quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Miguel Torga [12/8/1907 - 17/1/1995] e outros lugares


«Torga foi um dos mais singulares intérpretes de um tempo que passou, de uma comunidade, quase um país inteiro, que tinha raízes e garras presas a uma antiguidade remota, de feição animal, faminta, de uma sobrevivência em luta tenaz contra a pobreza na mais absoluta falta de liberdade. Torga fala-nos deste passado, mas também da permanência, da dureza das matérias do quotidiano, da suavidade amarga da memória de homens e mulheres. Dignidade e resistência. Esta é a magna terra que nos acolhe, Miguel Torga, escritor de um século. Agora, caminhamos sobre uma ausência deixada na terra.» 
[Duarte Belo] 


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Magna Terra – Miguel Torga e outros lugares», de Duarte Belo, realizada no Espaço Miguel Torga, em São Martinho de Anta, Sabrosa, de 17 de Janeiro a 31 de Março de 2018.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Janela, Espelho, Mapa… — A obra de arte e o mundo, reflexão sobre o projecto artístico individual I Rui Sanches


Janela, Espelho, Mapa… — A obra de arte e o mundo, reflexão sobre o projecto artístico individual
Rui Sanches

ISBN: 978-989-8834-86-7

Edição: Novembro de 2017
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 16 x 22 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 280




Neste estudo apresento uma análise do meu trabalho enquanto escultor, desde a formação inicial até ao presente, procurando caracterizar o modo como me posiciono no contexto plurifacetado da arte do meu tempo.


Ao decidir analisar o meu próprio trabalho estou a colocar-me simultaneamente na posição de autor e de espectador dessa obra. Na verdade esta dupla situação existe já, de forma essencial, como parte integrante da actividade artística: durante a criação de uma obra o autor alterna momentos de total imersão na sua actividade, em que perde qualquer distância em relação ao que está a fazer, com momentos de paragem em que consegue, até certo ponto, ver «de fora» o que fez e ter uma relação crítica com a sua produção. Num ensaio que irei citar várias vezes ao longo deste texto, o historiador inglês Fred Orton afirma: «O artista é, claramente, o primeiro observador do seu próprio trabalho. Enquanto o artista faz o seu trabalho tem de continuamente aferir a sua experiência e interpretação do que está a fazer, daquilo que está a tornar realidade, com a intenção que o motivou a fazer o que está a fazer». Esta deslocação de uma situação para outra, de autor para espectador e vice-versa, é, no entanto, perfeitamente natural pois, ser um espectador não é ser um certo tipo de pessoa: significa ocupar um determinado papel. Papéis diferentes podem ser interpretados por uma mesma pessoa, no caso de um artista essa multiplicidade de papéis é uma necessidade.
[Rui Sanches]





Rui Sanches (Lisboa, 1954) inicia formação plástica no Ar.Co, em Lisboa. Prossegue-a no Goldsmiths’ College, Londres, onde tirou um Bachelor of Arts em 1980, e na Yale University, New Haven, onde obteve um Master of Fine Arts, em 1982, sendo bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. De regresso a Portugal, deu aulas no Ar.Co, onde foi também responsável pelo Departamento de Escultura e membro da Direcção, e no IADE. Expõe colectivamente desde 1985 e individualmente desde 1984, tanto em Portugal como no estrangeiro. Nos anos 80 e 90 está ligado à direcção do CAM da FCG, desenvolvendo trabalho de curadoria de exposições. A partir de 1993 realiza também intervenções em espaços públicos. É representado em diversas colecções públicas e privadas no país e no estrangeiro, tendo sido premiado com o Prémio AICA em 2008.

O Trabalho do Actor na Obra de John Cassavetes I Filipa Rosário


O Trabalho do Actor na Obra de John Cassavetes
Filipa Rosário

Prefácio de Clara Rowland

ISBN: 978-989-8834-89-8

Edição: Novembro 2017
Preço: 12,26 euros | PVP: 13 euros
Formato: 16 x 22 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 128




O cinema de Cassavetes é um cinema da palavra, sem deixar, ao mesmo tempo, de ser um cinema do corpo.


[…] é a partir da tensão agonística entre a fixidez do argumento e a individualidade exacerbada da interpretação dos seus actores que os filmes de Cassavetes adquirem a tensão viva que lhes está na base. Como se diz neste livro: «essa passagem — o texto ao atravessar o actor — leva a que se crie uma tensão entre os dois, à qual a palavra resiste, e é nesse momento que a personagem nasce». 
[Clara Rowland]


John Cassavetes realizou dez filmes nos Estados Unidos entre 1959 e 1984 e foi actor em muitos outros. […] É-lhe reservado, desde Shadows, o seu primeiro trabalho como realizador, um estatuto particular na História do Cinema, por ter trabalhado sempre à margem do sistema — é esse o traço pelo qual é mais evocado e relembrado, quer pela crítica, quer por realizadores, actores e cinéfilos. Por ter financiado sozinho, ou com a ajuda de amigos, praticamente toda a sua obra demonstrou que é possível fazer cinema com total liberdade criativa e que, mesmo apesar dos constrangimentos económicos que uma produção caseira inevitavelmente implica, a qualidade do resultado final não tem de sofrer necessariamente com isso. Por estes motivos, Cassavetes é considerado o pai do cinema independente. 
[Filipa Rosário]


Filipa Rosário coordena o projecto de investigação O Cinema e o Mundo — Estudos sobre Espaço e Cinema, no Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde trabalha sobre paisagens do cinema português no âmbito de um projecto de pós-doutoramento. É co-coordenadora do Grupo do Trabalho Paisagem e Cinema da AIM — Associação dos Investigadores da Imagem em Movimento. É doutorada em Estudos Artísticos — Estudos do Cinema e do Audiovisual, pela mesma universidade, com a tese In a Lonely Place. Para uma Leitura do Espaço do Road Movie a partir da Representação da Cidade Norte-americana.