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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

«Potência da Imaginação», por Mariana Pinto dos Santos

Sem título, Mariana Castro, 2020

João Pedro Cachopo publicou um livro sobre os tempos que vivemos e que passámos a viver desde Março de 2020. Isto é, é um livro que resulta da pandemia, mas não é exactamente sobre a pandemia. Diferencia-se dos vários textos de filósofos e pensadores contemporâneos que foram publicados entre Março e Junho/Julho, e também dos livros que mais recentemente têm saído, na medida em que procura observar de um ângulo diferente o efeito da pandemia na nossa experiência do mundo. Tira partido da distância temporal face a esses primeiros textos, que foram necessariamente escritos a quente, com as fragilidades que advêm de pensar um acontecimento durante o acontecimento. É um facto que ele ainda dura, mas o seu prolongamento no tempo não deixou de tornar algumas perspectivas iniciais longínquas e não mais válidas, por isso pensá-lo hoje será necessariamente diferente de o ter pensado em Março ou Abril.

Este é um livro pequeno, escrito com enorme clareza, que se lê com prazer. Mas a dimensão e a clareza enganam: as questões são abordadas com complexidade, o diálogo com autores contemporâneos e não contemporâneos é pertinente e elaborado e a sua leitura suscita várias perguntas e reflexões. Também o título é enganador. Como é explicado logo no prólogo, nem os sentidos torcidos são os cinco sentidos sensoriais, nem a remediação digital é remédio, isto é, não serve para colmatar uma falta, não é um mal menor ou um fraco consolo, e não é, seguramente, cura ou compensação face à pandemia.

Os «sentidos» aqui em causa são sentidos que dependem, diz João Pedro Cachopo (JPC), da proximidade e da distância, não físicas, mas imaginadas; são de certa forma, sentidos da vida, ou, como escreve mais adiante no livro, «sentidos que nos ligam ao mundo» (p. 40). A «remediação digital» assenta na designação dos estudos de media, a qual lê o prefixo re- no sentido de replicar, repetir: re-mediação, re-medium. Será, assim, a apresentação de um medium por via de outro medium, a mediação da mediação ou dupla mediação. No caso da remediação digital, é mais ainda: é a confluência de vários media num medium, o digital.

Por outro lado, o significado de «remediar», no sentido de «substituir» ou «reparar» ou «consolar», não é inteiramente abandonado, uma vez que permite a JPC precisar que uma posição de repúdio do digital e uma posição de exaltação do digital, aparentemente antagónicas, partem do mesmo princípio que o digital serve para substituir uma experiência original, ela sim, autêntica.

Assim compreendemos de outra forma quando afirma provocadoramente que o acontecimento não é a pandemia, mas a torção dos sentidos que nos ligam ao mundo, uma torção feita por via da remediação digital. Estes sentidos (que não deixam de implicar os cinco sentidos sensoriais) são, neste livro, também cinco (o autor ressalva que poderiam ser outros, ou muitos mais): o amor, a viagem, o estudo, a comunidade a arte. Todos eles nos implicam em formas de aproximação e distanciamento que se configuram numa experiência diferente para cada um de nós. E essa experiência não deixou de acontecer por causa da pandemia.

Nas páginas dedicadas a esses sentidos, no capítulo que tem precisamente o título «A torção dos sentidos», JPC tem um momento de libertação da escrita e de verdadeiro prazer do texto, seu, que o escreveu, e nosso, que o lemos. São páginas escritas com, arrisco a palavra, a alegria de reimaginar esses sentidos em novas experiências remediadas digitalmente. Creio que apenas no sentido da viagem Cachopo tem dificuldade em deixar de ir, deixar de partir fisicamente (p. 75). Se Xavier de Maistre relatou logo em 1794 como era possível viajar sem sair do lugar, fazendo a viagem à volta do seu quarto sem deixar de experienciar aventuras por via da imaginação, para JPC não basta o quarto, nem o écran, a viagem implica sair de si. É irremediável, diz, continuando o jogo entre os possíveis significados da palavra, o da não sujeição à mediação e o do não haver nada a fazer ou não haver remédio, porque não viajar deixa-nos inconsoláveis.

