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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Gatos Comunicantes — Correspondência entre Vieira da Silva e Mário Cesariny (1952-1985)


Gatos Comunicantes — Correspondência entre Vieira da Silva e Mário Cesariny (1952-1985)
Vieira da Silva, Mário Cesariny, Arpad Szenes

Edição e textos de Sandra Santos, António Soares
Apresentação de José Manuel dos Santos

ISBN 978-989-8902-48-1 | EAN 9789898902481

Edição: Novembro de 2018

Preço: 17,92 euros | PVP: 19 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado com badanas)
Número de páginas: 336

Com a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva
Apoio da Fundação Cupertino de Miranda



O amor de Cesariny por Vieira (e pelo par-ímpar Vieira-Arpad) é um amor que aponta ao centro do mundo, onde o fogo nasce e se oculta. Por esse amor, tudo se mostra possível, tudo se torna real, tudo se faz visível.

Esta edição é publicada com o apoio da Fundação Cupertino de Miranda, por ocasião de «Mário Cesariny – Encontros XII», realizados em Novembro de 2018.

Página a página, linha a linha, palavra a palavra, este livro ergue as figuras reais de Maria Helena Vieira da Silva e de Mário Cesariny de Vasconcelos. Ergue-as, assim cada um foi inventando o outro, num frente a frente perpétuo, sem intervalo ou traição. Este diálogo de vozes e de silêncios-entre-as-vozes, de palavras e de sem-palavras-entre-as-palavras, levanta estas figuras sobre (e contra) um chão de pequenez, hostilidade e escuridão, dando-as como elas são. E como elas se olharam, se representaram, se admiraram, se amaram uma à outra: únicas, grandiosas e magnificadas. Ao fundo, aparece Arpad, com uma elegância longa, a saudá-los, a saudar-nos, na sua doçura inquieta, na paciência e sabedoria do seu estar. Um pouco atrás, ouve-se, vê-se Guy Weelen a anotar, a preparar, a cuidar, a tramitar, a transmitir. Este livro prova que «os encontros são proporcionais aos destinos» e que o amor pode ser um relâmpago contínuo, livre, invencível.
Lemos estas cartas, tão intensas, tão terríveis, tão belas (às vezes, próximas do «belo tenebroso») como quem decifra duas caligrafias entrelaçadas, cruzadas, abraçadas, deitadas uma sobre a outra, como gatos que brincam na rua.
[…]
Este epistolário é uma erotografia. Mas é também uma terrível acusação feita a um país onde «o ar era um vómito». Uma acusação que ainda não prescreveu! Nestas cartas, com tempos fortes e fracos, com saltos, interrupções, lapsos, intromissões e hiatos, os anos passam, ora lentos, ora rápidos, ora súbitos. Se os contarmos bem, aprendemos que Cesariny toda a vida pensou em Vieira como numa salvação — para ele, para nós. Repito: para nós!
[José Manuel dos Santos]

Graça Costa Cabral — Escultura


Graça Costa Cabral — Escultura
Graça Costa Cabral

Edição de Manuel Costa Cabral, Manuel Rosa, Teresa Costa Cabral

Textos de Fátima Marques Pereira, Fernando Varanda, Graça Costa Cabral, 
Jorge van Zeller Leitão, Maria Flávia Monsaraz, Helmut Wohl, Manuel Castro Caldas, 
Manuel Costa Cabral, Maria Antónia Oliveira, Philip Cabau, Salette Tavares

ISBN 978-989-8902-25-2 | EAN 9789898902252

Edição: Outubro de 2018
Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros
Formato: 17 x 22 cm (encadernado)
Número de páginas: 194 (a cores)

Com a Fundação Carmona e Costa

Edição bilingue: português-inglês


Graça Costa Cabral: «Olho para estas ilhas e vejo o princípio do mundo, o fogo, as lavas, as cinzas, as pedras, os metais, o ferro, a matéria a elevar-se do mar e depois a quietude, o princípio da vida.»


Nasceu na ilha de São Miguel, Açores e muito nova veio para Lisboa. Estudou na Escola António Arroio e na Escola de Belas-Artes, dando curso a uma actividade continuada de escultora. Foi co-fundadora do Ar.Co, projecto a que dedicou toda a sua vida como professora e membro da Direcção. Ao longo destes anos, nunca abandonou o seu trabalho de escultora tendo executado um número significativo de encomendas e participado com regularidade em exposições individuais e colectivas.
Soube aliar de forma exemplar a sua actividade de professora com a de escultora, trabalhando nas oficinas do Ar.Co ao lado dos alunos e explorando as novas tecnologias e materiais que foram sendo incluídos nos programas de aprendizagem.
Nos últimos três anos da sua vida, preparámos a exposição apresentada em Lisboa na SNBA em Abril de 2016, reunindo peças e desenhos inéditos a par da selecção de alguns conjuntos escultóricos já mostrados anteriormente.
Esta exposição foi apresentada dois anos depois na ilha de São Miguel, sua terra natal, no Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas, Ribeira Grande, de 26 de Janeiro a 8 de Abril de 2018.
Ao conjunto apresentado em Lisboa juntaram-se 14 pinturas todas de 2001, 73 pequenas esculturas de porcelana, ferro e bronze e uma meia dúzia de peças pertencentes a colecções sediadas nos Açores.
Como homenagem sentida e saudosa é editado este livro/catálogo que reúne um conjunto fotográfico da exposição nos Açores, uma recolha de textos críticos, depoimentos e poemas de amigos e integra ainda um currículo detalhado e uma exaustiva fortuna crítica.
[Manuel Costa Cabral, «Graça Costa Cabral (1939-2016)»]

Lux in Tenebris I Miguel Telles da Gama


Lux in Tenebris
Miguel Telles da Gama

Textos de José Sarmento de Matos, Jorge Silva Melo, Manuel Costa Cabral

ISBN 978-989-8902-46-7 | EAN 9789898902467

Edição: Novembro de 2018

Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 17 x 22 cm (encadernado)
Número de páginas: 104 (a cores)

Com a Fundação Carmona e Costa

Edição bilingue: português-inglês



O Miguel mete-se connosco, desencadeia fiozinhos do inconsciente que irrompem nas tais bolhinhas que perturbam o correr plácido do consciente. Espicaça-nos. Mas cuidado: ele mete-se connosco mas não brinca connosco.

Este livro foi publicado por ocasião da exposição Lux in Tenebris, de Miguel Telles da Gama, com curadoria de Manuel Costa Cabral, realizada na Fundação Portuguesa das Comunicações entre 22 de Novembro de 2018 e 5 de Janeiro de 2019.

