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sexta-feira, 8 de novembro de 2019
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
sábado, 2 de novembro de 2019
Lugares de Sophia I António Jorge Silva, Duarte Belo, Pedro Tropa
Lugares de Sophia
António Jorge Silva, Duarte Belo, Pedro Tropa
Textos de Federico Bertolazzi e José Manuel dos Santos
ISBN 978-989-8902-96-2 | EAN 9789898902962
Edição: Setembro de 2019
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 17 x 22 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 96, a cores
Com o Centro Nacional de Cultura
Edição bilingue: português-inglês
António Jorge Silva escolheu um verso de Sophia que fala da alma e da maresia da sua metade. […] Pedro Tropa fez seu um verso dela que diz a construção como promessa da destruição. […] Duarte Belo guarda a memória do único encontro que teve com ela. […] — e dessa memória faz um fio de Ariadne num labirinto de lugares iluminados pela luz e pela sombra das cores.
Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Lugares de Sophia», de António Jorge Silva, Duarte Belo e Pedro Tropa, com curadoria de Federico Bertolazzi e José Manuel dos Santos, realizada no Centro Cultural de Lagos entre 14 de Setembro e 26 de Outubro, na ala sul do Claustro do antigo Convento do Carmo, actual Parada de Cavalaria do Quartel do Carmo entre 12 de Novembro e 27 de Dezembro de 2019 e na Biblioteca Municipal de Loulé entre 21 de Março e 9 de Maio de 2020.
Para Sophia de Mello Breyner Andresen a poesia sempre principiou na concretude do real. A sua atenção, concentrada nas coisas, almeja o desvelamento da verdade primordial do ser no seio do aparecer, num processo de nomeação exacta no qual a beleza e a verdade coincidem.
É este, como ela própria diz, o «estar-ser-inicial», o brilho que, no rolar da vida, suspende o tempo, ou, sempre com palavras de Sophia, o «instante que surpreende e fita e enfrenta a eternidade».
Assim, o poeta cria o domínio da «terrível pureza», domínio em que não há lugar para a mentira, e a verdade reina e impõe o seu clarão.
[Federico Bertolazzi]
Cada um dos três fotógrafos tem mais olhares no seu olhar do que o olhar desse próprio olhar — e o encontro de todos eles nesta exposição dá-nos uma multiplicação e não uma soma. Eles implicam-se e explicam-se uns nos outros, multiplicam-se uns pelos outros, intensificam-se, acrescentam-se, aumentam-se, abrem-se, desdobram-se, conluiam-se e concluem-se uns aos outros, reflectindo as suas visões volúveis e veementes num espelho sem superfície e ecoando as suas vozes visuais e votivas num túnel sem saída.
Cada um dos fotógrafos não olha apenas os lugares da vida e da obra de Sophia com um olhar único e fitado. Cada um deles olha esses lugares com o seu olhar e olha também, neles, o olhar de Sophia a olhá-los.
[José Manuel dos Santos]
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
Gatos Comunicantes — Correspondência entre Vieira da Silva e Mário Cesariny (1952-1985)
Gatos Comunicantes — Correspondência entre Vieira da Silva e Mário Cesariny (1952-1985)
Vieira da Silva, Mário Cesariny, Arpad Szenes
Edição e textos de Sandra Santos, António Soares
Apresentação de José Manuel dos Santos
ISBN 978-989-8902-48-1 | EAN 9789898902481
Edição: Novembro de 2018
Preço: 17,92 euros | PVP: 19 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado com badanas)
Número de páginas: 336
Com a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva
Apoio da Fundação Cupertino de Miranda
O amor de Cesariny por Vieira (e pelo par-ímpar Vieira-Arpad) é um amor que aponta ao centro do mundo, onde o fogo nasce e se oculta. Por esse amor, tudo se mostra possível, tudo se torna real, tudo se faz visível.
Esta edição é publicada com o apoio da Fundação Cupertino de Miranda, por ocasião de «Mário Cesariny – Encontros XII», realizados em Novembro de 2018.
