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quinta-feira, 13 de julho de 2023

Miguel Branco: Terra — Ou os Quarenta e Nove Degraus

Miguel Branco: Terra — Ou os Quarenta e Nove Degraus
Miguel Branco
Textos de Bernardo Pinto de Almeida e Emanuele Coccia

ISBN 978-989-568-104-4 | EAN 9789895681044

Edição: Abril de 2023
Preço: 23,58 euros | PVP: 25 euros
Formato: 20,5 × 26 cm (encadernado, com sobrecapa)
Número de páginas: 148 (a cores)

Com a Fundação Carmona e Costa
Edição bilingue: português-inglês


Emanuele Coccia: «A arte, nas mãos de Branco, torna-se o Atlas do novo mundo: um meio para nos orientarmos dentro dos sonhos que as espécies têm entre si.»

 



Toda a nossa realidade experimentada é atravessada por uma cisão original. Não se trata de uma divisão conceptual, mas sim de uma estrutura física e arquitectónica que atribuímos ao espaço, continuamente e sempre que nele nos estabelecemos. Assim que chegamos a um local, separamos a urbe — o espaço que ocupamos, nós, os humanos, composto por vida semelhante à nossa e feito de pedra e de metais, e a floresta, — do latim foris, lá fora, o exterior, onde na nossa imaginação vive tudo o que não partilha as nossas formas e costumes. Esta divisão está na origem de todas as outras: entre a cultura e a natureza, entre a civilização e a barbárie, entre a linguagem ou a razão e a irracionalidade, e se não conseguirmos libertar-nos dela não seremos capazes de ultrapassar todas as outras.

A obra de Miguel Branco é uma das mais poéticas e radicais reflexões acerca de um mundo liberto desta divisão, algo difícil de atingir.

[Emanuele Coccia]

 

[…] o trabalho de Miguel Branco, recuperando para a sua concretização imagens encontradas em obras esquecidas de artistas ditos menores — que permaneceram num limbo de obscuridade relativamente aos cultores da grande forma, como sejam os vários miniaturistas e animalistas dos séculos XVII e XVIII — caminha, de vários modos, para o domínio do que poderemos designar como o campo de uma arte pós-conceptual. Aquela que, inscrevendo embora as lições trazidas e observadas pelos modelos conceptuais anteriores, se afasta no entanto destes para cingir outra realidade que, muito mais do que a de procurar uma relação com a linguagem se situa antes, e propriamente, nesse plano abertamente novo (e em si mesmo ainda inapreensível) que é o de uma pura relação com a imagem.

[Bernardo Pinto de Almeida]

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

O Hóspede da Casa do Infinito


O Hóspede da Casa do Infinito
Avelino Sá

Textos de Bernardo Pinto de Almeida, Carlos Antunes, Eduardo Calheiros Figueiredo e João Barrento
Fotografia de Pedro Lobo

ISBN 978-989-568-031-3 | EAN 9789895680313

Edição: Dezembro de 2022
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 17 × 24 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 104 (a cores)

Com a Galeria Fernando Santos


João Barrento: «No universo de Avelino Sá, enveredamos sempre por caminhos que nos levam para espaços culturais distantes daqueles que nos são mais familiares, mas que são terreno fértil para interrogações e para o autoconhecimento.»




Avelino Sá define o seu universo conceptual, os seus sujeitos/objectos de relação através de uma «comunidade de vagabundos», como gosta de lhes chamar, que partilham entre si características como a humildade ou a generosidade: Friedrich Hölderlin, Robert Walser, Matsuo Bashō, Álvaro Lapa, personagens da sombra, da meia-luz, com os quais partilha afinidades electivas e que voluntariamente se arredaram do espectáculo luminoso da arte e da cultura, «porque a luz intensa às vezes também cega».

[Carlos Antunes]

 

O trabalho de criação de Avelino Sá elabora-se, desde há longos e produtivos anos, a partir de um intenso e profícuo diálogo com a Poesia. Não se trata, ainda assim, e neste aspecto todo o rigor é sempre pouco, de proceder ao que seria um exercício mais no âmbito daquilo a que a teoria da literatura designa como centrando-se numa relação de ekphrasis, ou ecfrástica, nem, muito menos, de restabelecer os termos da famosa máxima horaciana da Ut pictura poesis, longamente comentada ao longo dos séculos.

