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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Arenario

Arenario 
Francisco Tropa 

Textos de François Piron, Maria Filomena Molder e Nuno Crespo 

ISBN 978-989-9006-73-7 | EAN 9789899006737 

Edição: Março de 2021 
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros 
Formato: 16,5 × 24 cm (encadernado) 
Número de páginas: 216 (a cores) 

Com a Universidade Católica, Escola das Artes, CITAR 

Edição trilingue: português, inglês, francês

«A obra de arte cria uma imagem intemporal formada através dos sentidos, da inteligência e da memória do observador e, por mais estranho que pareça, este processo nada tem que ver com os instrumentos da comunicação.» 
[Francisco Tropa] 



Por mais que tentemos, o trabalho de Francisco Tropa (n. Lisboa, 1968) não se deixa apresentar através da sua condução a um conjunto determinado de gestos, objectos ou conceitos. A sua natureza é ser um campo amplo onde se conjugam diferentes experiências humanas. Uma arena, um «arenario» como lhe chama o artista, um espaço aberto onde se dá um corpo-a-corpo (real e virtual) entre o humano e a arte e que é palco do mistério — cujo drama se desenvolve pelo menos desde Lascaux — que se constitui de cada vez que um de nós enfrenta uma obra de arte e é por ela enfrentado. 
A exposição que esteve na origem deste livro propôs, a partir de uma única obra, explorar o trabalho deste artista segundo a ideia das imagens, da sua fabricação e da sua existência enquanto lugares reais. A obra pertence à família das lanternas de Tropa e nessa família são convocadas ideias axiais para o mundo contemporâneo. Um mundo tomado pelas imagens digitais que transportam no seu interior, e como sua condição, dispositivos de controlo, de subjugação e de poder. 
As imagens quase primitivas que Tropa faz acontecer — e as suas imagens são sempre uma espécie de acontecimento — reenviam insistentemente ao corpo humano e inscrevem-se no seu plano material de finitude. Plano este do qual as imagens virtuais, puramente espectrais e desencarnadas, parecem estar arredadas. 
[Nuno Crespo] 

Assinalem-se três aspectos eminentes da obra de Francisco Tropa e que se revêem nestas passagens benjaminianas. 
Primeiro: é seu propósito manifesto e latente apagar os vestígios de qualquer autoria e dificultar qualquer felicidade interpretativa imediata (embora não a possa impedir, claro). 
Segundo: também ele procura «um aparecer purificado da beleza, livre de qualquer sedução», também ele o sabe sujeito à dissolução sem fim. O lusco-fusco, a hora entre cão e lobo, a luz do ocaso reinam nesse teatro abandonado do mundo, Scenario ou outro título, com as «suas ruínas decifradas», sem intérprete. 
Terceiro: a arte é uma interrupção da dissolução sem fim, uma forma insubmissa de delírio, capaz de imortalizar a ruína. 
[Maria Filomena Molder]

segunda-feira, 3 de junho de 2019

O Rei Peste — Uma escultura de Francisco Tropa a partir do conto «King Pest» de Edgar Allan Poe


O Rei Peste — 
Uma escultura de Francisco Tropa a partir do conto King Pest de Edgar Allan Poe
Francisco Tropa, Edgar Allan Poe

Tradução para português por José Alberto Oliveira
Tradução para francês por Charles Baudelaire

ISBN 978-989-8902-78-8 | EAN 9789898902788
Edição: Junho de 2019
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado)
Número de páginas: 72

Com a Galeria Ala da Frente — Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão
Edição do conto King Pest em português, inglês e francês




Um conto contendo uma alegoria.


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Francisco Tropa — O Rei Peste», com curadoria de António Gonçalves, na Galeria Ala da Frente em Vila Nova de Famalicão, de 1 de Junho a 13 de Setembro de 2019.