Destaco as páginas que JPC dedica ao sentido do estudo (p. 79), por nelas abordar o texto de Giorgio Agamben que me pareceu mais discutível dos que escreveu sobre a pandemia (vários traduzidos e publicados na Punkto), no qual o filósofo italiano vaticinou o fim do «estudantado como forma de vida» e não teve pejo em comparar os professores que aceitavam dar aulas online com os colaboracionistas do fascismo nos anos 1930, profetizando ainda que os poucos que se recusassem seriam reconhecidos como os heróis deste tempo (não se confunda este com outro texto do autor bem diferente, «Estudantes» de 2017, em que defendia o estudo na sua condição de não utilidade e consequente possibilidade de experiência e erro, em oposição à investigação, orientada pela lei do mercado e produtividade). Como analisa JPC, é um juízo moral que identifica a tecnologia como mal absoluto (que curiosamente faz equivaler a barbárie) que leva Agamben a fazer uma equivalência inaceitável. 

Acrescento que isso coloca o filósofo numa posição muito discutível de juiz e vigilante moral. Como contraponto, JPC fala do trabalho de Fred Moten e Stefano Harney, que, sem deixarem de criticar o sistema de ensino universitário e seus mecanismos de «profissionalização do pensamento», ressalvam a subversão e a divergência que o estudo na universidade (uma noção alargada de estudo que inclui o intelectual e o não intelectual e que igualiza radicalmente os temas a estudar) pode trazer. Estes autores não dramatizaram o ensino à distância: estão tão cientes dos seus perigos como do abalo na autoridade que pode representar e dispostos a fruir desse abalo. Este exemplo que JPC dá no seu livro a propósito do estudo é, nada mais nada menos, do que a sua própria abordagem da remediação digital e seus efeitos precipitados pela pandemia.

Tal como noutros autores que pensaram a pandemia, seja quais tenham sido os termos em que a abordaram, as transformações que ela precipitou (ou que ameaçou precipitar, porque muitas verificamos que não ocorreram e talvez não venham a ocorrer) já estavam e continuam em curso. A remediação digital é, sem dúvida, uma delas, e foi de resto alvo de abundantes reflexões antes da pandemia. É a torção dos sentidos que, essa sim, diz o autor, é precipitada pela pandemia — é esse, afinal, o acontecimento.

Ao contrário de vários autores pré- e pós-pandemia, JPC evita ou recusa mesmo a atitude fatalista face ao digital (sem tão-pouco embarcar na euforia pelo digital), considerando ao mesmo tempo os seus perigos e efeitos nefastos, como o controlo e a extracção de informação a que estamos sujeitos ao frequentar redes sociais, pesquisar na internet, fazer compras online.
Ou seja, e esta é a tomada de posição fundamental deste livro: não só, como escreve o autor, estamos sujeitos ao acontecimento, como somos sujeitos do acontecimento. JPC recusa fazer o mero diagnóstico de que somos dominados, controlados, esvaziados, explorados pelo digital. Afirma antes a possibilidade de agenciamento dos sujeitos por via da imaginação no contexto digital. A tarefa a que se propõe este livro é a tarefa que entende ser a da filosofia: pensar o presente intempestivamente (ou nietzschianamente), ou «revolver o real», assentando na convicção de que interpretação e transformação do mundo estão interligados.

Respondendo à pergunta «o que pode a filosofia?», JPC diz que esta se distancia e faz perguntas que procuram o melhor ângulo. Dificilmente se terá notado o encontro do melhor ângulo ou mesmo a vontade de fazer perguntas de alguns dos filósofos que JPC refere, como Giorgio Agamben, Slavoj Žižek, Byung Chul-Han. Muitas vezes vimos os filósofos precipitarem-se nas respostas e a desempenhar um papel de oráculos ou videntes, mais do que seria desejável. Porém, o mundo e os filósofos movem-se e supõe-se que os ângulos se vão alterando e ajustando, e a distância para os tomar se vai conquistando. Naqueles primeiros meses era difícil e arriscado tomar posição e os erros eram mais prováveis. Mesmo hoje o são, e o mérito da pergunta de JPC, «o que pode a filosofia?», é o de reservar-lhe um lugar tão modesto quanto imprescindível, e de cercear a tentação oracular.

