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quinta-feira, 3 de novembro de 2022

O Prazer no Desenho

O Prazer no Desenho
Jean-Luc Nancy

Edição e tradução de Jorge Leandro Rosa
Iconografia de Daniel Moreira e Rita Castro Neves
Montagem e design gráfico de Pedro A.H. Paixão

ISBN 978-989-568-049-8 | EAN 9789895680498

Edição: Outubro de 2022
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado)
Número de páginas: 144 (a cores)
Colecção «Disciplina sem nome», 6

Com a Fundação Carmona e Costa


 
Jean-Luc Nancy: «Ninguém pode duvidar que se tenha prazer em desenhar. Todas as culturas o atestam e em todas as culturas se verifica o gosto das crianças pelo desenho sob todas as suas formas. Seja num papel ou numa casca, na areia ou mesmo na água ou no ar, a criança sente satisfação em traçar linhas, contornos.»



«Le plaisir au dessin» forma em francês uma expressão ambivalente: ou ela fala do prazer que se sente ao desenhar, ou então fala do prazer que se põe ele próprio a desenhar. Poder-se-á pensar que apenas o primeiro sentido é possível e que o segundo não passaria, no melhor dos casos, de uma metáfora ou mesmo de uma absurdidade. Contudo, foi a mistura das duas significações, como dois aspectos de uma mesma e única realidade, que determinou a escolha deste título.

[…]

Este prazer nada tem de pueril. Se ele é infantil, no sentido próprio da infantia, quer dizer, se ele é anterior e exterior à linguagem, será porque põe em jogo algo mais do que a simples significação. Põe em jogo o movimento, o impulso que abre um tracejar. Neste sentido, o desenho — quer seja o de uma criança ou de um adulto — distingue-se justamente pelo facto de ser formado pelo prazer de abrir um espaço, de aí revelar e distinguir forças, zonas, tensões e intensidades.

[…]

O desenho deve assim ser considerado como o acto ou como a expressão do próprio prazer que ele procura ou comunica: é o impulso de um ter-prazer-em-abrir-o-espaço [se-plaire-à-ouvrir-l’espace].

Neste «ter-prazer-em» — neste comprazimento, poderíamos dizê-lo, jogando com a palavra — há sem dúvida todo o espaço que se abre, e há todo o seu entrançamento íntimo com o tempo, esse tempo que o desenho suspende e põe a vibrar diante dos olhos.

[Jean-Luc Nancy]

terça-feira, 28 de setembro de 2021

O Mito Nazi


O Mito Nazi 
Philippe Lacoue-Labarthe, Jean-Luc Nancy 

Apresentação de Sara Belo e Tomás Maia 
Tradução de Sara Belo 

ISBN 978-989-9006-98-0 | EAN 9789899006980 

Edição: Agosto de 2021 
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado) 
Número de páginas: 72 

Colecção Linhas de Fuga 20

O Holocausto é uma consequência — estritamente lógica — da Razão ocidental. 
Tal é a tese central que este breve, imenso livro enuncia. 



A importância deste livro para a compreensão do nazismo (no interior do «fenómeno geral das ideologias totalitárias») consiste em pensá-lo a partir da questão da identidade. Ou seja, da relação entre o próprio e o impróprio — relação constitutiva de qualquer identificação, quer esta seja individual ou colectiva. No caso do nazismo, isto é, do totalitarismo especificamente alemão, aquela relação expressa-se no elemento da raça, levando os autores a propor uma primeira definição do nazismo enquanto «ideologia racista». 
Desfazendo a oposição entre mythos e logos, este livro concretiza a intuição de Hannah Arendt sobre o eidos de uma ideologia: a lógica de uma ideia que pretende explicar a totalidade da história conformando o mundo à sua imagem. Os autores rejeitam assim como perigosa e simplista a caracterização do nazismo enquanto fenómeno puramente irracional, demonstrando como aquele se impôs através de uma exploração consciente e deliberada dos movimentos reflexos e miméticos mobilizados pela função exemplar do mito. De forma consequente, neste contexto metafísico de análise, o mito é então tomado, não como um conteúdo particular (tal ou tal mitologia germânica), mas enquanto meio de identificação — de um indivíduo ou de um povo inteiro. Tal é a razão pela qual o livro pensa o mito (nazi), no singular, sem se deter nos mitos ou nas mitologias que alimentaram e fortificaram o movimento nazi. 
[Sara Belo e Tomás Maia] 

