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domingo, 4 de julho de 2021

Prémio Melhor Monografia – CEIS20 distingue José Bértolo

 

José Bértolo, com «Sobreimpressões – Leituras de Filmes», venceu o prémio de melhor monografia da 1.ª edição dos Prémios AIM — Associação de Investigadores da Imagem em Movimento.

Parabéns, José Bértolo!
«Os ensaios que compõem a monografia de José Bértolo começaram por ser textos publicados, à razão de um por mês, entre setembro de 2017 e novembro de 2018, no website À pala de Walsh. Para este livro, o autor reviu-os, modificou-os e acrescentou outros, que antes haviam tomado a forma de comunicações em diversos encontros académicos. O júri destaca, aqui, o estudo nada compósito sobre o conceito de “sobreimpressão”, que surge clarificado e consolidado pelas leituras dos diferentes objetos fílmicos, em análises de grande rigor e maravilhamento.»

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Espectros do Cinema – Manoel de Oliveira e João Pedro Rodrigues

Espectros do Cinema – Manoel de Oliveira e João Pedro Rodrigues 
José Bértolo 


ISBN 978-989-9006-59-1 | EAN 9789899006591 

Edição: Dezembro de 2020 
Preço: 18,86 euros | PVP: 20 euros 
Formato: 16 × 22 cm (brochado) 
Número de páginas: 272 
Com o apoio do CEC 

Este livro é uma galeria de retratos de figuras que, como se diz em Benilde, «não são deste mundo», figuras fantasmáticas, prometidas a uma existência liminar, que adquirem uma espécie de inteireza justamente na sua inconsistência ôntica.



A figura do fantasma tem acompanhado a história do cinema desde o século XIX até aos nossos dias, marcando presença numa grande diversidade de géneros fílmicos. Além disso, a própria arte cinematográfica tem sido, repetidas vezes, considerada e descrita como uma coisa espectral em si mesma. Em 1896, Máximo Gorki qualificou o cinema como um «reino de sombras», e, já no século XXI, Jacques Derrida afirmou que a experiência cinematográfica pertence à esfera da espectralidade. Deste modo, ir ao cinema implica necessariamente confraternizar com espectros, ser assombrado, quer os filmes tornem os fantasmas visíveis, quer não. 
No contexto português, Manoel de Oliveira e João Pedro Rodrigues surgem como os cineastas que reflectiram sobre a espectralidade do cinema de forma mais consistente. Atentando no funcionamento das suas narrativas de amor, loucura e morte, bem como nos seres que as protagonizam, votados a uma existência liminar, entre o mundo dos mortos e o dos vivos, este livro constrói uma galeria de retratos de figuras fantasmáticas, que, como se diz em Benilde ou a Virgem Mãe, «não pertencem a este mundo». 

Tal como os retratos numa galeria são autónomos, e dados à contemplação individual, num percurso que se faz através da(s) sala(s) de exposição, também os capítulos deste livro são concebidos desse modo. Não se trata, então, de procurar activamente semelhanças entre os cineastas, nem tampouco diferenças, não obstante os pontos de contacto surgirem inevitavelmente, sendo, então, devidamente assinalados. A minha hipótese de trabalho consiste em elaborar uma espécie de mosaico no qual se possam ver em simultâneo (idealmente, em palimpséstica sobreimpressão) tantas configurações do mesmo problema de partida quanto objectos particulares de estudo (i.e., personagens de filmes) existem. 
[José Bértolo]