sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Ana Hatherly: Território Anagramático

Ana Hatherly, sem título, 8,9x13,2 cm

ANA HATHERLY: TERRITÓRIO ANAGRAMÁTICO

Curadoria: João Silvério

Inauguração: 17 de Novembro de 2017 às 18.00 horas
Exposição: até ao dia 13 de Janeiro de 2018


FUNDAÇÃO CARMONA E COSTA
Edifício Soeiro Pereira Gomes
Rua Soeiro Pereira Gomes Lote 1 – 6º D — 1600-196 Lisboa

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Preceptores – Gabrielle de Bergerac seguido de O Discípulo I Henry James


Preceptores – Gabrielle de Bergerac seguido de O Discípulo
Henry James

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8833-13-6

Edição: Outubro de 2017
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 200



Em tempos que não exigiam aos mundos do trabalho e do êxito social um certificado comprovador de estudos académicos, de bom-tom era mostrar que se dispensavam as más convivências do ensino público, fazendo tudo passar-se em ambientes domésticos e com mestres privativos. Nasceu assim o preceptor.


O preceptor dos antigos gregos e latinos era em geral um escravo liberto com conhecimentos suficientes para aproximar os jovens das suas letras e da sua erudição. A Idade Média, cheia de homens religiosos, preferiu neste papel os capelães. Mas a Idade de Ouro do preceptor foi a época do Renascimento. Havia, quanto a artes e a ciências, uma vontade colectiva de chegar mais alto, dando a estes mestres de casa rica um imprescindível papel. Começam depois as opiniões a dividir-se. Rousseau, que se estendeu sobre este tema no seu Émile ou de l’éducation de 1762, preconizou que era preferível o mestre «de cabeça bem formada ao de cabeça bem cheia» e, a exigirem-se ambas as coisas, houvesse mais sobre costumes e entendimento do que ciência. Mas seria preferível tudo isto sem um preceptor.
[…]
«Gabrielle de Bergerac» conta uma história escrita por um Henry James com vinte e seis anos de idade; ou seja, da época em que ele se resolvia, perturbado por algumas hesitações, a dar à escrita um papel que a faria surgir como sua ocupação central. […] Não obstante este lugar muito do início da sua carreira literária, «Gabrielle de Bergerac» surge com uma característica que viria a tornar-se persistente ao longo de toda a sua obra, ou seja, a narrativa contada a partir de um ponto de vista associado a uma das suas personagens.
[…]
Esta história dos começos do autor Henry James também nos mostra a sua preferida criança complexa (muitas vezes mais complexa do que os adultos da sua convivência) a primeira entre as que ele viria a criar em The Turn of the Screw, What Maisie knew ou no conto «O Discípulo» que integra este volume; crianças abandonadas pela indiferença paterna e que a outros distribuem o papel de personagens centrais da sua vida – aquelas que muitos estudiosos da obra de James reconhecem como uma inequívoca referência autobiográfica. […]
[Aníbal Fernandes]

O Cântico dos Cânticos I Ernest Renan


O Cântico dos Cânticos – Traduzido do hebreu, com um estudo sobre o plano, a idade e o carácter do poema
Ernest Renan

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8566-12-6

Edição: Outubro 2017
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 176



O mais antigo grito da literatura que em voz feminina reivindica a liberdade sexual da mulher.


A meio do Velho Testamento, entre a sabedoria perplexa do «Eclesiastes» e a boa nova aos pobres derramada no «Livro de Isaías», a autoridade de um versículo faz deste Salomão erótico o poeta da grande surpresa profana – pese embora esta evidência às retóricas da interpretação aconselhada; do «Cântico dos Cânticos», chamado assim porque talvez melhor momento entre os hinos ao amor físico saídos da velha literatura hebraica, e que é o incómodo, o indisfarçável embaraço cristão nas águas da espiritualidade bíblica; colecção de metáforas sobre a gramática dos sentidos e com potencialidades de interpretação que chegam a uma inesperada licença. Na verdade, até onde pode levar a redução a realismo das palavras de uma apaixonada que acha o fruto do seu amado «doce ao paladar», o incita a «penetrar no seu jardim e comer dos seus belos frutos», a «beber o mosto das suas romãs», ou vê os dedos da sua própria mão molhados pela «mirra líquida que banha o ferrolho»?
[…]
A relação de Ernest Renan com o «Cântico» não prolonga a veia destas intenções poéticas. Para as palavras bíblicas do «Cântico» Renan quer um palco; quer actores; quer um libelo contra a escravatura dos haréns e recuperar o mais antigo grito da literatura que em voz feminina reivindica a liberdade sexual da mulher.
[Aníbal Fernandes]


