Mostrar mensagens com a etiqueta Maria Filomena Molder. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Maria Filomena Molder. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 13 de julho de 2023

De Natura

De Natura
Cristina Ataíde

Textos de Doris von Drathen, Maria Filomena Molder e Rui Chafes
Design gráfico de Beatriz Horta Correia

ISBN 978-989-568-102-0 | EAN 9789895681020

Edição: Junho de 2023
Preço: 20,75 euros | PVP: 22 euros
Formato: 17 × 24 cm (brochado)
Número de páginas: 176 (a cores)

Com o apoio da DGArtes e da Fundação Carmona e Costa

Edição bilingue: português-inglês


Doris von Drathen: «Ataíde conhece várias formas de jogar com a sua arte e a natureza: por um lado, encontra na natureza pedras, paus, torrões de argila onde reconhece esculturas a que dá visibilidade; por outro, pode pintar com o Riotinto, depois de lhe misturar pigmentos na sua corrente.»

 



Imaginei um encontro entre Bill Viola e Cristina Ataíde (inesperado será só para aqueles que não sabem esperar).

Primeira cena. Ele falaria daquilo que tem aprendido com os seus vídeos. «E o que é?» pergunta ela. Responde ele, «Que ultrapassa aquilo que é suficiente para continuar a fazê-los.» «E, então?» insiste ela. «É que o vídeo é só um instrumento...» Ela interrompe: «Para ver qualquer coisa sobre a vida e sobre ti próprio?» «É isso.»

Segunda cena. É ainda ele que começa: «Imagina o que descobri nas minhas leituras sobre o funcionamento do cérebro.» «Sim, é apaixonante e surpreendente», concorda ela, adiantando-se-lhe já. «É que,» continua ele, «todos os neurónios estão desligados uns dos outros, começando e terminando com um pequeníssimo quiasma de espaço vazio.» E ela comenta: «Qualquer coisa de imprevisível, não é? O nosso cérebro a ajudar-nos a abrir finíssimas brechas entre as nossas convicções, que se costumam agarrar umas às outras, formando uma pasta agreste.» «Sim», concorda ele, acrescentando: «Todos os nossos pensamentos têm no seu cerne esta pequena estampagem de nada.» Ela promete entusiasmada: «Vou já oferecer-te o meu óculo.»

[Maria Filomena Molder]

 

Querida Cristina

Os meses passaram, o sol brilhou e a chuva deixou-nos em silêncio, as viagens sucederam-se, também os trabalhos e as alegrias e as dores e as imagens que se evaporam no ar, à nossa frente… em todo este tempo o maravilhoso livrinho que me ofereceste não parou de me observar, de me esperar, de me acompanhar (sempre dentro de mim). O teu gesto, tão bonito e tão cheio de significado, deixou-me sem palavras, surpreso por existirem pessoas como tu que, neste mundo já tão pouco rigoroso, seguem o rigor cristalino do seu coração, assim, sem medo nem inquietação. Encontramo-nos poucas vezes mas tenho sempre a impressão de que nos acompanhamos há anos, na distância. Essa beleza não a quero perder! […]

Tens razão, tudo são trocas, entre nós, os homens que pensamos com a alma.

[Rui Chafes]

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Floresta


Floresta
Ana Izabel Miranda Rodrigues


Texto de Maria Filomena Molder
Fotografia de António Jorge Silva
Tradução de José Gabriel Flores

ISBN 978-989-568-070-2 | EAN 9789895680702

Edição: Novembro de 2022
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 17 × 22 cm (brochado)
Número de páginas: 96

Com a Giefarte

Edição bilingue: português-inglês


Maria Filomena Molder: «A floresta é um lugar onde se vai saindo para fora da vida em comum, onde se entra para conhecer os perigos de se perder. […] Não se avistando ninguém nestas florestas, sente-se que anda por lá alguém, isto é, as florestas são domicílios da mais secreta expectativa […].»


 
Este livro foi publicado por ocasião da exposição Floresta, de Ana Izabel Miranda Rodrigues, realizada na Giefarte, em Lisboa, de 19 de Novembro de 2022 a 14 de Janeiro de 2023.


