sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Uma certa quantidade



Inaugura amanhã, sábado, 7 de Outubro, às 18 horas. 

O catálogo, em edição bilingue, inclui poemas de Mário Cesariny.




sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Jorge Pinheiro –– D’après Fibonacci e as coisas lá fora


Jorge Pinheiro –– D’après Fibonacci e as coisas lá fora
Jorge Pinheiro

Texto de João Miguel Fernandes Jorge
Uma Conversa Pedro Cabrita Reis-Jorge Pinheiro

ISBN: 978-989-8834-79-9

Edição: Setembro de 2017
Preço: 27,36 euros | PVP: 29 euros
Formato: 23 x 28 cm [brochado, a cores]
Número de páginas: 320

[co-edição com a Fundação de Serralves e com a Fundação Carmona e Costa]

Edição bilingue: português-inglês



Jorge Pinheiro: «É que nós julgamos saber muita coisa mas, muito socraticamente, só sabemos que nada sabemos.»


Publicado por ocasião das exposições paralelas e correlacionadas no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, e na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, este livro é testemunho das possibilidades estéticas do fazer e da criação inteligente ao longo de um período de 50 anos. As 90 obras sobre papel apresentadas na Fundação Carmona e Costa, que aqui surgem reproduzidas, foram seleccionadas pelo poeta, curador e crítico João Miguel Fernandes Jorge, em estreito diálogo com o artista. Já a selecção das 66 obras expostas em Serralves, que incluem pintura, desenho e escultura, foi feita pelo artista Pedro Cabrita Reis. 
[Maria da Graça Carmona e Costa e Suzanne Cotter]

PCR —Falarmos daquilo que ainda não sabemos bem é muito importante. Provavelmente isso virá a ajudar outros.
JP — De facto, nós não sabemos por que razões chegamos a determinadas coisas. Há tanto em jogo naquilo a que pomposamente se chama o acto de criação.
[Pedro Cabrita Reis-Jorge Pinheiro]

O meio-dia é a hora da sombra mais curta. Há pintores que transportam para a sua arte esse luzeiro mais vivo, em que o real aparece na sua plenitude. Creio que este poderá ser um dos aspectos dominantes dos desenhos [1969-2017] que Jorge Pinheiro reúne na Fundação Carmona e Costa, no Outono de 2017.
[João Miguel Fernandes Jorge]


Jorge Pinheiro nasceu em Coimbra no dia 7 de Outubro de 1931. Tem o Curso Superior de Pintura da Escola Superior de Belas-Artes do Porto (1963). Fundou, com Ângelo de Sousa, José Rodrigues e Armando Alves, o grupo «Os Quatro Vintes», numa alusão irónica à marca de tabaco «Três Vintes» e às respectivas notas de final de Curso. Leccionou na ESBAP (1963-1976), na ESBAL (1976-1996) e na Universidade de Évora (1996-1998). Expõe regularmente desde 1954 e está representado em inúmeras colecções públicas e privadas. Vive e trabalha em São Pedro do Estoril.


Júlio Pomar e Pedro Cabrita Reis –– Das pequenas coisas



Júlio Pomar e Pedro Cabrita Reis –– Das pequenas coisas
Júlio Pomar, Pedro Cabrita Reis

Texto de Sara Antónia Matos

ISBN: 978-989-8834-80-5

Edição: Setembro de 2017
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 17 x 21 cm (brochado, a cores)
Número de páginas: 224

[co-edição com o Atelier-Museu Júlio Pomar]

Edição bilingue: português-inglês



«Cada peça e cada objecto são memória e traduzem circunstâncias de companheirismo singulares, sinais de afecto, muita admiração e respeito, momentos singelos e simultaneamente magnânimos.»

A exposição Júlio Pomar e Cabrita Reis: Das pequenas coisas [1 de Junho-8 de Outubro de 2017] integra-se no programa de exposições do Atelier-Museu Júlio Pomar que, todos os anos, cruza a obra de Júlio Pomar com a de outros artistas, de modo a estabelecer novas relações entre a obra do pintor e a contemporaneidade.

