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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Calendário Perpétuo

Calendário Perpétuo
Cabrita, João Pinharanda


ISBN 978-989-9006-56-0 | EAN 9789899006560

Edição: Novembro de 2020
Preço: 23,58 euros | PVP: 25 euros
Formato: 12 × 17 cm (encadernado)
Número de páginas: 752

Com a Fundação Carmona e Costa

… escreveria um aforismo para cada dia do ano — obteria assim um calendário. […] um calendário sem marcação de ano, reunindo o fim e o princípio, permitindo um eterno retorno. 

01.01 não é necessário sobrepores vida e arte — a arte e a vida disso se encarregarão.

Em Maio de 2018 escrevi, para uma vasta exposição comissariada por Pedro Cabrita Reis na Associação 289, em Faro, oitenta textos onde utilizei de forma sistemática a fórmula do aforismo. Uma solução que sempre me interessou (de alguns dos Antigos a Pascal, Nietzsche, de Kraus a Wilde, Cioran ou Almada) e que, muitas vezes, se intromete em alguns dos meus escritos. A capacidade de síntese que comportam, o modo como possibilitam o uso de oximoros ou como neles se pode sugerir uma voz profética teve como pretexto temático a Arte, procurando nela caminhos para pensar na Vida, na Política, no Amor, no Sexo, na Morte… […] 
A dupla necessidade de criar uma meta e de me impor um limite, dando assim sentido ao processo de trabalho que se iria seguir, levou-me a estabelecer que escreveria um aforismo para cada dia do ano — obteria assim um calendário. E foi seguindo as experiências dos dias, colhendo as suas alegrias e desgostos, reflectindo sobre o mundo que corria junto a mim, que os escrevi. Mas, reforçando a ideia de que uma sentença não deve ser gasta pela usura do tempo, pensei imediatamente em aplicá-los aos dias de um calendário sem marcação de ano, reunindo o fim e o princípio, permitindo um eterno retorno — em criar um calendário perpétuo. 
[…] Cabrita colocou um desenho seu ao lado de cada um desses aforismos, um desenho feito no mesmo espírito de síntese e de velocidade, de abstracção e de súbitas chamadas ao real. 
[João Pinharanda] 

Os 366 desenhos que constituem esta suite calendário perpétuo foram por mim realizados com o específico propósito de acompanhar os textos de João Pinharanda agrupados sob uma designação similar, e que aqui também se publicam. 
[Cabrita]

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Feira do Livro de Lisboa I 29 de Maio de 2019

https://www.sistemasolar.pt/pt/produto/348/a-minha-vida/
Livro do Dia 24 / 14,40 

«Descobri que a dança é a digna companheira dos poemas de Walt Whitman.»
[Isadora Duncan]


Promoção 20 / 12

«Cada peça e cada objecto são memória e traduzem circunstâncias de companheirismo singulares, sinais de afecto, muita admiração e respeito, momentos singelos e 
simultaneamente magnânimos.»
[Sara Antónia Matos]



Pavilhão D16
Parque Eduardo VII, 29 de Maio a 16 de Junho de 2019

Durante o período da Feira do Livro,
faremos os mesmos descontos (livros Sistema Solar e Documenta) na
Livraria Sistema Solar I Passos Manuel
Rua Passos Manuel, 67 B, 1150-258 Lisboa,
segunda-sexta: 10h-13h; 14h-19h 

telefone 210 117 010; e-mail: livraria.pm(arroba)sistemasolar.pt

terça-feira, 9 de abril de 2019

289 — Um Projecto de Pedro Cabrita Reis


289 — Um Projecto de Pedro Cabrita Reis
Vários autores*

Textos de Pedro Cabrita Reis, Rogério Bacalhau, José Miranda Justo, Mirian Tavares, João Pinharanda

ISBN 978-989-8902-54-2 | EAN 9789898902542

Edição: Janeiro de 2019
Preço: 26,42 euros | PVP: 28 euros
Formato: 24 x 34 cm (encadernado)
Número de páginas: 196 (a cores), com dois encartes

Edição bilingue: português-inglês



Pedro Cabrita Reis: «Nada é eterno, sabe-se, mas, por vezes certos momentos perduram e, ao longo do tempo, o que deles vai ficando é uma luz que marca um lugar e ilumina as pessoas que por ele passaram.»