No princípio deste ano, o Miguel desafiou-me para ver o que eu achava do primeiro quadro que estava quase pronto e que abria o tema da sua próxima exposição. Lá fui ao seu atelier pequeno no fundo do quintal para observar com bastante interesse, pois daquele pincel nunca se sabe o que pode sair. Olhei, e gostei da originalidade do tema e da estranheza que me causou. […] Para mim, a pintura não se interpreta, sente-se.
Desde o momento que vi esse quadro, desencadeou-se em mim a sensação incómoda de que um fiozinho subia do inconsciente e fazia como que umas bolhinhas agitadoras na linearidade mais ou menos calma da nossa linha do consciente, da racionalidade e da lógica que nos vai facilitando o confronto com o mundo exterior. Perturbou-me. 
[José Sarmento de Matos]

São armaduras, carapaças, viseiras, palas, articulações, é metal o que Miguel Telles da Gama agora obsessivamente pinta, o que restou de cavaleiros andantes, o que ficou das latas improvisadas do Alexandre Nevsky, negros metais bélicos que já não protegem vencedores nem santos combatentes, há muito que já não há Carlos V para os pintores retratarem no auge da batalha ou na paz de Breda. 
[Jorge Silva Melo]

Porquê a inscrição da pintura num círculo em trabalhos anteriores e agora neste? O círculo como na lanterna mágica, a abordagem através de um buraco de fechadura, de um óculo…

…porque na verdade é disso que se trata, nós estamos do lado de cá e é como se houvesse uma coisa no lado de lá que nós vemos e a que não temos acesso.
[Conversa Manuel Costa Cabral | Miguel Telles da Gama]

Litania I António Sena

Litania
António Sena

Texto de Maria Filomena Molder

ISBN 978-989-8902-49-8 | EAN 9789898902498

Edição: Novembro de 2018
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 17 x 22,5 cm (brochado com badanas)
Número de páginas: 100 (a cores)

Co-edição com a Giefarte

Edição bilingue: português-inglês


Litania é também uma experiência tipográfica recente, que desenvolve a ideia de variação própria dos escribas medievais, que recorriam a diferentes figuras de maiúsculas, até na mesma palavra.


Este livro foi lançado por ocasião da exposição Litania na Giefarte em Lisboa, de 27 de Novembro de 2018 a 11 de Janeiro de 2019.

Tornar-se naquilo que se é, o preceito nietzschiano de vida — aquele que impede qualquer pretensão ou exigência de evolução, que evita a ilusão da evolução — é observável na obra de António Sena e conhece uma espécie de esplendor nesta exposição. E a coisa não é pêra doce, pois o preceito de Nietzsche, que vai ter com o título-epígrafe de Montaigne (mais humorístico e com menos ar de preceito), obriga a manter uma luta sem tréguas de cada um consigo próprio. E já se sabe que a tão moderna dilaceração íntima é sinal de falta de saúde. Em arte, como nisto de estarmos vivos, o combate é pela saúde. Só que na arte parece que as feridas reabrem constantemente; em rigor, não há cura (seguindo aqui Louise Bourgeois). No entanto, se o artista não cair na armadilha da evolução fora deste tornar-se naquilo que se é, pelo menos ganha uma força atlética, o que é uma variedade imaginativa de saúde.
Aqui ajusta-se que nem uma luva a dedicatória que Giacometti escreveu no catálogo enviado a André Breton, catorze anos depois de ter sido condenado por maus pensamentos e expulso da capela surrealista sem remissão possível, agora que Breton, et pour cause, se interessava de novo, e muito, por ele: «Lembra-te disto. Eu não vou melhorar.»
[Maria Filomena Molder]

Uma Pequena História da Linha – Selecção de Desenhos da Colecção do Ar.Co


Uma Pequena História da Linha
Selecção de Desenhos da Colecção do Ar.Co
Vários autores*

Textos de Filipa Oliveira, Inês de Medeiros, Manuel Castro Caldas

ISBN 978-989-8902-47-4 | EAN 9789898902474

Edição: Novembro de 2018
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 24 x 29 cm (brochado com badanas)
Número de páginas: 128 (a cores)

Com a Fundação Carmona e Costa

Edição bilingue: português-inglês


Uma pequena história que agrega universos e estéticas muito diferentes unidos pela mão de uma escola de arte.


Este livro foi publicado por ocasião da exposição Uma Pequena História da Linha. Desenhos da Colecção do Ar.Co, realizada na Casa da Cerca, com curadoria de Filipa Oliveira, de 29 de Setembro a 25 de Novembro de 2018.

* A.calpi • Alexandre Camarao • Alexandre Conefrey • Ana Hatherly • Ana Jotta • Ana Santos • Bernardo Simões Correia • Carmo Posser • Claire de Santa Coloma • Daniel Lima • Eduardo F. M. • Fernando Calhau • Francisco Tropa • Gaëtan • João Queiroz • Jorge Martins • Jorge Nesbitt • Jorge Queiroz • Julião Sarmento • Lourdes Castro • Manuel Caldeira • Mattia Denisse • Nuno Henrique • Pedro Sousa Vieira • Rui Moreira • Rui Sanches • Rui Toscano • Sara & André.

Desafiámos o Ar.Co a aqui mostrar uma parte da sua colecção de desenho. É uma exposição sobre a história do Ar.Co, mas é também sobre uma parte importante da história da arte portuguesa dos últimos 45 anos e mesmo da história de Almada. 
[Inês de Medeiros]

O que apresentamos são obras improváveis que relatam o lastro da própria escola: algumas são de artistas que foram alunos, outras de professores, outras ainda de artistas que não tiveram qualquer relação directa com o Ar.Co. Todos são ligados por afinidades electivas, numa lógica relacional. Vinte e oito artistas portugueses que vão desde os muito conceituados aos jovens recém-saídos da escola, através dos quais podemos escrever uma pequena história da linha. 
[Filipa Oliveira]

A colecção conta hoje com perto de 700 entradas, reúne obras de 180 artistas e estende-se pelas áreas do desenho, pintura, escultura, gravura, fotografia, cerâmica, joalharia, instalação, ilustração/BD e vídeo/filme. […] Como ocorrera já em exposições anteriores, o projecto motivou a escola para angariar novas entradas. 
[Manuel Castro Caldas]

(Co)Habitar I Vários autores


(Co)Habitar
Andrea Brandão, Lia Chaia, Daniel Barroca, Joana Bastos, Eurídice Kala, Cinthia Marcelle, Carolina Saquel

Edição de Margarida Brito Alves, Giulia Lamoni, Filomena Serra
Textos de Manuela Júdice, Vítor Ramalho, Margarida Brito Alves, Giulia Lamoni, Filomena Serra, Emilio Tarazona

ISBN 978-989-8902-39-9 | EAN 9789898902399

Edição: Novembro de 2018

Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 17 x 23,5 cm (brochado com badanas)
Número de páginas: 144 (a cores)

Com a UCCLA e Casa da América Latina

Edição bilingue: português-espanhol



Com quem, e com o quê, partilhamos os espaços que habitamos – a nossa casa, mas também, numa escala diferenciada, a cidade e as suas ruas, os lugares reais, virtuais e imaginários que atravessamos?