Na exposição, Júlio Pomar e Cabrita Reis, através de objectos, esculturas e assemblages, exploram composições em materiais variados revelando que em pequenas coisas ou objectos podem estar contidos grandes gestos. Trata-se de usar pedaços ou fragmentos de materiais, quase sem intervenção dos artistas, como se as matérias-primas das obras fossem apropriadas pelos autores devido às associações que potenciam e, combinadas entre si, sem necessidade de modelação ou recurso a outro processo de trabalho escultórico. Desse modo, embora não haja propriamente modelação de matérias, o gesto artístico mostra-se nos actos mais elementares de seleccionar, compor e associar os materiais colhidos do contexto ou realidade circundante, dando-lhes nova vida e atribuindo-lhes sentidos. Assim, os artistas falam das pequenas coisas e de grandes gestos – os gestos artísticos, atribuição de significados às coisas mais simples – como se lhes fosse possível, através de um acto alquímico, transformar a pedra em ouro. É isso de facto que fazem ao apropriar-se de materiais encontrados na rua e ao transformá-los em obras de arte. Por isso, nesta exposição «a pequena coisa» apresenta-se como uma metáfora do grande feito, poder do demiurgo: o acto criativo. […]
No seu conjunto, através das obras, a exposição revela momentos da biografia de cada artista, da forma como olham à sua volta. Revela como pensam as coisas íntimas e pequenas que para cada um têm significado, mostrando que os pequenos acontecimentos na arte e na vida podem ser os mais importantes; e tornando patente que a força das obras não depende do tamanho, mas da intenção de cada gesto e de cada olhar. […]
[Sara Antónia Matos]

Oa Cavalos de Abdera I Leopoldo Lugones



Os Cavalos de Abdera –– E mais forças estranhas
Leopoldo Lugones

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8833-06-8

Edição: Setembro de 2017
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 160


Jorge Luis Borges: «Toda a literatura é fantástica porque está cheia de
símbolos e sonhos.» Sentimos a comodidade desta indiferenciação quando
nos tentamos a não definir um género para os contos de Lugones.


Jorge Luis Borges, que o admirava, várias vezes o recordou; escolheu-o para a sua Biblioteca de Babel e depois da sua morte resumiu-o com muita eficiência: «Como o de Quevedo, como o de Joyce, como o de Claudel, o génio de Leopoldo Lugones é fundamentalmente verbal. Não há uma página do seu extenso labor que não possa ler-se em voz alta e não tenha sido escrita em voz alta. Períodos que noutros escritores resultariam ostensivos e artificiais, correspondem nele à plenitude e às amplas evoluções da sua natural entoação. […]
Leopoldo Lugones era director da Biblioteca Nacional de Maestros, presidente da Sociedade Argentina de Escritores, e em 1926 […] tinha recebido o Prémio Nacional de Literatura. Mas, indiferente a estes prestígios, recolhia-se numa solidão apenas enfeitada pela sua obra poética (Lunario Sentimental continua inapagável referência para os estudiosos da poesia argentina), por escritos em prosa onde existem ensaios, uma única novela intitulada El Ángel de la Sombra (1926) e contos que chegam a cento e trinta e um, seleccionados por ele próprio para formar La Guerra Gaucha (1905), Las Fuerzas Extrañas (1906), Cuentos (1916) e Cuentos Fatales (1924), ou conviverem com poemas em Lunario Sentimental (1909) e Filosofícula (1924). [Aníbal Fernandes]

Escritor argentino, Leopoldo Lugones nasceu no dia 13 de Junho de 1874, em Villa de María del Río Seco, e morreu no dia 18 de Fevereiro de 1938, em Tigre. Escreveu e publicou poesia, ensaio, novela e contos. No dia em que se suicidou, com uma mistura de cianeto e uísque, deixou uma carta de onde se destacam estas palavras: «Peço que me enterrem na terra sem caixão, sem nome que me recorde; proíbo que o meu nome seja atribuído a um qualquer lugar público; não culpo ninguém de nada; sou o único responsável por todos os meus actos.» Foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Sociedade Argentina de Escritores (1928-1932). Numa homenagem a Leopoldo Lugones, o Dia do Escritor, na Argentina, é assinalado no dia 13 de Junho.





Livros Documenta I Sistema Solar - Setembro de 2017

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1 novidade e 1 reimpressão Sistema Solar + 2 novidades Documenta. 

