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segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Itinerário e Transmissão

 

Itinerário e Transmissão
Pedro Tropa

Textos de Sérgio Mah e Pedro Tropa
Design gráfico de Atelier Pedro Falcão

ISBN 978-989-568-095-5 | EAN 9789895680955

Edição: Maio de 2023
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 17 × 24 cm (brochado)
Número de páginas: 120 (a cores)

Com a Galeria Quadrado Azul

Edição bilingue: português-inglês



Sérgio Mah: «Esta publicação reúne um conjunto de trabalhos realizados nos últimos anos e tem como elemento aglutinador o som.»

 



No início, tive de me debater com o problema de o desenho ser um processo, em certa medida, conflituoso com o processo fotográfico, criando algumas discrepâncias e por vezes algumas inversões. A fotografia trata, é claro, do tempo objectivo, do testemunho e frontalidade que eu sempre achei muito transparente. O desenho, por outro lado, tem um curso que, longe de ser apenas uma dimensão linear, vai abrindo formas que estão mais perto das ideias das coisas do que das próprias coisas. Este conflito fez-me interessar pelas matérias sonoras, gravadas ou sintetizadas, que possuem esta dualidade de registo sensorial (ausente na fotografia) e ao mesmo tempo propensas a processamentos e transformações, como no desenho. Penso, sobretudo, o som como outra imagem e como outra forma de representação.

[Pedro Tropa]

 

Desde o início da sua trajectória artística, em meados dos anos 1990, que o trabalho criativo de Pedro Tropa tem privilegiado temas imanentes à experiência e percepção da paisagem. A vivência de lugares concretos ou arquetípicos (pelas suas ressonâncias poéticas ou simbólicas, como a montanha, a lagoa, a ilha), as sensações do corpo perante certas condições topográficas e meteorológicas, ou simplesmente as dinâmicas que o olhar incorpora diante de certos territórios, têm sido insistentemente reconfigurados pelo artista através da observação testemunhal proporcionada pela fotografia ou mediante uma prática do desenho, desenvolvida no espaço do atelier, que articula as especificidades desse processo criativo com a memória dos lugares.

Nos últimos anos, o trabalho de Pedro Tropa alargou-se a outros meios de expressão como a escultura, a poesia e o som. Neste contexto, é de destacar o uso do som, pensado não apenas como um meio, mas fundamentalmente como uma vasta zona de assuntos, ideias e imagens, através do qual o artista congemina inúmeras e fecundas combinações estéticas e especulativas entre os diferentes meios e os temas da paisagem.

[Sérgio Mah]

terça-feira, 29 de novembro de 2022

No Reino Terrível da Pureza – Bibliografia da Prosa Dispersa não Ficcional de Sophia de Mello Breyner Andresen e Três Ensaios

 

No Reino Terrível da Pureza – Bibliografia da Prosa Dispersa não Ficcional de Sophia de Mello Breyner Andresen e Três Ensaios
Federico Bertolazzi


Fotografias de António Jorge Silva, Duarte Belo e Pedro Tropa

ISBN 978-989-568-007-8 | EAN 9789895680078

Edição: Outubro de 2022
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 16 × 22 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 96 (a cores)

Com o apoio da Cátedra Agustina Bessa-Luís da Universidade de Roma Tor Vergata



Sophia de Mello Breyner Andresen: «Mas a busca da transparência das coisas só é possível no reino terrível da pureza. Só aquele que tiver vivido com pureza o terrestre poderá suportar o fulgor do divino.»
 


Entre 1953 e 2003, Sophia de Mello Breyner Andresen publicou quase duas centenas de textos de vária natureza que ficaram dispersos em jornais, periódicos, livros, folhetos, plaquettes e outras publicações. Estes textos testemunham uma vivência da cultura profundamente integrada na vida e restituem a dimensão do empenho artístico de Sophia para que a poesia não fosse uma coisa exclusiva de «clérigos e letrados», mas acessível a todos os níveis, e para que a cultura pudesse realmente «habitar a vida quotidiana», proporcionando a todos o «direito à beleza».
Este livro apresenta uma bibliografia dos textos dispersos e um exemplo da sua utilização em sentido crítico: uma interpretação da obra de Sophia à luz das suas palavras.
 