A partir do seu ângulo, que procura resposta para a pergunta «o que há de revelador e transformador na pandemia?», JPC trava um diálogo com pensadores que marcaram os primeiros meses da propagação da doença pelo mundo e foram amplamente partilhados nas redes sociais e outros canais digitais, como Alain Badiou, Bruno Latour, Judith Butler, David Harvey, além de Byung Chul Han, Žižek, Agamben, Jean-Luc Nancy — vários antologiados no conjunto que ficou conhecido por Sopa de Wuhan, outros que surgiram no blog da Critical Inquiry, reunidos com o título «Posts from the pandemic», vários traduzidos e publicados em português em plataformas digitais. Neste livro surgem também Naomi Klein, Jacques Rancière, Roberto Esposito, José Gil ou André Barata. Essa conversa com pensadores da actualidade que JPC enceta tem o propósito de esboçar um diagnóstico do pensamento que se formou sobre o meio digital na era da pandemia para ele próprio propor outro ângulo de análise. É um diálogo por vezes assumidamente breve ou que, com alguns dos nomes, vai ressurgindo ao longo do livro. Não me debruçarei sobre esse diálogo em si, mas sim sobre o caminho a que ele leva.

Há três momentos do livro em que JPC «actualiza» ou faz analogias entre estudos famosos já clássicos e o momento de remediação digital actual. Falarei desses momentos sem seguir a ordem pela qual aparecem no livro.
 
Apocalípticos remediados

O primeiro é no capítulo 4, «Apocalípticos e remediados» glosa do título de Umberto Eco de 1964 Apocalípticos e Integrados, que já na altura designava desta forma, e simplificando, os pessimistas face à tecnologia e os optimistas em relação à evolução tecnológica. JPC acompanha Eco na conclusão de que todos teremos um pouco de uns e de outros, tanto em 1964, como hoje face à digitalização do mundo. Constata, no entanto, que hoje tanto os apocalípticos como os remediados partem do mesmo pressuposto de que o digital é um substituto de uma experiência autêntica, é um simulacro de uma experiência original. Ora, para JPC, o digital traz outro tipo de experiência tão ou tão pouco autêntica quanto qualquer experiência analógica. Porque a experiência depende sempre, digital ou analógica, da imaginação. Refira-se desde já que esta é, a meu ver, a palavra-chave deste livro, a palavra que o torna não um livro optimista, isso seria outra coisa, mas um livro que quer olhar as possibilidades da alegria na era digital, na era pandémica, na era de emergência dos fascismos e do colapso ambiental, e que faz essa alegria depender da imaginação.
[…]
Punkto, 9 de Fevereiro de 2021

[«Nota de edição: Este texto é uma versão desenvolvida da apresentação do livro A torção dos sentidos – pandemia e remediação digital, que teve lugar na livraria Snob em Lisboa, no dia 15 de Dezembro de 2020.»]

terça-feira, 21 de julho de 2020

Manuel Amado — Pintura sem álibi



Manuel Amado — Pintura sem álibi
Manuel Amado

Textos de Bruno Munari, Joana Amado, Mariana Pinto dos Santos e Vitor Silva Tavares

ISBN 978-989-9006-38-6 | EAN 9789899006386

Edição: Junho de 2020
Preço: 28,30 euros | PVP: 30 euros
Formato: 24 x 28 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 152 (a cores)

Com a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva
Edição bilingue: português-inglês




Joana Amado: «O meu pai gostava de rever, de reler, de reouvir, de reviver, de reencontrar, de recomer, de rebeber e de reamar. Adorava pintar e repintar.»