Marque encontro com os nossos livros na sua livraria habitual e em
www.sistemasolar.pt

sábado, 16 de setembro de 2017

Últimas pedaladas na Feira do Livro do Porto 2017

Livraria Flâneur, Feira do Livro do Porto 2017. Fotografia de Mário Brandão

Hoje e amanhã, ainda pode marcar encontro com os nossos livros na 

Avenida das Tílias, Jardins do Palácio de Cristal, Porto.
Pavilhões 106-107 sábado, das 11 às 23h; domingo, das 11 às 21h30

sábado, 9 de setembro de 2017

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Cada livraria é um ponto de encontro com os leitores.




Uma iniciativa aberta a todos os livreiros e leitores que queiram participar


Fotografe-se ou faça-se fotografar na sua livraria ou numa livraria à sua escolha:

a) – com um livro Sistema Solar;
b) – com um livro Documenta;
c) – com leitor(es) e os nossos livros ou com livreiro(s) e os nossos livros.

Envie essas fotos para comunicacao(arroba)sistemasolar.pt ou através de mensagem via facebook (juntar legenda e nome da livraria com contactos e ligações). 

Publicaremos as fotos e os dados das livrarias aqui no blogue e na página da Sistema Solar no facebook.

Cada livraria é um ponto de encontro com os leitores. 

Marcamos encontro? Olha o passarinho. Já está! 


Sistema Solar, Crl. Rua Passos Manuel, 67 B, 1150-258 Lisboa


Foto: montagem a partir de fotografias dos livreiros Cátia Monteiro e Arnaldo Vila Pouca, da Livraria Flâneur (Porto), e da capa do livro Os Manuscritos de Aspern, de Henry James, Sistema, Solar, 2012.

«Reler e pensar a poética de Manuel António Pina», por Maria João Cantinho



Nesta tarefa de alto risco mergulha Rita Basílio, ao abordar a obra poética de Manuel António Pina, oferecendo aos seus leitores um livro que resulta da edição da sua tese de doutoramento, prefaciado pelo filósofo Sousa Dias. Guiada pela proposta de «ler uma pedagogia do literário em Todas as Palavras, de Manuel António Pina, procura aceder aos temas nucleares que, de acordo com a autora, se apresentam na sua poesia, como os da morte, da infância, da língua e da memória. No entanto, a ensaísta revela um conhecimento aprofundado de toda a sua obra, procurando iluminar a sua tese a partir de contaminações de outros textos, em particular o ensaio de MAP, «Ler e Escrever» [1], texto que é tomado como «testemunha da sua própria reflexão sobre o processo de criação» (p. 25), e donde a autora retira essencialmente as premissas para a sua tese da «pedagogia do literário». Do que é que se fala afinal quando se fala de literatura, é justamente a questão que conduz Rita Basílio  —  e nos conduz pela sua mão segura  —  nesta travessia pelo universo poético de MAP.


Ciente de que ao poeta não interessam as grandes correntes literárias, nem os seus conceitos e técnicas maiores, a autora tenta, a partir dos dispositivos e instrumentos analíticos de que dispõe, sulcar outros caminhos, sobretudo a partir do conceito deleuziano de «literatura menor», aludindo aqui, em particular, a uma poética que se faz de forma «extravagante» (p. 15), no sentido em que se demarcou (à época do seu surgimento) e se demarca daquilo a que Deleuze se referiu como uma «axiomática dominante» (a poesia dos anos 70), isto é, «face a alguns lugares literários — excessivamente territorializados pela crítica nacional» (p. 15). Serve-lhe então o conceito deleuziano para estabelecer desde logo uma leitura crítica que procura desembaraçar a poética do autor das suas equívocas leituras. É no primeiro capítulo, intitulado «Uma Entrada pelo Lado de Fora», que aborda as reacções e leituras críticas sobre a sua poesia, em particular no período entre 1974 e 1989. Justifica essa passagem do seu ensaio pela necessidade de compreender a «extravagância» de MAP e o modo como poucos foram os críticos que se revelaram capazes de sair da sua visão familiar e acolher «a inesperada perspectiva de forasteiro que MAP dava desde logo a conhecer.» (p. 15). A sua proposta de releitura parte também da refutação de algumas leituras, como, por exemplo, a de Inês Fonseca Santos, autora do primeiro estudo sistemático sobre o autor, intitulado A Poesia de Manuel António Pina. O Encontro do Escritor com o seu Silêncio, ou ainda de críticos que estiveram ligados à recepção da sua poesia. A integração da obra de MAP no quadro da pós-modernidade, como o fazem alguns, é insuficiente para categorizar a produção poética de MAP, revelando-se, neste sentido, redutora, naquilo que a própria categorização arrasta consigo.