Indubitavelmente, estamos perante uma parte da obra da autora que nunca por ela foi recusada e na qual a reflexão metaliterária, metacultural, política, social se desenvolve com sempre maior clareza, ajudando a penetrar o complexo e fascinante mundo desta escritora. Os ensaios sobre outros escritores representam uma espécie de cânone mínimo e pessoal que enriquece as relações intertextuais da obra de Sophia. Os depoimentos sobre outros artistas (como, por exemplo, Maria Helena Vieira da Silva) mostram a abertura da visão com que Sophia considera a arte e o papel do artista no «mundo dos homens», realçando muitos conceitos que a ela própria se adequam. As entrevistas aprofundam e alargam a perspectiva com a qual se pode abordar a leitura da poesia e da prosa da autora, sempre posta em relação com a concretude do mundo real e da vida quotidiana, na qual a cultura constantemente tem de se integrar para que, como Sophia deseja, ela não seja expressão de uma elite restrita, mas possa pertencer a todos e possa a todos melhorar a vida. Os testemunhos e os depoimentos mais envolvidos politicamente sublinham, justamente, este papel da cultura que, com clareza, Sophia descreveu desde as intervenções na Assembleia Constituinte até às páginas dos jornais.
[Federico Bertolazzi]

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Lisboa Vista por Dentro


Lisboa Vista por Dentro
João Appleton 

Prefácio de Raquel Henriques da Silva 
Fotografias de Pedro Tropa 
Design gráfico de Pedro Falcão 

ISBN 978-989-568-033-7 | EAN 9789895680337 

Edição: Julho de 2022 
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado) 
Número de páginas: 348


«Admiro a escrita quase martelada, aparentemente pouco literária, indo direita ao assunto: escrita de engenheiro, dir-se-ia. Todavia, só aparentemente é assim, e foi essa ambivalência a razão da escolha da epígrafe [do meu artigo]: “(…) tanto tenho cosido paredes rasgadas que me sinto uma espécie de alfaiate dos prédios antigos, sempre de fatos à medida, sempre com boas linhas, agulhas e tesouras.”»
Raquel Henriques da Silva, no Prefácio 



«Num dia de finais de 80, já percorridos muitos quilómetros de ruas e travessas, e vistos milhares e milhares de metros quadrados de edifícios quase todos anónimos e praticamente todos em mau estado, percebi também que tinha encontrado o meu destino, que definitivamente estava ali, na história desses edifícios e dessa cidade.» 
«Há já muitos anos, a minha vida profissional foi-se encaminhando para novos destinos, quando fui deixando de ser especialista em estruturas, que nunca quis ser apenas, para me transformar, ou melhor, me ir paulatinamente transformando num generalista da construção, com interesse especial pela sua história e pelas histórias de vida dos edifícios que são, afinal, a história da própria cidade. 
E nessa caminhada, feita com gosto, mas muitas vezes a sós, Lisboa teve um papel central, talvez porque seja a minha cidade e a cidade que sinto como minha, nas suas paredes e nas calçadas, no seu ar simultaneamente chique e decadente, das tristezas que se desprendem dos seus fados, cruzados com a alegria de uma luz sem par. 
É sobretudo a Lisboa das colinas que me encanta, que tento ver de todos os ângulos possíveis, de miradouros, de largos e ruas, sobretudo quando se consegue não ver a degradação de tantos prédios, a vegetação a crescer nas casas abandonadas, saboreando a cascata de telhados de muitos vermelhos que parecem escorregar lentamente pelas encostas até irem beijar o vale e o rio.» 
[João Appleton]

sábado, 2 de novembro de 2019

Lugares de Sophia I António Jorge Silva, Duarte Belo, Pedro Tropa


Lugares de Sophia
António Jorge Silva, Duarte Belo, Pedro Tropa

Textos de Federico Bertolazzi e José Manuel dos Santos

ISBN 978-989-8902-96-2 | EAN 9789898902962

Edição: Setembro de 2019
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 17 x 22 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 96, a cores

Com o Centro Nacional de Cultura

Edição bilingue: português-inglês



António Jorge Silva escolheu um verso de Sophia que fala da alma e da maresia da sua metade. […] Pedro Tropa fez seu um verso dela que diz a construção como promessa da destruição. […] Duarte Belo guarda a memória do único encontro que teve com ela. […] — e dessa memória faz um fio de Ariadne num labirinto de lugares iluminados pela luz e pela sombra das cores.

Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Lugares de Sophia», de António Jorge Silva, Duarte Belo e Pedro Tropa, com curadoria de Federico Bertolazzi e José Manuel dos Santos, realizada no Centro Cultural de Lagos entre 14 de Setembro e 26 de Outubro, na ala sul do Claustro do antigo Convento do Carmo, actual Parada de Cavalaria do Quartel do Carmo entre 12 de Novembro e 27 de Dezembro de 2019 e na Biblioteca Municipal de Loulé entre 21 de Março e 9 de Maio de 2020.


Para Sophia de Mello Breyner Andresen a poesia sempre principiou na concretude do real. A sua atenção, concentrada nas coisas, almeja o desvelamento da verdade primordial do ser no seio do aparecer, num processo de nomeação exacta no qual a beleza e a verdade coincidem.
É este, como ela própria diz, o «estar-ser-inicial», o brilho que, no rolar da vida, suspende o tempo, ou, sempre com palavras de Sophia, o «instante que surpreende e fita e enfrenta a eternidade».
Assim, o poeta cria o domínio da «terrível pureza», domínio em que não há lugar para a mentira, e a verdade reina e impõe o seu clarão. 
[Federico Bertolazzi]

Cada um dos três fotógrafos tem mais olhares no seu olhar do que o olhar desse próprio olhar — e o encontro de todos eles nesta exposição dá-nos uma multiplicação e não uma soma. Eles implicam-se e explicam-se uns nos outros, multiplicam-se uns pelos outros, intensificam-se, acrescentam-se, aumentam-se, abrem-se, desdobram-se, conluiam-se e concluem-se uns aos outros, reflectindo as suas visões volúveis e veementes num espelho sem superfície e ecoando as suas vozes visuais e votivas num túnel sem saída.
Cada um dos fotógrafos não olha apenas os lugares da vida e da obra de Sophia com um olhar único e fitado. Cada um deles olha esses lugares com o seu olhar e olha também, neles, o olhar de Sophia a olhá-los.
[José Manuel dos Santos]

sábado, 31 de março de 2018

Parlatório I Tomás Maia e André Maranha


Parlatório
Tomás Maia e André Maranha

Fotografias de Pedro Tropa e Diogo Saldanha

ISBN 978-989-8902-04-7 | EAN 9789898902047

Edição: Fevereiro de 2018
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 17 x 21 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 80 (a cores)

[co-edição com Uma Clareira]

A escuta (do outro) é o acto inaugural da linguagem, e provavelmente assim começou o logos: frente à boca cerrada dos que partiam. A linguagem responde à questão que os mortos nos endereçam em silêncio. A linguagem acusa a recepção desse silêncio, desse nunca ou desse sempre, repetindo-o, repercutindo-o.


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Parlatório», de Tomás Maia e André Maranha, patente no Ar.Co, em Lisboa, entre 23 de Fevereiro e 9 de Março de 2018.


— … digo «parlatório», pensando, entre outras coisas, no «Cárcere do Ser» (de Pessoa)… Vivemos numa prisão — e não há saída porque o cárcere coincide com o Universo inteiro. E, se assim é, para quê as vãs evasões?… No entanto, no interior da prisão, interior quase inacessível, há um lugar mais estranho do que qualquer exterior, e maior do que qualquer intimidade… Se nos quedarmos aí, talvez possa começar o diálogo — e a nossa libertação.

[O que escuta retira um livro muito manuseado da estante que ladeia a janela — o mesmo que durante anos acompanhara o que fala. Começa a folheá-lo.]

O parlatório é o ponto em que os seres aprisionados — as presas da vida que nós somos — se libertam… O homem não está (temporária ou acidentalmente) no parlatório: ele é o parlatório.

[Longa pausa.]

É o lugar do diálogo com o tempo. Do outro lado do parlatório pode até ninguém nos falar, mas haverá sempre alguém à escuta… Algures… A escuta, um certo modo de guardar silêncio, pode libertar o homem. Escutar é deixar que alguém entre em nós pelo vazio — é dar-se (vazio). 
[Diálogo]