quarta-feira, 3 de junho de 2020

O Desligamento do Mundo e a Questão do Humano I André Barata


O Desligamento do Mundo e a Questão do Humano
André Barata

ISBN 978-989-9006-35-5 | EAN 9789899006355

Edição: Maio de 2020
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado)
Número de páginas: 176 (com imagens a p/b)




A sobrevivência deixou de ser meio para a vida  e passou a ser o fim mesmo da vida.  Isto não foi possível sem um desligamento da sobrevivência face ao mundo e que faz do mundo apenas um meio da sobrevivência. 



Este livro fala sobre o desligamento do mundo, de que somos causa e de que seremos efeito derradeiro se não pararmos para o questionar. O tempo desligou-se dos acontecimentos para os poder medir, impassível. A verdade desligou-se da realidade para poder ser usada sem embaraço. E as emoções migraram para o circo online desligado da vida concreta cada vez mais despovoada de sentir. 
Desligamo-nos do mundo como se fugíssemos da sua materialidade, e assim é o próprio mundo que se desliga, deslassando a sua substância. Dela extraímos formas que são meros «espectros» ou «recursos». Nós próprios também nos desligamos, tornados espectros ou recursos, correndo para a desmaterialização dos corpos e dos espíritos, sem nos apercebermos de que só somos humanamente, sendo parte do estofo do mundo. 


O artifício da sobrevivência | O processo de desligamento | O mundo, a Terra e a nossa desmaterialização | As máquinas e o seu futuro connosco | O provável primeiro desligamento: a desanimalização | Os limites do humano significam os limites das Humanidades | A matéria do religar | A vida temporal comum | Tempo, dominação e violência política | O colapso das metáforas ou o fim do humano | Frankensteins do tempo e o ciclo de Prometeu.

Descasco as Imagens e Entrego-as na Boca — Lições António Reis I José Bogalheiro e Manuel Guerra (ed.)


Descasco as Imagens e Entrego-as na Boca
– Lições António Reis
José Bogalheiro, Maria Filomena Molder, Nuno Júdice, Manuel Guerra, Fátima Ribeiro, Maria Patrão

Edição de José Bogalheiro e Manuel Guerra 

ISBN 978-989-9006-05-8 | EAN 9789899006058

Edição: Maio de 2020
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 208 (com imagens a p/b)




… Eu já sou uma Continuação dos Outros
— como Outros serão uma Continuação de mim…
[António Reis]



Durante grande parte da sua vida, o cineasta e poeta António Reis (1927-1991) foi professor na «Escola de Cinema». Em Outubro de 2018, o Departamento de Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema organizou a homenagem «Lições António Reis». Esta edição, revista e aumentada relativamente aos textos apresentados nessa ocasião, é composta de três partes distintas, mas interligadas: «Lições António Reis», «Homenagem», «Continuação». Certos de que na procura do ouro não há motivo para largar a picareta, fomos buscar a versos seus – «Descasco as imagens / e entrego-as na boca» – o título deste livro.



Descasco as imagens
e entrego-as na boca

como quem sabe
o corpo
mais importante
que a roupa

[António Reis, Poemas Quotidianos]




Nota introdutória

Causas que seguem os efeitos ou ameixas doiradas com orvalho
— Sobre Jaime de António Reis

NUNO JÚDICE
Uma poesia próxima da vida

Da atenção ardente

Uma torrente chamada vida

António Reis, nosso mestre

Meia-luz

Escrita em Movimento — Apontamentos críticos sobre filmes I Sérgio Dias Branco



Escrita em Movimento — Apontamentos críticos sobre filmes
Sérgio Dias Branco


ISBN 978-989-9006-32-4 | EAN 9789899006324

Edição: Maio de 2020
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 176




O firme e ousado exercício da liberdade, na crítica como na vida, não pode ser desligado das convicções sobre a arte cinematográfica, o seu valor humanista, o seu entrecruzamento estético e ético, e a sua imaginação de novas percepções.


Aqui se juntam, essencialmente, artigos publicados em revistas, jornais, e num sítio electrónico. Apesar das diferenças entre estas publicações e das diferentes relações que estabeleci com elas desde o início, houve um aspecto que permaneceu igual na minha escrita para cada uma delas: pude escrever livremente, sem imposições, sem sequer pedidos, em todos os casos. Mas o firme e ousado exercício da liberdade, na crítica como na vida, não pode ser desligado das convicções sobre a arte cinematográfica, o seu valor humanista, o seu entrecruzamento estético e ético, e a sua imaginação de novas percepções. O resto das análises críticas aqui contidas seguem essa linha e têm origem em comentários que preparei para a apresentação ou discussão pública de filmes ou que escrevi quando o tempo e a vontade se conjugaram. Têm diversos tamanhos, mas podem ser todas classificadas como curtas, não ultrapassando as quatro páginas. Contas feitas por alto, esta colectânea condensa 20 anos de apontamentos críticos sobre filmes. Com a expressão apontamentos críticos pretendo sinalizar que sempre os considerei como mesclas de notas críticas sobre algumas obras de cinema às quais procurei dar alguma coerência, mas que podem ser refeitas, complementadas, desenvolvidas. Nalguns casos, foram. Têm uma marca de abertura em vez de fechamento, desta forma reflectindo o carácter inacabado das conversas em torno dos filmes. Neste sentido, esta escrita em movimento responde ao movimento próprio do cinema.