Se a escrita poética era, para MAP, uma experiência que se revia numa «espécie de desejo de falar», de que ele próprio falava, em «Ler e Escrever» (p.39), corroborando uma injunção de T.S.Eliot (p. 268), Rita Basílio quer dar conta do que é esse «falar» que, na óptica do poeta, resulta numa leitura activa ou gesto poiético que é «solicitado a dar resposta» ao que não é, ou que não se deixa formular, esse «monstruoso vazio» que o assombra, em busca da sua expressão ou de uma qualquer forma na língua. Se aludimos aqui a uma procura, a uma tentativa de se transformar, pelo poema, numa presentificação do indizível, então essa é também a experiência do «Testemunho», que a autora reconhece na sua obra Todas as Palavras. Todavia, essa é também a experiência de uma «aprendizagem do incerto», para parafrasear a expressão de Silvina Rodrigues Lopes, referindo-se Rita Basílio a uma aprendizagem da passagem, que encontra na alegoria um modo de expressão privilegiado, como o justifica de forma extensa no capítulo IV, que dedica à alegoria, convocando para este encontro a distinção benjaminiana entre símbolo e alegoria.

Não é apenas a experiência da fragmentação que se encontra aqui presente, mas essencialmente aquilo que a autora caracteriza como o «drama da escrita de MAP» (p. 99), que «começa precisamente por ser o drama de um excesso que exibe uma falta: o excesso de fala, o excesso de significação (pela recorrência constante à citação), o excesso de memória, de anterioridade e, sobretudo, o excesso de consciência da impossibilidade de esquecer tudo isto» (Idem). Duplo e simultâneo, dilacerado acto de memória e de esquecimento, a poesia de MAP conforma essa experiência da falta, a do próprio rasto. É justamente nessa poética que se inscreve o gesto, chamemos-lhe assim, da pedagogia do literário, como leitura activa, leitura por escrito de tudo o que é, foi e será lido no e pelo poema.

Mais do que gesto, a recorrência constante à citação, em MAP, é um acto de leitura. Não é apenas o reconhecimento das marcas que Borges deixou na sua poética que se faz visível, como no extraordinário poema «Emet» (, em que MAP nos diz que a Literatura «é uma arte/escura de ladrões que roubam a ladrões», mas é também esse enigmático processo alegórico que aqui se apresenta, como recomposição/reconfiguração do poema a partir de citações, tal como o colecionador de Walter Benjamin dispõe os seus objectos avulsos, «roubados» ou extraídos, numa nova ordem de significado. Por outro lado, o espaço do poema é também o «insondável lugar que os fantasmas habitam» (p. 275). E do que falará a literatura senão desse espaço fantasmático, a que o poeta, atento às vozes dos mortos, se obriga à escuta? E doravante, certamente, não será possível ler e compreender a obra de Manuel António Pina sem este estudo referencial, atento e rigoroso que lança novas pistas de investigação, que ampliam muito o que até então havia sido feito.

[1] In Revista Portuguesa de Psicanálise, nº 18, Março de 1999.

Texto publicado no JL, com pequenas alterações/correcções.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Feira do Livro do Porto 2017


De 1 a 17 de Setembro estaremos na Feira do Livro do Porto pela mão da Livraria Flâneur. 

Marque encontro com os nossos livros nos pavilhões 106 e 107.


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Lembrar e ler Mário Cesariny

Cesariny no atelier. Foto de Eduardo Tomé

Mário Cesariny nasceu em Lisboa no dia 9 de Agosto de 1923, faz hoje 94 anos.