A Manuel Amado não interessou o diálogo com a arte de artistas seus contemporâneos, independentemente de admirar muitos deles e ter relações de grande amizade com alguns. Disse ele: «Nunca fui sensível a fazer o que a geração me pedia. A uma geração que me era hostil. Hostil à minha maneira de pintar.» Existe alguma coisa delicadamente bartlebyana nesse preferir não fazer o que podia ser esperado, não cumprir os requisitos para entrar na arena dos debates da arte contemporânea. A hostilidade de que falava Manuel Amado teria por certo que ver com a escolha por fazer uma pintura realista, recuperando uma função de representação com a qual a arte contemporânea entrara em ruptura há muito. No entanto, a representação em Manuel Amado é de um realismo apenas aparente. O que está na tela são construções de memória, não correspondem senão a um real imaginado, recordado, sem reconstituição possível. E por isso este realismo está longe de ser fotográfico.
[…] A pintura é assim, em Manuel Amado, um mecanismo para parar o tempo. Parar o tempo presente, e também o tempo onírico da memória, o tempo imaginário, cinematográfico, o da sala de cinema, onde há um corte momentâneo, mas total, com o tempo real deixado em pausa do lado de fora. Nesse lugar é possível evocar as imagens dos espaços onde o tempo já decorreu, ou pode decorrer, desfazendo a cronologia. O que se vê de longe, como diz o pintor, são as imagens de rememoração, fantasmáticas. Nelas está latente a experiência ou a acção, mas cristalizadas, entre respirações. A inquietação será essa, a de respiração em suspenso. 
[Mariana Pinto dos Santos]


Gosto dos quadros do Manuel por tudo o que não se vê, mas que se sente, se intui que está nestas pinturas. 
[Bruno Munari]


Não sobeja parte de casa para confidências ou leituras paralelas: exacta, nítida, esta pintura manifesta-se ao olhar em seu paciente artesanato. É o que é — o real na pintura ou a pintura sem álibi.
[Vitor Silva Tavares]

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno


José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno
Ana Vasconcelos, Carlos Bártolo, Fernando Cabral Martins, Gustavo Rubim, Luís Trindade, Mariana Pinto dos Santos, Marta Soares, Sara Afonso Ferreira, Tiago Baptista, 
Luis Manuel Gaspar (cronologia).

Edição de Mariana Pinto dos Santos

ISBN 978-989-9006-10-2 | EAN 9789899006102

1.ª edição: Fevereiro de 2017
Preço: 42,45 euros | PVP: 45 euros
Formato: 24 x 29 cm [brochado]
Número de páginas: 424

[Em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian]

2.ª edição, emendada



«Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir mas sim uma maneira de ser. Ser moderno não é fazer a caligrafia moderna, 
é ser o legítimo descobridor da novidade.»
[José de Almada Negreiros]

Livro publicado por ocasião da exposição «José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno», de José de Almada Negreiros, com curadoria de Mariana Pinto dos Santos, realizada na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, de 3 de Fevereiro a 5 de Junho de 2017.


Na conferência O Desenho (1927), que Almada Negreiros profere em Madrid a propósito da sua exposição individual promovida por La Gaceta Literaria, […], dirá: «Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir mas sim uma maneira de ser. Ser moderno não é fazer a caligrafia moderna, é ser o legítimo descobridor da novidade.» Podendo o moderno ser visto como a adesão a um figurino, a uma moda, Almada afirma-o antes um modo de ser, que implica não só a recepção do tempo presente, mas a acção sobre ele, não a adesão ao moderno, mas fazer acontecê-lo. Este modernismo entendido enquanto acção constituinte da modernidade está estritamente ligado à ideia de vanguarda. 
[Mariana Pinto dos Santos]

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O Que Pode a Arte? — 50 anos do Maio de 68


O Que Pode a Arte? — 50 anos do Maio de 68
Ana Vidigal, Carla Filipe, João Louro, Jorge Queiroz, Júlio Pomar, Ramiro Guerreiro, Tomás Cunha Ferreira

Textos de Daniel Ribas, Hugo Dinis, Mariana Pinto dos Santos, 
Nuno Crespo e Sara Antónia Matos

ISBN 978-989-8902-40-5 | EAN 9789898902405

Edição: Outubro de 2018
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 17 x 21 cm (brochado com badanas)
Número de páginas: 208 (a cores)

Com o Atelier-Museu Júlio Pomar

Edição bilingue: português-inglês



O que pode a arte, então? A arte abre espaço para outra coisa, outras alternativas de representar o mundo, dando lugar a hipóteses imprevistas, alternativas desconhecidas, posições híbridas e desviantes que descentram os poderes opressivos.