 
Aprendi com Kleist que não há mal absoluto (o que não afecta o conceito de mal radical nem a sua versão arendtiana de «banalidade do mal»), quase equivalente a «Deus escreve direito por linhas tortas» ou a uma concepção cósmica do mal. Bem, cósmico é capaz de ser exagerado, talvez seja suficiente subir ao pico de um monte (e não é preciso que seja nos Himalaias). Vemos então que os atrasos e os adiamentos da exposição da Ana Izabel (desde 2019), que pareciam tão irritantes e desmoralizadores, acabaram por se mostrar favoráveis, propícios. A artista mudou tudo, a primeira leva de desenhos de jardins a tinta-da-china (caneta) sobre papel foi despachada para lugar protegido e, em vez deles, apareceram vinte desenhos em papel de arroz pincelado a tinta-da-china diluída em água e três dezenas de pequenas esculturas, moldadas em terra, que espontaneamente foram baptizadas como Orelhas. E são. Agora fazem parte de um conjunto chamado Nuit. Os desenhos chamam-se Floresta.
[…]
Não será por acaso que Ana Izabel Miranda Rodrigues começou por preparar a exposição para a Giefarte com uma série de desenhos de jardins, e depois os substituiu pela série das florestas. Continuamos no reino elementar (as plantas alimentam-se directamente de luz e de ar, a água e a terra penetram nelas através dos seus órgãos), em que o desejo sossega e as angústias do tempo tendem a apaziguar-se, isto é, o encontro consigo mesma aprofunda-se. Aí o ouvido nocturno põe-se alerta e dispõe-se a escutar.
[Maria Filomena Molder]

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Sobre «Palavras Aladas», por José Tolentino Mendonça


O QUE TORNA MUITAS VEZES INESQUECÍVEL O VERÃO É A FORMA COMO ASSOCIA CONVERSAS E CAMINHOS
 
Nesta estação sabe bem uma conversa com vagar, sem propósito imediato e que se alongue como uma viagem por dentro do tempo. São assim as conversas que os atalhos do verão permitem ou as que, por exemplo através da leitura, podemos escutar a outros. Li recentemente a esplêndida conversa que Maria Filomena Molder manteve com Cristina Robalo e que a Editora Documenta publicou com o título “Palavras Aladas”. A expressão “palavras aladas” é uma daquelas fórmulas a que Homero recorre com frequência na sua poesia, quase sempre para introduzir o discurso direto, típico das conversas. E palavras aladas porquê? Porque numa conversa as palavras têm asas, saem da boca e voam com a fantasia dos pássaros, com a veemência veloz das flechas, expandem-se e fluem no aberto como auriflamas ou pairam mesmo se pobremente, intercalam-se, interrogam-se, esclarecem-se, revelam no enxame do som novas possibilidades. Como diz Filomena Molder, são aladas porque “vão pelo ar até aquele que está ao pé de mim” e porque são mais preciosas do que a subestima que frequentemente lhes dedicámos. É belo o modo perentório que a filósofa assume: “Nunca serei das pessoas que acham que as palavras valem menos do que quer que seja. Não, não!
 
Nunca serei dessas pessoas.” Uma conversa é também uma oportunidade para reborar ou redescobrir o valor das palavras, sem o qual a vida é menos. Precisamos, porventura até mais do que estamos dispostos a reconhecer, de acostar as nossas palavras às dos outros, de dar tempo à hospitalidade mútua que é a audição, de enraizar essa forma de companhia.
 