CESARINY NA DOCUMENTA

Edição de António Cândido Franco

Edição de Perfecto E. Cuadrado, António Gonçalves e Cristina Guerra

Edição de Luís Amorim de Sousa

Com a Fundação Cupertino de Miranda


sexta-feira, 28 de julho de 2017

Prémio AICA/Fundação Carmona e Costa 2015/2016 para Pedro Lapa


Prémio de Crítica e Ensaística de Arte e Arquitetura AICA/fundação carmona e costa 
(2º ex-aequo), relativo ao biénio 2015/2916.


O júri foi constituído por Ana Vaz Milheiro, Margarida Brito Alves e Miguel Wandschneider, A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar na sede da Fundação Carmona e Costa, em data a anunciar.


quarta-feira, 26 de julho de 2017

«Por Dentro das Imagens» na "Avanca I Cinema"



 clicar na imagem para a aumentar


SÉRGIO DIAS BRANCO 
apresenta o seu livro 
Por Dentro das Imagens: Obras de Cinema, Ideias do Cinema 
na próxima sexta-feira, dia 28 de Julho de 2017, às 18 horas, na
Conferência Internacional de Cinema - Arte, Tecnologia, Comunicação.

clicar na imagem para aceder a mais informação



O Rato da América I Jacques Lanzmann


O Rato da América
Jacques Lanzmann

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8833-21-1

Edição: Julho de 2017
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado, com badanas]
Número de páginas: 240


Viagem ao fim de uma noite.

Se quiseres encontrar-te, começa por te perder, escreveu um dia Jacques Lanzmann. O Rato da América, relato autobiográfico retocado pelas exigências formais e literárias da ficção, é desta fatalidade maior exemplo. Lanzmann […] falanos dos dias em que se perdeu noutro continente, desiludido numa esperança, vergado pelo destino do rato da América – entenda-se a expressão como ajustada ao emigrante ou ao autóctone sul-americano com dias rastejados por baixos expedientes e duras tarefas impostas à sua condição humana.
[…]
O Rato da América pôs a segunda pedra no percurso de um escritor que chegaria ao fim da vida com o respeitável número de quarenta e seis romances e narrativas publicados.
[…]
Os comunistas, jovens e velhos, fizeram do livro um triunfo. Era previsível; através de um herói deserdado eu ocupava-me da luta de classes. Não era, de facto, O Germinal, mas grande parte da sua história desenrolava-se numa mina. Orgulhoso com este apreço das massas trabalhadoras, deixei-me ir na onda de uns e outros, ao ponto de aderir ao Partido alguns dias depois de me casar [com uma fervorosa militante]. Sentiria eu necessidade de estar enquadrado? Talvez estivesse farto de me arrastar pelos cafés.
[…] palavras suas para uma canção de Dutronc tinham avisado: «De tanto bater, o meu coração parou.» O coração de Lanzmann parou de bater em Junho de 2006. Ele tinha acabado de publicar o romance Uma Vida de Família, a vida que a idade acabara por lhe apontar como inevitável e ele vivia calmamente ali, em Montparnasse, rodeado por memórias de uma imparável agitação vital. [Aníbal Fernandes]



Jacques Lanzmann, escritor, produtor, argumentista, jornalista, letrista de canções, nasceu no dia 4 de Maio de 1927, em Bois-Colombes. Era filho de emigrantes judeus do Leste, decoradores e antiquários, e irmão de Claude Lanzmann, o realizador do filme Shoa. Lutou na Resistência, foi preso pelos nazis e chegou a estar numa lista para ser fuzilado, mas conseguiu fugir. «Ladrão de acasos», foi pintor, de quadros e de paredes, camionista, contrabandista, mineiro. Foi membro do Partido Comunista Francês até à sua exclusão em 1957. Morreu no dia 21 de Junho de 2006, em Paris, a cidade que homenageou em «Il est cinq heures, Paris s’éveille».

As Amantes de Dom João V I Alberto Pimentel


As Amantes de Dom João V
Alberto Pimentel

Apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8833-20-4

Edição: Julho de 2017
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 224





Como rei, possuía essa altivez de porte, essa majestade sobranceira que o igualava a Luís XIV e que devia enlouquecer de orgulho a mulher que o visse rendido a seus pés, 
suplicante e apaixonado.