Página a página, linha a linha, palavra a palavra, este livro ergue as figuras reais de Maria Helena Vieira da Silva e de Mário Cesariny de Vasconcelos. Ergue-as, assim cada um foi inventando o outro, num frente a frente perpétuo, sem intervalo ou traição. Este diálogo de vozes e de silêncios-entre-as-vozes, de palavras e de sem-palavras-entre-as-palavras, levanta estas figuras sobre (e contra) um chão de pequenez, hostilidade e escuridão, dando-as como elas são. E como elas se olharam, se representaram, se admiraram, se amaram uma à outra: únicas, grandiosas e magnificadas. Ao fundo, aparece Arpad, com uma elegância longa, a saudá-los, a saudar-nos, na sua doçura inquieta, na paciência e sabedoria do seu estar. Um pouco atrás, ouve-se, vê-se Guy Weelen a anotar, a preparar, a cuidar, a tramitar, a transmitir. Este livro prova que «os encontros são proporcionais aos destinos» e que o amor pode ser um relâmpago contínuo, livre, invencível.
Lemos estas cartas, tão intensas, tão terríveis, tão belas (às vezes, próximas do «belo tenebroso») como quem decifra duas caligrafias entrelaçadas, cruzadas, abraçadas, deitadas uma sobre a outra, como gatos que brincam na rua.
[…]
Este epistolário é uma erotografia. Mas é também uma terrível acusação feita a um país onde «o ar era um vómito». Uma acusação que ainda não prescreveu! Nestas cartas, com tempos fortes e fracos, com saltos, interrupções, lapsos, intromissões e hiatos, os anos passam, ora lentos, ora rápidos, ora súbitos. Se os contarmos bem, aprendemos que Cesariny toda a vida pensou em Vieira como numa salvação — para ele, para nós. Repito: para nós!
[José Manuel dos Santos]
terça-feira, 21 de março de 2017
Liberdade, Poesia, Amor
Ouvimos esta voz com o poema que nos traz e não sabemos se é a voz que diz o poema ou se é o poema que diz a voz. Esta coincidência do dizer e do dito, do som e do sentido, do corpo e do espírito, da poesia e da vida, do dia e da noite foi sempre o sinal de Mário Cesariny.
Já Breton escrevera: «Tudo leva a crer que existe um certo ponto do espírito donde a vida e a morte, o real e o imaginário, o passado e o futuro, o comunicável e o incomunicável, o que está em cima e o que está em baixo deixam de ser apercebidos contraditoriamente». Cesariny afirmava: «O único fim que eu persigo / é a fusão rebelde dos contrários».
É por isso que estamos aqui: não apenas para cumprir um acto de homenagem civil e cultural, mas acreditando que Cesariny reconhecia neste lugar onde a sua luz encontra a sua sombra, um sentido sagrado, dando a esta palavra a fundura mais funda e a liberdade mais livre. A morte é o que resta do sagrado e mesmo isso está a desaparecer, afirmava ele. E, às vezes, falava do osso sacro como de um segredo que é preciso guardar.
Cesariny era distante de tudo o que é oficial, convencional e vazio, mas aceitava os ritos que protegem os mitos. Foi assim que aceitou a Ordem da Liberdade, que lhe foi entregue em sua casa, numa tarde em que tudo se calava para o ouvir. Ele recebeu a Grã-Cruz, beijou-a e gritou: «A Santa Liberdade!». A liberdade era a sua medida desmedida, o rosto do seu rosto.
Nessa tarde, recordei uma outra tarde passada com Jorge Luis Borges, que acabava de receber a Ordem de Sant’Iago da Espada, que a sua cegueira o impedia de ver. Ele pediu-nos para lhe descrevermos as cores e as figuras do colar. A seguir, num gesto que foi repetindo, levou a mão ao frio do metal, exclamando: «Sant’Iago! Sant’Iago!» Falámos então daquela passagem de São Paulo que diz «Agora, vemos como num espelho, mas um dia veremos face a face». Borges falava e a nossa visão era o rascunho da sua cegueira.