Este catálogo é publicado por ocasião da exposição «O que pode a arte? 50 anos do Maio de 68» (15.05-29.09.2018), com curadoria de Nuno Crespo e Hugo Dinis.
A exposição, que recorda e comemora o 50.º aniversário do movimento estudantil francês, junta obras de Júlio Pomar, Ana Vidigal, Carla Filipe, João Louro, Jorge Queiroz, Ramiro Guerreiro e Tomás Cunha Ferreira. De diferentes modos, estes artistas continuam a encontrar na arte uma forma de afirmar os seus posicionamentos críticos sobre o mundo onde vivem, sobre as suas crises e formas de superação, mostrando o modo como a produção artística é contagiada pelas transformações políticas e sociais.
O Maio de 68, em França, teve na sua base greves e manifestações estudantis que rapidamente assumiram proporções revolucionárias, tornando-se símbolo de uma nova ordem social, que dizia respeito não só às relações académicas mas também às instituições sociais, políticas, económicas e culturais.
A consciência do poder reivindicativo dessa classe estudantil, culta e informada, que visava direitos democráticos e culturais e que reclamava liberdade de expressão, de comportamentos e de participação na construção do mundo, continua a manifestar-se particularmente entre os artistas e os intelectuais.
Júlio Pomar, a viver em Paris desde 1963, não ficou indiferente ao movimento, especialmente à agitação social, tendo feito um grupo importante de pinturas onde fica patente o espírito de 1968 e a articulação arte-política que lhe era próxima no início de carreira.
[…]
A arte e a estética adquirem assim um significado político, sem que as obras sejam ilustrativas ou propagandísticas. Envolvendo escolhas e posicionamentos ideológicos, a arte e a estética são forma de obter voz, afirmá-la e fazê-la ouvir no domínio público.
[Sara Antónia Matos]

segunda-feira, 27 de março de 2017

José de Almada Negreiros: A Way of Being Modern I Mariana Pinto dos Santos (ed.)


José de Almada Negreiros: A Way of Being Modern
Mariana Pinto dos Santos (ed.)

Texts by Ana Vasconcelos, Carlos Bártolo, Fernando Cabral Martins, Gustavo Rubim, Luís Trindade, Mariana Pinto dos Santos, Marta Soares, Sara Afonso Ferreira, Tiago Baptista, 
Luis Manuel Gaspar (chronology).

ISBN: 978-989-8834-55-3 

Edição em inglês

Edição: Fevereiro de 2017
Preço: 42,45 euros | PVP: 45 euros
Formato: 24 x29 cm [brochado]
Número de páginas: 424


[Em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian]

This book was published on the occasion of the exhibition “José de Almada Negreiros: A Way of Being Modern”, curated by Mariana Pinto dos Santos and shown at the Calouste Gulbenkian Foundation in Lisbon, from February 3 to June 5 1917.

Considering the modern as a form of historical time, and its critical character, the modernisms were different ways of understanding the modern, and the new. In the conference he delivered in Madrid in 1927, “O Desenho” [Drawing], focusing on his solo exhibition organised by La Gaceta Literaria […], Almada states: “To be modern is just like being elegant: it is not a way of dressing, but a way of being. To be modern is not to use the modern calligraphy, but to be the genuine discoverer of the new.” While the modern may be seen by some as the adoption of a certain style, a certain fashion, Almada defines it rather as a way of being, which involves not only embracing the present time, but also acting upon it, not the adherence to the modern, but the act of making it happen. This concept of modernism as action that generates modernity is closely related to the idea of avant-garde. [Mariana Pinto dos Santos]

José de Almada Negreiros (São Tomé and Príncipe, 1893 – Lisbon, 1970) was a multifaceted artist mainly dedicated to visual arts (drawing, painting, etc.) and writing (novels, poetry, essay, playwriting), occupying a central position in the first generation of modernist artists. He had an especially active role in the first modernist avant-garde, with an important contribution to Orpheu magazine’s group dynamics. A controversial figure, his action was essential in the futurist movement in Portugal. His public intervention and work continued through several decades. He was in Paris, even though for a short period, and lived many years in Madrid before his return to Portugal.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno I Mariana Pinto dos Santos (ed.)