Bem pelo contrário, na pintura do artista, aquilo de que se trata é justamente de procurar perceber, através das formas, gestos e matéria próprios da pintura, de que modo se pode reconstituir um espaço e um tempo que antes se deram a compreender pela poesia. Não se trata, portanto, de traduzir uma expressão na outra, ou de a comentar, como é próprio da ekphrasis, mas, ao contrário, de simplesmente transferir um certo sentimento, colhido numa expressão fechada e com leis próprias como a poesia, para uma outra expressão, igualmente fechada e com as suas próprias e distintas leis como a pintura.

[Bernardo Pinto de Almeida]

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Uma Última Pergunta — Entrevistas com Mário Cesariny (1952-2006)


Uma Última Pergunta 
Entrevistas com Mário Cesariny (1952-2006) 
Vários Autores* 


Organização e introdução de Laura Mateus Fonseca
Prefácio de Bernardo Pinto de Almeida 
Posfácio de Perfecto E. Cuadrado 
Mário Cesariny entrevista Carlos Botelho 
Ana Marques Gastão entrevista Cruzeiro Seixas 

ISBN 978-989-9006-58-4 | EAN 9789899006584 

Edição: Novembro de 2020 
Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros 
Formato: 14,5 × 22,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 432 

Com a Fundação Cupertino de Miranda

Uma última pergunta, que a série já vai longa: Botelho, se algum leitor 
destas linhas quisesse começar a pintar e lhe pedisse conselho, que faria? 
[Mário Cesariny entrevista Carlos Botelho, O Rossio, n.º 1, 1952]. 

* Entrevistas de A. Sérgio S. Silva, Afonso Cautela, Álvaro Guerra, Ana Marques Gastão [a Cruzeiro Seixas], António Cândido Franco, António Duarte, António Guerreiro, Bernardo Pinto de Almeida, Bruno da Ponte, Bruno Horta, César Antonio Molina, Claudia Galhós, Elisabete França, Francisco Belard, Francisco Vale, Maria Bochicchio, Maria Leonor Nunes, Maria Teresa Horta, Mário Cesariny [a Carlos Botelho], Mário Galego, Ricardo Duarte, Torcato Sepúlveda, Vladimiro Nunes. 

Esta antologia de entrevistas surgiu como forma de dar a conhecer, ou melhor, trazer para o corpo visível do livro entrevistas que pela proximidade fácil com o entrevistado (o Mário, por ele mesmo) se transformaram em «conversas» abertas, onde os temas, os nomes, as palavras surgem de um sopro de liberdade. 
[Laura Mateus Fonseca] 

Conheci Mário Cesariny em 1981. Tinha-lhe enviado o primeiro livro de poemas, edição de autor, ele escreveu-me de volta, sugerindo que o visitasse, o que fiz, movido pelo entusiasmo de ir ao encontro do Poeta que fora, no fim da adolescência, descoberta maior, nunca traída até hoje. O homem que encontrei, por uma tarde chuvosa, no modesto estúdio e refúgio, à Graça, chegava então aos 60 anos, mais trinta que os meus, o que, todavia, deixava de se fazer sentir assim que começava a falar,em digressões que passavam, sem descontinuidade, das memórias de vida a reflexões sobre Llull, Breton, Artaud.Tudo tinha a mesma origem. […] Homem só, sereno, capaz de uma gargalhada formidável, era soberano nessa solidão, indiferente a agradar, incapaz do que fosse para ir ao encontro de qualquer aplauso, de que desconfiava. 
[Bernardo Pinto de Almeida] 

Traquinas como é, brincalhão e travesso e feliz como uma criança num dia sem escola, apenas me disse ao telefone o seu penúltimo desejo e vontade: 
Sabe, ó Prefeito, o que eu tenho pensado é vender parte da minha obra, comprar um carro enorme, contratar um chauffeur e viajar até ao dia da viagem definitiva. 
Viajar, talvez, em busca daquele gato que um dia Risques Pereira viu como partia para a aventura com o arelegante, distantee ausente que caracteriza e define aquele animal sagrado, dandy dos telhados, das açoteias e de lugares ainda mais altos, que, como diria Cesariny, os lepidópteros burgueses nunca conseguirão domar. 
[Perfecto E. Cuadrado]

terça-feira, 21 de julho de 2020

Nikias Skapinakis — Paisagens (2018-2020) I Bernardo Pinto de Almeida



Nikias Skapinakis — Paisagens (2018-2020)
Bernardo Pinto de Almeida

ISBN 978-989-9006-40-9 | EAN 9789899006409

Edição: Junho de 2020
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 17 x 22 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 128 (a cores)

Com a Galeria Fernando Santos
Edição bilingue: português-inglês



Paisagens desabitadas, crepusculares que se esvaziaram de toda a presença humana para acolherem apenas, no seu locus desabitado, o olhar e espanto de quem as olha.