A exposição (Co)Habitar, com curadoria de Margarida Brito Alves, Giulia Lamoni e Filomena Serra, realizou-se nas novas instalações do edifício da Casa da América Latina e da UCCLA – União de Cidades Capitais de Língua Portuguesa, em Lisboa, de 30 de Setembro de 2016 a 30 de Janeiro de 2017


Será um risco habitar com o estranho […] num mundo onde se constroem muros? Será um risco abrir caminho ao diálogo com o outro? Será um risco construir pontes? Foi o desafio que aceitámos ao convidar Margarida Brito Alves, Giulia Lamoni e Filomena Serra para preparar uma exposição de trabalhos de Lia Chaia e Andreia Brandão, uma brasileira e uma portuguesa, que em conjunto habitam o nosso espaço com as suas criações.
Tal como os novos empreendedores e profissionais que preferem partilhar o seu tempo, o seu talento e as suas afinidades em espaços de coworking e de coliving, estas duas artistas logram, com esta partilha de espaço, uma empatia e uma solidariedade que conferem às suas obras um carácter solidário muito particular.
[Manuela Júdice | Vítor Ramalho]

[…] o título da exposição evoca também os modos como as próprias obras exploram processos ligados a práticas de habitar. Neste contexto, a cidade contemporânea e as suas dimensões sociais, culturais e políticas, e em particular as tensões entre local e global que incorpora, afirmam-se como uma das linhas de pesquisa mais fortes deste projecto, atravessando muitos dos trabalhos apresentados.
[Margarida Brito Alves | Giulia Lamoni | Filomena Serra]

LUZAZUL I Miguel Soares


LUZAZUL
Miguel Soares

Textos de Adelaide Ginga, Bernhard Serexhe, Emília Ferreira

ISBN 978-989-8902-44-3 | EAN 9789898902443

Edição: Novembro de 2018

Preço: 20,75 euros | PVP: 22 euros
Formato: 24 x 28 cm (brochado com badanas)
Número de páginas: 144 (a cores)

Com o MNAC – Museu do Chiado

Edição bilingue: português-inglês




Miguel Soares: «Penso que todos os artistas desejam que os seus trabalhos convidem à reflexão, e neste contexto não é importante se o trabalho tem narrativa ou não.»


Este livro foi editado por ocasião da exposição LUZAZUL, de Miguel Soares, com curadoria de Adelaide Ginga, realizada no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa, de 23 de Novembro de 2018 a 24 de Fevereiro de 2019.

Por coincidência, no ano em que se cumprem dois séculos sobre a publicação de Frankenstein, de Mary Shelley, Miguel Soares atualiza uma das questões centrais do romance, referente ao poder da ciência e aos seus limites éticos. Misturando fotografia, vídeo e tecnologias digitais, Miguel Soares propõe-nos um percurso sobre o nosso passado, presente e futuro com o mundo das máquinas que criámos e havemos de criar […]
[Emília Ferreira]

LUZAZUL é um palíndromo composto por duas palavras, Luz e Azul, que, juntas, se podem ler tanto da direita para a esquerda como da esquerda para a direita. A escolha destas duas palavras prende-se com a luz da tecnologia que domina o mundo de hoje e o conceito de espelho, metonímia de amplitude em desenvolvimento contínuo, presentes neste trabalho de Miguel Soares. […] A problematização de assuntos extemporâneos que ainda não entraram na preocupação da sociedade em geral, nomeadamente a questão do imparável desenvolvimento da Inteligência Artificial e da presença crescente dos robôs na sociedade, levou Miguel Soares a assumir, uma vez mais, uma posição vanguardista, ao antecipar-se na interpretação artística dessa realidade.
[Adelaide Ginga]

A visualização de informação em todo o tipo de ecrãs electrónicos tornou-se a técnica cultural predominante do nosso tempo. […] Além de ter efeitos negativos, geralmente ignorados, no nosso relógio biológico e no nosso bem-estar, a luz azul funciona também como metáfora de uma nova percepção do mundo que é, ao mesmo tempo, a causa e o resultado de tecnologias em rápido desenvolvimento.
[Bernhard Serexhe]

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Memórias — Os anos do exílio em Itália (1.º volume) I Élisabeth Vigée Le Brun


Memórias — Os anos do exílio em Itália
(1.º volume)
Élisabeth Vigée Le Brun

Tradução, apresentação e notas de Maria Etelvina Santos

ISBN 978-989-8902-34-4 | EAN 9789898902344

Edição: Outubro de 2018
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 15,5 x 21,5 cm (brochado)
Número de páginas: 256



«Pintar e viver nunca foram, para mim, senão uma e a mesma coisa.»

«Quanto a Madame [Luísa] Todi, aliava a uma voz magnífica todas as qualidades de uma grande cantora, e cantava com a mesma perfeição tanto o cómico como o trágico.» 
[p. 94]
«[…] também fiz o retrato, meio corpo, do próprio Lord Bristol, e o de Madame Silva, a jovem portuguesa que depois fui reencontrar em Nápoles e de quem falarei mais tarde.» 
[p. 172]
«Fui ter com Madame Silva, a minha amável portuguesa, para percorrer com ela uma parte da ilha que é encantadora» 
[p. 210]


Figura controversa na sua época, Jean-Jacques Rousseau é o autor escolhido por Élisabeth Vigée Le Brun [1755-1842] para dar voz à epígrafe das suas Memórias. A escolha, não sendo inocente, revela-se mesmo inevitável. Mais do que as memórias da pintora oficial da rainha Maria Antonieta, ou do seu exílio de doze anos, as páginas de Vigée Le Brun reflectem um ponto de vista idêntico ao que encontramos nos textos de Rousseau, sobretudo nas Confessions ou Rêveries: o da sensibilidade que vive no olhar, o da subtileza e cadência da poesia, o da verdade de um ritmo musical ou dos múltiplos matizes da cor, o da convicção que se forma na audácia de quem se confessa sugestionável ou na intimidade visionária de quem cria. É sob esta luz que se desdobram os acontecimentos relatados pela autora.
[…]
Memórias ou autobiografia, estamos perante um texto que se divide em dois grandes momentos (dos quais o primeiro se publica agora em tradução).Esta primeira parte, ou volume, consta das doze cartas à princesa Kurakin (relato da vida da autora, incluindo uma viagem à Flandres, as sessões de pintura com a rainha Maria Antonieta, os anos que antecederam a Revolução, até 1789, e a sua saída de Paris) e dos dez capítulos (correspondentes a cerca de dois anos e meio, entre 1789 e 1792) que relatam a fuga e o percurso através dos Alpes e a sua estada em Itália, até à partida para a Áustria, continuando o exílio que durou cerca de doze anos.
[Maria Etelvina Santos]

