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segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Pedras e Batatas / O Ruído dos Sonhos

Pedras e Batatas / O Ruído dos Sonhos
Miguel Ângelo Rocha, com Isabel Madureira Andrade e Russell Floersch

Textos de Maria João Gamito e Ricardo Escarduça
Design gráfico de Atelier Pedro Falcão

ISBN 978-989-568-097-9 | EAN 9789895680979

Edição: Abril de 2023
Preço: 28,30 euros | PVP: 30 euros
Formato: 21 × 28 cm (encadernado, com tela serigrafada)
Número de páginas: 196 (a cores)

Com a Galeria 111 e o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra

Edição bilingue: português-inglês


Miguel Ângelo Rocha: «Este livro apresenta um projecto em dois momentos (duas exposições): Pedras e Batatas, na Galeria 111, Lisboa, e O Ruído dos Sonhos, no CAPC (Sede e Sereia), Coimbra. Para a exposição no CAPC, convidei os artistas Isabel Madureira Andrade e Russell Floersch. O envolvimento destes artistas, assim como as suas obras, completam o projecto.»

 


Na exacta irregularidade da forma que, recortada em papel branco, ocupa quase um terço da margem inferior do desenho/colagem, uma seta põe em contacto um título — Stones and Potatoes — e os registos sobrepostos em que, da leitura, julgamos reconhecer uma pedra e uma batata. Neste sentido, vinda das palavras, a seta aponta para as imagens sugerindo aos olhos a direcção que as concretiza como figuras prováveis da estabilidade semântica conferida por um título.

Mas se ignorarmos essa direcção e começarmos por nos deter na improbabilidade das figuras, apenas duvidando das palavras — já não título mas legenda — nos podemos aproximar da observação do seu movimento, considerado por Miguel Ângelo Rocha um programa de desobediência. E se, à partida, o movimento resulta tanto da obra a fazer-se como do seu continuado devir, a desobediência é a condição que nela inscreve as múltiplas divergências que comprometem a imobilidade das palavras, das imagens e dos objectos, mantendo intacto o rigor da sua presença.

[Maria João Gamito]


Sem adoptar o plano de uma exposição colectiva, em O Ruído dos Sonhos, Miguel Ângelo Rocha, Isabel Madureira Andrade e Russell Floersch encontram-se, como se um mistério gravítico, algum ímpeto magnético que habite e agite o seu interior e, contudo, não dominam nem de que tomam posse, os atraia, e, enfim, revele o invariante que eclode do particular. […] O Ruído dos Sonhos é uma manifestação de Formas, contêm ideias, porém alheias à metafísica. São coisas, matérias e formas imediatas, sem idealismo ou intangibilidade.

[Ricardo Escarduça]

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Sofia Areal: 20 Anos para a Frente, 20 Anos para Trás

Sofia Areal: 20 Anos para a Frente, 20 Anos para Trás 
Sofia Areal 

Edição de Martim Brion 
Textos de Jorge Silva Melo, José Luís Porfírio, Martim Brion, Ricardo Escarduça 

ISBN 978-989-8833-64-8 | EAN 9789898833648 

Edição: Setembro de 2021 
Preço: 35,85 euros | PVP: 38 euros
Formato: 23,6 × 33 cm (encadernado, com cinta) 
Número de páginas: 224 (a cores) 

Com a Fundação Carmona e Costa Edição bilingue: português-inglês


A obra de Sofia […] é um retrato da sua vida, um retrato das suas ideias, necessidades e desejos, a necessidade de se exprimir e de ser livre sem mais restrições que as suas capacidades físicas e os limites da sua imaginação. 
[Martim Brion] 



