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quinta-feira, 21 de julho de 2022

Espinosa e o Estado dos Hebreus – Ensaios de Filosofia Política


Espinosa e o Estado dos Hebreus – Ensaios de Filosofia Política 
António Bento 


ISBN 978-989-568-032-0 | EAN 9789895680320 

Edição: Junho de 2022 
Preço: 20,75 euros | PVP: 22 euros 
Formato: 16 × 22 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 368 

Com o apoio do Grupo de Filosofia Prática LabCom.IFP


Este livro reúne um conjunto de ensaios consagrados a problemas e a conceitos próprios da Filosofia Política. O fio cronológico adoptado na ordenação dos capítulos, começando na Baixa Idade Média, estende-se à Proto-Modernidade e termina na Contemporaneidade.



Contudo, mais do que a extensão de um arco temporal normativamente circunscrito, o que aqui está verdadeiramente em causa são os usos da linguagem na política e, consequentemente, o carácter ficcional dos conceitos em Filosofia Política. Em poucas palavras, pode dizer-se que é este o objecto comum aos diferentes ensaios aqui coligidos e que é também este o tipo de unidade a que eles podem modestamente aspirar. 
Sabemos bem que, nos casos mais afortunados, os conceitos de Filosofia Política não só constituem uma língua própria dentro da língua da Filosofia, como forjam todo um léxico, uma sintaxe, e por vezes mesmo um estilo, com uma fisionomia própria e uma vida autónoma. No entanto, ir hoje atrás do que Maquiavel, há mais de quinhentos anos, chamou a «verdade efectiva» da política, implica muitas vezes, como observou Friedrich Nietzsche, que «os filósofos já não possam contentar-se em aceitar os conceitos que lhes são dados apenas para os limparem e os fazerem brilhar, antes é necessário que comecem por os fabricar, criar, formular, e que persuadam os homens a recorrer a eles». É, sem dúvida, esse singular gosto filosófico ou afecção pelo «baptismo do conceito», como alguém recentemente lhe chamou, que caracteriza os grandes clássicos de Filosofia Política, sejam estes antigos, medievais, modernos ou contemporâneos. Disso, procurarão dar conta, espera-se, os ensaios que o leitor tem diante dos olhos. 
[António Bento]

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

«De Civitate Dei» de Santo Agostinho — «Dois Amores, Duas Cidades»


De Civitate Dei de Santo Agostinho — 
«Dois Amores, Duas Cidades»

Américo Pereira, Ana Rita Ferreira, Ángel Poncela González, António Bento, António Rocha Martins, Diogo Morais Barbosa, Filipa Afonso, Jaume Aurell, José António Domingues, José Maria Silva Rosa, Maria Leonor Xavier, Maria Manuela Martins, Montserrat Herrero.

Coordenação e organização de José Maria Silva Rosa, António Bento e José António Domingues

ISBN 978-989-9006-03-4 | EAN 9789899006034

Edição: Novembro de 2019
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 16 x 22 cm (brochado)
Número de páginas: 256

Com o Instituto de Filosofia Prática

Colecção Ethos e Polis / 9




«Dois amores fizeram duas cidades. O amor de si até ao desprezo de Deus: a terrestre; o amor de Deus até ao desprezo de si: a celeste.» 
[Santo Agostinho]


É mais comum celebrar os autores do que as suas obras. A Cidade de Deus, porém, que é uma espécie de outras Confissões elevadas agora ao nível do género humano, é indissociável da vida de Agostinho de Hipona, o seu tão persistente e esforçado autor. As razões próximas da obra brotaram de circunstâncias históricas bem precisas: o bárbaro saque de Roma, por Alarico e suas tropas, no dia 24 de Agosto de 410, e a necessidade de refutar aqueles que acusavam os cristãos de serem os culpados. Para o paganismo tardio dos séculos IV e V, com efeito, os cristãos e a sua religio, em virtude de rejeitarem o culto dos deuses tutelares de Roma e do imperador, de defenderem que se deveria «amar os inimigos», «rezar pelos que vos perseguem» (Lc 6, 27-28), «oferecer a outra face» (Mt 5, 39), etc., e de durante muito tempo terem recusado o serviço militar, teriam sido não só coniventes, mas objectivamente culpados desta punhalada no coração do Império. Atacado de fora pelas hordas bárbaras baptizadas no arianismo e de dentro pela moral e a doutrina nicenoconstantinopolitana, a chrisitiana religio, arguiam, haviam quebrado do tónus bélico dos soldados e amolecera a virtus dos cidadãos romanos. Tal acusação já vinha de trás, mas agora ganha renovada força. Agostinho escuta e não se conforma. A sua reacção ao saque de Roma e à acusação feita aos cristãos é-nos dada, a quente, logo em Sermões coevos, em 410, e no opúsculo Sobre a Devastação de Roma, em 411. Mas interiormente, no seu espírito, o projecto da obra A Cidade de Deus começara já a nascer, tanto mais que a isso era instado por variados amigos. Segundo alguns, é possível que a tenha começado a escrever ainda em 412. Em Setembro de 413 já estava a redigi-la, de certeza. Terminá-la-á apenas treze anos depois, em 426. 
[«Introdução»]

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Secularização e Teologia Política



Secularização e Teologia Política
Alexandre Franco de Sá, António Bento, António Campelo Amaral, Genildo F. da Silva, Jaume Aurell, José Antônio de C.R. de Souza, José António Domingues, José Maria Silva Rosa, Montserrat Herrero, Pedro H. Villas Bôas Castelo Branco.