As Amantes de Dom João V – um dos festejados títulos na obra literária de Alberto Pimentel – é de 1892. A este rei, que o «sol» francês de Luís XIV iluminou, chamaram O Magnânimo. […]
A nobreza encontrava nas barrigas de freira requintes de doçura mas também o percalço de incómodos bastardos. O país encheu-se de infantes escondidos ou mesmo ignorados. D. António, D. Gaspar e D. José eram os que Sua Majestade tinha gerado em madres de convento, uma delas francesa, os seus filhos que a linguagem popular designou por «meninos de Palhavã». Habitavam o palácio do marquês do Louriçal, defendido nessa época pela discrição de um arredor da cidade, mas hoje central e conhecido como sede da embaixada de Espanha. […]
Alberto Pimentel passeia de capítulo a capítulo pelas mais notáveis amantes deste D. João V com uma lubricidade que chegou a precisar, para jogos prolongados, da bem recebida ajuda dos afrodisíacos.
Teve um dos mais longos reinados da monarquia portuguesa, ou seja, muito tempo para se mostrar ágil, desembaraçado e robusto, as qualidades que Pimentel destaca quando lhe descreve o físico; mas amigas, também, do que lhe foi mais precioso nesta lida consumada em leitos de baldaquino: compreender sem hesitações as mulheres e, a conferir-lhe à corte invulgar eficácia, fazer-se compreender sem delongas. [Aníbal Fernandes]

D. João V foi um rei à altura do seu tempo e, como noblesse oblige, não consentiu que ninguém lhe deitasse a barra adiante em liberdade de costumes.
Hoje, que o cesarismo acabou, um rei como D. João V seria o coveiro da sua própria coroa; mas, naquele tempo, um rei que não fosse D. João V ficaria inferior ao último dos fidalgos, não mereceria que os poetas do tempo o emparelhassem com Luís XIV, como quando o autor do Pinto renascido lhe chama o – Sol El-Rei D. João. [Alberto Pimentel]




Alberto Pimentel nasceu no Porto a 14 de Abril de 1849. Com uma obra extensa e variada, escreveu poesia, romance, teatro, biografia, obras políticas, entre outros géneros. Camilo Castelo Branco – que conheceu pessoalmente, lhe prefaciou dois dos seus livros e é matéria de algumas das suas obras – é o seu ídolo e o seu Mestre. Morreu em Queluz no dia 19 de Julho de 1925.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Maria José Oliveira - 40 Anos de Trabalho


Maria José Oliveira - 40 Anos de Trabalho

Textos de Ana Godinho, Cristina Filipe, João Pinharanda, José Gil, Paulo Henriques, 
Raquel Henriques da Silva e Sílvia T. Chicó

ISBN: 978-989-8834-72-0

Edição: Junho de 2017
Preço: 24,53 euros | PVP: 26 euros
Formato: 21 °— 27 cm [encadernado, a cores]
Número de páginas: 160 + folheto com traduções


Edição bilingue: português-inglês


É o tempo que se celebra nesta visão dos 40 anos de trabalho de Maria José Oliveira.


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Maria José Oliveira – 40 Anos de Trabalho», com curadoria de Manuel Costa Cabral, realizada na Sociedade Nacional de Belas-Artes, Lisboa, com  o apoio da Fundação Carmona e Costa, de 15 de Maio a 17 de Junho de 2017.



Longe de fazer desaparecer, a morte inicia o desvelamento mais profundo, em direcção às origens. A verdadeira revelação começa com a morte. [José Gil]

[…] é uma artista das cores da terra, dos amarelos ouro, da infinidade dos tons de cinza, das aguadas da cal, dos brancos da porcelana, dos tons e timbres da grafite e do carvão. [Raquel Henriques da Silva]

Percorremos, demoradamente um a um, com o olhar os objectos preciosos e quase mágicos de Maria José Oliveira, e uma multiplicidade de transmutações parece estar a ocorrer a cada instante. [Ana Godinho]

Tempo […] é também um conceito profundo que percorre o seu trabalho: as matérias primeiras do mundo, o arco entre a vida e a morte, a história familiar, o discreto existir de cada dia. [Paulo Henriques]

o corpo é um alimento a meio caminho entre carne e espírito : o que […] nos dá a comer é pão seco, é leite, é cera, são folhas, é pólen, é sangue, é sémen – e tomamos nas mãos um vaso sagrado. [João Pinharanda]