* Fernando S. Amaro, Vasco Araújo, Cristina Ataíde, Manuel Baptista, Pedro Barateiro, Paulo Barros, Tiago Batista, Sara Bichão, Diogo Bolota, Paulo Brighenti. Alexandra C., Nuno Cera, Pedro Cabral Santo, Pedro Cabrita Reis, Rui Calçada Bastos, Pedro Calapez, Luís Campos, Rosa Carvalho, Pedro Cavalheiro, Rui Chafes, Catarina Correia, Gil Heitor Cortesão, Vasco Costa, Fernão Cruz, Luisa Cunha, Milita Doré, Armanda Duarte, João Paulo Feliciano, Ângela Ferreira, João Ferro Martins, Norberto Fernandes, Fernanda Fragateiro, Vasco Futscher, Patrícia Garrido, Pedro Gomes, Ângelo Gonçalves, Gat.Uno, Sílvia Hestnes Ferreira, Tomaz Hipólito, Gustavo Jesus, Vanda Madureira, Leandro Marcos, Bertílio Martins, Edgar Massul, Susana de Medeiros, Paulo Mendes, Fátima Mendonça, Tereza Mieiro, José Miranda Justo, Vasco Marum Nascimento, Jorge Neves, Maria José Oliveira, Rodrigo Oliveira, Miguel Palma, Rubene Palma Ramos, Henrique Pavão, Marta Peneda, Francisco Queirós, Jorge Queiroz, Joana R. Sá, Ana Rostron, Rui Sanches, Julião Sarmento, Noé Sendas, Paulo Serra, Fernando Silva Grade, Jorge Mestre Simão, Tânia Simões, Marta Soares, Miguel Soares, João Timóteo, Rui Toscano, Francisco Tropa, Pedro Valdez Cardoso, João Pedro Vale + Nuno Alexandre Ferreira, Francisco Vidal, Ana Vidigal, Xana.


Ao princípio deveriam ser poucos os nomes a convidar. Os meios eram escassos. Mas o entusiasmo não! Foi-se percebendo isso à medida que se avançava na construção da ideia.
Todos os dias, acrescentava-se a alegria e a adesão a este projecto, num lugar inusual, longe dos grandes circuitos, para, entre todos e com todos, lançar esta semente também inusual numa terra ainda fértil, a da possibilidade de se fazerem coisas juntos. A ideia pegou, os artistas tomaram-na em mãos, a cidade juntou-se, da autarquia vieram apoios, outros amigos vieram também, uns pela força das suas palavras escritas ou ditas, outros pela generosidade do trabalho oferecido, as coisas dever-se-iam fazer sempre assim…
[Pedro Cabrita Reis]

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Cabrita Reis: A Voragem do Mundo – Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro


Cabrita Reis: A Voragem do Mundo – Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro
Pedro Cabrita Reis, Pedro Faro, Sara Antónia Matos

ISBN: 978-989-8834-99-7

Edição: Dezembro de 2017
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 12 x 17 cm [brochado]
Número de páginas: 192

[ Em colaboração com o Atelier-Museu Júlio Pomar ]



Eu e o mundo alimentamo-nos mutuamente… […] Está tudo ao meu alcance, 
ao alcance da vontade, ao alcance do desejo de devorar. Só se ama, só se vive 
devorando o corpo amado. Neste caso, o «corpo amado» é o mundo inteiro. 