Recordo especialmente as palavras que Maria Filomena Molder dedica à sua arte, a filosofia (“a filosofia implica um comércio profundo com a vida... é um esforço de ver mais claro... é um gesto contemplativo...”), evocando mestres importantes no seu percurso, como Giorgio Colli ou Fernando Gil. Aquelas com que descreve as imagens construídas por algum motivo na infância e que depois nos habitam a vida inteira (“As imagens da infância jorram, são inevitáveis, são o nosso alimento... Provavelmente, das mais profundas não temos notícia, alimentam a nossa vida e nós ainda não chegámos a elas”). Ou as que utiliza para explicar o grande, escondido e inescusável confronto que mantemos com a morte (“Olhe, Cristina, acho que não há nada criativo, em nenhum povo, que não seja uma forma de enfrentar a morte, de lutar contra ela, de a banir”). Mas as palavras que me fizeram, terminada a leitura da sua conversa, entabular outras ainda são as que lhe servem para falar dos pés. Os gregos antigos sabiam que a mesma condição alada podia unir palavras e pés (pense-se na figura de Hermes). E o que torna muitas vezes inesquecível o verão é a forma como associa conversas e caminhos.
 
Molder cita o que leu no livro de Osip Mandelstam “Conversas sobre Dante”. Para Mandelstam, em Dante Alighieri poesia e filosofia estão sempre a caminho, palmilham tudo a pé.
 
PRECISAMOS, PORVENTURA ATÉ MAIS DO QUE ESTAMOS DISPOSTOS A RECONHECER, DE ACOSTAR AS NOSSAS PALAVRAS ÀS DOS OUTROS, DE DAR TEMPO À HOSPITALIDADE MÚTUA QUE É A AUDIÇÃO, DE ENRAIZAR ESSA FORMA DE COMPANHIA 
 
Por isso, “o Inferno e ainda mais o Purgatório celebram a caminhada humana, a medida e o ritmo dos passos, o pé e a sua forma”. Uma das obras mais curiosas publicadas no âmbito do VII centenário da morte de Dante (celebrado em 2021) é a assinada por Giulio Ferroni, mais de mil páginas para nomear os lugares e as errâncias que compõem a geografia da “Divina Comédia”. Não admira que Filomena Molder parta daqui para defender que “o pé é uma medida da vida” e que “nesse aspeto vivemos numa época de perda imensa, nós que já não sabemos quase nada dos nossos pés”. Em cada verão, porém, estamos como que a tempo de remediar esta perda.


 [José Tolentino Mendonça]

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Palavras Aladas – Maria Filomena Molder conversa em torno do desenho com Cristina Robalo

Palavras Aladas – Maria Filomena Molder conversa em torno do desenho com Cristina Robalo
Maria Filomena Molder, Cristina Robalo


ISBN 978-989-568-016-0 | EAN 9789895680160 

Edição: Junho de 2022 
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros 
Formato: 14,50 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 184 (a cores) 

Com o apoio da Fundação Carmona e Costa e da DGArtes


Cristina Robalo: «Conversas em torno do desenho» nasceu do desejo de compreender, nas mais variadas traduções e desmultiplicações, o Desenho. Ao dar voz a artistas e teóricos/pensadores — seguindo e traçando o caminho realizado por cada convidado a participar —, este projecto tem como objectivo criar uma colecção que revele não a representação do desenho como obra, projecto ou estudo, mas o Desenho da obra e de si. 



De onde vêm as imagens? 
Vêm dos nossos olhos, dos nossos ouvidos, da nossa boca, das nossas mãos, do nosso nariz, dos sentidos em acção, não os sentidos descritos anatomicamente, vêm dos aromas, o tal vento de Eduardo Chillida, o espaço e o tempo: «Não é o vento um espaço de tempo e aromas?». 

Quais são as imagens do cheiro? 
O cheiro é um sistema de convocatórias. Nós não temos imagens diferidas, representáveis, do cheiro. Isso é muito importante! Como é que nós transmitimos o aroma do vento? Sentindo o vento e aquilo que o vento arrasta. E o tempo tem a ver com isso. Portanto, quando se fala do aroma do vento, para quem quer compreender a imagem, tem de evocar e, no melhor dos casos, voltar a sentir essa experiência. Por outro lado, o aroma vem das mãos, de todos os ofícios, da relação amorosa e da guerra, mas a caça não é um ofício! 