Agora, com esta nova série, Preto e Branco — que julgo, sem qualquer reserva, ser a mais radical e extrema a que o artista chegou, na incansável busca de levar sempre mais longe e adiante os pressupostos da obra, esclarecendo através de cada uma o sentido profundo de quanto a precedeu — aquele que, porventura, foi um dos mais fulgurantes e ricos coloristas da arte portuguesa do passado século, surpreende-nos de novo, e muito, ao trazer-nos, inesperadamente, uma pintura cujas cores repousam, já, todas secretamente ocultas, fechadas dentro do seu espesso e inexorável negro. Um negro que, diremos ainda, se adensa como se para anunciar a obscuridade destes novos tempos que enfrentamos, e no qual se dissolve, como se numa noite escura, tudo quanto julgávamos saber.
Um negro (que aqui se mostra, enfim, na evidência de ser a síntese extrema de todas as demais cores) que se expande vorazmente pela tela, que a risca, invade, mancha, a povoa tal qual as cores mais vivas o fariam, mas sem que por isso jamais se deixe cair na tentação de servir como desenho, ou como ser gráfico, portador, como tal, de uma qualquer forma de escrita ou de sinal, nem de um qualquer desejo de se prender no plano do esboço, sequer no que seria da ordem de uma síntese poderosa manifestada num esquisso. […] A arte de Nikias, sempre distanciada e grave, irónica por vezes na sua distância, nada tem de melancólico. E tal como esses animais que, com leveza, por sucessivas mutações vão deixando para trás a pele que os identificava, e assim se transfiguram, também esta pintura uma vez mais se transfigura diante dos nossos olhos, e se faz outra do que foi, sem por isso deixar de se ligar com toda a sua memória.
[Bernardo Pinto de Almeida]


Desenvolvidas entre 2018 e o presente, as Paisagens a Preto e Branco pertencem à série Paisagens Ocultas, das quais conservam os sete planos que estruturam a composição e a sinuosidade da linha; substituem, porém, o cromatismo (que identifica a maioria dos períodos do meu trabalho) por um monocromatismo que utiliza o preto (ivory black), aplicado sobre a tela em sucessivas camadas de diferentes densidades.
O branco mais luminoso é, assim, o próprio branco da tela, onde as nuances substituem as cores lisas que caracterizam as Paisagens Ocultas.
[Nikias Skapinakis]

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Tebaida I João Jacinto




Tebaida

João Jacinto

Textos de Sérgio Fazenda Rodrigues e Bernardo Pinto de Almeida

ISBN 978-989-8902-80-1 | EAN 9789898902801

Edição: Maio de 2019
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 17  x 24 cm (brochado)
Número de páginas: 112 (a cores)

Com a Galeria Sete – Arte Contemporânea
Edição bilingue: português-inglês




O trabalho de João Jacinto assenta num processo onde cada obra se faz e refaz, com todas as outras, em paralelo.


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Tebaida», com curadoria de Sérgio Fazenda Rodrigues, realizada na Galeria Sete – Arte Contemporânea, em Coimbra, de 4 de Maio a 7 de Junho de 2019.

O trabalho de João Jacinto assenta num processo onde cada obra se faz e refaz, com todas as outras, em paralelo. Um processo que não é imediato e se gere num tempo próprio, onde as coisas surgem por camadas e se mostram lentamente. Se por vezes esse tempo é rápido, noutra instância ele demora dias, semanas, meses ou até anos. Mas, no seu decorrer, ele é sempre um tempo mágico, inquieto, onde a cadência não é linear e as imagens deixam-se sobrepor, intersectar e revolver.
Dir-se-ia, então, que a vontade das coisas (que está sempre em transformação) impele uma acção que explora, ensaia e repete. Algo que dá corpo às obras com a mesma curiosidade, vontade e ímpeto com que uma criança se deixa fascinar; de forma prolongada. […]
Entre a figura e a matéria, entre o traço e a mancha, entre a pintura e o desenho, entre o fazer e o acontecer, as obras de João Jacinto procuram o registo de algo que está em movimento, ou em contínuo processo de transformação. Essa acção de mudança contínua transporta a inquietude que o leva a fazer e refazer o trabalho. Que o leva a procurar a diferença na repetição e, no fundo, a reflectir sobre a natureza de uma prática disciplinar, a forma como esta é vivida e a necessidade premente de ver e intervir.
[Sérgio Fazenda Rodrigues]