Sabemos que esta homenagem nunca conseguirá oficializar, normalizar, naturalizar, neutralizar Cesariny. Ao contrário, e por contraste, torna ainda mais nítido e invencível o seu escárnio selvagem, a fúria firme e feroz, o desassombro ímpio.
A sua vida foi vivida em nome da Liberdade, da Poesia e do Amor, de que os surrealistas fizeram a nova trilogia, juntando ao «transformar o mundo» o «mudar a vida». Em cada dia e em cada passo dele havia uma grande razão, aquela que num poema reclamava: «Falta por aqui uma grande razão / uma razão que não seja só uma palavra / ou um coração/ ou um meneio de cabeças após o regozijo / ou um risco na mão…» Cesariny procurava o ouro do tempo.
Agora, lembro. O Mário fala de Pascoaes, o velho da montanha, e conta o momento sagrado em que o conheceu. Fala de Lautréamont e de Rimbaud com palavras lentas e acesas. Fala de Artaud e a sua cara coincide com a dele. Já na rua, passa a velha que apanha o que encontra e ele faz-lhe perguntas que guiam respostas assombradas. O Mário ri e diz: «É a Vieira da Silva!» Agora, estamos nos Açores e ele toca piano, enquanto, da janela, vemos o mar erguer-se como no Moby-Dick, esse livro mágico e trágico, que lia e voltava a ler.
Estar com Cesariny era partir numa nave espacial e olhar cá para baixo com os olhos muito abertos. Havia nas suas mãos um fogo que, quando queimava, mostrava a tragédia, e, quando iluminava, fazia aparecer a comédia. Esse sentimento trágico e cómico da vida é o dos visionários do visível. Ele confessou um dia: «Para mim, só o momento da criação é linguagem, tudo o mais é baço, não diz, pertence ao sono das espécies, mesmo quando dormem inteligentemente.» Mas em todos os momentos dele havia criação. Nunca o ouvi dizer lugares-comuns, ideias mortas, frases feitas.
Na sua poesia, as palavras têm a exactidão cortante da ponta do diamante sobre o vidro, a velocidade densa dos grandes êxodos, o brilho obscuro dos olhos no amor. Na sua pintura, as cores levam o braço até à proximidade do mar e as formas são as do vento a abrir o portão do castelo.
Cesariny gostava de anarquistas, videntes, xamãs, usurpadores, hereges, piratas, incendiários e revoltosos. E de reis destronados, deuses abolidos, bruxas acossadas, fidalgos arruinados, heróis vencidos, náufragos salvos no último momento. Detestava tiranos, tiranetes, moralistas, hierarcas, burocratas, preopinantes, instalados, acomodados, calculistas, carreiristas, conformistas, cínicos, convencidos, contentinhos, coitadinhos.
Desses, ria com um riso que era sal insolúvel e tinha a grandeza escura da tempestade no Verão. O país dos risinhos, das piadinhas, das gracinhas, e das graçolas, não aguentava um riso tão livre: enorme e desassombrado. Não suportava esse riso cheio de amargura e desdém, de raiva e protesto. Nesse riso, passavam o riso antigo de Rabelais e o riso moderno de Artaud, o riso dos funâmbulos e das feiticeiras.
Num país em que o medo gerava cobardia e obediência, do medo dele nasciam coragem, insubmissão, subversão. No fim, estava ainda mais desencontrado com aquilo com que sempre se desencontrou: a vida pequenina, a vidinha de que falava o seu amigo Alexandre O’ Neill. E agora («O tecto está baixo», avisava-nos ele) só se fala da vidinha - e só a vidinha fala.
Afinal, é preciso repetir a pergunta de Hölderlin: «Para quê os poetas em tempos de indigência?» Afinal, é preciso repetir a resposta de Hölderlin: «O que permanece os poetas o fundam». E a resposta de Cesariny: «A palavra poética é a palavra verdadeira. É a única que diz.» Então, os poetas, se os houver, são para dizer o que ninguém diz, mesmo que ninguém oiça. Mas nesse dizer que ninguém ouve salva-se a honra de um tempo em que tudo se perde.
