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quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Istmo


Istmo
Pedro S. Lobo

Textos de Teresa Siza e Joca Reiners Terron 
Conceito de Rosely Nakagawa e Pedro S. Lobo 
Design gráfico de Isabel Santana Terron 

 ISBN 978-989-568-052-8 | EAN 9789895680528

Edição: Outubro de 2022 
Preço: 37,74 euros | PVP: 40 euros
Formato: 17 × 24 cm (encadernado)
Número de páginas: 208 (a cores)


Teresa Siza: «É este o papel desta obra de Pedro Lobo, juntar os fragmentos labirínticos da vida do homem através do olhar de quem se habituou a procurar os sinais dos gestos, do espírito e da representação inevitavelmente subjetiva da multiplicidade e da desordem.»



E, porque se fala em olhar, o que conta verdadeiramente é a sua construção, o olhar vai-se fazendo, faz parte do fotógrafo. 
O experiencialismo, no estético, formulário e no sentido, molda e esclarece o olhar e a organização de projetos. É isto que aqui vemos, o que o fotógrafo foi fazendo e transmitindo, em forma abstrata ou de grafismos, olhando o mundo ao seu modo, (seja nos tecidos onde o módulo se repete, como em azulejaria, em seriados ou sequências, seja num enquadramento de camisas axadrezadas de homens incautos, confinados pelo enquadramento). Pedro Lobo já nos deu muitas belas imagens. Não o esquece neste conjunto, como também recolhe os momentos estéticos que uma Natureza não estética nos dá. Mas a maioria do que de humano aqui nos surge é indecifrável e enigmático, são vidas alheias que seguem no caminho e que acreditamos entender. Podem ser lembradas em caixilhos datados ou séries de fotografia doméstica, lembrando o movimento crítico contra a fotografia do último quartel do século XX; aqui são ainda testemunhos da memória, coisas subjetivas que alimentam os espaços e as decisões. Do mesmo modo as imagens do desleixo das arrumações, estantes e armários, cabides e outros instantes do olhar sentidamente social. Mas sempre, o olhar subjetivo sobre realidades e seus signos, dos trabalhos e dos dias, do muito que o homem foi fazendo, a catedral gótica, a boneca de plástico e o manequim, a roupa no cabide, a cúpula ou o avião, o caminho empedrado ou aquele bode domesticado, mas rebelde. 
[Teresa Siza] 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

«Not Yet», de Pedro S. Lobo, no «Le Monde»


«Ce sont des photographies tristes, des photographies de paysages déshumanisés, les forêts détruites par les incendies monstrueux des étés 2017 et 2018, les carrières abandonnées, vides de toute présence humaine. Seules traces du vivant, le cadavre déchiqueté d’un renard. Ce n’est en rien un travail documentaire, mais bien plutôt une méditation mélancolique. On se plonge dans la texture même des plantes, des branches brûlées, des pierres brisées, parfois si près de la matière qu’on ne sait plus la situer, l’identifier, juste une trace grise, verdâtre ou vermillon.

[…]

Comme je l’avais noté à propos des images perdues de Hadjithomas et Joreige, ce sont là des reliques, des traces de l’histoire, comme les restes du corps d’un saint quand, des siècles plus tard, on ouvre la tombe et on ne voit plus que des tissus et des os. Une forme de célébration face à l’apocalypse, comme l’écrit Rosely Nakagawa. Je ne connais pas assez l’oeuvre de Pedro Lobo pour relier cette série à ses travaux sur les bidonvilles et les prisons, mais j’en pressens l’harmonie souterraine. Ajoutons que le livre est remarquablement bien imprimé.»
 
«Lunettes Rouges», Le Monde, 24.2.2021
 
Texto completo em:

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Not Yet


Not Yet

Pedro S. Lobo

Textos de Christian Carvalho Cruz e Rosely Nakagawa
Tradução de Ricardo Sternberg
Design de Gabriel Zellmeister

ISBN 978-989-9006-47-8 | EAN 9789899006478

Edição: Outubro de 2020 
Preço: 30,19 euros | PVP: 32 euros 
Formato: 21 × 29 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 144 (a cores) 
Edição bilingue: português-inglês 

Pedro S. Lobo: «Eu não consigo não fazer essas fotos. Amanhã isso pode ter sumido. 
E a minha percepção é que tudo o que eu admiro desaparece.»

Pedro admira as ferrugens, os podres, os descascados. Dos objetos, dos lugares e das pessoas. Fotografa-os com a intensidade brutal e delicada de sua personalidade. Por isso estávamos ali. Durante três dias rodamos setecentos quilômetros pela região portuguesa onde ele tinha fotografado seu trabalho mais recente: os incêndios florestais de 2017 e 2018. Melhor dizendo, o rastro de destruição e tragédia deixado por eles. […] Nestes tempos em que a memória virou bugiganga chinesa comprada em loja de suvenir, a fotografia do Pedro é um grito inconveniente. Há anos o seu percurso artístico está assentado sobre ruínas, catástrofes, desmoronamentos e decrepitude. Começou nos anos 2000 com uma série de imagens em grande formato feita sem favelas. Passou por cadeias, prostíbulos, igrejas, pedreiras, o Alentejo, símbolo do Portugal arcaico que se vai perdendo, e agora o fogo. Tudo fotografado com reverência de arquiteto, mergulho de etnólogo e certa aflição de quem, na beira do precipício, encara a finitude. 
[Christian Carvalho Cruz] 

O Apocalipse não é uma violência de Deus como querem fazer crer os fundamentalistas. É, antes, a ascensão da violência humana a extremos, de acordo com as anotações do pensador francês René Girard, referindo-se ao último livro da Bíblia, O Livro de Apocalipse (O Livro da Revelação), também chamado de Apocalipse de João. É desse apocalipse de Girard que trata o fotógrafo Pedro Lobo. […] O trabalho do Pedro procura o entendimento dessa morte contemporânea, da perda e da violência. Simultaneamente representadas nas camadas sobrepostas de suas imagens, o que Pedro fotografa é o apocalipse quese dá como descoberta ou revelação ao registrar a vida nas paredes mortas. Ou quando olha para trás e encontra a luz na cor rasgada. Quando se vira e sente o frio do fogo nas cinzas. 
[Rosely Nakagawa] 

Pedro S. Lobo, fotógrafo carioca formado na School of the Museum of Fine Arts (Boston)e no International Center of Photography (Nova Iorque), reside e trabalha entre o Rio de Janeiro (Brasil)e Borba (Portugal). Dedica-se prioritariamente a projetos que combinam expressão pessoal e conteúdo social.