À frente de cada um dos parceiros havia uma parte de caveira que servia como copo. Por cima deles estava suspenso um esqueleto humano, por uma corda atada a uma das pernas e apertada a um anel no tecto. O outro membro, desimpedido de tal estorvo, saía do corpo em ângulo recto, causando que todo o conjunto solto e chocalhante balançasse e rodopiasse ao capricho de qualquer sopro ocasional de vento que encontrasse o caminho para o interior do apartamento. No crânio desta coisa horrível havia uma porção de carvão em brasa, que fornecia uma luz inconstante, mas vívida, a toda a cena; caixões e outros apetrechos pertencentes à loja de um cangalheiro estavam empilhados pelas paredes e contra as janelas, impedindo que qualquer raio de luz escapasse para a rua.
À vista desta extraordinária assembleia, e da sua ainda mais extraordinária parafernália, os nossos dois marinheiros não se portaram com o nível de decoro que seria de esperar. Gâmbias, encostando-se à parede junto da qual se encontrava, deixou cair a mandíbula a um nível ainda mais baixo que o habitual e esbugalhou os olhos ao máximo; Hugh Tarpaulin, debruçando-se até o nariz ficar ao nível da mesa, e agarrando os joelhos com as mãos, irrompeu numa longa, alta, estrepitosa gargalhada de um riso inoportuno e imoderado.
[Edgar Allan Poe, O Rei Peste]

terça-feira, 2 de maio de 2017

O Bigode Escondido na Barba I Francisco Tropa


O Bigode Escondido na Barba

Texto de Filipa Oliveira

ISBN: 978-989-8834-62-1

Edição: Abril de 2017

Preço: 47,17 euros | PVP: 50 euros
Formato: 24x31,7 cm [encadernado, com caixa]
Número de páginas: 72 + folheto de 16

Edição em português, inglês e francês

[Em colaboração com a Fundação Carmona e Costa]



Este livro foi publicado por ocasião da exposição O Bigode Escondido na Barba, de Francisco Tropa, realizada na Fundação Carmona e Costa, com curadoria de Filipa Oliveira, entre 8 de Abril e 27 de Maio de 2017.

Esta exposição começou com uma colecção de pequenos anúncios de venda de automóveis. Anúncios que habitualmente são colocados nos pára-brisas, e que na maior parte das vezes passam despercebidos, invisíveis, e que com facilidade são descartados. Francisco Tropa foi recolhendo-os, interessado nessa produção imagética anónima e aleatória.
Seleccionou um conjunto de vinte e cinco anúncios diferentes e transformou-os em imagens serigrafadas de grandes dimensões.
Essas apoderam-se das paredes da Fundação Carmona e Costa. E entre elas escondem-se outras obras de Tropa, mais delicadas, mais contidas, e que solicitam uma atenção diferente. Elas obrigam o espectador a um sentido especial, exigem-lhe outro tempo, necessitam de selecção, e reclamam um outro estado de consciência e de alerta. [Filipa Oliveira]

Francisco Tropa nasceu em 1968 em Lisboa, onde vive e trabalha. A escultura tem sido um interesse constante no percurso deste artista que começou a expor no início da década de noventa e cujo trabalho tem obtido uma significativa atenção por parte das instituições e da crítica. Foi o representante de Portugal na edição de 2011 da Bienal de Veneza, e participou ainda na Bienal de Rennes (2012), na Bienal de Istambul (2011), na Manifesta (2000), na Bienal de Melbourne (1999) e na Bienal de São Paulo (1999). Diversos meios são utilizados por Tropa, como a própria escultura, o desenho, a performance, a fotografia ou o filme, para convocar uma série de reflexões introduzidas por diferentes tradições da escultura. Temas como o corpo, a morte, a natureza, a paisagem, a memória, a origem ou o tempo, estão sempre presentes nos seus trabalhos, num processo interminável de remissão a ideias da história da arte, a outras obras de arte, a trabalhos anteriores do próprio artista, e a autores específicos.