Ernest Renan nasceu em Tréguier, Bretanha, no dia 27 de Fevereiro de 1823. Escreveu sobre livros do Antigo Testamento, assumindo o papel de implacável filólogo mas evitando sempre posições demasiado radicais. Le cantique des cantiques é de 1860. La vie de Jésus é o ponto alto da sua carreira de escritor e um dos grandes acontecimentos literários do século XIX. Aí recusa o Jesus divino, restituindo-o à sua dimensão humana. Escritor controverso, dividiu e extremou opiniões mas acabou por ser reconhecido, no seu país, como importante figura nacional. Foi professor das línguas hebraica, caldaica e siríaca no Collège de France, de onde foi suspenso devido às suas ideias. Readmitido mais tarde, ascendeu à direcção deste estabelecimento de ensino e teve direito a um lugar na Academia Francesa. Morreu em Paris no dia 2 de Outubro de 1892.

[…] — Ensaio sobre os mestres I Pedro Eiras


[…] — Ensaio sobre os mestres
Pedro Eiras

ISBN: 978-989-8834-85-0

Edição: Novembro de 2017
Preço: 24,53 euros | PVP: 26 euros
Formato: 16 x 22 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 504



ESTE LIVRO se pediu uma liberdade maior que tive medo de dar. (Clarice Lispector 1969: 7)



PREFÁCIO um pantanal de citações 13 prazeres da citação 17 copiar 20 metodologia 24 Uma citação é sempre uma interpretação 28 uma paixão geométrica 32 a citação é um vício 39 Que livro é este? 44 Todo este universo é um livro 51 que dês agora um salto 58 […] ENSAIO SOBRE OS MESTRES ao princípio era o Vento 63 um Mestre com seus Discípulos 69 O mito 72 Não concebo uma obra desligada da vida 77 O Mestre este menino 87 a sua costumada prontidão divina 90 e o estranho ar grego, que vinha de dentro 95 uma formidável infância 98 a linguagem original da inocência 105 Você se lembra da sua infância 109 um selvagem 112 O Discípulo Sinto a ausência de um mestre 117 onde vais descobrir um professor a esta hora da noite? 124 cai um raio na cabeça de um homem 127 libertação 132 um mortal chamado ao convívio dos Deuses 135 O inabordável 139 nascer outra vez 143 Então aconteceu 146 isto, aqui, agora, sempre 149 É um bocado zen 155 que os mortos sepultem os seus mortos 158 toda a sabedoria da terra estava reunida naquela sala 162 Aulas e Conversas O que quer dizer «pensar»? 171 partir do zero 178 Que sei eu? 183 penso, logo existo 187 conhece-te a ti mesmo 190 isso não me facilita em nada o conhecimento 194 O que é este «eu» que eu sou […]? 198 Aprende a tornar-te naquilo que és 204 Onde invento o real 208 ponto de vista 213 Sonhei a própria realidade 218 E esta vasta combinação chama-se Natureza 224 O que é o 34 na Realidade? 232 A arte não passa […] de uma visão mais directa da realidade 236 perseguir / ficções 241 pergunto a mim próprio se mentes ou dizes a verdade 246 viver bem 250 O Combate gente com capacidade para ter mestre 259 é o corpo de outrem que constitui o nosso 262 homens de pouca fé 269 Eu não sou eu nem sou o outro 274 quase tudo em mim é obra alheia 280 Ao escravo 285 não compreendo 289 com um ar benévolo, complacente, paternal 294 Devorava os discípulos 298 um médico procura sempre prolongar as mazelas 304 Faça de mim o que quiser 308 Ah quantas máscaras e submáscaras 311 Eu próprio já apontei não poucas falhas em Homero 314 um maluco autodidacta 316 os hospícios 321 No final, um verdadeiro Mestre deve estar só 327 Senhor: temos medo 331 alguns discípulos […] arruinaram os seus Mestres 335 – Não és Deus, pois não 339 inimigos 349 um elo de quase parentesco 352 mestre, / […] / Porque […] me acordaste […]? 355 Traindo 362 Que é uma traição aos olhos de Deus? 369 O Fantasma do Pai 373 A Morte A velhice 381 seus últimos dias 387 A morte é sempre um corte / extemporâneo 392 os verdadeiros filósofos […] exercitam-se em morrer 395 os que estavam presentes 398 órfãos 405 o trauma 409 a minha morte não tem importância nenhuma 413 a Lua nunca morre. Regressa sempre 417 Ninguém é inconsolável 422 os deuses partiram 425 Grassa neste mundo o absurdo completo 430 Não é tão cedo como parece 435 EPÍLOGO Cheguei ao fim 445 livro […] rotativo 448 deita fora este livro 452 Bibliografia 455.