Em consciência, sem pudor e com desprendimento, dá nome às «coisas» e sempre as coloca no lugar certo. Seja o corpo, o chão, a parede, uma mesa ou uma cadeira. Se esse lugar não existe, constrói-o. [Cristina Filipe]

Partindo do adorno e da elaboração de um corpo impossível, Maria José Oliveira inicia uma aventura poética muito pessoal, onde perpassa tanto a nostalgia como a comemoração, ou explicitando, quiçá, a dor da ausência. [Sílvia T. Chicó]



Maria José Oliveira (Lisboa, 1943) fez pesquisa de fornos de chão em Ribolhos, na região de Viseu, desde 1967, com Mestre Albino, um dos últimos oleiros arcaicos. Curso de cerâmica do IADE entre 1973 e 1976. Frequentou o curso de escultura do Ar.Co em 1978. Foi professora convidada do Departamento de Cerâmica do Ar.Co de 1991 a 1997. Expõe regularmente desde 1982, em Portugal e no estrangeiro.

Alberto Carneiro – Natureza Dentro I Duarte Belo


Alberto Carneiro – Natureza Dentro
Duarte Belo

ISBN: 978-989-8834-76-8

Edição: Junho de 2017
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado, a cores]
Número de páginas: 128


[com a Galeria Ala da Frente – Câmara Municipal de Famalicão]


Nesta natureza intacta, cidade imaginária,
nos encontramos.


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Alberto Carneiro – Árvores e Rios», com curadoria de António Gonçalves, realizada na Galeria Ala da Frente, em Vila Nova de Famalicão, de 10 de Junho a 23 de Setembro de 2017.


Este trabalho é sobre o projeto, sobre o desenho. É sobre a terra, sobre a arte, sobre as «cidades». É sobre a natureza, sobre a transparência da opacidade do que não vemos, sobre a densidade de um mundo fascinante. 
[…]
Conheci pessoalmente Alberto Carneiro em Outubro de 1987, como seu aluno na disciplina de Desenho, do segundo ano do curso de Arquitetura da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Trinta anos decorreram desde essa data. Nesta natureza intacta, cidade imaginária, nos encontramos. Em mim ficou esse fascínio da ligação entre o ensino e a obra, os diálogos do olhar, as conversas que mantivemos depois de terminado o ano, os contactos esparsos ao longo destas três últimas décadas. A amizade, uma profunda admiração e gratidão.
A maquete deste livro foi apresentada a Alberto Carneiro e por si bem recebida. À data desta publicação já não podemos contar com a sua presença. A sua obra e a sua visão, permanecem. 
[Duarte Belo]


Duarte Belo (Lisboa, 1968). Licenciado em Arquitectura (1991). Paralelamente à actividade inicial em Arquitectura, desenvolve projectos em Fotografia. Expõe individualmente desde 1989, tendo já participado em numerosas exposições individuais. Está representado em diversas colecções públicas e privadas, em Portugal e no estrangeiro. Já desenvolveu a actividade de docência e participa regularmente em seminários, congressos e mesas redondas. Na Documenta, publicou: A Torre (com Maria Inês Cordeiro), em 2013; Maria Gabriela Llansol – O Encontro Inesperado do Diverso (com Ilda David), em 2014; Cesariny – Em Casas Como Aquela (com José Manuel dos Santos), em 2014; Alberto Carneiro – Natureza Dentro, em 2017. [informação mais completa]

Missão Fria I Pedro Casqueiro



Missão Fria
Pedro Casqueiro

Texto de Bruno Marchand

ISBN: 978-989-8834-77-5

Edição: Julho de 2017
Preço: 24,53 euros | PVP: 26 euros
Formato: 21x27 cm
Número de páginas: 136 [impressas a cores]


Edição bilingue: português-inglês



Uma espécie de corpo escorregadio e imprevisível a navegar
livremente as águas paradas do aparelho artístico.


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Missão Fria», de Pedro Casqueiro, realizada na Fundação Carmona e Costa, com curadoria de Bruno Marchand, entre 24-06-2017 e 29-07-2017.