O que é a caça? 
Como diz Benjamin, a caça é uma imagem da vida (a primeira, em rigor), com particular potência para a compreensão da relação entre vestígio e aura. Ouça-se a maravilhosa cantata de Béla Bartók (Cantata Profana. Os Veados Mágicos, obra para orquestra, duplo coro misto, tenor e barítono, de 1930). Em Semear na Neve (Relógio D’Água, 1999), no capítulo «Aura e vestígio», faço uma análise dessa Cantata e estabeleço um vínculo com os conceitos benjaminianos. É uma história sobre nove irmãos a quem o pai não tinha ensinado nenhum ofício. Eles só sabiam caçar e um dia sofrem uma metamorfose irreversível, transformando-se em nove veados mágicos. Mais tarde, quando os homens começam a trabalhar a terra e a tecer ou a moldar um vaso, a vida passa a ser vista através desses actos oficinais.

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Arenario

Arenario 
Francisco Tropa 

Textos de François Piron, Maria Filomena Molder e Nuno Crespo 

ISBN 978-989-9006-73-7 | EAN 9789899006737 

Edição: Março de 2021 
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros 
Formato: 16,5 × 24 cm (encadernado) 
Número de páginas: 216 (a cores) 

Com a Universidade Católica, Escola das Artes, CITAR 

Edição trilingue: português, inglês, francês

«A obra de arte cria uma imagem intemporal formada através dos sentidos, da inteligência e da memória do observador e, por mais estranho que pareça, este processo nada tem que ver com os instrumentos da comunicação.» 
[Francisco Tropa] 



Por mais que tentemos, o trabalho de Francisco Tropa (n. Lisboa, 1968) não se deixa apresentar através da sua condução a um conjunto determinado de gestos, objectos ou conceitos. A sua natureza é ser um campo amplo onde se conjugam diferentes experiências humanas. Uma arena, um «arenario» como lhe chama o artista, um espaço aberto onde se dá um corpo-a-corpo (real e virtual) entre o humano e a arte e que é palco do mistério — cujo drama se desenvolve pelo menos desde Lascaux — que se constitui de cada vez que um de nós enfrenta uma obra de arte e é por ela enfrentado. 
A exposição que esteve na origem deste livro propôs, a partir de uma única obra, explorar o trabalho deste artista segundo a ideia das imagens, da sua fabricação e da sua existência enquanto lugares reais. A obra pertence à família das lanternas de Tropa e nessa família são convocadas ideias axiais para o mundo contemporâneo. Um mundo tomado pelas imagens digitais que transportam no seu interior, e como sua condição, dispositivos de controlo, de subjugação e de poder. 
As imagens quase primitivas que Tropa faz acontecer — e as suas imagens são sempre uma espécie de acontecimento — reenviam insistentemente ao corpo humano e inscrevem-se no seu plano material de finitude. Plano este do qual as imagens virtuais, puramente espectrais e desencarnadas, parecem estar arredadas. 
[Nuno Crespo] 

Assinalem-se três aspectos eminentes da obra de Francisco Tropa e que se revêem nestas passagens benjaminianas. 
Primeiro: é seu propósito manifesto e latente apagar os vestígios de qualquer autoria e dificultar qualquer felicidade interpretativa imediata (embora não a possa impedir, claro). 
Segundo: também ele procura «um aparecer purificado da beleza, livre de qualquer sedução», também ele o sabe sujeito à dissolução sem fim. O lusco-fusco, a hora entre cão e lobo, a luz do ocaso reinam nesse teatro abandonado do mundo, Scenario ou outro título, com as «suas ruínas decifradas», sem intérprete. 
Terceiro: a arte é uma interrupção da dissolução sem fim, uma forma insubmissa de delírio, capaz de imortalizar a ruína. 
[Maria Filomena Molder]

José Barrias: Escrever com a Luz – Notas para a Biografia de Uma Sombra

José Barrias: Escrever com a Luz – Notas para a Biografia de Uma Sombra 
José Barrias 

Organização de Paula Pinto. 
Textos de António Guerreiro, Elisabetta Longari, João Pinharanda, José Luís Porfírio, 
Maria Filomena Molder, Paula Pinto e Vítor Silva. 
Design gráfico de Ricardo Assis 