Que tenhamos assim, sempre, certas contas a prestar e a prestar-nos, que estejamos sempre em dívida ou em dever de memória, de consciência e de análise, eis o que reconhece uma maioria dos nossos contemporâneos. Contudo, as suas razões e os seus fins nem sempre são muito claros nem muito satisfatórios. Apela-se à vigilância face aos possíveis retornos — é esse o mote do «nunca mais!». E, de facto, a actividade ou a agitação das extremas-direitas nos últimos anos, o fenómeno de «revisionismo» acerca da Shoah, a facilidade com que os grupos neonazis surgem na ex-Alemanha de Leste, os «fundamentalismos», nacionalismos e purismos de toda a espécie, de Tóquio a Washington e de Teerão a Moscovo — tudo isto contribui para exigir essa vigilância. 
[Philippe Lacoue-Labarthe e Jean-Luc Nancy]

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Uma conversa com Tomás Maia e Sousa Dias

 A Sistema Solar | Documenta convida-o(a)  para a apresentação de dois livros recentes;

 a sessão será dedicada a Jean-Luc Nancy, falecido no dia 23 de Agosto. 


sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Persistência da Obra I — Arte e Política


Persistência da Obra I — Arte e Política 
Persistance de l’oeuvre I — Art et politique 

Boyan Manchev, Silvina Rodrigues Lopes, 

Jean-Luc Nancy, Federico Ferrari, Tomás Maia, 

Isabel Sabino 


Organização de Tomás Maia 

ISBN 978-989-9006-63-8 | EAN 9789899006638 

Edição: Dezembro de 2020 
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros 
Formato: 17 × 21 cm (brochado) 
Número de páginas: 280 

Com o apoio do CIEBA 

Edição bilingue: português-francês

«Talvez a arte seja apenas isso — a declaração do nosso
 nascimento. Sempre suspenso sobre um abismo.»

Aqui mesmo, nove anos depois, persisto: a questão da persistência é a questão moderna da arte. Quer isto dizer que o nome «persistência» continua a prestar-se para abordar o que nos está a acontecer desde o advento da modernidade. 
Pois «moderno» é o pensamento do resto (da arte) que se separa da política e da religião — e que, ao separar-se, mostra a arte a si mesma, ou seja, mostra-nos a totalidade da arte. Se a arte existe desde a Pré-história ou, segundo uma outra história, desde os Gregos, o facto é que um tal resto que comunica com toda a arte só se revelou abertamente na era moderna. Daí a extraordinária e abundante experimentação sobre o limite da arte (ou da representação) que, pelo menos desde o primeiro Romantismo, atravessou todos os modos de expressão ou géneros artísticos. A persistência diz isso mesmo em todas as letras: o que atravessa ( per-) a história é o resto, e o que insiste é o todo da arte — a integralidade das formas que voltam até nós a partir de um tal resto. Se isto for compreendido, não haverá necessidade de forjar qualquer pós-modernidade ou, inversamente, sustentar um regresso nostálgico aos tempos pré-modernos. 
[…] 
Por ocasião da presente edição deste primeiro volume de Persistência da Obra, dedicado à relação entre arte e política (volume que se publica pela primeira vez em bilingue, aquando da publicação do segundo volume), proponho um texto inédito — «Igualdade da arte» — que procura apresentar uma tese na sequência da «Introdução» anteriormente escrita (inflectindo, como se poderá notar, o teor desta). Foram igualmente introduzidas pequenas correcções em todo o volume, bem como, no frontispício, uma reprodução de uma obra de Claudio Parmiggiani: um ovo (em mármore branco) encravado entre duas rochas altas no meio de uma floresta. A graça de uma tal peça parece condensar a fragilidade de qualquer criação: das mais estritas condições materiais surge, brotando ou caindo, a promessa de um novo ser. Talvez a arte seja apenas isso — a declaração do nosso nascimento. Sempre suspenso sobre um abismo. 
[Tomás Maia]

Persistência da Obra II — Arte e Religião


Persistência da Obra II
— Arte e Religião 
Persistance de l’oeuvre II — Art et religion 

Boyan Manchev, Alfredo Teixeira, Federico Ferrari, 

Jean-Luc Nancy, Tomás Maia, Paulo Pires do Vale 


Organização de Tomás Maia 

ISBN 978-989-9006-64-5 | EAN 9789899006645 

Edição: Dezembro de 2020 
Preço: 20,76 euros | PVP: 22 euros 
Formato: 17 × 21 cm (brochado) 
Número de páginas: 368 

Com o apoio do CIEBA e do CITER 

Edição bilingue: português-francês

«Proponho hoje esboçar um outro gesto: distinguir arte, política e religião,
 começando por desatar os nós mais apertados de uma tal encruzilhada. 
É a única maneira de proceder, parece-me, para que a obra enfim se liberte.»