As cabeças cortadas de Jacinto, pousadas sobre prateleiras e tendo por fundo a rugosidade de muros há muito desleixados, por vezes amordaçadas, de outras com os olhos vendados, significam-nos essa nova condição, ou possibilidade, do rosto, num tempo histórico em que o humano enfrenta uma dúvida profunda sobre a sua condição, nisso se reflectindo os termos de uma nova política. A extrema solidão delas é, a seu modo, signo da sua profunda soberania.
[Bernardo Pinto de Almeida]

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Cratera I Miguel Branco


Cratera
Miguel Branco

Texto de Bernardo Pinto de Almeida

ISBN 978-989-8902-13-9 | EAN 9789898902139

Edição: Março de 2018
Preço: 12,26 euros | PVP: 13 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado)
Número de páginas: 64 (a cores)

Edição bilingue: português-inglês

[com a Galeria Ala da Frente — Câmara Municipal de Famalicão]



Sombrias mas, ao mesmo tempo, acutilantes, estas imagens […] permitem-nos reconstruir, a partir do mais puro espanto, e da recriação de uma inquietante estranheza […] um olhar distanciado, mas ainda assim atento, sobre o mundo que habitamos.


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Miguel Branco — Cratera», com curadoria de António Gonçalves, realizada na Galeria Ala da Frente, em Vila Nova de Famalicão, de 3 de Fevereiro a 18 de Maio de 2018, em colaboração com a Galeria Pedro Cera.

Poderemos entender, nesta sucessão de crateras, outras tantas alusões a um corpo ferido, que tanto é o próprio e vasto corpo da terra — na figuração de uma Natureza em estado de quase explosão — quanto um outro, mais singular e humano, tocado enfim da expressão sintomática de uma enigmática epidemia, sedutor, mas ao mesmo tempo inquietante, e perversamente entregue às formas virais da sua própria extinção, ou à mutação no devir-monstruoso de uma transfiguração.
Também o seu perturbante Cavalo Negro, majestosa peça de grande escala que figura um misterioso cavalo negro sem cabeça, alude inevitavelmente a essa longa tradição da representação do cavalo, quer na história das imagens, quer na dos símbolos.
[…] A sua inquietante estranheza, desde logo presente na perda da cabeça, como, de outro modo, a que decorre da repetição, na instalação, das sucessivas imagens de silenciosas e enigmáticas crateras, reforça em nós a perplexidade, ao mesmo tempo que sugere uma relação que nos pede o abandono total das anteriores crenças que nos sustentavam, e a entrega, a bem dizer cega, a uma outra forma de relação sensível.
Este Cavalo Negro (obra cuja forma final data de 2017, e que foi apresentada pela primeira vez em Paris) é, na verdade, uma fortíssima e admirável alegoria do nosso tempo: ela pede-nos que nos deixemos transportar, sem resistir, e pelas forças da imagem, até um horizonte outro, quiçá messiânico (Benjamin), onde uma comunicação bem diversa se torne, outra vez, fonte de um entendimento mais fundo entre todos os homens. Os homens que restam, e a quem está confiada a possibilidade e o destino de uma outra, nova, humanidade.
[Bernardo Pinto de Almeida]

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Imaginação & Ironia I Costa Pinheiro



Imaginação & Ironia

Texto, imagens e arranjo gráfico

Costa Pinheiro

Prefácio de Bernardo Pinto de Almeida

ISBN: 978-989-8618-93-1

Edição: Novembro de 2015

Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 15,7 × 21 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 104 (imagens a cores e preto e branco)

[em colaboração com a São Roque – Antiguidades e Galeria de Arte]


Este livro de Costa Pinheiro foi publicado pela primeira vez em língua alemã com o título Imagination & Ironie, pela Starczewski Verlag, em 1970, com arranjo gráfico também do autor. Alguns anos mais tarde a Galeria 111 publicou um folheto com a tradução portuguesa dos textos originais em alemão e francês, feita por Costa Pinheiro.

Esta edição São Roque – Antiguidades e Galeria de Arte | Documenta respeita o design gráfico da edição original alemã, premiada pela Fundação Erika-Reuter Lemförde, em 1970.