ISBN 978-989-9006-39-3 | EAN 9789899006393 

Edição: Agosto de 2021 
Preço: 23,58 euros | PVP: 25 euros 
Formato: 17 × 22 cm (brochado) 
Número de páginas: 180 (a cores) 
Apoio: Fundação Ilídio Pinho, Fundação Carmona e Costa e Fundação EDP 

Edição bilingue: português-italiano

A sombra de José Barrias é errante e não encerra em si um significado preciso e fechado. É a capacidade de mutação transitiva desta imagem que entendemos assinalar nesta exposição, configurada como viagem de um artista que se autodefine como um «habitante dos intervalos». 



A exposição [«José Barrias. Escrever com a Luz: Notas para a Biografia de uma Sombra», realizada no CAAA – Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura (Guimarães) entre 1 de Novembro e 28 de Dezembro de 2019, com curadoria de Paula Parente Pinto e o contributo de Vítor Silva] observa as viagens e metamorfoses de uma imagem fotográfica de pequeno formato — O Princípio da Sombra — captada por José Barrias na Alemanha, em 1970. Como uma razão em trânsito que passa através da obra do artista, esta projecção de um corpo em movimento reaparece noutros suportes e formatos. Manifesta-se numa pluralidade de existências: em documentos, em vestígios ou em trabalhos acabados; uma mesma referência visual tomando novas condições materiais. O entendimento sobre a arte e o método de trabalho de José Barrias espelham-se nesta mutação cumulativa das sombras, que acaba por assumir os contornos de um percurso biográfico. 
É este o enredo de «Notas para a Biografia de uma Sombra»: uma exposição que, a partir de uma imagem fotográfica única e irrepetível — o auto-retrato de José Barrias enquanto sombra — reflecte um processo de migração em aberto através da reprodução. Em paralelo com a forma como o autor reapresenta outras figuras-referências no seu trabalho artístico, a sombra literalmente incorpora uma relação dialéctica entre presença e ausência que define a itinerância do percurso biográfico de José Barrias. 
[…] 
Contrariamente às silhuetas, aos retratos em perfil evocados por Plínio o Velho como a origem da representação artística ocidental, esta sombra não invoca os traços fisionómicos característicos de José Barrias nem é o contorno de um perfil. Barrias possui na sua obra uma dessas silhouettes, executada durante uma viagem familiar a Paris, mas O Princípio da Sombra é seguramente uma figura mais determinada pela reflexão do que pelo recorte físico. A relação frontal da sombra é consigo próprio, com o seu espaço e tempo, mas ganha novas razões de ser na comunidade de imagens que a acompanha. 
[Paula Pinto]

terça-feira, 20 de julho de 2021

Gaëtan


Gaëtan 
Gaëtan 


Textos de Alberto Caetano, João Lima Pinharanda, João Miguel Fernandes Jorge, 
Jorge Molder, Manuel Castro Caldas, Maria Filomena Molder e Rui Sanches 
Design de Vera Velez 
Traduções de José Gabriel Flores e Rui Cascais Parada 

ISBN 978-989-9006-91-1 | EAN 9789899006911 

Edição: Junho de 2021 
Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros
Formato: 20 × 28 cm (brochado) 
Número de páginas: 248 (a cores) 

Com a Fundação Carmona e Costa 

Edição bilingue: português-inglês

Verdadeiro flâneur e um espírito livre, Gaëtan teve uma presença simultaneamente discreta e marcante no meio artístico português. Envolvido em variadas actividades,
nunca encarou a sua produção artística com dedicação exclusiva e muito menos como uma carreira. 
[Alberto Caetano e Rui Sanches] 



A Fundação Carmona e Costa tinha programado uma exposição do Gaëtan. Para concretizar esse plano, ele propôs-me que fizesse a curadoria. Surpreendido pelo convite, acabei por aceitar, na condição de que trabalhássemos o projecto em conjunto. Ao começarmos a fazer o levantamento das obras, rapidamente percebemos que o espaço da Galeria da FCC iria ser pequeno. Desde 1996 que não era dedicada uma grande exposição à obra de Gaëtan, e pareceu-me que seria essa a ocasião para voltar a mostrar uma selecção representativa do trabalho dele. Nesse sentido, propusemos à Fundação a mudança da exposição para o salão da SNBA, que poderia acolher um número muito maior de obras, sugestão que foi imediatamente aceite. Pouco tempo depois, tivemos o choque da morte do nosso amigo.