De Mário Cesariny, não basta afirmar que a sua poesia é das maiores do nosso século XX. Nem que a sua pintura é das mais originais desse tempo. É preciso reafirmar que, nele, pessoa, vida, morte, obra, atitude, ímpeto tinham a força que nos atira para um abismo de claridade.
Nestes 10 anos da sua morte, ouvir a voz de Cesariny é olhar o céu naquele momento em que o sol ainda não partiu e a lua já chegou.
José Manuel dos Santos
Tributo a Mário Cesariny, Cemitério dos Prazeres, Lisboa 8 de Dezembro de 2016
Fotografia: Túmulo de Mário Cesariny (pormenor), Cemitério dos Prazeres, Lisboa
sábado, 26 de novembro de 2016
terça-feira, 7 de junho de 2016
Havia um Sino no Meio da Estrada I Inês Botelho, Diogo Vaz Pinto
Havia um Sino no Meio da Estrada
Inês Botelho, Diogo Vaz Pinto
ISBN: 978-989-8834-23-2
Edição: Abril de 2016
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 17 × 22 cm [brochado]
Número de páginas: 120
[Em colaboração com a Fundação EDP e o Centro Nacional de Cultura]
Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Havia um Sino no Meio da Estrada», organizada pela Fundação EDP em colaboração com o Centro Nacional de Cultura, com curadoria de José Manuel dos Santos e apresentada na Sala do Cinzeiro 8 – Museu da Eletricidade, em Lisboa, de 11 de Março a 22 de Maio de 2016.
Um poeta: Diogo Vaz Pinto. Uma artista plástica: Inês Botelho. Um ciclo: «Os Portugueses ao Encontro da sua História». Uma viagem: à Índia. Uma exposição: «Havia um Sino no Meio da Estrada», no Museu da Electricidade.
Um livro: este. […]
Este livro reflecte e refracta as várias dimensões do projecto. O texto de Diogo Vaz Pinto, na sua veemência desabusada, dá-nos uma visão verbal poderosa e pessoalíssima da viagem que fez e da sua «descoberta» da Índia. A escultura-instalação de Inês Botelho, na sua surpreendente e astuciosa originalidade, representa (re-presenta: torna presente) imagens guardadas, lembradas, transfiguradas, de um território exterior e interior a si mesmo. O livro liga aquilo de que este projecto se faz e é um elo na longa cadeia do tempo.
[José Manuel dos Santos, Fundação EDP]
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Afinidades Electivas. Julião Sarmento Coleccionador
Afinidades Electivas. Julião Sarmento Coleccionador
Edição de Delfim Sardo
ISBN: 978-989-8618-83-2
Preço: 42,45 euros | PVP: 45 euros
Formato: 23 × 32 cm (brochado)
Número de páginas: 434 (com imagens a cores)
Edição bilingue: português-inglês
[Em colaboração com a Fundação Carmona e Costa e a Fundação EDP]
Catálogo publicado por ocasião da exposição «Afinidades Electivas. Julião Sarmento coleccionador», comissariada por Delfim Sardo e apresentada na Fundação EDP – Museu da Eletricidade, de 16 de Outubro de 2015 a 3 de Janeiro de 2016, e na Fundação Carmona e Costa, de 17 de Outubro a 12 de Dezembro de 2015.
Ao longo da vida, Julião Sarmento [Lisboa, 1948] fez as suas obras encontrarem as obras daqueles a quem muitas vezes chamou amigos. Elas encontraram-se e trocaram de lugar e de posse: o que era dele passou a ser deles e o que era deles passou a ser dele. E quando não foi assim, foi como se tivesse sido. Delfim Sardo chamou, por isso, a esta exposição «Afinidades Electivas» — e desta maneira Goethe foi para aqui chamado com tudo o que isso significa de uma energia vital que se abre à abundância variada, colorida e complexa do mundo.