A ironia? Também acredito que seja absolutamente necessária. Quando eu era pequeno, achava a situação de um pinto a sair do ovo extremamente irónica… Mais tarde, achei de pura ironia o facto de a Terra estar suspensa no espaço.

Mais tarde, ainda, compreendi que as pessoas que não têm ironia, perderam qualquer coisa na sua vida que lhes é especialmente importante. De resto: os cientistas devem saber como é cheio de ironia (muitas vezes) o seu trabalho de investigação. Pensei muitas vezes também que em cada pessoa vive uma «criança»… mas o que já não acho nada irónico é que a matem… [Costa Pinheiro]

Figura cimeira da arte portuguesa do séc. XX, Costa Pinheiro nasce em Moura em 1932. Bolseiro do Ministério da Cultura da Baviera, estudou na Academia de Belas-Artes de Munique. Posteriormente, como Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, instala-se em Paris em 1960, onde funda o grupo KWY, em conjunto com Lourdes Castro, João Vieira, Gonçalo Duarte, René Bertholo, José Escada e ainda Jan Voss e Christo. Em 1963 regressa a Munique e passa a desenvolver a sua actividade artística entre esta cidade e o Algarve. Amigo de Joseph Beuys, um dos artistas mais relevantes da segunda metade do século XX, Costa Pinheiro chega a ser convidado por ele para ensinar na Academia de Belas-Artes que dirigia em Düsseldorf. Morre a 9 de Outubro de 2015.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

«Só Acredito num Deus que Saiba Dançar – O cinema e o imaginário da arte» | João Botelho



Só Acredito num Deus que Saiba Dançar – 
O cinema e o imaginário da arte
João Botelho

Textos de António Rodrigues, Bernardo Pinto de Almeida, Fernando Cabral Martins, Nuno Faria

ISBN: 978-989-8566-76-8

Edição: Outubro de 2014

Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 16 x 22 cm (brochado)
Número de páginas: 160 a preto e branco e a cores

[ Co-edição: A Oficina, CIPRL ]


Catálogo publicado por ocasião da exposição João Botelho – Só Acredito num Deus que Saiba Dançar [26 de Julho 2014 – 12 de Outubro 2014, na Plataforma das Artes e da Criatividade / CIAJG, Guimarães], produzida pelo Centro Internacional das Artes José de Guimarães. 

Este livro é o terceiro e último vértice de um triângulo composto pela exposição Só Acredito num Deus que Saiba Dançar, de João Botelho [Lamego, 1949], e o ciclo de cinema que a acompanhou. Além de documentar a exposição, publica textos de autores que em diferentes fases do percurso de João Botelho lhe foram próximos, quer enquanto observadores, quer enquanto cúmplices, e que, num contexto editorial tão carenciado de publicações exclusivamente dedicadas a universos de autores-chave da nossa contemporaneidade, constituem um privilegiado e eloquente contributo crítico para o estudo de uma obra complexa, densa e frequentemente desnorteante, para quem nela procura continuidade e coerência. 

A exposição que o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) apresentou não é uma exposição clássica sobre a obra de um cineasta, mas antes a construção de um atlas de referências e de afinidades que procura dar a ver as múltiplas e profundas relações que com o imaginário da arte, desde a pré-história à contemporaneidade, detendo-se sobre a pintura, dos séculos XVI e XVII sobretudo, mas também a arte mais recente, o cinema de Botelho ensaia. Aqui, o desafio é o da mudança de contexto, de escala e de suporte, mas, sobretudo, o de outra temporalidade e de uma experiência perceptiva proposta ao espectador radicalmente distinta da do espaço abstracto da sala de cinema.              

A frase que dá título à exposição de João Botelho é uma máxima do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, inscrita num dos mais famosos e influentes livros do autor, Assim falou Zaratustra, um livro para todos e para ninguém, escrito entre 1883 e 1885. A dança está frequentemente presente nos filmes e é omnipresente na vida de João Botelho, um dos mais singulares realizadores contemporâneos. […] 

Qual dançarino, entre o voo e a queda, em deriva, o autor de Conversa Acabada revisita obras suas e convoca obras de outros artistas, do passado ou seus contemporâneos (como é o caso da singular abordagem ao trabalho de João Queiroz, Francisco Tropa, Jorge Queiroz e Pedro Tropa, o filme Quatro, aqui mostrado em formato instalação e em diálogo com peças destes artistas), com um genuíno desejo das coisas, estabelecendo relações, mais ou menos evidentes, simultaneamente obscuras e luminosas. 

[Nuno Faria]