Cabrita Reis: A voragem do mundo. Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro insere-se na colecção Cadernos do Atelier-Museu Júlio Pomar e dá seguimento ao projecto de entrevistas que se iniciou com Júlio Pomar: O Artista fala…[2014], continuou com Rui Chafes: Sob a pele [2015] e teve seguimento com Julião Sarmento: O Artista como ele é [2016]. 
As entrevistas são feitas por ocasião do programa de exposições do Atelier-Museu, que cruza a obra do pintor com artistas convidados, mostrando novas relações daquele com a contemporaneidade. 
Periodicamente, durante a investigação, as conversas vão acontecendo, ora no atelier do artista, ora no museu, gerando-se um corpo de diálogos espaçados no tempo, que poderá servir para o leitor acompanhar e desvendar o processo de preparação da exposição, desde a sua concepção até às opções de montagem e materialização. 
De realçar que o projecto de exposição Das Pequenas Coisas foi construído passo a passo com Cabrita Reis, concorrendo estas conversas para definir as obras que entraram na exposição, o conceito a elas inerente, a forma de as apresentar no espaço, o título da exposição e as publicações. Desse modo, as conversas e períodos de investigação desenvolvidos com o artista revelaram-se fundamentais para a exposição que se centrou (por sugestão do próprio Cabrita Reis) nas assemblages de Júlio Pomar (realizadas sobretudo nas décadas de 1960 e 1970) e num conjunto de peças relativamente pequenas de Cabrita Reis, intimamente relacionadas com momentos da sua vida privada. Na verdade, através das conversas, veio a perceber-se que, embora não esteja explícito na materialização da obra, cada peça conta uma história e um episódio de vida. 
[Sara Antónia Matos] 



Sobre Pedro Cabrita Reis, consultar www.sistemasolar.pt

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Jorge Pinheiro –– D’après Fibonacci e as coisas lá fora


Jorge Pinheiro –– D’après Fibonacci e as coisas lá fora
Jorge Pinheiro

Texto de João Miguel Fernandes Jorge
Uma Conversa Pedro Cabrita Reis-Jorge Pinheiro

ISBN: 978-989-8834-79-9

Edição: Setembro de 2017
Preço: 27,36 euros | PVP: 29 euros
Formato: 23 x 28 cm [brochado, a cores]
Número de páginas: 320

[co-edição com a Fundação de Serralves e com a Fundação Carmona e Costa]

Edição bilingue: português-inglês



Jorge Pinheiro: «É que nós julgamos saber muita coisa mas, muito socraticamente, só sabemos que nada sabemos.»


Publicado por ocasião das exposições paralelas e correlacionadas no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, e na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, este livro é testemunho das possibilidades estéticas do fazer e da criação inteligente ao longo de um período de 50 anos. As 90 obras sobre papel apresentadas na Fundação Carmona e Costa, que aqui surgem reproduzidas, foram seleccionadas pelo poeta, curador e crítico João Miguel Fernandes Jorge, em estreito diálogo com o artista. Já a selecção das 66 obras expostas em Serralves, que incluem pintura, desenho e escultura, foi feita pelo artista Pedro Cabrita Reis. 
[Maria da Graça Carmona e Costa e Suzanne Cotter]

PCR —Falarmos daquilo que ainda não sabemos bem é muito importante. Provavelmente isso virá a ajudar outros.
JP — De facto, nós não sabemos por que razões chegamos a determinadas coisas. Há tanto em jogo naquilo a que pomposamente se chama o acto de criação.
[Pedro Cabrita Reis-Jorge Pinheiro]

O meio-dia é a hora da sombra mais curta. Há pintores que transportam para a sua arte esse luzeiro mais vivo, em que o real aparece na sua plenitude. Creio que este poderá ser um dos aspectos dominantes dos desenhos [1969-2017] que Jorge Pinheiro reúne na Fundação Carmona e Costa, no Outono de 2017.
[João Miguel Fernandes Jorge]


Jorge Pinheiro nasceu em Coimbra no dia 7 de Outubro de 1931. Tem o Curso Superior de Pintura da Escola Superior de Belas-Artes do Porto (1963). Fundou, com Ângelo de Sousa, José Rodrigues e Armando Alves, o grupo «Os Quatro Vintes», numa alusão irónica à marca de tabaco «Três Vintes» e às respectivas notas de final de Curso. Leccionou na ESBAP (1963-1976), na ESBAL (1976-1996) e na Universidade de Évora (1996-1998). Expõe regularmente desde 1954 e está representado em inúmeras colecções públicas e privadas. Vive e trabalha em São Pedro do Estoril.