A persistência também se faz na e através da diferença — das formas, dos tons e dos estilos. Para todos os participantes, bastou-nos um acordo profundo, ainda que por vezes tácito, sobre a necessidade ou mesmo a urgência de pensar a persistência da arte. Com efeito, poderia mesmo dizer-se que os dois encontros (sobre arte e política, primeiro, e sobre arte e religião, depois) procuram desenhar aquilo a que se poderia chamar a encruzilhada moderna da arte, mostrando a impossibilidade, o impasse ou mesmo o desastre aos quais conduziram as combinações ou as fusões variadas entre estas três vias (arte, política e religião). E sendo a obra (ou a sua ideia), de cada vez, o operador de uma aliança estético-política e/ou estético-religiosa, compreende-se que já se tenha podido responder a esse desastre com a injunção da «inoperância» (désoeuvrement). Todavia, tal nunca implicou que a ideia de obra, confinada exclusivamente ao campo artístico, devesse alguma vez ser abandonada. 
Tal é a razão pela qual proponho hoje esboçar um outro gesto: distinguir arte, política e religião, começando por desatar os nós mais apertados de uma tal encruzilhada. É a única maneira de proceder, parece-me, para que a obra enfim se liberte. 

*

Não haverá, pois, um terceiro encontro em torno do par «política e religião» (ainda que, em larga medida, seja esse par — ou essa aliança — a determinar catastroficamente o nosso destino colectivo, e há longa data). O projecto da «persistência» — que finda com este segundo volume — sempre e somente existiu sob o signo da obra. Se subtrairmos a «obra» a esse outro horizonte comum, então talvez comecemos a desaparelhar a política e a religião. Assim, também procurei assinalar que tanto a religião quanto a política — mas sobretudo a política (designando assim o nosso cuidado de libertação partilhada) — permanecem inteiramente por repensar sob outras categorias.
[Tomás Maia]

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

«Rei Capitão Soldado Ladrão», de Jorge Molder



Rei Capitão Soldado Ladrão 
Jorge Molder 

Textos de 
Alberto Ruiz de Samaniego, Jean-Luc Nancy, João Pinharanda, José Manuel dos Santos, Juan Barja 

ISBN: 978-989-8566-36-2 

PVP: 39 euros (IVA incluído)

Formato: 19 x 29 cm  | Número de páginas: 320 (a cores) 

Nas livrarias na última semana de Fevereiro

Rei Capitão Soldado Ladrão é o catálogo da exposição com o mesmo nome realizada no âmbito da atribuição a Jorge Molder do Prémio Fundação EDP/Arte 2010, apresentada pela Fundação EDP e o Museu Nacional de Arte Contemporânea no Museu do Chiado de 28 de Novembro de 2013 a 23 de Fevereiro de 2014.
  

Jorge Molder (Lisboa, 1947), escritor e fotógrafo, tem formação académica em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa. Fez parte dos quadros da Fundação Calouste Gulbenkian como assessor, desde 1990. A partir de 1994 foi director do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Como fotógrafo, Jorge Molder tem um muito relevante percurso nacional e internacional. Foi artista convidado na Bienal de São Paulo em 1994 e representou Portugal na Bienal de Veneza em 1999. Em 2007 ganhou o prémio AICA e, em 2010, o Grande Prémio EDP/Arte. 


«A obra de Jorge Molder tem-se construído, ao longo de várias décadas, através de imagens pensadas como séries, evidentes narrativas temático-visuais, carregadas de referências literárias, filosóficas, cinéfilas, sempre absorvidas pelo espaço-tempo individual do autor. No contexto do grupo de obras que vimos destacando, cada uma convive com a realidade exterior (não artística) de outros escritórios e de outros apartamentos; e também com as suas escadas escuras e elevadores envelhecidos, com sons mecânicos e humanos que neles vibram; e também com as ruas lá fora, com a luz coada das portadas e as sujas passagens entre saguões, com o bater das asas dos pombos nos beirais; e ainda com o sentir das sombras de quem sobe e de quem desce, com o ir sabendo os nomes de quem morre e de quem chega de novo para se sentar numa cadeira vazia ou numa cama lavada – dia após dia, ano após ano, até tudo se esvaziar e encher outra vez. É pela sua capacidade de serem exercícios pessoais e espelho de realidades universais que estes catálogos de obsessões tão bem nos servem.» 

João Pinharanda, «A Vida: Modo de Usar», Rei Capitão Soldado Ladrão