quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O Chancellor — (Diário do passageiro J.R. Kazallon) I Jules Verne


O Chancellor — (Diário do passageiro J.R. Kazallon)
Jules Verne

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

Inclui vista geral e pormenores de A Jangada da Méduse, de Théodore Géricault

ISBN 978-989-8833-38-9 | EAN 9789898833389

Edição: Janeiro de 2019
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado com badanas)
Número de páginas: 240 (caderno de 16 pp. a cores)


Verne ao seu editor: «Vou levar-lhe uma obra de um realismo assustador.»


Jules Verne, impressionado com a obra de Géricault resolveu inspirar-se na tragédia da Méduse para contar a história do seu Chancellor. Começou a escrever este romance em 1870, mas só em 1874 o publicou como folhetim em Le TempsE tinha consciência do passo ao lado que ele representava na sua habitual maneira de estar na literatura. Como reagiriam os seus fiéis leitores, habituados e encantados com a sua imaginação visionária, a este huis clos escrito com um presente contínuo, que abandonava a história extraordinária no sentido que ele costumava dar-lhe e se concentrava no homem em luta pela sua sobrevivência num espaço exíguo, em circunstâncias que lhe despertavam a mais básica das selvajarias?
Numa carta que mandou ao editor Jules Hetzel fez este aviso: Vou levar-lhe uma obra de um realismo assustador. […] Não acho que a jangada da Méduse tenha dado origem a qualquer coisa assim tão terrível.
Jules Verne não tinha, neste ponto, razão. O número de pessoas obrigadas a comprimir-se na exígua superfície da jangada da Méduse, os tumultos e as carnificinas que foram matando sucessivamente os seus ocupantes, reduzindo-os desde o elevado número de mais de uma centena até dezasseis, as cenas de um desvairado canibalismo, nada têm de comparável com a relativa amenidade de convívio que ele imaginou para os dias da jangada d’O Chancellor.
E outras significativas diferenças separam os dois naufrágios: a Méduse descia o Atlântico desde a França até ao Senegal; O Chancellor saía dos Estados Unidos da América, atravessava o Atlântico em direcção à Inglaterra e, desviado da sua previsível rota, naufragava na América do Sul; a jangada da Méduse andou no mar doze dias até surgir um navio que recolheu os seus sobreviventes; a jangada d’O Chancellor teve cinquenta e dois dias de errância marítima, antes de chegar ao Amazonas; a avaria da Méduse foi provocada por uma má rota que a atirou para cima de um banco rochoso; a d’O Chancellor teve origem num desses incêndios sub-reptícios que minam pacientemente cereais ou algodão…



Era, pela certidão do baptismo, Jules Gabriel Verne [Nantes, 1828-Amiens, 1905]; e o seu pai, um magistrado de Nantes, desde os seus tempos de berço sonhava-o a brilhar na mesma profissão. Mas bastaram-lhe onze anos de vida e umas quantas e emocionantes leituras para fugir de casa levando consigo um desejo de mar e aventura (e a decisão, muito mais prática, de trazer um colar de coral para oferecer à sua prima Caroline, por quem estava apaixonado) tudo isto vivido — não mais lhe consentiria a idade — como grumete num barco-correio. Sobressaltado, M. Verne foi a tempo de capturá-lo em Paimbæuf, um pequeno porto do Loire-Atlântico. «Pois bem», prometeu a criança frustrada e ingloriamente retida nos seus altos voos, «só vou viajar em sonho». — Quem poderia prever que estas palavras, proferidas numa tão tenra idade, deviam ser tomadas à letra?
É verdade que Jules Verne, para satisfazer os desejos do seu pai chegou à Sorbonne e à licenciatura que poderia dar-lhe o sonhado futuro como magistrado; mas sobrepôs-se a toda esta sabedoria em Direito uma irresistível fascinação literária. De regresso a Nantes, e frustrado por ver a mulher que amava casada com outro homem, voltou para a capital. Parto porque fui desprezado, escreveu numa carta ao músico Aristide Heignard, mas todos verão de que matéria é feito o pobre rapaz a que chamam Jules Verne.
[...] 
Esteve em Lisboa por duas vezes, em 1878 e em 1884.
A idade mais avançada deu-lhe diabetes, má visão e uma perna coxa que nunca se recompôs de um tiro de espingarda, saído em má hora das mãos de um sobrinho louco. Começou a escrever menos, e até a não escrever. Na minha idade as palavras fogem e as ideias já não entram, pode ler-se numa carta sua.
Morreu em 1905, derrotado por diabetes e cegueira.
O século XX fez dele um clássico; tirou algumas das suas obras da esfera adolescente para acompanhar a de grandes clássicos centrais. Michel Butor é peremptório: «Temos de colocar a sua obra nos grandes conjuntos de romances do século XIX.» E Roland Barthes dedicou-lhe todo um capítulo do seu Mythologies, onde compreende o lado-cárcere dos seus grandes espaços: «A imaginação da viagem corresponde em Verne a uma exploração da clausura. […] O barco pode muito bem ser o símbolo da partida; mas é profundamente a cifra da clausura.» […] «O navio é um facto habitacional, antes de ser um meio de transporte.»
Nenhum outro dos seus livros leva mais à letra estas palavras do que o seu Chancellor.
[Aníbal Fernandes]

