sexta-feira, 15 de novembro de 2019

«Uncanny River (The Crossing)» I João Biscainho


«Quando entramos — na verdade, quando imergimos — no espaço da Galeria tornada  escultura-instalação, somos atraídos de imediato para o abismo que nos recebe. Uma imagem em movimento retroprojectada numa estrutura de vidro, à qual se associa o seu reflexo num espelho a noventa graus, retrata um curso de água impossível que vai e volta em simultâneo.»
[Luísa Santos]

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Cartas de Mário Cesariny para Sergio Lima

Fundação Cupertino de Miranda — V. N. Famalicão
28-30 de Novembro de 2019

No sábado, dia 30, às 15h45, será lançado o livro 

Mário Cesariny
Sinal Respiratório — Cartas para Sergio Lima
Apresentação de Sergio Lima
Edição e posfácio de Perfecto E. Cuadrado
Edição Fundação Cupertino de Miranda e Documenta


Fotografia de Eduardo Tomé.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Livro de José Afonso Furtado é uma das «7 (sete) boas sugestões de leitura para este Outono»



«Contaminações. Minas Abandonadas, de José Afonso Furtado

O autor deste Contaminações (Documenta/Sistema Solar, 192 págs., 29 euros), José Afonso Furtado, confessa-se logo a abrir: “Durante quinze anos, desde 1994, não fui de férias, fui para as minas, como se vai para as termas ou como se vai à terra. Não era obrigação ou encomenda, não tinha prazos nem propósito. Quando fui forçado a parar, fiquei com milhares de negativos, com um ligeiro conhecimento do universo mineiro e com vários dados colaterais.” Durante esses anos, sem compromissos, o fotógrafo (que na altura dirigia a Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian) visitou então “áreas mineiras degradadas” do Norte e do Sul do País, com o objetivo de registar paisagens lunares onde não se vê vivalma, estruturas ao abandono, ruínas desoladas, edifícios-fantasma… Entre as minas retratadas, estão as de Argozelo (Vimioso), São Domingos (Mértola), Lousal (Grândola), Rio de Frades (Arouca), Vila Cova (Vila Real), Borralha (Montalegre), Panasqueira (Covilhã e Fundão), Ribeira (Bragança) e Caveira (Mértola). Uma parte dessas imagens dos tempos pré-lítio integra agora este livro cujas fotografias (189, no total) tanto têm de inquietantes quanto de sedutoras. Como escreve a historiadora Maria do Carmo Serén, “neste tempo de saturação do olhar, do ‘já visto’, só mesmo os jogos da linguagem da fotografia nos podem surpreender.” S.B.L.»

Luís Ricardo Duarte, «7 (sete) boas sugestões de leitura para este outono», Visão Sete, 28 de Outubro de 2019.

sábado, 2 de novembro de 2019

Diálogos das Carmelitas I Georges Bernanos


Diálogos das Carmelitas
Georges Bernanos

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN 978-989-8833-42-6 | EAN 9789898833426

Edição: Outubro de 2019
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 160


Georges Bernanos:
o homem que escreveu e viveu com uma incómoda incandescência interior.


[…] quando as freiras de Compiègne resolvem adoptar o martírio, sem cumprir as ordens da Revolução que as deixariam livres se aceitassem renegar os seus votos e a sua fé, a superiora mostra um desacordo. Ela preferiria uma anuência falsa, que mantivesse secretamente condições para o renascimento da Ordem quando surgissem na situação política condições que o permitissem. Mas é tarde de mais para fazê-las voltar atrás.
[…]
Sente-se no Bernanos de Diálogos das Carmelitas a consciência desta mesma oposição, mas agora com a vitória do Orgulho.
As freiras guilhotinadas caminham para o cadafalso com muito mais orgulho do que fé; vão de cabeça levantada por um orgulho soprado pela Verdade que defendem, sem importar aqui se davam um exemplo de «más carmelitas», como lhes era sugerido pelo bom sensoda sua superiora. Mas Blanche? Quem nos garante que Blanche de la Force, novamente fustigada pelo mundo que não suporta, aterrorizada a todo o momento pelos homens que agora a maltratam e violentam, não o faz por um patológico desespero de mundo onde nada existe da orgulhosa força que suporta uma superior Verdade? Blanche de la Force avança para o cadafalso com um rosto despojado de todo o temor; mas Bernanos também não se esquece de escrever qualquer coisa que parece logo a seguir desajustada a esta aparência de invencível decisão; porque é, no final do seu caminho em direcção ao sacrifício, empurrada para a guilhotina por um grupo de mulheres. Qual é a função dramática deste empurrão, numa personagem que parece tão decidida a enfrentar a guilhotina?
Teremos até ao fim consciência das indecisões que oscilaram entre a duvidosa Blanche da Força, que o seu involuntário nome de baptismo lhe impôs, e a Blanche da Fraqueza, que o seu comportamento quis mostrar; e do texto sairemos — muito ao gosto das contradições caras a Bernanos — sem uma definitiva resposta para dar.
[Aníbal Fernandes]

O Estranho Animal do Vaccarès I Joseph d’Arbaud


O Estranho Animal do Vaccarès
Joseph d’Arbaud

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN 978-989-8833-43-3 | EAN 9789898833433

Edição: Outubro de 2019
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 116


Os deuses também morrem.

As palavras de O Estranho Animal do Vaccarès nunca associam a sua criatura nominalmente a Pã, embora tudo façam para nos lembrarmos dele: descrevem-na com a sua forma caprina, dão-lhe uma flauta que encanta os animais; mas deslocam-no para a Camarga medieval e mostram-no ali com uma velhice de deus decrépito e fora de época, nostalgicamente anulado no seu poder e destinado à morte de todos os deuses quando o progresso cultural dos homens os destrói para encontrar outros adaptados à sua necessidade de fé, mas compatíveis com o avanço da sua cultura e do seu progresso civilizacional.
[…]
No canto selvagem de D’Arbaud, esta Camarga de silêncios, de animais e deuses é o cenário adequado ao envelhecimento de um grande mito, para as infinitas águas e as lonjuras de que não vemos nenhum fim, para um calor que abrasa, para caminhos de sonho, para águas que cintilam. E o seu animal de poesia e lenda — saído de uma elegia pânica que o faz aparecer e desaparecer sem sabermos de onde veio e para onde vai partir, talvez expulso de velhos países com uma religião morta que já não o abriga nem reconhece — escolhe uma terra que ainda não perdeu o seu travo primitivo, onde o seu resto de deus talvez possa viver e confundir-se com ela. Mas tudo isto — mesmo no século XV desta história — não passa de uma ilusão. Esta Camarga de cavalos e touros que um Pã envelhecido ainda seduz com a sua flauta, nega-se à sua pretendida e desesperada extensão de vida; esta Camarga de lama, húmus e areia só consegue oferecer-se como cenário do seu fim.
D’Arbaud chegou ao Estranho Animal do Vaccarès depois de ele próprio procurar, como o seu fauno, uma possibilidade de vida fantástica na Camarga de irreal atmosfera, com auroras, noites, sombra adormecida, e arrepio de folhas no silêncio, como ficou descrita num dos seus poemas.
[Aníbal Fernandes]