecidos, em ordem alfabética de sobrenomes: Giorgio Agamben, Luc Ferry, Michel Foucault, Carol Gilligan, Pierre Hadot, Vladimir Jankélévitch, HansJonas, José Ortega y Gasset, Fernando Pessoa, Georg Simmel, Bernard Stiegler e Donald Winnicott. Ludwig Biswanger e Medard Boss completam o elenco de referências. 
[Edgar Lyra] 

Perto da Margem – Close to the Edge

Perto da Margem – Close to the Edge 
Pedro Calapez 


Texto de João Pinharanda 

ISBN 978-989-8833-77-8 | EAN 9789898833778 

Edição: Dezembro de 2021 
Preço: 25,47 euros | PVP: 27 euros 
Formato: 24 × 29 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 160 (a cores) 
Edição bilingue: português-inglês 

Com a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva e o apoio da Fundação Carmona e Costa


O que fica do que se vê? […] Como entender e fazer entender o enigma que sabemos escondido nas coisas? 

Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Perto da Margem», de Pedro Calapez, com curadoria de João Pinharanda, realizada na Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva (de 7 de Outubro de 2021 a 16 de Janeiro de 2022) em parceria com a Fundação Carmona e Costa. 

Depois da margem fica o abismo para onde corremos ou onde corre já a água que nos afogará depois da queda. Os sucessivos capítulos de que esta exposição se compõe deixam-nos à beira de vários perigos e abrem-nos o caminho para o precipício dos sentidos, se o quisermos tomar: entre o corpo e a queda, entre o olhar e a cegueira. Pedro Calapez encontra o título da sua exposição, «Perto da Margem», nas palavras de uma canção dos Yes, «Close to the Edge», que cita nas suas notas de trabalho: «Down at the end, round by the corner / Close to the edge, just by a river / Seasons will pass you by / I get up, I get down / Now that it’s all over and done, / Now that you find, now that you’re whole». 
Não há excesso literário nem dramatização estética na associação suicidária que aqui enunciamos. A delicadeza e a elegância, a monumentalidade e o luxo são, na obra de Calapez, o cenário da mal disfarçada e radical angústia revelada nas múltiplas direcções do seu intenso trabalho: como se vê? o que fica do que se vê? ou seja, o que fica do que se vive? porque estamos rodeados de ruínas? até onde devemos arriscar-nos seguir? o que podemos dizer aos outros de nós mesmos? como entender e fazer entender o enigma que sabemos escondido nas coisas? 
[João Pinharanda]

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

See … From … Hear

See … From … Hear 
Pedro Tudela 


ISBN 978-989-8902-59-7 | EAN 9789898902597 

Edição: Fevereiro de 2022 
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado) 
Número de páginas: 208 (a cores) 

Com a Ala da Frente (Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão)


«O som torna-se presença no seu trabalho de pintura, de desenho, nos seus objectos escultóricos ou instalações, mesmo quando não se tem aparatos ou meios que produzam ou emitam o som.»
 António Gonçalves (curador da exposição de Pedro Tudela na Galeria Ala da Frente) 




Quando usados, os objectos assumem e salientam o acumular de informação, seja pelo toque, pela repetição ou pelo reflexo. Como tal, em conjunto, tornam-se revérberos de todo o conhecimento que lhes estava relacionado, e articulam-se numa outra entidade. Este decurso magnético possibilita que o pretérito da informação se relacione com o que é actual. 
[…] 
A capacidade do lugar (sítio) se tornar numa outra coisa, seja pela relação do plano no espaço (factos que se sucedem uns aos outros) como pela comparação, que naturalmente fazemos, entre duas ou mais quantidades desiguais. 
[…] 
Em exercícios de sobreposição e colagem de sons com alguma proximidade, o mútuo efeito de máscara pode anular alguma identidade, que se assistia originalmente em cada um deles. Deste modo, o resultado afasta as primeiras imagens sugeridas, para dar lugar a um novo acontecimento, com ou sem referente, mas certamente, como uma soma que pode subtrair ou mesmo apagar determinadas frequências, com maior ou menor protagonismo, que as identificava. 
[Pedro Tudela]