Missão Fria é a vigésima exposição individual de Pedro Casqueiro (Lisboa, 1959) e a primeira por si apresentada nos espaços da Fundação Carmona e Costa. Indo ao encontro da natureza programática da Fundação, esta exposição compõe-se, na sua maioria, por obras cujo registo facilita o seu entendimento como desenhos. Contudo, as características que conferem ao desenho a sua especificidade quando comparado, por exemplo, com a pintura – que é, aliás, o meio em que o artista investe a maior parte da sua energia e pelo qual é, porventura, mais conhecido – nem sempre são simples de discernir. Sobretudo na obra de um artista que nunca demonstrou interesse particular pelas hipotéticas valências matéricas da pintura, pela sua possível fusão com o campo da tridimensionalidade, ou mesmo por uma qualquer tendência para a expressividade do gesto, para deixar inalienável a marca da sua mão como se de um símbolo autoral se tratasse. [Bruno Marchand]

Pedro Casqueiro nasceu em Lisboa, em 1959. Frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tendo-lhe sido atribuído o Prémio Revelação de Desenho na II Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira (1980). Vive e trabalha em Lisboa. Na Documenta, publicou: Pedro Casqueiro - Desordem Vertical (2017), editado em colaboração com a Galeria Ala da Frente (Vila Nova de Famalicão) e Missão Fria (2017), editado em colaboração com a Fundação Carmona e Costa (Lisboa).

segunda-feira, 24 de julho de 2017

AUGUSTA I Alexandre Melo, André e. Teodósio, Vasco Araújo



Augusta

ISBN: 978-989-97719-8-7 
(tiragem normal)
ISBN: 978-989-8618-22-1 
(tiragem especial, numerada e assinada) 

Edição: Julho de 2017

Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros 
(tiragem normal, com reproduções)

Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros 
(tiragem especial, numerada e assinada e com reproduções a cores) 

Formato: 15,5 x 23,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 88



Sendo uma obra autónoma, este livro é também o segundo volume de uma série de trabalhos dos autores que encontra em Roma o seu tema genérico.


Deste livro fez-se uma tiragem normal de 400 exemplares e uma tiragem única de 100 exemplares, numerados de 1/100 a 100/100 e assinados pelos autores.


Este livro inclui o texto (com base em As Aves, de Aristófanes) bem como uma seleção de imagens do vídeo Augusta (Vasco Araújo, 2008), uma adaptação da transcrição de dois diálogos de Alexandre Melo com Vasco Araújo e André e. Teodósio e duas cartas destes comentando as conversas.
Os temas em discussão, motivados pela análise do vídeo, são as noções de poder, utopia, crítica e criação artística, tal como se manifestam no legado das reflexões sobre as noções históricas de «cidade ideal» e «Império» e nas práticas dos mundos da arte e da sociedade contemporânea em geral. As conversas tiveram lugar num apartamento no Chiado, em Lisboa, nos dias 10 e 18 de fevereiro de 2011.
Os autores combinam os registos da ficção teatral, especulação abstrata e comentário de atualidade. Não deixando de mobilizar as suas experiências pessoais e profissionais específicas, os intervenientes representam as suas próprias personagens e convocam, sem preocupações com o rigor histórico, as figuras de César, Octávio e Cícero.
Sendo uma obra autónoma, este livro é também o segundo volume de uma série de trabalhos dos autores que encontra em Roma o seu tema genérico. Entendeu-se que as referências a Roma e ao Império Romano e a adoção de uma metodologia híbrida, na discussão e na forma de apresentação do livro, poderiam contribuir para um alargamento do espaço de interpretação e invenção também por parte dos leitores. [«Introdução»]

quarta-feira, 19 de julho de 2017

LER+ Plano Nacional de Leitura 2017


Livros Sistema Solar, Documenta e BI 
no LER+ Plano Nacional de Leitura 2017


clicar nas imagens das capas para aceder a mais informação em www.sistemasolar.pt

Ensino Secundário (sugestão de leitura)

Ensino Secundário (sugestão de leitura)

Ensino Secundário (sugestão de leitura)

Ensino Secundário (sugestão de leitura)

3º Ciclo (leitura autónoma)

 Formação de adultos (sugestão de leitura)

Formação de adultos (sugestão de leitura)

Formação de adultos (sugestão de leitura)


Ensino Secundário (sugestão de leitura)


9º Ano (leitura orientada na sala de aula)