Ao olharmos as muitas obras dos muitos artistas desta Colecção, conhecemos o íman de uma personalidade, a forma de uma vida, a intensificação de uma obra, a extensão de uma viagem, a fertilidade de um convívio. A regra que aqui se decifra é aquela estabelecida um dia por Charles Fourier: «As atracções (e os encontros) são proporcionais aos destinos.» [José Manuel dos Santos]
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Almada: O que nunca ninguém soube que houve I Almada Negreiros
Almada: O que nunca ninguém soube que houve
Almada Negreiros
Textos de José Manuel dos Santos e Sara Afonso Ferreira
ISBN: 978-989-8566-87-4
Edição: Dezembro de 2014
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 16,7 × 22 cm [brochado]
Número de páginas: 152 [com imagens a cores]
[ Em colaboração com a Fundação EDP ]
Livro editado por ocasião da exposição Almada: O que nunca ninguém soube que houve (desenho, pintura, livros de artista) realizada pela Fundação EDP, na sala Cinzeiro 8 – Museu da Electricidade, em Lisboa, de 11 de Dezembro de 2014 a 29 de Março de 2015.
O conceito da exposição norteia a estrutura deste catálogo. […] Marcos de diferentes épocas, objectos raros e inacessíveis na sua plenitude, os quatro livros de artista escolhidos — Litoral, parva (1, 2, IV e 5), O Pierrot que Nunca Ninguém Soube que Houve e Quinze Panneaux de D. João I: Retable Batalha I — impenetráveis, na exposição, ao gesto da leitura, reproduzem-se aqui na íntegra. As páginas deste catálogo servem também para fixar outras obras menos conhecidas de Almada integradas na exposição. [Sara Afonso Ferreira]
Com a sua assinatura, ele marcava o mundo e apontava-o para si. A linha que crescia do d tinha um movimento que fazia daquela assinatura uma performance: espectáculo, acção, exibição, pontaria. Era assim Almada Negreiros [1893-1970], poeta-romancista-novelista-dramaturgo-ensaísta-conferencista-desenhador-pintor-vitralista-gravador-ilustrador-caricaturista-humorista-bailarino-cenógrafo-figurinista-coreógrafo-e-tudo-o-mais. Era assim aquele que desenhava com as palavras e escrevia com os olhos. Era assim aquele a quem José-Augusto França chamou o «português sem mestre, por impossibilidade de o haver, no Portugal do seu tempo de nascimento e juventude…», e em quem a ingenuidade se encontrava com a violência, o que é erudito não desconhecia o que é popular, a imaginação não expulsava o rigor. […] Esta exposição tem a assinatura de Almada, a sua simetria desigual, a sua linha em subida. Os livros de artista que aqui se mostra vão desde o jornal manuscrito parva (em latim), de 1920, até aos múltiplos, intermináveis ensaios de especulação geométrica, que atravessaram a sua vida inteira. Aqui estão eles: livros de artista avant la lettre, como se Almada tivesse o dom de fazer tudo pela primeira vez: Começar. [José Manuel dos Santos]
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Cesariny – em casas como aquela | Duarte Belo, José Manuel dos Santos
Cesariny – em casas como aquela
Duarte Belo, José Manuel dos Santos
ISBN: 978-989-8566-82-9
Edição: Novembro 2014
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 16,7x21 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 88 (fotografias impressas em duotone)
[ Em colaboração com a Fundação EDP e com a Fundação Cupertino de Miranda ]
Este livro foi publicado com o apoio da Fundação EDP, por ocasião dos VIII Encontros de Mário Cesariny, realizados pela Fundação Cupertino de Miranda em Vila Nova de Famalicão, em Novembro de 2014. Reúne um conjunto de fotografias de Duarte Belo registadas na casa de Mário Cesariny, na Rua Basílio Teles, n.º 6 – 2.º dir., em Lisboa, no âmbito da atribuição do Grande Prémio EDP – Artes Plásticas, em 2002, e integrando o conjunto de iniciativas comissariadas por João Pinharanda que conduziram à realização da exposição retrospectiva, em 2004, no Museu da Cidade, em Lisboa.
Agora, olho estas fotografias (Cesariny gostava de dizer: lindas) de Duarte Belo e elas são a madalena do Proust que-ele-não-leu-porque-não-precisava e que me traz o tempo e os seus habitantes. Olho-as e digo com ele: “… a sombra dita a luz / não ilumina realmente os objectos / os objectos vivem às escuras / numa perpétua aurora surrealista / com a qual não podemos contactar / senão como os amantes / de olhos fechados / e lâmpadas nos dedos e na boca”.