Uma Breve História da Curadoria I Sara & André


Uma Breve História da Curadoria
Sara & André

Textos de Carlos Vidal, Celso Martins, Flávia Violante,
Sara & André e Zaratan

ISBN 978-989-8902-56-6 | EAN 9789898902566

Edição: Janeiro de 2019
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 15 x 21 cm (brochado)
Número de páginas: 440



«Sara & André surgiram rapidamente com um plano: 
“queremos fazer três exposições com curadores em vez de artistas”».
[Zaratan]



Este livro surge na sequência do ciclo de exposições Curated Curators, que desenvolvemos em três momentos ao longo de 2017, no espaço Zaratan em Lisboa. No seguimento da exposição que aí havíamos realizado em 2015, intitulada Pequeno Museu da Rua de São Bento e Arredores – na qual escolhemos apresentar um «museu de bairro», com objectos emprestados por lojas e moradores das redondezas – os fundadores e responsáveis pelo espaço, Gemma Noris e José Chaves, convidaram-nos a iniciar um ciclo de curadorias realizadas por artistas, que continuaria depois pelas mãos de António Caramelo e Tiago Alexandre, entre outros.
Surpreendidos com este desafio, por não termos qualquer ambição particular em fazer curadoria, reflectimos sobre o que poderia representar o facto de serem artistas a comissariar exposições, ao mesmo tempo que nos tentávamos propor um projecto desafiante, tanto do ponto de vista pessoal, como do artístico e profissional. Posta a reflexão, escolhido o formato, discutidas as nuances, lançámo-nos a três exposições colectivas, convidando, em vez de artistas, curadores.
Separados pelas suas formações – servindo as suas licenciaturas (ou primeiras licenciaturas) como critério diferenciador – chegámos a três grupos com números sensivelmente iguais: arte e design; «diversos» (economia, filosofia, comunicação social, cultural e empresarial, arquitectura, direito, sociologia, línguas e literatura, gestão do património); historiadores e historiadores de arte. A cada um dos três conjuntos, propusemos um desafio diferente, resumida e respectivamente: mostra-nos um objecto artístico da tua autoria; fala-nos de uma obra de um artista que tenhas potenciado; conta-nos como decidiste enveredar por uma carreira próxima das artes. 
[Sara & André]



Sara & André (Lisboa, 1980 e 1979) estudaram, respectivamente, Realização Plástica do Espectáculo na Escola Superior de Teatro e Cinema (Lisboa, 1999-2005) e Artes Plásticas na Escola Superior de Artes e Design (Caldas da Rainha, 1999-2005). Expõem com regularidade desde 2006.

Nomad I Carlos Bunga


Nomad
Carlos Bunga

Edição de Carlos Bunga e Alinhoa Gonzalez

ISBN 978-989-8902-57-3 | EAN 9789898902573

Edição: Janeiro de 2019
Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros
Formato: 21 x 28 cm (encadernado)
Número de páginas: 64 (a cores)

Com a Fundação Carmona e Costa

Edição bilingue: português-inglês


O que é uma casa, neste mundo que deixa tantas vidas na intempérie? 
[Marina Garcés]


Este livro foi publicado por ocasião das exposições «Where I am Free», com curadoria de Inês Grosso, realizada na Fundação Carmona e Costa, de 26 de Janeiro a 16 de Março de 2019, e «The Architecture of Life. Environments, Sculptures, Paintings and Films», com curadoria de Iwona Blazwick, realizada no MAAT, de 23 de Janeiro a 20 de Maio de 2019.


