Lisboa, 26-VI-1938 – 23-V-2020
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domingo, 24 de maio de 2020
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
«O poeta obscuro» I Manuel Resende
O poeta obscuro
Quero apertar-te nos braços, querido poeta,
beijar-te e tirar-te da morte.
Chamam-te obscuro, porque cantavas no escuro,
com a voz rouca afogada
na região torrencial das lágrimas
e o ouvido cheio de gritos.
Como se pode cantar entre gritos
com a voz enrouquecida?
Não te vás ainda, não morras,
deixa para amanhã,
deixa-me lavar-te as feridas com água pura
tenho aqui água, descansa, em quantidade.
Querias uma palavra? Está aqui:
Manuel Resende
[9 de Março de 1948 – 29 de Janeiro de 2020]
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