Olho-as e vejo-me nelas como se tivesse acabado de chegar àquela casa que apenas foi inteiramente dele quando a rua lhe negou abrigo, susto e aventura. Nestas fotografias, a casa é uma colagem de objectos em êxtase, uma colecção de imagens em rotação, uma constelação de astros em fuga, uma sucessão de sinais sagrados. Aqui, Mário Cesariny é um rei no seu castelo de relâmpagos e raios.» [José Manuel dos Santos]
Duarte Belo nasceu em Lisboa (1968). Licenciado em Arquitectura (1991). Paralelamente à actividade inicial em Arquitectura, desenvolve projectos em Fotografia. Expõe individualmente desde 1989, tendo já participado em numerosas exposições individuais. Está representado em diversas colecções públicas e privadas, em Portugal e no estrangeiro. Já desenvolveu a actividade de docência e participa regularmente em seminários, congressos e mesas redondas.
Da obra publicada poderíamos destacar Orlando Ribeiro — Seguido de uma viagem breve à Serra da Estrela (1999); Ruy Belo — Coisas de Silêncio (2000); À Superfície do Tempo — Viagem à Amazónia (2002); Geografia do Caos (2005); Olívia e Joaquim – Doces de Santa Clara em Vila do Conde (2007); desenha, produz e fotografa as ilustrações do conto O Príncipe-Urso Doce de Laranja (2009). De uma obra documental extensa, centrada no levantamento fotográfico da paisagem e das formas de ocupação do território, são de destacar as obras Portugal — O Sabor da Terra (1997) e Portugal Património (2007-2008).
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Prémio Novos Artistas Fundação EDP
Prémio Novos Artistas Fundação EDP 2013
Textos de Bruno Marchand, Filipa Oliveira, João Pinharanda,
José Manuel dos Santos, Sérgio Mah
ISBN: 978-989-8566-39-3
Edição: Fevereiro de 2014
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 24cm x 27 cm (brochado) | Número de páginas: 120 (com fotografias a cores)
[ Em colaboração com a Fundação EDP ]
Nas livrarias na última semana de Fevereiro
Catálogo da exposição «Prémio Novos Artistas Fundação EDP», apresentada, nesta 10.ª edição do Prémio, na Galeria Fundação EDP do Porto e na Casa da Música de 13 de Dezembro de 2013 a 23 de Março de 2014.
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| Ana Santos (Espinho, 1982) | Vencedora do Prémio 2013 |
«A Fundação EDP procura com este Prémio revelar novos talentos e abrir perspectivas de futuro. A selecção criteriosa e a participação numa exposição colectiva têm-se revelado fundamentais para a afirmação do trabalho de artistas emergentes da arte contemporânea.» [Fundação EDP]
Artistas escolhidos em 2013: João Ferro Martins (Santarém, 1979), João Mouro (Faro, 1985), Luís Lázaro Matos (Évora, 1987), Mariana Caló (Viana do Castelo, 1984) & Francisco Queimadela (Coimbra, 1985), «Musa paradisíaca» (projecto artístico de Eduardo Guerra [Lisboa, 1986] e Miguel Ferrão [Lisboa, 1986]), Pedro Henriques (Porto, 1985), Sandro Ferreira (Tomar, 1975), e Tiago Baptista (Leiria, 1986).
Artista premiado em 2013: Ana Santos (Espinho, 1982).
Artista premiado em 2013: Ana Santos (Espinho, 1982).
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
«Rei Capitão Soldado Ladrão», de Jorge Molder
Rei Capitão Soldado Ladrão
Jorge Molder
Textos de
Alberto Ruiz de Samaniego, Jean-Luc Nancy, João Pinharanda, José Manuel dos Santos, Juan Barja
ISBN: 978-989-8566-36-2
PVP: 39 euros (IVA incluído)
Formato: 19 x 29 cm | Número de páginas: 320 (a cores)
Nas livrarias na última semana de Fevereiro
Rei Capitão Soldado Ladrão é o catálogo da exposição com o mesmo nome realizada no âmbito da atribuição a Jorge Molder do Prémio Fundação EDP/Arte 2010, apresentada pela Fundação EDP e o Museu Nacional de Arte Contemporânea no Museu do Chiado de 28 de Novembro de 2013 a 23 de Fevereiro de 2014.