Alexandre Melo: Cúmplice dos Artistas


Alexandre Melo: Cúmplice dos Artistas
— Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro seguido de uma conversa com João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira (Rádio Quântica)

Alexandre Melo, Sara Antónia Matos, Pedro Faro,
João Pedro Vale, Nuno Alexandre Ferreira

Introdução de Sara Antónia Matos

ISBN 978-989-8902-43-6 | EAN 9789898902436

Edição: Outubro de 2018
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 12 x 17 cm (brochado)
Número de páginas: 208

Com o Atelier-Museu Júlio Pomar

Este livro dá seguimento ao projecto de entrevistas que se iniciou com Júlio Pomar: O Artista Fala… [2014], continuou com Rui Chafes: Sob a Pele [2015], Julião Sarmento: O Artista Como Ele É [2016] e Cabrita Reis: A Voragem do Mundo [2017].


As conversas com Alexandre Melo entre 2016 e 2017, pretendiam dar a conhecer o percurso do autor e, através do seu exemplo, o modo como se desenvolveu a crítica da arte e se instituiu o sistema de legitimação em Portugal, para o qual ele contribuiu decisivamente, em particular nos anos oitenta — período em que a crítica e o sistema propriamente ditos eram quase inexistentes. É, aliás, sobre isso, e sobre as inúmeras reflexões que foi fazendo ao longo das décadas, que tratam os livros que publicou — resultado nítido dos seus conhecimentos (e formação) no âmbito da economia e das ciências sociais, particularmente a sociologia. O cruzamento destes campos epistemológicos, bem como a sua experiência de docente na Universidade, associados à prática concreta de trabalho directo com os artistas, com as instituições e com os múltiplos agentes do meio, confere a este autor uma amplitude de visão que provavelmente estará na base da sua abertura ético-moral e da sua liberdade crítica, por vezes corrosiva.
[…]
Alexandre Melo, crítico e curador, com um percurso internacional reconhecido, deixa compreender as vicissitudes do universo artístico e institucional e o modo como as formas de legitimação se exerceram.
[…]
Como se verá ao longo das páginas que se seguem, as conversas abrangeram questões relativas à vida pessoal, ao percurso profissional e aos posicionamentos ideológicos do autor, tendo este falado sempre sem reservas, fosse em relação aos assuntos perante os quais mostra mais convicção, fosse relativamente àqueles que lhe oferecem algumas dúvidas.
A ambição das entrevistas passa também por essas oscilações, crenças e motivações pessoais, mostrando através da voz própria que cada autor tem um percurso singular e uma função no meio insubstituível.
[Sara Antónia Matos]

Tirant lo Blanc – 3º volume I Joanot Martorell



Tirant lo Blanc – 3.º volume
Joanot Martorell

Tradução do catalão e notas Artur Guerra
Desenhos e xilogravuras de Ilda David’

ISBN 978-989-8902-17-7 | EAN 9789898902177

Edição: Maio de 2018
Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros
Formato: 15,5 x 21,5 cm (brochado)
Número de páginas: 384


«Aqui finda o livro do valeroso e intrépido cavaleiro Tirant lo Blanc, Príncipe e César do Império Grego de Constantinopla, o qual foi traduzido do inglês para a língua portuguesa, e depois para a língua vulgar valenciana, pelo magnífico e virtuoso cavaleiro mossèn Joanot Martorell […]»


«Sem querer cansar-se mais em ler livros de cavalarias, mandou à ama que tomasse todos os livros grandes e os deitasse para o pátio [a fim de serem queimados].
Por pegar em muitos ao mesmo tempo, caiu-lhe um aos pés do barbeiro; teve vontade de ver de quem era, e viu que se chamava História do Famoso Cavaleiro Tirant lo Blanc.
– Valha-me Deus! – disse o cura, soltando um grande brado –, que aqui está o Tirant lo Blanc! Dai-mo cá, compadre, que eu agirei como quem encontrou nele um tesouro de contentamento e uma mina de passatempos. Aqui está Dom Kirieleison de Muntalbà, valoroso cavaleiro, o seu irmão Tomás de Muntalbà, e o cavaleiro Fonseca, com a batalha que o valente Tirant fez com o alão, e as subtilezas da donzela Prazerdaminhavida, com os amores e artimanhas da viúva Repousada, e a senhora Imperatriz enamorada de Hipólito, seu escudeiro. A verdade vos digo, senhor compadre, que em razão de estilo não há no mundo livro melhor: aqui os cavaleiros comem e dormem, morrem nas suas camas e fazem testamento antes de morrer, com outras coisas mais que faltam em todos os livros deste género. […] Levai-o para casa e lede-o, e vereis que é verdade tudo o que dele eu vos disse.»
[Miguel de Cervantes, D. Quixote de la Mancha, parte I, cap. VI]


O romance Tirant lo Blanc abandona os ideais tipicamente cavaleirescos (cenários exóticos e fantásticos, amores platónicos e princípios morais) para se tornar no primeiro romance realista da literatura europeia, combinando os ideais da cavalaria com a descrição pormenorizada dos usos e costumes da corte e da sociedade do seu tempo, bem como das estratégias militares e dos amores sensuais, onde os protagonistas são humanos com todos os seus vícios e virtudes.

ACABOU-SE DE IMPRIMIR A PRESENTE OBRA
NA CIDADE DE VALÊNCIA
A 20 DO MÊS DE NOVEMBRO DO ANO
DO NASCIMENTO DE NOSSO SENHOR DEUS JESUS CRISTO
DE 1490.

A Nuvem do Não-Saber I Anónimo do séc. XIV


A Nuvem do Não-Saber
Anónimo do séc. XIV

Tradução e notas de Lino Moreira, O.S.B.
Desenhos de Ilda David’

ISBN 978-989-8902-23-8 | EAN 9789898902238

Edição: Outubro de 2018
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado)
Número de páginas: 192




Concebida como uma carta de orientação dirigida a um jovem contemplativo, A Nuvem do Não-Saber continua a ser um guia estimulante e seguro para quantos se interessam pelos caminhos do espírito.


