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terça-feira, 29 de novembro de 2022

Cartas Menez | Pomar

Cartas Menez | Pomar
Júlio Pomar, Menez


Edição e apresentação de Sara Antónia Matos e Pedro Faro

ISBN 978-989-568-026-9 | EAN 9789895680269

Edição: Outubro de 2022
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 12 × 17 cm (brochado, com pintura trilateral das páginas)
Número de páginas: 128

Com o Atelier-Museu Júlio Pomar


«Reparei agora que tu, como eu, não pões datas», diz Pomar a Menez (13/11/1979), como se nada nesta correspondência fosse testemunho do tempo e ambos existissem absorvidos no fazer e não-fazer da obra, fazendo girar a própria existência em torno dela.



São cartas pintadas, por vezes. Outras, postais com reproduções de pinturas. São todos manuscritos. Neste pequeno livro reúnem-se cerca de 25 cartas e postais trocados entre Menez e Júlio Pomar, de 1972 a 1982, encontrados nos espólios documentais dos dois artistas e facultados pelas respectivas famílias e herdeiros. O Atelier-Museu Júlio Pomar traz assim a público uma inquietante troca epistolar entre dois artistas, que, além de profundamente amigos, tinham um aguçado sentido crítico sobre o trabalho que produziam e sobre o mundo que os rodeava.
Uma vez que Menez e Júlio Pomar não datavam a correspondência, esta foi organizada, sempre que possível, com base nas datas dos carimbos dos correios, visíveis no topo dos envelopes e dos postais, ou através de indicações feitas pelos próprios acerca de diferentes efemérides.
[…]
A publicação deste material acontece no seguimento da exposição «Imagem em Fuga: Júlio Pomar, Menez e Sónia Almeida», com curadoria de Sara Antónia Matos, no Atelier-Museu Júlio Pomar, que pretendeu pensar o modo como o trabalho de Júlio Pomar se cruza com o trabalho de Menez, com quem manteve uma relação epistolar e artística de grande cumplicidade e admiração, e de uma pintora de uma geração mais nova, Sónia Almeida, para quem o trabalho de Menez foi referência no tempo de faculdade. Em torno da ideia de influência e contaminação em arte, procurou explorar-se o modo como as imagens se transmitem entre artistas, se fixam, simultaneamente, transfigurando-se e fugindo à frente do olhar.
[…]
As cartas entre artistas, e estas em particular, oferecem-se assim como um mapa cartográfico ligado aos afectos e às intensidades vividas pelos artistas, a que de outro modo não se tem acesso.
[Sara Antónia Matos e Pedro Faro]

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Imagem em Fuga: Júlio Pomar, Menez e Sónia Almeida

 

Imagem em Fuga: Júlio Pomar, Menez e Sónia Almeida

Organização de Sara Antónia Matos
Textos de Sara Antónia Matos, Maria Quintans, Júlio Pomar
Design gráfico de Oh!Mana

ISBN 978-989-568-019-1 | EAN 9789895680191 

Edição: Junho de 2022 
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros 
Formato: 17 × 21 cm (brochado) 
Número de páginas: 178 (a cores) 

Com o Atelier-Museu Júlio Pomar 

Edição bilingue: português-inglês



«Imagem em Fuga: Júlio Pomar, Menez e Sónia Almeida» dá seguimento ao programa de exposições do Atelier-Museu que, regularmente, procura cruzar a obra de Júlio Pomar com a de outros artistas, de modo a estabelecer novas relações entre a obra do pintor e a contemporaneidade. 





Esta exposição pretende pensar o modo como o trabalho de Júlio Pomar se cruza com o trabalho de Menez, com quem manteve uma relação epistolar e artística de grande cumplicidade e admiração, e o de uma pintora de uma geração mais nova, Sónia Almeida, para quem o trabalho de Menez foi referência no tempo de faculdade. Em torno da ideia de influência e contaminação em arte (tomando o entendimento desses conceitos como produtivo e não pejorativo), procura explorar-se o modo como as imagens se fixam e simultaneamente nos fogem. 
O título, «Imagem em Fuga», é motivado pelo interesse que Sónia Almeida mostrou na obra de Júlio Pomar, nomeadamente nos painéis do Cinema Batalha, frescos pintados sobre a parede, no final da década de 40, e mandados destruir logo de seguida, por intermédio da PIDE: imagens desaparecidas, apagadas, inacessíveis desde então. Dessas imagens que nos fogem e das quais hoje resta apenas documentação (fotografias, desenhos, projecto e cartas que testemunham a censura a que a obra foi sujeita) nasceram contágios que remanescem agora no projecto de Sónia Almeida para o Atelier-Museu.
[Sara Antónia Matos] 

A pintura de Menez ou esta ópera — vejo-as ambas neste teclado. Negaça do vivido da escrita, o objecto palavra parece às vezes não andar longe. Por negaça e poder de aparência: consignar num lugar o que nele não está, a claridade fugaz daqueles passos em que a voz se projecta para além do desejo ou da recusa de saber. Cerrem-se as pálpebras: já a imagem se tece. Mas a palavra imagem é ainda rígida. Substituí-la por: o que se respira num lugar de passagem, fluxo, visitação. Eis o que dei comigo a conspirar, passando de ratoeira para ratoeira pela mão traiçoeira da palavra. Sobre, ou a partir da pintura de Menez. Pintura a que chamaria metafísica se os classificantes do inclassificável não tivessem posto o adjectivo em saldo. 
[Júlio Pomar]