Pedro Eiras (Porto, 1975) é professor de Literatura Portuguesa na Universidade do Porto, investigador do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, membro da rede de pesquisa internacional «LyraCompoetics», dedicada à Poesia Moderna e Contemporânea.

Um Rio à Beira do Rio – Cartas para Frida e Laurens Vancrevel I Mário Cesariny



Um Rio à Beira do Rio – Cartas para Frida e Laurens Vancrevel
Mário Cesariny

Apresentação, tradução e notas de Maria Etelvina Santos
Posfácio e comentários de Laurens Vancrevel

ISBN: 978-989-8834-82-9

Edição: Outubro de 2017

Preço: 23,58 euros | PVP: 25 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 512


[co-edição com a Fundação Cupertino de Miranda]



Mário Cesariny: «talvez possamos conversar um pouco – sobre a vida em geral»

«enquanto houver água na água»
expressão tão bela,
tão reveladora, da sede, do desejo a agir,
com a sua imagem dupla de redução
(pela purificação) da água pela água –
num poema meu, diz-se
«um rio à beira do rio»
[Mário Cesariny a Frida e Laurens Vancrevel, 23 de Julho 1978]

A correspondência trocada durante trinta e seis anos entre Mário Cesariny, a minha mulher Frida e eu próprio, da qual se reproduzem neste livro as cartas do Mário, dá testemunho da profunda amizade que nos uniu e, é preciso dizê-lo, revela apenas uma pequena parte da história. Faltam a essa correspondência as conversas calorosas que tivemos durante as nossas estadas em Lisboa e as visitas do Mário a Amsterdão; faltam ainda todas as conversas telefónicas.
[Laurens Vancrevel]

[…] a troca epistolar, prolongada e intensa pela amizade, de Cesariny com Frida e Laurens Vancrevel, excede em muito o interesse factual, embora também este seja da maior importância, uma vez que os factos mais relevantes associados ao(s) movimento(s) surrealista(s), cisões, novos recomeços, revistas e outras publicações, exposições, nomes reconhecidos no domínio literário e nas artes plásticas, são objecto de diálogo, de opinião, de tomada de posições, desde finais dos anos sessenta até 2005, data da última carta enviada por Cesariny aos Vancrevel.
[…]
Estes três interlocutores – Mário Cesariny, Frida De Jong e Laurens Vancrevel – escrevem, pintam, traduzem. […] Do livro que nasce ao livro que se publica, quer seja pela mão de Laurens Vancrevel, da casa editora Meulenhoff ou da revista Brumes Blondes que dirige, quer em folhas volantes tão do agrado de Cesariny, fala-se muito de pintura, de música, de poesia, da vida: «talvez possamos conversar um pouco – sobre a vida em geral», escreve o poeta na última carta.
[Maria Etelvina Santos]

Uma Certa Quantidade I Jorge Queiroz


Uma Certa Quantidade
Jorge Queiroz

Poemas de Mário Cesariny

Traduções de Jethro Soutar e Richard Zenith

ISBN: 978-989-8834-83-6

Edição: Outubro 2017
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, a cores)
Número de páginas: 112

[com a Galeria Ala da Frente – Câmara Municipal de Famalicão]

Edição bilingue: português-inglês



Uma certa quantidade de gente à procura de gente à procura de uma certa quantidade
Mário Cesariny

Este livro foi publicado por ocasião da exposição Jorge Queiroz – Uma Certa Quantidade, com curadoria de António Gonçalves, realizada na Galeria Ala da Frente, em Vila Nova de Famalicão, de 7 de Outubro de 2017 a 20 de Janeiro de 2018.

Jorge Queiroz nasceu em Lisboa, em 1966. Estudou no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa (1992-93), e concluiu o mestrado em Belas-Artes na School of Visual Arts, Nova Iorque (1997-99). Expôs o seu trabalho nos Estados Unidos da América e pela Europa, destacando-se as exposições individuais na Fundação Carmona e Costa, Lisboa (2012), Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto (2007); Horst-Janssen-Museum, Oldenburgo (2006) e no Künstlerhaus Bethanien, Berlin (2004), onde fez uma residência artística. Participou na Bienal de Rennes (2016); 4.ª Bienal de Berlim (2006), 26.ª Bienal de São Paulo (2004) e na 50.ª Bienal de Veneza (2003). Foi distinguido com o Prémio Artes Plásticas 2015 da Associação Internacional dos Críticos de Arte. Após um longo período a viver em Berlim, actualmente vive e trabalha em Lisboa.