Jorge Molder (Lisboa, 1947), escritor e fotógrafo, tem formação académica em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa. Fez parte dos quadros da Fundação Calouste Gulbenkian como assessor, desde 1990. A partir de 1994 foi director do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Como fotógrafo, Jorge Molder tem um muito relevante percurso nacional e internacional. Foi artista convidado na Bienal de São Paulo em 1994 e representou Portugal na Bienal de Veneza em 1999. Em 2007 ganhou o prémio AICA e, em 2010, o Grande Prémio EDP/Arte.
«A obra de Jorge Molder tem-se construído, ao longo de várias décadas, através de imagens pensadas como séries, evidentes narrativas temático-visuais, carregadas de referências literárias, filosóficas, cinéfilas, sempre absorvidas pelo espaço-tempo individual do autor. No contexto do grupo de obras que vimos destacando, cada uma convive com a realidade exterior (não artística) de outros escritórios e de outros apartamentos; e também com as suas escadas escuras e elevadores envelhecidos, com sons mecânicos e humanos que neles vibram; e também com as ruas lá fora, com a luz coada das portadas e as sujas passagens entre saguões, com o bater das asas dos pombos nos beirais; e ainda com o sentir das sombras de quem sobe e de quem desce, com o ir sabendo os nomes de quem morre e de quem chega de novo para se sentar numa cadeira vazia ou numa cama lavada – dia após dia, ano após ano, até tudo se esvaziar e encher outra vez. É pela sua capacidade de serem exercícios pessoais e espelho de realidades universais que estes catálogos de obsessões tão bem nos servem.»
João Pinharanda, «A Vida: Modo de Usar», Rei Capitão Soldado Ladrão
quarta-feira, 11 de julho de 2012
«Tudo me espanta. Pinto o meu espanto, que é ao mesmo tempo maravilha, terror, riso»
Vieira da Silva – O Espaço e Outros Enigmas
João Pinharanda, José Manuel dos Santos e Marina Bairrão Ruivo
ISBN: 978-989-97719-4-9
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 24×27 cm (brochado) / Número de páginas: 72 (a cores)
[ com a Fundação EDP e a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva ]
Os grandes artistas não deixam esquecer os lugares onde o seu olhar os levou. A lembrança desses lugares fica para sempre na sua obra e naqueles que a vêem. Maria Helena Vieira da Silva pintou um quadro a que chamou Ville ou Porto. Esta exposição dá a esse quadro o lugar que lhe permite coincidir consigo-mesmo.
Na viagem que é a sua pintura, Vieira da Silva é a heroína «de mil estratagemas, que tanto vagueou, depois de ter destruído a acrópole sagrada de Tróia, que viu cidades e conheceu costumes de tantos homens e que no mar padeceu mil tormentos, quando lutava pela vida e pelo regresso» (Odisseia). Diferentemente de Penélope, foi ela quem andou pelos mares, rodeada de medos e de monstros, ora impelida ora impedida pelos deuses, enquanto Arpad, ao contrário de Ulisses, ficava em Ítaca, fazendo e desfazendo a sua espera.
Esta Vieira era aquela de quem Agustina Bessa-Luís, sua amiga, afirmou que «era tímida na grandeza para não ser vulgar no orgulho». Esta Vieira era aquela de quem Cesariny, seu amigo, disse: «Há na obra de Vieira algo que gosto de aparentar aos poderes do xamã». Esta Vieira era a dos olhos muito abertos que se atiravam às coisas, pronta a devorar o mundo: «Tudo me espanta. Pinto o meu espanto, que é ao mesmo tempo maravilha, terror, riso».
José Manuel dos Santos
José Manuel dos Santos
[Director Cultural da Fundação EDP]
segunda-feira, 2 de julho de 2012
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