Sérgio Dias Branco é Professor Auxiliar Convidado de Estudos Fílmicos na Universidade de Coimbra, onde coordena os Estudos Fílmicos e da Imagem e dirige o Mestrado em Estudos Artísticos. Integra o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra e o grupo de análise fílmica da Universidade de Oxford, «The Magnifying Class». Leccionou na Universidade Nova de Lisboa e na Universidade de Kent, onde lhe foi atribuído o grau de doutor em Estudos Fílmicos. Publicou na Documenta, em 2016, Por Dentro das Imagens — Obras de Cinema. Ideias do Cinema.

Espelhos do Film Noir I Jeffrey Childs (ed.)


Espelhos do Film Noir
Fernando Guerreiro, Guillaume Bourgois, Jeffrey Childs, José Bértolo, José Duarte, Luís Mendonça, Ricardo Vieira Lisboa, Sérgio Dias Branco

Edição de Jeffrey Childs

ISBN 978-989-9006-15-7 | EAN 9789899006157 

Edição: Dezembro de 2019 
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros 
Formato: 16 x 22 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 160 (com imagens a p/b)



O film noir, mais do que qualquer outro género ou modo cinematográfico, reinventa o questionamento ontológico da superfície e da cultura da (produção da) imagem.


Todos os ensaios reunidos neste livro procuram, cada um à sua maneira e em diálogo com os objectos fílmicos considerados mais relevantes para o efeito, abordar o film noir não apenas como um modo possível de filmar o mundo, mascomo uma tentativa de compreender a natureza visível do mundo, uma visibilidade à qual os (relativamente) novos meios cinematográficos conseguiram acrescentar movimento. A preocupação com a visibilidade do mundo (e o que este revela e esconde) não é uma invenção do film noir, como alguns dos ensaios neste volume fazem questão de referir, mas o film noir, mais do que qualquer outro género ou modo cinematográfico, reinventa o questionamento ontológico da superfície e da cultura da (produção da) imagem. Esta vocação cinematográfica explica o destaque dado por este volume à figura do espelho, mas esta figura rapidamente se expande para incluir outros objectos que, no texto fílmico, se comportam como espelhos — sombras, janelas, quadros, ecrãs, câmaras, olhos –, assim como padrões ou efeitos figurais associados com espelhos —duplos, repetições, ângulos, inversões, amputações.


Autofilmografias: filmar a escrita e escrever o filme em Ray, Lang e Negulesco

Blonde is the ultimate noir: The Lady from Shanghai (A Dama de Xangai, Orson Welles, 1947)

Angel Face: lições de mise en scène

Anamorfose no film noir

Marienbad como photo-roman noir

«Não é o reflexo da realidade, é a realidade do reflexo»: alguns protagonistas do cinema de Irving Lerner olham-se ao espelho

Mulheres especulares: género e desdobramento no neo-noir de Brian De Palma

«It’s like there was never anything here but jungle»: o mundo (neo) noir de True Detective

À Sombra do Invisível — Fragmentos de um crer sapiencial I João Paulo Costa


À Sombra do Invisível — Fragmentos de um crer sapiencial

João Paulo Costa

ISBN 978-989-9006-16-4 | EAN 9789899006164

Edição: Junho de 2020
Preço: 17,92 euros | PVP: 19 euros
Formato: 14,5  x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 288




Pensamos a Escritura em diálogo com o nosso tempo e com as múltiplas gramáticas existenciais para dizer o humano comum e a sua possível relação com o Transcendente.