Pareceu-nos, à FCC e a mim, que, apesar das circunstâncias, era importante manter o projecto. Por minha sugestão, foi incluído na equipa de curadoria o Alberto Caetano, amigo de longa data do Gaëtan e, seguramente, uma das pessoas que melhor conhecem a sua obra. Decidimos os dois que iríamos tentar fazer a exposição como o Gaëtan a teria feito. 
[Rui Sanches]

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

«António Reis: The Life of Forms and a Form of Life», por Alexandra João Martins

 

Alexandra João Martins escreve sobre o livro Descasco as Imagens e Entrego-as na Boca — Lições António Reis. Edição de José Bogalheiro e Manuel Guerra — Textos de José Bogalheiro, Maria Filomena Molder, Nuno Júdice, Manuel Guerra, Fátima Ribeiro, Maria Patrão. 

Martins, Alexandra João. 2020. “António Reis: The Life of Forms and a Form of Life”. Journal of Science and Technology of the Arts 12 (3), 130-36. https://doi.org/10.34632/jsta.2020.9561.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

João Lopes recomenda…



Crítico João Lopes recomenda
Descasco as Imagens e Entrego-as na Boca — Lições António Reis. 
Nas suas palavras [clicar na imagem e ver e ouvir a partir dos 2 minutos e 47 segundos],
«um pequeno grande acontecimento relacionado com o cinema português».

[ mais informação sobre este livro ]

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Descasco as Imagens e Entrego-as na Boca — Lições António Reis I José Bogalheiro e Manuel Guerra (ed.)


Descasco as Imagens e Entrego-as na Boca
– Lições António Reis
José Bogalheiro, Maria Filomena Molder, Nuno Júdice, Manuel Guerra, Fátima Ribeiro, Maria Patrão

Edição de José Bogalheiro e Manuel Guerra 

ISBN 978-989-9006-05-8 | EAN 9789899006058

Edição: Maio de 2020
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 208 (com imagens a p/b)




… Eu já sou uma Continuação dos Outros
— como Outros serão uma Continuação de mim…
[António Reis]



Durante grande parte da sua vida, o cineasta e poeta António Reis (1927-1991) foi professor na «Escola de Cinema». Em Outubro de 2018, o Departamento de Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema organizou a homenagem «Lições António Reis». Esta edição, revista e aumentada relativamente aos textos apresentados nessa ocasião, é composta de três partes distintas, mas interligadas: «Lições António Reis», «Homenagem», «Continuação». Certos de que na procura do ouro não há motivo para largar a picareta, fomos buscar a versos seus – «Descasco as imagens / e entrego-as na boca» – o título deste livro.



Descasco as imagens
e entrego-as na boca

como quem sabe
o corpo
mais importante
que a roupa

[António Reis, Poemas Quotidianos]




Nota introdutória

Causas que seguem os efeitos ou ameixas doiradas com orvalho
— Sobre Jaime de António Reis

NUNO JÚDICE
Uma poesia próxima da vida

Da atenção ardente

Uma torrente chamada vida

António Reis, nosso mestre

Meia-luz

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Feira do Livro de Lisboa I 30 de Maio de 2019


Livro do Dia 40 / 24


«O que é que viu Amadeo na Légende? Viu a vertigem da caça, das aves de rapina, 
do cavalo e do cavaleiro, da floresta, dos lobos e dos castores, 
do animal em nós, a atracção pela viagem […]»
[Maria Filomena Molder]