Para a Mariquinhas, a minha mãe, e para todos os refugiados que, como ela, cada dia abandonam os seus países para salvar as suas vidas e as dos seus filhos.
Por toda a dor que sentem e o medo que sofrem.

[...]

A minha primeira casa foi uma mulher. Em 1975, entre os muitos deslocados, fugitivos e perseguidos pelo conflito armado da independência de Angola com Portugal, encontrava-se a minha mãe de dezoito anos, grávida de poucos meses, tentando fugir da guerra para salvar a minha irmã de dois anos de idade. Nunca mais voltou. Nunca mais se encontrou com ninguém da sua família.
A dramática e violenta situação vivida no espaço exterior contrastava com o espaço protegido da barriga.

[...]

A minha casa não tem portas nem janelas, não tem escadas nem pátio, não tem tecto nem quartos, não tem mesas ou armários, não tem cadeiras ou quadros.
A minha casa são os que amo.
[Carlos Bunga]

O Que Pode a Arte? — 50 anos do Maio de 68


O Que Pode a Arte? — 50 anos do Maio de 68
Ana Vidigal, Carla Filipe, João Louro, Jorge Queiroz, Júlio Pomar, Ramiro Guerreiro, Tomás Cunha Ferreira

Textos de Daniel Ribas, Hugo Dinis, Mariana Pinto dos Santos, 
Nuno Crespo e Sara Antónia Matos

ISBN 978-989-8902-40-5 | EAN 9789898902405

Edição: Outubro de 2018
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 17 x 21 cm (brochado com badanas)
Número de páginas: 208 (a cores)

Com o Atelier-Museu Júlio Pomar

Edição bilingue: português-inglês



O que pode a arte, então? A arte abre espaço para outra coisa, outras alternativas de representar o mundo, dando lugar a hipóteses imprevistas, alternativas desconhecidas, posições híbridas e desviantes que descentram os poderes opressivos.

Este catálogo é publicado por ocasião da exposição «O que pode a arte? 50 anos do Maio de 68» (15.05-29.09.2018), com curadoria de Nuno Crespo e Hugo Dinis.
A exposição, que recorda e comemora o 50.º aniversário do movimento estudantil francês, junta obras de Júlio Pomar, Ana Vidigal, Carla Filipe, João Louro, Jorge Queiroz, Ramiro Guerreiro e Tomás Cunha Ferreira. De diferentes modos, estes artistas continuam a encontrar na arte uma forma de afirmar os seus posicionamentos críticos sobre o mundo onde vivem, sobre as suas crises e formas de superação, mostrando o modo como a produção artística é contagiada pelas transformações políticas e sociais.
O Maio de 68, em França, teve na sua base greves e manifestações estudantis que rapidamente assumiram proporções revolucionárias, tornando-se símbolo de uma nova ordem social, que dizia respeito não só às relações académicas mas também às instituições sociais, políticas, económicas e culturais.
A consciência do poder reivindicativo dessa classe estudantil, culta e informada, que visava direitos democráticos e culturais e que reclamava liberdade de expressão, de comportamentos e de participação na construção do mundo, continua a manifestar-se particularmente entre os artistas e os intelectuais.
Júlio Pomar, a viver em Paris desde 1963, não ficou indiferente ao movimento, especialmente à agitação social, tendo feito um grupo importante de pinturas onde fica patente o espírito de 1968 e a articulação arte-política que lhe era próxima no início de carreira.
[…]
A arte e a estética adquirem assim um significado político, sem que as obras sejam ilustrativas ou propagandísticas. Envolvendo escolhas e posicionamentos ideológicos, a arte e a estética são forma de obter voz, afirmá-la e fazê-la ouvir no domínio público.
[Sara Antónia Matos]

Júlio Pomar — Obras no espaço público


Júlio Pomar — Obras no espaço público
Júlio Pomar

Textos de Sara Antónia Matos e Pedro Faro

ISBN 978-989-8902-51-1 | EAN 9789898902511

Edição: Dezembro de 2018
Preço: 23,58 euros | PVP: 25 euros
Formato: 17 x 21 cm (brochado com badanas)
Número de páginas: 156 (a cores)

Com o Atelier-Museu Júlio Pomar

Edição bilingue: português-inglês



O que importa ressalvar destas intervenções, das mais antigas às mais recentes, diz respeito à transformação dos lugares públicos em lugares «antropológicos», processo que Marc Augé, antropólogo francês, analisou como sendo um processo que envolve a transformação de «não-lugares» em lugares.