A sombra dá à luz a forma capilar das coisas, a sua epifania ou desvelação, pela qual algo se nos manifesta e aparece no modo e no tempo próprios, «em carne e osso». É o invisível como dobragem do visível que nos faz ver mais do que aquilo que vemos num primeiro golpe de vista, que intui na inspecção do olhar o toque tímbrico da verdade que se manifesta e como se mostra à nossa fé perceptivo-afectiva. Ao longo deste percurso heurístico à sombra do Invisível, evocaremos mais do que demonstraremos, não por simples efeito de estilo literário, mas porque é esse o nosso próprio modo de ser. Pensamos a Escritura em diálogo com o nosso tempo e com as múltiplas gramáticas existenciais para dizer o humano comum e a sua possível relação com o Transcendente. Como humanos que somos, buscamos sempre a experiência inaudita do mistério que nos habita poeticamente. Este ensaio encaminha-se, ainda que só por ora tenuemente, para uma hermenêutica sapiencial e apofática da realidade, que abarca muitas das gramáticas artísticas e pensantes do nosso tempo. Que imagem melhor do que a da sombra para nos adentrar nesse mistério da invisibilidade, na presença da Ausência? A sombra guarda em si a presença inconsútil do mistério, a presença de uma ausência e a ausência de uma presença. O desejo é o motor de toda a procura espiritual ou intelectual, pois, como escrevia o filósofo Paul Ricoeur, «é o desejo do desejo que se apodera do conhecer, do querer, do fazer e do ser».


João Paulo Brito da Costa nasceu em 1985. Presbítero da Arquidiocese de Braga, frequentou a Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma) e é doutorando de Filosofia na Universidade de Coimbra e no Instituto Católico de Paris. É membro activo da recente International Network for Philosophy of Religion, fundada por Emmanuel Falque, Richard Kearney, Stefano Bancalari e Kevin Hart. Publicou o livro Indícios — À escuta dos traços de Deus (editora UCP, 2016).

Matchundadi: Género, Performance e Violência Política na Guiné-Bissau I Joacine Katar Moreira



Matchundadi: Género, Performance e Violência Política na Guiné-Bissau
Joacine Katar Moreira

Prefácio de Pedro Vasconcelos
Design de Horácio Frutuoso

ISBN 978-989-9006-31-7 | EAN 9789899006317

Edição: Abril de 2020
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 17 x  24 cm (brochado)
Número de páginas: 216


Com o Teatro Praga (colecção «Sequência»)




«A cultura di matchundadi tem sido o motor da vida política guineense e sem a exacerbação e a institucionalização desta forma de masculinidade hegemónica, o sumo que tem regado a política guineense desapareceria. Entre tramas, traições, mortes, destituições, eleições, nomeações, transições políticas e golpes de Estado.» 
[Joacine Katar Moreira]


Indispensável. Numa palavra seria esta a qualificação do livro de Joacine Katar Moreira que aqui se apresenta. E indispensável por múltiplas razões: porque permitirá à leitora e ao leitor aprender tanto como aprendi eu sobre a história contemporânea da Guiné-Bissau; porque desenvolve uma análise fina e sofisticada de como essa história foi e é, também, organizada por um dos processos primordiais de todas as sociedades humanas — o género; porque aponta claramente um dos elementos centrais, até aqui oculto de toda e qualquer análise sobre a realidade guineense, geradores da instabilidade e violência dos processos sociopolíticos da Guiné-Bissau — as formas de (hiper)masculinidade hegemónica que monopolizam a competição pelo poder estatal.
[Pedro Vasconcelos]


A cultura di matchundadi, hipermasculina, move-se dentro das estruturas do Estado, procurando fazer da matchundadi endémica uma matchundadi sistémica. Ou seja, procura institucionalizar um modus operandi e uma visão do mundo na qual impera a lei do mais forte, do mais poderoso e sobretudo do mais violento, ao mesmo tempo que esta hipermasculinidade traduz as características associadas aos homens e às masculinidades, tais como a redistribuição dos recursos, a protecção (e enriquecimento) do seu clã e a ameaça permanente aos adversários políticos. Assim, a cultura di matchundadi é altamente performativa mas com consequências que colidem com o ambiente democrático e a paz social, pois vive do mimetismo político e assenta no confronto constante, na demonstração de força de uns sobre outros.
[Joacine Katar Moreira]



Joacine Katar Moreira é deputada portuguesa, feminista negra interseccional e activista anti-racista. 
Nasceu na Guiné-Bissau em 1982, no seio de uma família guineense e cabo-verdiana, tendo imigrado para Portugal com 8 anos de idade. 
É licenciada em História Moderna e Contemporânea, mestre em Estudos do Desenvolvimento e doutorada em Estudos Africanos pelo ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa. As suas áreas de estudo e de intervenção são os Estudos do Desenvolvimento, Estudos de Género, violência, política e movimentos sociais. 
Mentora e fundadora do INMUNE — Instituto da Mulher Negra em Portugal, criado em 2018 para lutar contra a invisibilização e o silenciamento da mulher negra na sociedade portuguesa, tem participado activamente no debate público sobre o Colonialismo e a Escravatura em Portugal, fazendo parte de diversos grupos de trabalho e de reflexão nacionais e internacionais.

segunda-feira, 1 de junho de 2020