Júlio Pomar e Pedro Cabrita Reis –– Das pequenas coisas



Júlio Pomar e Pedro Cabrita Reis –– Das pequenas coisas
Júlio Pomar, Pedro Cabrita Reis

Texto de Sara Antónia Matos

ISBN: 978-989-8834-80-5

Edição: Setembro de 2017
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 17 x 21 cm (brochado, a cores)
Número de páginas: 224

[co-edição com o Atelier-Museu Júlio Pomar]

Edição bilingue: português-inglês



«Cada peça e cada objecto são memória e traduzem circunstâncias de companheirismo singulares, sinais de afecto, muita admiração e respeito, momentos singelos e simultaneamente magnânimos.»

A exposição Júlio Pomar e Cabrita Reis: Das pequenas coisas [1 de Junho-8 de Outubro de 2017] integra-se no programa de exposições do Atelier-Museu Júlio Pomar que, todos os anos, cruza a obra de Júlio Pomar com a de outros artistas, de modo a estabelecer novas relações entre a obra do pintor e a contemporaneidade.

Na exposição, Júlio Pomar e Cabrita Reis, através de objectos, esculturas e assemblages, exploram composições em materiais variados revelando que em pequenas coisas ou objectos podem estar contidos grandes gestos. Trata-se de usar pedaços ou fragmentos de materiais, quase sem intervenção dos artistas, como se as matérias-primas das obras fossem apropriadas pelos autores devido às associações que potenciam e, combinadas entre si, sem necessidade de modelação ou recurso a outro processo de trabalho escultórico. Desse modo, embora não haja propriamente modelação de matérias, o gesto artístico mostra-se nos actos mais elementares de seleccionar, compor e associar os materiais colhidos do contexto ou realidade circundante, dando-lhes nova vida e atribuindo-lhes sentidos. Assim, os artistas falam das pequenas coisas e de grandes gestos – os gestos artísticos, atribuição de significados às coisas mais simples – como se lhes fosse possível, através de um acto alquímico, transformar a pedra em ouro. É isso de facto que fazem ao apropriar-se de materiais encontrados na rua e ao transformá-los em obras de arte. Por isso, nesta exposição «a pequena coisa» apresenta-se como uma metáfora do grande feito, poder do demiurgo: o acto criativo. […]
No seu conjunto, através das obras, a exposição revela momentos da biografia de cada artista, da forma como olham à sua volta. Revela como pensam as coisas íntimas e pequenas que para cada um têm significado, mostrando que os pequenos acontecimentos na arte e na vida podem ser os mais importantes; e tornando patente que a força das obras não depende do tamanho, mas da intenção de cada gesto e de cada olhar. […]
[Sara Antónia Matos]

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Ridi Paglaccio I Pedro Cabrita Reis


Ridi Paglaccio

Texto de Mirian Tavares

ISBN: 978-989-8834-38-6

Edição: Outubro de 2016

Preço: 12,26 euros | PVP: 13 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado, com badanas]
Número de páginas: 72

[Em colaboração com a Galeria Ala da Frente]



Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Pedro Cabrita Reis — Ridi Paglaccio», com curadoria de António Gonçalves, realizada na Galeria Ala da Frente, em Vila Nova de Famalicão, de 15 de Outubro de 2016 a 21 de Janeiro de 2017. 