A Nuvem do Não-Saber é um tratado sobre contemplação, escrito por um anónimo inglês, em finais do século XIV. Considerada a obra mais importante da mística inglesa, é enorme o fascínio e a influência que tem exercido até aos nossos dias, tanto pela profundidade de pensamento como pela estética da linguagem.
Entre os seus leitores podemos mencionar nomes tão diversos como os de Augustine Baker, J. H. Newman, T. S. Eliot, Thomas Merton e Malcolm Muggeridge. Há até quem admita que São João da Cruz terá conhecido uma tradução latina da obra, tal é a afinidade da sua doutrina com a do místico inglês.


«Quanto aos tagarelas carnais, os bajuladores e os detractores de si mesmos ou dos outros, os mexeriqueiros, os linguareiros e os que espalham boatos, e ainda toda a espécie de críticos, nunca eu desejei que vissem este livro. É que nunca tive a intenção de escrever esta obra para indivíduos desse jaez. Por isso, não os quero ver intrometidos nesta matéria — nem a eles, nem a quaisquer outros, letrados ou ignorantes, que não passem de curiosos!
E digo isto, porque nem sequer a estes meros curiosos lhes aproveitará o conteúdo do meu livro, ainda que sejam homens excelentes, no plano da vida activa. Entretanto, uma excepção deve abrir-se para aqueles que, apesar de serem activos na forma de vida exterior, são tocados no seu íntimo pelas moções secretas do Espírito de Deus, insondável nos seus juízos.
Tais homens não são como os puros contemplativos, mas dispõem-se às vezes, por acção da graça, a ter parte no supremo ápice do acto contemplativo. Ora, se esses lerem esta obra, deverão encontrar nela, pela graça de Deus, grande fonte de consolação.»



O tradutor, Lino Moreira, é monge beneditino da Abadia de Glenstal, Irlanda, onde actualmente exerce os cargos de hospedeiro e professor de Latim. Nasceu em 1964, em São Pedro de Rates, Póvoa de Varzim. Licenciou-se em Humanidades, Filosofia e Teologia pela Universidade Católica Portuguesa. O interesse pela Teologia Mística foi uma constante da sua vida, que o levou a traduzir para português A Nuvem do Não-Saber.

Emancipação — O futuro de uma ideia política


Emancipação — O futuro de uma ideia política

Alcides A. Monteiro, André Barata, Anselm Jappe, António Campelo Amaral, Catarina Sales Oliveira, Luís Filipe Madeira, Luís Trindade, Maria João Cabrita, Nuno Miguel Cardoso Machado, Renato Miguel do Carmo, Rui Tavares, Stefan Gandler

Organização de André Barata, Renato Miguel do Carmo, Catarina Sales Oliveira

ISBN 978-989-8902-27-6 | EAN 9789898902276

Edição: Novembro de 2018
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 16 x 22 cm (brochado)
Número de páginas: 224

Com o Grupo de Filosofia Prática/Labcom.IFP



Semelhante discussão releva tanto do pensamento filosófico, nomeadamente político e social, como da história, da sociologia, da teoria social e das políticas sociais.


A passagem do século e do milénio, marcada logo no ano 2001, não pela prometida odisseia no espaço, mas pelo trauma de 11 de Setembro, embaciou o conceito de emancipação que, desde o seu advento, se tornara central para a Modernidade, passando pela saída do homem da sua menoridade, a que Kant chamou Aufklärung, e pela emancipação humana que Marx opôs à emancipação política em A questão judaica, passando pela emancipação dos outros sujeitos, as minorias, e aquela que é, na verdade, a maioria, as mulheres. Hoje, contudo, as respostas de emancipação dos séculos passados, se procuravam fazer sair de um estado de maior desigualdade, ou discriminação, ou menorização, já não podem ser consideradas respostas realizadoras.
Pelo contrário, hoje, o crescimento das desigualdades tornou-se o denominador comum da economia global, comprometem-se solidariedades sociais e comunitárias, mesmo intergeracionais, compromete-se sobretudo o mundo natural, a sustentabilidade da vida do nosso planeta, ignorando limites, e as intolerâncias, de fundo fundamentalista, xenófobo ou outro, fazem do espaço público e da convivialidade uma ficção mal disfarçada por um excesso de procedimentalismo que dispensa, e assim também aliena, a confiança uns nos outros. Hoje, quando se reconhece que a Modernidade está em crise é este seu motor ínsito que está em crise: a emancipação e a sua representação, as suas causas e a suas políticas concretas.
O que nos propusemos, primeiro em colóquio, e agora em livro, é trazer à discussão, a partir deste contexto contemporâneo, o conceito de emancipação, perguntar pelo que permanece de emancipador na ideia de emancipação, identificar os seus mais prementes horizontes de verificação, pensar por que linhas pode pensar-se novas práticas de emancipação.
[André Barata, Renato Miguel do Carmo, Catarina Sales Oliveira]

Suspended spaces 4 — A partilha dos esquecimentos


Suspended spaces 4 — A partilha dos esquecimentos
Vários autores*

ISBN 978-989-8902-45-0 | EAN 9789898902450

Edição: Novembro de 2018
Preço: 39,62 euros | PVP: 42 euros
Formato: 21 x 27 cm (brochado)
Número de páginas: 496

Com o colectivo Suspended spaces

Edição bilingue: português-francês


Este quarto livro do colectivo Suspended spaces, intitulado A partilha dos esquecimentos, refere-se ao colonialismo português, da África à América, de Moçambique ao Brasil, que foi o tema de um colóquio organizado em Lisboa, em 2016.


* Ana Tostões – Analu Cunha – André Parente – Ângela Ferreira – Armin Linke – Basma Alsharif – Bertille Bak – Bertrand Lamarche – Christophe Viart – Daniel Lê – Delfim Sardo – Dilton Lopes de Almeida Júnior – Éric Valette – Filip Berte –François Bellenger – Françoise Parfait – Jacinto Lageira – Jackie-Ruth Meyer – Jan Kopp – Juliette Bouveresse – Kader Attia – Lamia Joreige – Leonor Antunes – Lia Lapithi – Lúcia Ramos Monteiro – Luciana Fina – Luciano Vinhosa – Luiz Guilherme Vergara – Maïder Fortuné – Marcel Dinahet – Marie-José Mondzain – Marwa Arsanios – Mehmet Yashin – Mira Sanders – Paola Berenstein Jacques, – Raquel Schefer – Romain Bertrand – Sophie Ristelhueber – Stefanie Baumann – Stéphane Thidet – Susana de Sousa Dias – Tania Ruiz – Valérie Jouve – Vasco Araújo – Yannis Kyriakides – Yasmine Eid-Sabbagh – Ziad Antar