José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno
Edição de Mariana Pinto dos Santos

Textos de Ana Vasconcelos, Carlos Bártolo, Fernando Cabral Martins, Gustavo Rubim, Luís Trindade, Mariana Pinto dos Santos, Marta Soares, Sara Afonso Ferreira, Tiago Baptista, Luis Manuel Gaspar (cronologia).

ISBN: 978-989-8834-54-6

Edição: Fevereiro de 2017
Preço: 42,45 euros | PVP: 45 euros
Formato: 24x29 cm [brochado]
Número de páginas: 424

[ Em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian ]


Livro publicado por ocasião da exposição «José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno», de José de Almada Negreiros, com curadoria de Mariana Pinto dos Santos, realizada na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, de 3 de Fevereiro a 5 de Junho de 2017.

Na conferência O Desenho (1927), que Almada Negreiros profere em Madrid a propósito da sua exposição individual promovida por La Gaceta Literaria, […], dirá: «Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir mas sim uma maneira de ser. Ser moderno não é fazer a caligrafia moderna, é ser o legítimo descobridor da novidade.» Podendo o moderno ser visto como a adesão a um figurino, a uma moda, Almada afirma-o antes um modo de ser, que implica não só a recepção do tempo presente, mas a acção sobre ele, não a adesão ao moderno, mas fazer acontecê-lo. Este modernismo entendido enquanto acção constituinte da modernidade está estritamente ligado à ideia de vanguarda. [Mariana Pinto dos Santos]

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

«Ernesto de Sousa e a Arte Popular – Em torno da exposição Barristas e Imaginários»| Ernesto de Sousa



Ernesto de Sousa e a Arte Popular – Em torno da exposição «Barristas e Imaginários»
Ernesto de Sousa 

Textos de Ernesto de Sousa, Mariana Pinto dos Santos e Nuno Faria

[edição bilingue]

ISBN: 978-989-8566-62-1

Preço: 23,58 euros | PVP: 25 euros

Formato: 16x22 cm (brochado)
Número de páginas: 320 (com reproduções a PB e a cores)

[ Co-edição: A Oficina, CIPRL ]


Catálogo publicado por ocasião da exposição «Ernesto de Sousa e a Arte Popular» [26 de Abril de 2014 – 6 de Julho de 2014, na Plataforma das Artes e da Criatividade / CIAJG, Guimarães], produzida pelo Centro Internacional das Artes José de Guimarães.

A exposição reactiva as investigações de Ernesto de Sousa [Lisboa, 1921-1988] em torno da arte popular e da escultura portuguesa e tem como pano de fundo a exposição «Barristas e Imaginários: quatro artistas populares do Norte», que o autor concebeu e apresentou na Galeria Divulgação, em Lisboa, em 1964, com obras de Rosa Ramalho, Mistério, Franklin Vilas Boas e Quintino Vilas Boas Neto. […] Estamos, assim, perante uma exposição sobre outra exposição. Faz coabitar fotografias e textos de Ernesto de Sousa com objectos dos artistas por ele estudados, procurando reactivar as múltiplas e fecundas relações e estratos de sentido que o inquieto investigador (ou operador estético, designação que mais tarde reivindicaria) produzia, a partir de métodos analíticos invulgarmente excêntricos para o contexto de então, dominado, no campo da história da arte, por leituras conservadoras e disciplinares. A arte popular ou, como Ernesto de Sousa preferia designar, «de expressão ingénua», foi alvo de um considerável interesse desde os últimos anos da década de 50, com diversos contactos e investigações, quer no campo da etnologia, quer da arquitectura, passando pelo interesse em artistas populares «descobertos» de forma mais ou menos ocasional por artistas como António Quadros (que foi o primeiro a reconhecer a idiossincrasia do trabalho de Rosa Ramalho) ou por diversos arquitectos. Vindo do neo-realismo, no qual pontifica Dom Roberto, filme que realizou em 1962, Ernesto de Sousa chega à arte popular através de um profícuo desvio pela arte primitiva africana, à qual, de resto, aproximará alguns objectos de Franklin, por exemplo. [Nuno Faria]