A ópera a que Cabrita Reis [Lisboa, 1956] se refere no título desta exposição, Pagliacci, é considerada uma peça do verismo de Leoncavallo, autor contemporâneo de Wagner, e aparece como leitmotiv de um projecto desenvolvido especialmente para a Galeria Trem e agora exposto na Ala da Frente — uma série de desenhos que se sobrepõem a imagens do álbum pessoal do artista, nada oficiais e, algumas delas, profundamente íntimas. O artista, nestas imagens, ora actua ora se despe para uma plateia que não conhecemos, mas da qual passamos a fazer parte, convocados, pela obra, a participar desta claque. Há um desvelamento absoluto em cada uma mas, ao mesmo tempo, marca-se claramente um distanciamento entre artista e espectador, entre personagem e persona, entre Cabrita Reis e as suas imagens. Porque o artista não se expõe, reinventa-se. […] 
O artista é uma pessoa e é para ela que o autor escreve a sua ópera. O fato de palhaço é apenas um fato. Também a obra de Cabrita Reis é um fato que lhe cai bem e que ele exibe com mestria, ao mesmo tempo que nos convida a participar da sua intimidade, confundindo-nos com a sua obra-fato-artista. Sem ser um autor romântico, Cabrita Reis persegue a obra de arte total a cada nova exposição, a cada nova mostra daquilo que faz e que é parte integrante daquilo que ele é. 

Mirian Tavares 

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

"Ridi Pagliaccio" I Pedro Cabrita Reis


clicar na imagem para a aumentar

PEDRO CABRITA REIS
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RIDI PAGLIACCIO

15 de Outubro de 2016 a 21 de Janeiro de 2017

ALA DA FRENTE
Palacete Barão da Trovisqueira (Museu Bernardino Machado)
Rua Adriano Pinto Basto - Vila Nova de Famalicão


Inauguração
15 de Outubro de 2016, às 18h00, com a presença do autor

Estará disponível o catálogo da exposição, uma edição 
DOCUMENTA / ALA DA FRENTE

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Horas Quietas I Pedro Cabrita Reis


Horas Quietas
Pedro Cabrita Reis

Edição bilingue: português-inglês

ISBN: 978-989-8834-13-3

Edição: Março de 2016

Preço: 23,58 euros | PVP: 25 euros
Formato: 17 x 22,7 cm (encadernado com tecido e sobrecapa)
Número de páginas: 80 (a cores)

[ Em colaboração com a Galeria João Esteves de Oliveira ]


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Horas Quietas», de Pedro Cabrita Reis, realizada na Galeria João Esteves de Oliveira, em Lisboa, de 22 de Março a 6 de Maio de 2016.

«No princípio seriam uns quantos desenhos mesmo só de modelo nu, talvez mesmo só a carvão, sem disfarce da vontade de um olhar zombeteiro e de través sobre as muitas contemporâneas academias e os seus curadores sempre tão zelosos de categorias e exclusões. Mas depois e, em verdade, como sempre me interessou tão pouco aquilo que os outros dizem ou fazem, nem sequer é interessante questionar ou estar contra, e sendo assim, então a mim os meus desenhos e a cada um, eu incluído, o inferno possível. 28 desenhos feitos velozmente, sem arrependimentos ou regressos, o olhar a direito, cinco noites e um dia com mais horas do que habitualmente e Kurt Weil e também o Requiem da criança de Salzburg, morta antes do tempo, acho eu.» [Pedro Cabrita Reis]

Pedro Cabrita Reis (Lisboa, 1956) é um dos artistas portugueses mais conhecidos da actualidade. Participou em exposições internacionais de renome: entre outras, o seu trabalho foi exposto na 9.ª Documenta de Kassel e na 24.ª Bienal de São Paulo. Em 2003, representou Portugal na Bienal de Veneza. A obra de Pedro Cabrita Reis inclui uma multiplicidade de meios, dos desenhos sobre papel utilizando grafite e pastel, passando pela pintura em grande escala, até às instalações de dimensões arquitecturais. Os meios que utiliza individualmente fluem uns nos outros sem perderem o seu carácter próprio. Esculturas transformam-se em imagens. Fotografias que surgem nas instalações conseguem abrir infinitos espaços de memória e reflexão. A «natureza» aparece no seu trabalho de uma forma extremamente filtrada, como um espaço para o pensamento. A perda da natureza como ideia referencial é uma força motivadora no trabalho de Pedro Cabrita Reis. O artista vê a arquitectura como tomando o seu lugar, e percebe-a como disciplina mental ou «exercício de realidade» através do qual nos medimos a nós mesmos e ao mundo. [Galeria Miguel Nabinho]