Suspended spaces é o projecto de um colectivo que trabalha desde 2007 sobre territórios em «suspenso», isto devido a conflitos políticos, económicos, históricos.
Continuando a sua pesquisa sobre as nossas modernidades, o colectivo Suspended spaces interessou-se durante estes últimos quatro anos por certas questões a decorrer, impensadas, até ocultadas, e que poderiam explicar em parte o estado actual dos debates artísticos e intelectuais, quer estejam do lado dos estudos pós-coloniais, do spatial turn, da antropologia visual ou da história conectada. Este livro concentra-se mais particularmente nas conexões entre histórias e territórios: França, Brasil, Portugal e as ex-colónias portuguesas em África. Uma partilha de esquecimentos.
Cinco exposições, realizadas no Brasil (MAC Niterói); em França, Saint-Ouen (Mains d’OEuvres) e Albi (Centro de Arte Le LAIT); em Portugal, Lisboa (Palácio Pombal) e Coimbra (Círculo de Artes Plásticas), são apresentadas em sinergia com as questões teóricas de investigadores.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

A Lenda do Santo Bebedor seguido de O Leviatã I Joseph Roth


A Lenda do Santo Bebedor seguido de O Leviatã
Joseph Roth

Prefácio, tradução e notas de Álvaro Gonçalves

ISBN 978-989-8833-34-1 | EAN 9789898833341

Edição: Outubro de 2018
Preço: 12,26 euros | PVP: 13 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 136




«Havia nele toda a sabedoria do judaísmo, o seu humor, o seu realismo amargo; toda a tristeza da Galícia, todo o encanto e melancolia da Áustria.» [Heinrich Böll]


A Lenda do Santo Bebedor […], escrita nos últimos quatro meses da sua vida e dada por terminada em Abril de 1939, constitui um autêntico canto de cisne de Joseph Roth. A novela narra as últimas três semanas da vida de Andreas, um vagabundo alcoólico, a quem acontecem estranhos milagres. A história desenrola-se em Paris e foi baseada num relato dum amigo que ouviu no Café Tournon. É sintomático como Roth se apodera da personagem principal para, duma forma premonitória, antecipar literariamente a sua própria morte, trágica como ela foi no exílio parisiense. Porque, ao contrário do desejo expresso no último parágrafo da novela, Deus não lhe deu a ele, o bebedor, uma morte tão suave e bela como a que teve a personagem Andreas.
Tal como em A Lenda do Santo Bebedor, também na novela O Leviatã, escrita igualmente no exílio francês e publicada um ano após a sua morte, em 1940, pelo editor holandês de origem judaico-portuguesa, Emanuel Querido, Roth conta, no tom legendário, a história do judeu Nissen Piczenik, tão singular como Andreas, que, na «Schtetl» de Progrody, perdida e isolada na imensidão da Rússia, entre Kursk e Voronej, leva uma vida simples e honesta de negociante de corais. Apesar de conviver diariamente com os corais — a sua verdadeira razão de ser —, Nissen Piczenik anseia pelas profundezas do mar, onde supõe crescerem os corais, guardados pelo incomensurável e poderoso monstro bíblico Leviatã. [...]
O recurso sistemático ao estilo do conto maravilhoso constitui, por parte de Joseph Roth, uma tentativa de dar vida, embora de uma forma utópica, ao microcosmo da sua terra natal, a Galícia Oriental, que então se encontrava em desmoronamento irreversível. [...] Esta e outras histórias de Roth são, por um lado, uma homenagem à velha monarquia austríaca dos Habsburgos, que, na sua opinião, era a pátria de todos, e, por outro, a toda uma região histórica — agora desaparecida, onde, segundo o grande poeta de língua alemã, originário de famílias judaicas de Bucovina, Paul Celan, viviam pessoas e livros.
[Álvaro Gonçalves]

A Morte Difícil I René Crevel


A Morte Difícil
René Crevel

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN 978-989-8833-35-8 | EAN 9789898833358

Edição: Outubro de 2018
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 192




Na nossa família suicidamo-nos muito.

Nove anos antes deste acto incompreensível [o suicídio] — se o não aceitarmos como momento de um muito complexo desespero — René Crevel escreveu o seu terceiro romance e chamou-lhe A Morte Difícil; a morte que viria, anos mais tarde, a responder na vida real à mais nocturna face da sua condição de homem. E fê-lo com o seu surrealismo de vocação refreado até às exigências de uma grande clareza autobiográfica.
Crevel retrata-se aqui como um homossexual assombrado pela ameaça genética do pai louco e pelo comportamento de uma mãe cruel e frívola; dividido por verdadeiros desejos físicos e outros que uma ambígua relação feminina muito imperfeitamente disfarça; um jogo de bem calculada progressão no tom — o que fervilha num primeiro capítulo com humorísticas ironias e se esvai aos poucos pelas sombras de um estado físico e psicológico que se destina, em noite fria e num banco público, a acompanhar o desespero do seu fim.
Crevel receava, porém, que as exigências deste programa se cumprissem com excessiva exposição de realidades muito evidentes para os que mais de perto o rodeavam, e prejudicassem, incomodassem ou até envergonhassem os que eram modelos das suas personagens.
Que Madame Dumont-Dufour surgisse como inegável e talvez piorada versão da sua mãe burguesa, não era para Crevel um problema; [...] mas havia o caso de Arthur Bruggle, que era impossível não ser colado ao seu amante americano Eugene McCown (a quem chamavam Coconotte ou Eugénie), saído de Kansas City e que desembarcara na França em 1923 com vontade de se usar e desbaratar para vencer nos meios intelectuais e mundanos de Paris. McCown era pintor e pianista de jazz; pintor aceite por importantes galerias de Paris, jazzman com muito êxito nas sonoridades hip-hop que enfeitaram as noites do café Le Boeuf-sur-le-Toit. […]
Crevel acabou por mostrar o texto de A Morte Difícil a McCown; e, perante a desagradável reacção que ele provocou no retratado, decidiu-se a acrescentar-lhe o curto capítulo final, suavizador […].
[Aníbal Fernandes]

E se Parássemos de Sobreviver? — Pequeno livro para pensar e agir contra a ditadura do tempo I André Barata


E se Parássemos de Sobreviver? — Pequeno livro para pensar e agir contra a ditadura do tempo
André Barata

ISBN 978-989-8902-32-0 | EAN 9789898902320

Edição: Outubro de 2018
Preço: 9,43 euros | PVP: 10 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado)
Número de páginas: 112



O que fazer? O mais revolucionário a fazer é: começar a parar.


Grande parte dos textos que aqui se publicam, agora de forma mais sistematizada, resultaram de versões anteriores publicadas em pequenos ensaios de jornal ou revistas culturais (Jornal Económico, revistas Electra e Cintilações).


