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quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Carmilla

Carmilla
Sheridan Le Fanu 

Tradução e apresentação de Diogo Ferreira

ISBN 978-989-568-042-9 | EAN 9789895680429

Edição: Setembro de 2022
Preço: 12,26 euros | PVP: 13 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas=
Número de páginas: 128


Trata-se de páginas de literatura gótica que se mostram com um sensual e vigoroso vampirismo, onde Sheridan Le Fanu saberá contar uma inusitada história que se passa entre duas mulheres…

 

Em 1872, um ano antes da sua morte, publica aquele que será o seu livro que melhor resistirá ao tempo, o mais célebre: In a Glass Darkly, um conjunto de novelas onde Carmilla está incluída, embora já tivesse surgido com forma de folhetim na revista The Dark Blue. Antes de mais, notem-se estas palavras que a respeito desse texto vampírico escreve Gaïd Girard: «Carmilla é um texto singular. Ao mesmo tempo típico, à maneira de Le Fanu, e único na sua produção. Enigmático e inesperado. De facto, pode ler-se com facilidade esta história como a narrativa dos amores sáficos de Carmilla, a morena voluptuosa, e de Laura, a loira assustada. A dimensão erótica da figura do vampiro, habitualmente oculta, é nela evidente. […] Colocar em cena um vampiro feminino a atacar uma jovem é instalar uma sobredeterminação erótica no texto; é acrescentar a proibição da homossexualidade feminina à transgressão carnal das fronteiras entre a morte, o amor e a vida, específicas do mito vampírico. Nenhum dos textos precedentes de Le Fanu leva a um semelhante ponto de incandescência a mistura do erótico e do monstruoso. Nas suas narrativas góticas, Le Fanu está mais do lado de Ann Radcliffe do que do lado de M.G. Lewis e do seu The Monk lúbrico. […] O que este texto tem de ardente é o excesso de uma indizível sexualidade com a sua origem na relação desvairada de um corpo de mulher noutro corpo de mulher. Não esquecer que Carmilla e Laura pertencem à mesma família do lado das suas mães, o que põe uma sombra incestuosa a pairar sobre os seus amores.»

Poderá dizer-se que isto é ponto assente nesta novela de Sheridan Le Fanu, onde a sensível qualidade literária que ele compõe com uma batuta na mão também tem algo a dizer. É evidente que as bem conscientes e trabalhadas marcas de estilo identificam um escritor, portanto é de notar que a prosa de Carmilla se faz ouvir como uma delicada melodia de sublime estilo, que se verifica constantemente preocupada com os pormenores que a constituem. Falar-se-ia de perfeição, mas não se ousa tal coisa. As suas palavras encontram-se numa condição de lascívia a sustentar uma completa harmonia que conduz a um enormíssimo prazer literário.

[Diogo Ferreira]

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Um Jardim na Margem do Orontes

Um Jardim na Margem do Orontes 
Maurice Barrès 

Tradução e apresentação de Diogo Ferreira 


ISBN 978-989-9006-71-3 | EAN 9789899006713 

Edição: Abril de 2021 
Preço: 12,26 euros | PVP: 13 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 128


René Gillouin: «Não lemos este livro, respiramo-lo como um perfume,
saboreamo-lo como se fossem frutos, escutamo-lo como uma sinfonia, 
seguimos no fundo de si próprio, na articulação da alma sensível 
e da imaginação, o desenrolar de uma sucessão de frescos 
voluptuosos e pungentes.»



Um Jardim na Margem do Orontes surgiu na Revue des Deux Mondes nas edições de 1 até 15 de Abril [1922], assumindo o formato de livro no mês seguinte. Este texto começou por querer-se uma novela que integraria um volume, mas viu-se com as dimensões de um romance. Repleto da energia e do ritmo de uma ópera (e Barrès dizia: «Vou contar umas das pequenas óperas que tenho no espírito.»), compõe o cenário de uma tragédia; e dele foi, de facto, retirada uma ópera pelas mãos de Alfred Bachelet. Mas essa estrutura que se constrói sobre uma tragédia é percorrida por uma linguagem enérgica que não se demora em tornar vivos os cheiros, as cintilações, as texturas de que o texto está cheio — são palavras de sábia escolha que chegam ao leitor à custa de uma pureza de estilo que confere ao romance uma qualidade de cápsula do tempo, onde os amores de um cristão e de uma rainha sarracena vão decorrendo com a consistência de uma lenda. […] 
Para servir de pano de fundo aos amores que se contam neste livro, Barrès decidiu colocar o narrador ao abrigo do ruído milenar das gigantescas nórias que hoje permanecem em Hamã apenas pelo seu valor histórico. Talvez seja esse o sábio ardil de Maurice Barrès, fazer acompanhar a sua história com o ruído dessas gigantescas rodas de madeira, ao mesmo tempo que invoca um Oriente secreto que o tempo tem conservado com toda a sua singularidade ficcional, criando simultaneamente um efeito hipnótico através da linguagem que utiliza. 
Ainda assim, este romance de fulgores orientais não agradou a certos leitores de Barrès; e aquele Guillaume, que por causa dos seus amores distorce o que são os bem firmados valores da igreja, não foi do agrado de muitos cristãos. […] Então Barrès surge aqui como um romancista mais livre de pejos, coisa que não agradaria a alguns e deu início àquilo que o padre Brémond, seu amigo, disse ser a «tola querela do Orontes.» 
[Diogo Ferreira]

segunda-feira, 3 de junho de 2019

As Portas do Paraíso I Jerzy Andrzejewski


As Portas do Paraíso
Jerzy Andrzejewski

Tradução e apresentação de Diogo Ferreira

ISBN 978-989-8833-40-2 | EAN 9789898833402
Edição: Maio de 2019
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 128



«o senhor Deus todo-poderoso revelou-me que face à cobarde cegueira dos reis, dos príncipes e dos cavaleiros convém que as crianças cristãs façam graça e caridade à cidade de Jerusalém que está nas mãos dos turcos infiéis, porque mais fortes do que todos os poderes na terra e no mar a fé confiante e a inocência das crianças são capazes de realizar as maiores maravilhas»


O valor que As Portas do Paraíso tem é um tanto caleidoscópico; existe nele uma diversidade de intenções, sentimentos mais ou menos intencionais, que fazem lembrar um esquema cromático. Além disto, a forma como a narrativa se move parece ter o mesmo sentido e ritmo da vida humana que, não sabendo amiúde para onde se dirige, continua.
Na sua génese, o livro seguiu o seu caminho. Andrzejewski, na revista Nova Cultura, escreveu isto: «Eu tinha imaginado, durante muito tempo, que poderia abraçar neste livro a história inteira da Cruzada das Crianças. A presente edição d’As Portas do Paraíso devia apenas constituir o primeiro capítulo do romance, capítulo intitulado “A Confissão”. Só quando redigi o terceiro capítulo é que, por sugestão de dois amigos particularmente favoráveis a esse livro, me dei conta que esse primeiro capítulo representava em todos os aspectos um todo acabado, completo.» E catorze anos mais tarde, no dia 1 de Abril, registou assim no seu diário: «(…) penei três anos para escrever este livro, é verdade, arranjando de diferentes formas os fios temáticos enredados. Três semanas bastaram-me para o preparar, assim que tive o todo sob os olhos. Escrito não somente numa só frase mas, por assim dizer, de um só fôlego.»
[Diogo Ferreira]