Como a maior parte das exposições na Fundação Carmona e Costa, esta é uma exposição de câmara, i.e., onde o formato conta e o suporte é o papel, onde o desenho está presente, muito embora sem ser dominante, e, no caso de Sofia Areal, onde a exuberância de cor é dominante, indispensável quase sempre. Dizer câmara não é limitar, é ajudar a definir a regra do jogo que se joga neste conjunto de obras que, embora descendo no tempo até aos anos 90 do século XX, não se institui como história ou retrospectiva, mas como uma espécie de mapa poético, ou como um passeio através de formas e temas que constroem uma paisagem e essa paisagem é: a pintura e o desenho de Sofia Areal. 
A formas dominantes estão todas lá e associam-se a temas que a artista elege em séries e nomeia com o seu peculiar gosto de inventar nomes e títulos que têm sempre «algo que se lhe diga», é a artista quem o afirma. 
[…] 
Depressa e bem… 
… há pouco quem! É o povo que o diz num provérbio contra o qual Sofia se insurge, porque a velocidade e a urgência são o seu forte, muito embora em certos casos possa andar alguns anos em torno de um desenho-colagem sem saber o que lhe fazer, esperando o instante em que subitamente resolva o problema depressa, depressa sempre. Esta urgência é parte integrante do seu fazer, de um trabalho que é, sempre, um divertimento, um prazer ou uma fonte de alegria, rápida e amável no sentido em que está sempre buscando um afecto positivo. 
Esta rapidez assemelha-se ao improviso e sobretudo ao desaprender. Sofia Areal frequentou escolas, porém a sua prática artística faz-se no abandono delas, na capacidade de emigrar para uma escrita antes da escrita, um desenho antes do desenho e uma pintura a fazer-se ali diante dos nossos olhos, sempre viva porque sempre incompleta, caminho sem fim, jogo, brincadeira, grito, riso, divertimento. 
[José Luís Porfírio]

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Uma Luz sobre a Noite seguido de O Pão e a Alma


Uma Luz sobre a Noite seguido de O Pão e a Alma
Paulo Pires do Vale, Rui Serra, Tomás Maia

Apresentação de Ricardo Escarduça

ISBN 978-989-9006-07-2 | 9789899006072

Edição: Novembro de 2019
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 17 x 24 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 60 (a cores)

Com o Projecto Travessa da Ermida


A arte não transfigura a noite em dia; ela faz luz sobre a noite. O que já é muito — mesmo se, para muitos, pode parecer pouco. Miséria da arte. Mas miséria que alimenta a nossa fome negra.


Uma Luz Sobre a Noite, de Paulo Pires do Vale e Tomás Maia, publicado pela Documenta, é apresentado pelo Projecto Travessa da Ermida no contexto do encerramento da exposição «Fome» de Rui Serra. O livro é o corolário de um encontro a dois tempos entre os autores e o pintor, iniciado em Abril de 2017 no âmbito da sua exposição «Todas as Noites», no Museu de Arte Contemporânea de Elvas (colecção António Cachola). 
[Ricardo Escarduça, «Apresentação»]


— … se a Noite é «antiquíssima» — a Noite que nos faz falar —, não será ela então e sempre o antiquíssimo em nós? Quando fazemos uma obra, necessariamente trazida à luz, não estaremos assim a responder à Noite e, ao mesmo tempo, não a chamaremos? Ser chamado e chamar pela Noite, não será isso o que faz a obra dizendo ou ecoando Vem— «Vem, Noite antiquíssima e idêntica»? E, no entanto, essa obra não mostrará também que a Noite recua e se esquiva sempre, cada vez mais longínqua, mais antiga?

— Sim, antiquíssima porque originante — e os mitos da criação sublinham que antes da luz ou do dia, havia a noite: ela é o Anterior. Escuridão que antecede o começo. […]
[Paulo Pires do Vale e Tomás Maia, «Diálogo»]


De que fome se está a falar com este título — «Fome»? E quem pode falar da fome, e a que título? 
Há pelo menos duas fomes, a do animal físico e a do animal metafísico. O humano, se não vir saciada a primeira fome, não pode experienciar a insaciabilidade da segunda. Leio Pascoaes:
Viver é ter fome! A vida é fome: fome de alma e de pão! Fome negra!
Seja de alma ou de pão, a fome é negra. E tal é a primeira experiência desta exposição — que nos convida a entrar e a atravessar um negrume. Travessia da qual não sairemos incólumes: seremos expulsos para ver, a outra luz, a noite. Para rever a noite à luz da arte.
[Tomás Maia, «O Pão e a Alma»]