Esta publicação, cuja motivação surge ainda com o pintor em vida, nasce da vontade de mapear e conhecer todas as obras que Júlio Pomar realizou no espaço público. Para cumprir o propósito, foi necessário estabelecer um roteiro de visitas aos lugares onde o artista tinha intervenções públicas – o que em alguns casos levou Júlio Pomar a rever e surpreender-se com obras de que se tinha praticamente esquecido.
A primeira visita – posso aqui revelar – foi ao painel da Avenida Infante Santo, que tinha sido acabado de restaurar pela equipa da Câmara Municipal de Lisboa. Essa visita, acompanhada pela vereadora da Cultura da CML, Catarina Vaz Pinto, e pela equipa de restauro, foi motivo de entusiasmo para todos, incluindo o artista, que observou o painel com grande espanto e admiração. Esse momento encetou o périplo pelo roteiro traçado, o qual foi crescendo à medida que Júlio Pomar ia sendo convidado para fazer novas intervenções.
Das obras que realizou em espaços públicos, ou em lugares visitáveis pelo público, já com o Atelier-Museu em funcionamento, contam-se: o painel cerâmico do Museu da Cerveja (2013); o átrio do Teatro Nacional D. Maria II (com Henrique Cayatte) (2014); o painel cerâmico da Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau (2015); o retrato de Champalimaud, na Fundação Champalimaud (2016); o painel cerâmico Participação na Assembleia Municipal de Lisboa (2017) e uma instalação na entrada do edifício da Fidelidade – Chiado 8, todas em Lisboa.
A curiosidade que «mordia» o pintor e a equipa do Atelier-Museu levou-nos aos lugares onde havia intervenções públicas suas, para descobrir o estado das obras, e mesmo a sua existência, de que em alguns casos se duvidava já, como era o caso da intervenção escultórica dos anos 1950 na fachada principal do antigo Mercado da Pontinha, e dos doze vitrais da Igreja da Sagrada Família, de 1954, na mesma localidade. 
[Sara Antónia Matos]

Inês Teles


Inês Teles

Textos de Maria Joana Vilela, João Pinharanda e Fernando Rosa Dias

ISBN 978-989-8902-50-4 | EAN 9789898902504

Edição: Dezembro de 2018
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 20 x 26,7 cm (brochado)
Número de páginas: 112 (a cores)

Edição bilingue: português-inglês



Cada obra surge perante nós como uma pausa no devir do estado das coisas. A delicadeza de cada acto criativo não quer impor nenhuma forma ao mundo, não quer acrescentar nem subtrair nada, mas apenas apresentar um novo modo do ser das coisas.


De mexer na pintura o artista persegue o vício da descoberta. Imerge as mãos, procura fissuras, transparências, entradas de luz. Faz por iluminar o escuro denso da tinta, líquida, mas espessa. Toca primitivamente a matéria. Age dependente do mistério que se oculta, ensaiando uma atenção laboriosa que aprofunda ainda mais o mergulho. Em profundidade se deixa por muito tempo até que o pensamento se funde com o gesto e se instrumentaliza em função do trazer.
[Maria Joana Vilela]

Na pintura de Inês Teles encontramos pequenos jogos de percepção que nos colocam no campo de algumas grandes questões formais da história da arte que o modernismo explicitou: o entendimento (sempre por codificação e descodificação) da figura e do fundo, do suporte/superfície da obra (do seu corpo ou do seu dentro) e do espaço arquitectónico (mas também social) da sua apresentação, o entendimento da centralidade da composição e dos seus motivos (figuras) ou da sua deslocação dos eixos ortogonais, o entendimento da(s) cor(es) e dos modos de incorporação/revelação da luz, dos gestos de pintar e da sua performatividade…
[João Pinharanda]

Cada obra de Inês Teles em situação de exposição não pretende ser a afirmação de uma presença, não deseja ser um acto imperativo de inscrição, mas apenas a suspensão de um processo de transformação que não quer ser coercivo nem subjugar a matéria. As metamorfoses que se animam são inerentes à matéria, como quem perscruta e atende zonas de passagem de vida própria. Os sentidos das suas obras são halos dessas acções sensíveis de transformação, como quem recuou a um estado puro de alquimia, na relação directa com os materiais, para acolher os perfumes alquímicos da matéria.
[Fernando Rosa Dias]

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Livros Documenta I Sistema Solar [Janeiro de 2019]

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