Este pequeno livro questiona o tempo social dos nossos dias, industrializado, sem entropia, medida imposta, que nos torna individual e colectivamente reféns do passado da nossa sociedade, que nos agarra a um presente omnipresente e que rarefaz a realidade do futuro. Este desequilíbrio é resultado de uma concepção do tempo que sem dúvida serve melhor do que outras ao sistema de dominação social, económica e política vigente. Mas é possível começar a pensar e lutar por outras concepções de tempo que, em vez de dominarem, emancipem.
[...] O que fazer? O mais revolucionário a fazer é: começar a parar.
E a pergunta revolucionária deve ser «porque continuamos a sobreviver?», não no sentido de a sobrevivência ser inverosímil e nos devermos perspectivar em vias de extinção, mas sim no sentido de que a melhor garantia da nossa sobrevivência como espécie é pararmos de nos comportarmos como sobreviventes. Somos induzidos a sobreviver quando deveríamos optar por viver. Importaria que nos pensássemos não como já estando num processo catastrófico, dentro de um cataclismo planetário, mas, tudo ao contrário, como já estando na posse de todos os meios para deixar de ter a sobrevivência como sentido de vida.
[...] E se é preciso fazer vingar políticas libertadoras do tempo, para pararmos de sobreviver, a força revolucionária do ir parando está em irmos fazendo greve no sentido mais profundo que encontramos para a palavra, parar não uma actividade produtiva em particular, por exemplo operários, professores ou médicos, nem sequer todas na forma de uma greve geral, mas parar a estrutura que tornou tudo imparável, a ditadura que nos impuseram na forma de tempo. Façamos greve a este tempo, deixemos os relógios em casa, restauremos um tempo sem medida, sem indústria, sem valor de mercado. Um tempo de viver.
[André Barata]

A Forma Custa Caro — Exercícios inconformados I Golgona Anghel


A Forma Custa Caro — Exercícios inconformados
Golgona Anghel

ISBN 978-989-8902-28-3 | EAN 9789898902283

Edição: Outubro de 2018
Preço: 10,38 euros | PVP: 11 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado)
Número de páginas: 136



Encaixamos a escrita em formas literárias, géneros, figuras e tropos e parecemos mais contentes e mais seguros perante tal arrumação pois é preciso ir «organizando o pessimismo».


«O homem, na sua essência mais profunda, tem qualquer coisa que eu denominaria voluntariamente de “imperativo da Forma”» — diz Witold Gombrowicz, numa entrevista com Dominique de Roux. Temos formas de tratamento, formas de expressão e de conteúdo, formas de vida e de morte, formas geológicas e formas lógicas, formas puras, formas em si, formas informes. Encaixamos a escrita em formas literárias, géneros, figuras e tropos e parecemos mais contentes e mais seguros perante tal arrumação pois é preciso sempre ir «organizando o pessimismo», não seja que a ansiedade do símbolo nos apanhe em excesso de sentido e não tenhamos nenhuma forma certa à mão. 
[Golgona Anghel]


Forma e Formato Poesia e crítica. A febre do diagnóstico | Cesariny: grandes mitos/heróis menores | Variações informais. Notas imaturas Exercícios Inconformados O intruso, o conflito, o silêncio | Fernando Pessoa: «o interruptor imprevisto» | Figuras do desaparecimento: o fugitivo, o intervalo, o desencontro | Phantomaton & Nox Forma e PerFormatividade Dissidentes, peregrinos e excursionistas: passear e pensar | «A última mamada»: o irreparável, ser assim, viver no limbo A Forma em Ruínas Pop-mortem Joel-Peter Witkin: máscaras de carne | Morrer contente.



Golgona Anghel é licenciada (2003) em Estudos Portugueses e Espanhóis e doutorada (2009) em Literatura Portuguesa Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É investigadora do Instituto de Estudos de Literatura e Tradição da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e desenvolve um projecto de pós-doutoramento sobre cinema e literatura.
Publicou livros de ensaios — Eis-me Acordado Muito Tempo Depois de Mim — Uma biografia de Al Berto (Quasi Edições, 2006), Cronos Decide Morrer, Viva Aiôn — Leituras do tempo em Al Berto (Língua Morta, 2013), A Forma Custa Caro — Exercícios inconformados (Documenta, 2018) — e preparou uma edição diplomática dos Diários do poeta Al Berto (Assírio & Alvim, 2012). Nas horas vagas, escreve também poesia: Vim Porque me Pagavam, (Mariposa Azual, 2011), Como Uma Flor de Plástico na Montra de Um Talho (Assírio & Alvim, 2013), Nadar na Piscina dos Pequenos (Assírio & Alvim, 2017).

Os Ballets Russes: Modernidade após Diaghilev I Isabel Capeloa Gil, Paulo Campos Pinto (org.)


Os Ballets Russes: Modernidade após Diaghilev

Isabel Capeloa Gil, Paulo Campos Pinto (org.)

Textos de Isabel Capeloa Gil, José Carlos Alvarez, Nuno Crespo, José Manuel dos Santos, Gabriele Brandstetter, Mariana Brandão, Luísa Santos, Maria João Roque e Castro

ISBN 978-989-8902-41-2 | EAN 9789898902412

Edição: Novembro de 2018

Preço: 28,30 euros | PVP: 30 euros
Formato: 24 x 30 cm (brochado com badanas)
Número de páginas: 176 (a cores)

Edição bilingue: português-inglês





O que distingue a acção dos Ballets Russes é um entendimento da arte como confluência de linguagens, que se cruzam, contestam, dialogam, afastam e renovam.