Promoção 15 / 9 


«Se o ser humano fosse essencialmente uma Maçã, como era para Cézanne, caminharíamos em direcção a um novo mundo de homens: um mundo com muito pouco para dizer, com homens que conseguiriam, apenas com o seu lado físico e uma verdadeira ausência de moral, manter-se tranquilos. Era o que Cézanne queria deles: "Sejam uma maçã!"»
[D.H. Lawrence]




Pavilhão D16
Parque Eduardo VII, 29 de Maio a 16 de Junho de 2019

Durante o período da Feira do Livro,
faremos os mesmos descontos (livros Sistema Solar e Documenta) na
Livraria Sistema Solar I Passos Manuel
Rua Passos Manuel, 67 B, 1150-258 Lisboa,
segunda-sexta: 10h-13h; 14h-19h 

telefone 210 117 010; e-mail: livraria.pm(arroba)sistemasolar.pt

terça-feira, 9 de abril de 2019

Anima Mea I Alexandre Conefrey


Anima Mea
Alexandre Conefrey

Textos de João Pinharanda, Maria Filomena Molder

ISBN 978-989-8902-62-7 | EAN 9789898902627

Edição: Fevereiro de 2019
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado)
Número de páginas: 112 (a cores)

Com a Galeria Ala da Frente, C. M. Vila Nova de Famalicão

Edição bilingue: português-inglês



Maria Filomena Molder: «Muitas vezes olho para estes desenhos como se fossem desenhos religiosos, místicos.»


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Alexandre Conefrey — Anima Mea», com curadoria de António Gonçalves, realizada na Galeria Ala da Frente, em Vila Nova de Famalicão, de 9 de Fevereiro a 18 de Maio de 2019.


Estes desenhos de Alexandre Conefrey continuam a sua profunda pesquisa em torno do uso dos materiais, de certos temas ou ainda de novas formas de representação. Assistimos ao uso intenso do material mais básico do desenho (o carvão) e ao desafio dos limites máximos das suas possibilidades expressivas. O material satura as superfícies, é esmagado sobre a folha com uma força que parece excessiva.
[João Pinharanda]


Anima mea é o nome que Alexandre Conefrey deu a uma série de vinte e nove desenhos a carvão e pastel, outras tantas variações de dois motivos brueghelianos: a Torre e o moinho. Com origem, respectivamente, em A Torre de Babel de 1563 (versão maior, de Viena), a de 1565 (versão menor, de Roterdão) e A Caminho do Gólgota de 1564. […]
Esse nome, Anima mea, é o coração do primeiro verso do primeiro Coro do Magnificat de Bach: Magnificat anima mea Dominum. Alexandre Conefrey ouvia repetidas vezes esta obra na época em que fez os desenhos. Portanto, acompanhando a sua feitura está o silêncio da Virgem, obedecendo ao anúncio grave, quase assustador (a aceitação de uma gravidez não esperada), que atravessa todos os versos e as vozes de todos os cantores, desde o coro até aos solistas. […]
Mesmo que Alexandre Conefrey não tenha absorvido o hálito das guerras religiosas e os seus venenos e perversões, esse hálito parece agir nas manchas de carvão. Não que os debates teológicos se introduzam nas interrogações sobre o que seja pintar e desenhar, mas as palavras encarnação, morte e ressurreição açoitam tanto a ruína da Torre como os movimentos desvairados das velas do moinho. Muitas vezes olho para estes desenhos como se fossem desenhos religiosos, místicos.
[Maria Filomena Molder]

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Litania I António Sena

Litania
António Sena

Texto de Maria Filomena Molder

ISBN 978-989-8902-49-8 | EAN 9789898902498

Edição: Novembro de 2018
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 17 x 22,5 cm (brochado com badanas)
Número de páginas: 100 (a cores)

Co-edição com a Giefarte

Edição bilingue: português-inglês


Litania é também uma experiência tipográfica recente, que desenvolve a ideia de variação própria dos escribas medievais, que recorriam a diferentes figuras de maiúsculas, até na mesma palavra.