Coordenação e organização de António Bento, José Maria Silva Rosa e José António Domingues

ISBN 978-989-8902-73-3 | EAN 9789898902733
Edição: Abril de 2019
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 16 x 22 cm (brochado)
Número de páginas: 208
Colecção Ethos e Polis / 8

Com o Grupo de Filosofia Prática



Que sentido ainda para a «secularização»?
É a «secularização» uma categoria de leitura caduca?
Ainda tem futuro? Que futuro?


No sentido geral que este termo adquiriu — quer no seu uso metafórico enquanto instrumento de uma política das ideias, quer na função estratégica que desempenha na história e na cultura modernas — pode dizer-se que a noção de «secularização» é uma categoria hermenêutica que procura traduzir o processo global de emancipação — filosófica, ética, política, jurídica, económica, social — da Modernidade de qualquer tutela religiosa e transcendente, reivindicando o direito de organizar a vida civil dentro dos limites da simples razão.
[…]
Ao contrário dos muitos manifestos sobre o sentido da terra e da recusa em organizar a vida política e social a partir de qualquer sagrado, vemos que o sonho das Luzes não apenas não se cumpriu, como se obscureceu significativamente. Daí uma pergunta — entre tantas outras possíveis — que o presente livro se propõe formular, e à qual, se possível, deve procurar responder: Que sentido ainda para a «secularização»? É a «secularização» uma categoria de leitura caduca? Ainda tem futuro? Que futuro?

[António Bento, José Maria Silva Rosa, José António Domingues]

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Neoliberalismo, Liberdade, Governo


Neoliberalismo, Liberdade, Governo
Alain de Benoist, Alexandre Franco de Sá, André Barata, António Bento, Carlo Gambescia, Emmanuel Picavet, Helton Adverse, João Carlos Correia, João Rodrigues, José Manuel Santos, Orlando Samões, Ragip Ege

Organização de António Bento e José Manuel Santos

ISBN 978-989-8902-55-9 | EAN 9789898902559

Edição: Abril de 2019
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 16 x 22 cm (brochado)
Número de páginas: 256

Colecção Ethos e Polis / 7

Com o Grupo de Filosofia Prática



Apesar de um lento, espinhoso e polémico processo de consagração académica, e não obstante a familiaridade da palavra junto do grande público, a verdade é que o termo geral «neoliberalismo», sujeito desde os anos 1930 até aos dias de hoje a todos os tipos de uso e de abuso, está longe de ser unívoco.


Do Colóquio Walter Lippmann (Paris, 1938) à constituição da Mont Pèlerin Society (Suiça, 1947); do ordoliberalismo alemão nascido das cinzas da Segunda Guerra Mundial ao final dos anos 1970 e início dos anos 1980, com a chegada ao poder de Margaret Thatcher no Reino Unido e de Ronald Reagan nos Estados Unidos da América; do diálogo oculto e da luta titânica travada no decorrer do século XX entre John Maynard Keynes e Friedrich A. Hayek por uma definição operativa e normativa da economia contemporânea; dos Chicago Boys aos «novos economistas» europeus; da grande crise financeira de 2008 aos incertos e angustiantes dias de hoje, o termo «neoliberalismo» permanece uma nebulosa conceptual capaz de acolher as tradições mais díspares e as versões mais contraditórias tanto do liberalismo político como do liberalismo económico modernos. Apesar de um lento, espinhoso e polémico processo de consagração académica, e não obstante a familiaridade da palavra junto do grande público, a verdade é que o termo geral «neoliberalismo», sujeito desde os anos 1930 até aos dias de hoje a todos os tipos de uso e de abuso, está longe de ser unívoco. Ao ponto de podermos sem receio afirmar que sob uma falsa unicidade e sob uma ilusória transparência do termo «neoliberalismo» se ocultam afinal «neoliberalismos» vários, com linhagens, tradições, práticas e desenvolvimentos económicos e políticos altamente diferenciados. Esta obra que agora se apresenta ao público, que desde o início se quis científica e não ideológica, nasceu de um colóquio internacional que o Grupo de Filosofia Prática (unidade de ID Labcom.IFP) organizou em Novembro de 2015 na Universidade da Beira Interior. Entre os próprios autores deste livro em primeiro lugar, mas também entre o público e os autores, este encontro científico suscitou na altura um debate vivo e plural, e, espera-se, também clarificador, face aos novos problemas teóricos e aos correspondentes desafios práticos que o prefixo «neo-» veio colocar à actual compreensibilidade e inteligibilidade do conceito de liberalismo.