«A grande vitória da civilização moderna europeia», escrevia Almada Negreiros no Portugal Futurista, em 1917, a anunciar «as extraordinárias realizações da Arte Moderna», representadas pelos Bailes Russos, que justamente nessa data iniciariam a sua única temporada em Lisboa.
Entre o escândalo e a admiração, a emulação e a rejeição, os Ballets Russes de Sergei Diaghilev constituíram uma das mais inovadoras experiências de criação artística das primeiras décadas do século XX. No vulcão criativo das experiências modernistas, congrega um programa de arte total em torno da dança, convocando coreógrafos, bailarinos, compositores, artistas plásticos, libretistas e cenógrafos. Se a dança moderna representa o espírito de uma certa modernidade em vórtice, consagrada segundo Baudelaire na fórmula do «transitório, fugidio [e] contingente», os Ballets Russes exibem o moderno total. Renovando o vocabulário da dança e consagrando a fusão do arcaico com o vanguardista, recriam as artes do corpo em ícone da modernidade. Das artes do movimento ao design de moda, da música à escultura, da cenografia à pintura, das artes decorativas ao cinema, os Ballets Russes constituem o paradigma do projecto de iluminação mútua de uma modernidade sempre incompleta.
A exposição «Os Ballets Russes: Modernidade após Diaghilev» [13 de Julho – 20 de Outubro de 2018] é produzida no âmbito do Lisbon Consortium, promovida pelos programas de Mestrado e Doutoramento em Estudos de Cultura da Universidade Católica Portuguesa com a Fundação Millennium BCP e o Museu Nacional do Teatro e da Dança, assinalando a relação estratégica entre a prática curatorial e a investigação que subjaz ao Consórcio.
Marcando o centenário da temporada portuguesa dos Ballets Russes, a exposição organiza-se em dois grandes núcleos. Se a passagem por Portugal constitui o foco do núcleo expositivo organizado pelo Museu Nacional do Teatro e da Dança, na Galeria Millennium olha-se o fenómeno Ballets Russes como instância e sintoma de transformação social através da estética, articulada em torno das artes do movimento.
[Isabel Capeloa Gil]

Chama I Júlio Pomar, Rita Ferreira, Sara Bichão


Chama
Júlio Pomar, Rita Ferreira, Sara Bichão

Texto de Sara Antónia Matos

ISBN 978-989-8902-36-8 | EAN 9789898902368

Edição: Novembro de 2018
Preço: 16,04 euros | PVP: 17 euros
Formato: 17 x 21 cm (brochado com badanas)
Número de páginas: 144

Edição bilingue: português-inglês
(tradução Kennis Translations)

Com o Atelier-Museu Júlio Pomar







No caso desta exposição, em vez de escolher as obras à partida, desafiei as artistas a produzirem um corpo de trabalho novo para apresentar no Atelier-Museu, tendo a convicção de que as suas obras trabalhariam bem em conjunto e estabeleceriam boas relações com as de Pomar.


Este livro foi publicado pela ocasião da exposição «Chama», com obras de Júlio Pomar, Rita Ferreira e Sara Bichão, e com curadoria de Sara Antónia Matos, realizada no Atelier-Museu Júlio Pomar, entre 15 de Fevereiro de 2018 e 29 de Abril de 2018.


Rita Ferreira apresentou um conjunto de mais de meia centena de trabalhos sobre papel, apresentados pela primeira vez como um paredão, testando o impacto do conjunto e as relações de força/cromáticas entre as partes. É ainda nova a obra sobre tela crua que apresenta no piso inferior do espaço, dialogando com os desenhos de Júlio Pomar e as peças de pano-cru de Sara Bichão.
Sara Bichão não só construiu as peças da exposição quase na totalidade como se lançou numa obra que atravessa o espaço de lés a lés. Clareira, de 2018, alude à forma de uma fisga, de tamanho colossal, cujo elástico (em pano-cru) é preso no guarda-corpos do edifício, existente no piso superior, e daí esticado até ao rés-do-chão, ficando preso por duas pedras de basalto de 300 kg cada. Instalada no sentido este-oeste, a peça é composta também por um disco de inox côncavo, colocado no piso superior do edifício, acima das janelas, que capta a luz do sol espalhando-a em seu redor. Não pode deixar de se mencionar ainda a obra que a autora dedica a Júlio Pomar: Para JP, de 2018, uma corda de pano-cru, entrançada, que nas suas laçadas recolhe elementos de praia: canas, paus carbonizados, pedras, e objectos de plástico.
[...] sou levada a dizer que as obras destas duas artistas são feitas de tempos de observação diferentes. A de Sara Bichão parece fazer-se e acontecer entre camadas, pedindo aproximação e afastamento, mergulhos de ida e volta, como as telas de Júlio Pomar, através dos quais cada estrato de sentido se revela. A de Rita Ferreira parece pedir um confronto de um só impacto, um embate com o conjunto da composição onde cada fragmento, cada parcela cromática, exerce a sua força de atracção. [...]
[Sara Antónia Matos]

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Sombras y Paradojas. El dibujo de Jorge Martins


Sombras y Paradojas. El dibujo de Jorge Martins
Jorge Martins

Edição e texto de Óscar Alonso Molina
Apresentação de Antonio Franco e Óscar Alonso Molina

ISBN 978-989-8902-24-5 | EAN 9789898902245

Edição: Outubro de 2018
Preço: 28,30 euros | PVP: 30 euros
Formato: 17 x 23,5 cm (brochado)
Número de páginas: 304

Edição trilingue: espanhol-português-inglês
(traduções de José Gabriel Flores)


Com a Fundação Carmona e Costa e o MEIAC.



desenho para compreender o que é o desenho

Este livro foi produzido por ocasião da exposição «Sombras y Paradojas», de Jorge Martins, com curadoria de Óscar Alonso Molina, realizada no MEIAC, Badajoz, em Outubro e Novembro de 2018, com o apoio da Fundação Carmona e Costa.


Sombras e Paradoxos. O desenho de Jorge Martins é a primeira exposição individual de vulto que em Espanha se dedica a um dos nomes cimeiros da arte portuguesa do século passado. Aos setenta e oito anos, e ainda em plena actividade criadora, Jorge Martins (Lisboa, 1940) conseguiu tornar-se uma referência dentro do rico panorama criativo actual do país vizinho, tanto pela firmeza e independência do seu compromisso estético — em boa medida alheio ao vaivém das modas internacionais que década a década vai ditando o devir colectivo da criação — como pela singular posição que ocupa no mapa geracional. De facto, a atenção que o seu trabalho ultimamente suscita entre os jovens artistas é um importante elemento a ter em conta quando chega o momento de avaliar a pertinência de uma obra como a sua, onde uma impecável formalização se combina com uma procura contínua de novos processos e soluções no momento de delinear as imagens plásticas.
 [Antonio Franco e Óscar Alonso Molina]


Ao longo da história, o desenho tem sido associado à capacidade de exprimir o que há de mais íntimo, as profundezas da psicologia do artista. Nele, supostamente, a sua «mão» autêntica revelava-se com toda a clareza e sem distorções, na medida em que o desenho exprime da forma mais imediata as imagens mentais internas que o criador retira de si próprio, lançando-as ao mundo, dando à luz por meio de formas plásticas concretas, susceptíveis logo a partir desse momento de serem vistas (por ele próprio, em primeiro lugar), comentadas, partilhadas, analisadas e postas em dúvida.
[…]
Certa vez, Jorge Martins disse-me que «existem realidades cuja única verdade é a sua representação.» Ao ver os seus desenhos, não tenho qualquer dúvida disso… E que assim seja.
[Óscar Alonso Molina]