Este livro foi lançado por ocasião da exposição Litania na Giefarte em Lisboa, de 27 de Novembro de 2018 a 11 de Janeiro de 2019.

Tornar-se naquilo que se é, o preceito nietzschiano de vida — aquele que impede qualquer pretensão ou exigência de evolução, que evita a ilusão da evolução — é observável na obra de António Sena e conhece uma espécie de esplendor nesta exposição. E a coisa não é pêra doce, pois o preceito de Nietzsche, que vai ter com o título-epígrafe de Montaigne (mais humorístico e com menos ar de preceito), obriga a manter uma luta sem tréguas de cada um consigo próprio. E já se sabe que a tão moderna dilaceração íntima é sinal de falta de saúde. Em arte, como nisto de estarmos vivos, o combate é pela saúde. Só que na arte parece que as feridas reabrem constantemente; em rigor, não há cura (seguindo aqui Louise Bourgeois). No entanto, se o artista não cair na armadilha da evolução fora deste tornar-se naquilo que se é, pelo menos ganha uma força atlética, o que é uma variedade imaginativa de saúde.
Aqui ajusta-se que nem uma luva a dedicatória que Giacometti escreveu no catálogo enviado a André Breton, catorze anos depois de ter sido condenado por maus pensamentos e expulso da capela surrealista sem remissão possível, agora que Breton, et pour cause, se interessava de novo, e muito, por ele: «Lembra-te disto. Eu não vou melhorar.»
[Maria Filomena Molder]

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Ana Hatherly: Território Anagramático I Ana Hatherly



Ana Hatherly: Território Anagramático
Ana Hatherly

Textos de João Silvério, Maria Filomena Molder, Fernando Aguiar, Andreia Poças

ISBN: 978-989-8834-96-6

Edição: Janeiro de 2018
Preço: 37,74 euros | PVP: 40 euros
Formato: 21 x 27 cm (encadernado)
Número de páginas: 280 (a cores)

[ Em colaboração com a Fundação Carmona e Costa ]

Edição bilingue: português-inglês



«Sentado num degrau da escada estava um sema.
O seu aspecto era semelhante ao duma salsicha azul-clara.
Todos os que o viam achavam estranho e diziam: é metafísico.
Ninguém reparava que era azul.» 


[Ana Hatherly, «Tisana 138», 463 Tisanas]




Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Ana Hatherly: Território Anagramático», realizada na Fundação Carmona e Costa, com curadoria de João Silvério, entre 17 de Novembro de 2017 e 13 de Janeiro de 2018.


A exposição Ana Hatherly: Território Anagramático toma a obra escrita pela autora sob o título Tisanas como uma grelha estrutural para dar a ver o seu trabalho artístico e os cruzamentos que esse mesmo trabalho revela ao nível do pensamento, da escrita, da performance e das preocupações da artista, que se manifestam sobre contextos diversos e em diferentes meios de expressão escrita e plástica. 
[João Silvério]

Como um mergulhador, Ana Hatherly vem à superfície para recuperar o fôlego e logo se embrenha nas profundezas. Porém não é só isso, é que dela, deste poeta-artista, só ficarão essas breves tomadas de fôlego, essas minúsculas bolsas de ar agarradas, um contraste menor, às palavras, aos riscos, aos silvos, bolsas de ar que não se vêem, não se lêem, nem se ouvem, talvez se adivinhem (leia-se um dos poemas de Cisne Intacto, 54). 
[Maria Filomena Molder]

A obra visual de Ana Hatherly é caracterizada pela gestualidade, pelo movimento da mão que cria inquietas linhas de texto, densas texturas, inomináveis volumes, múltiplas formas que continuamente se (trans)formam, que sugerem itinerários, significações diversas, procedimento para transmitir graficamente uma poética que, sendo também verbal, se metamorfoseia e se evidencia na visualidade.
Nas caligrafias, as palavras/versos são inscritos na página como trilhos a percorrer ao sabor da «imaginação e da memória» de cada um. 
[Fernando Aguiar]




Sobre Ana Hatherly e os autores dos textos, consultar www.sistemasolar.pt