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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O Homem que Falou I Jean Giono



O Homem que Falou
(Un de Baumugnes)
Jean Giono

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8833-07-5

Edição: Outubro de 2016

Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado, com badanas]
Número de páginas: 160



Homem que olha para a mesa depois de ter
bebido e suspira, é porque vai falar.


Durante anos a imaginação de Giono alimentou-se de uma Provença inventada. Tenho direito a uma Provença inventada, contrapunha ele às objecções que alguns lhe faziam esforçando-se por lhe colar, bem colado, o rótulo de mentiroso. Inventei uma terra («como Faulkner», acrescentava às vezes), povoei-a com personagens inventadas de dramas inventados. […] Tudo é inventado. Tudo pertence à terra que tenho à frente dos olhos, mas depois de ela passar através de mim. […]

Esta magnífica Provença imaginada é a que sentimos nas páginas de O Homem que Falou; mas também a decisão de dar à forma a oportunidade de um grande triunfo sobre a intriga. Giono inventa para este livro a mais simples e linear das suas histórias, aquela que não excede muito em ambições a de um «romance de gare»; força-se por vezes a um singelo sentimentalismo, e não hesita perante um desfecho que pode inscrever-se na banal fórmula do «felizes para sempre». […] Luiz Pacheco, porém, que tinha por este romance uma particular admiração, costumava citá-lo como resultado de uma surpreendente «aposta ganha», como uma decisão de provar o que podem a força da palavra e a sua conversão em estilo quando há quem saiba deixá-las magnificamente «postas em obra»; como é possível através delas levar uma intriga que percorre banais circuitos a fazer-se marco na obra de um escritor e permanecer com lugar alto nos favores do público e da crítica. Na época em que foi publicado O Homem que Falou houve surpresas e entusiasmos; mas só destacamos aqui a singular observação que ficou numa frase de André Maurois: «Este belo no que é simples […] procurado em George Sand e encontrado em Homero.» [Aníbal Fernandes]

Jean Giono [Manosque, 1895-Manosque, 1970], escritor e argumentista francês, nasce de uma família modesta de origem piemontesa. Aos 16 anos abandona os estudos e trabalha num banco para ajudar a família, até ao início da Primeira Guerra Mundial, na qual prestou serviço militar. Em 1919 voltou para o banco, de onde saiu em 1930 para se dedicar inteiramente à actividade literária após o êxito do seu primeiro romance La Colline, de 1929, o mesmo ano em que publicou Un de Baumugnes (O Homem que Falou). Em 1953 é galardoado com o Prémio Literário Prince-Pierre-de-Monaco e mais tarde tornou-se membro da Academia Goncourt (1954). Entre as suas obras mais conhecidas estão os romances da trilogia Pan, dedicadas ao deus grego Pan e ao panteísmo: La Colline, Un de Baumugnes e Regain. São também muito conhecidas as suas obras Voyage en Italie e L’homme qui plantait des arbres. Vários livros seus foram adaptados ao cinema.


O Dicionário do Diabo I Ambrose Bierce


O Dicionário do Diabo
Ambrose Bierce

Apresentação, selecção e tradução de Manuel Afonso Costa

ISBN: 978-989-8833-14-3

Edição: Outubro de 2016

Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado, com badanas]
Número de páginas: 176



CEMITÉRIO s.m. […] onde os enlutados
parentes unanimemente mentem, […]



CÍNICO, s.m. Escroque que por uma visão deficiente vê as coisas tal como são e não como deveriam ser. Por esse motivo os Citas tinham por hábito arrancar os olhos aos cínicos a fim de lhes melhorar a visão.
CONSERVADOR, adj. É o que se diz do estadista cioso de manter os males existentes, por oposição ao liberal, que deseja substituí-los por outros.
EGOÍSTA, s.m. Pessoa de mau gosto, mais interessada em si mesma do que em mim.
MANSIDÃO, s.f. Incomum paciência na planificação de uma vingança.
RELIGIÃO, s.f. Filha da esperança e do medo que vive explicando à ignorância a natureza do incognoscível.
[Ambrose Bierce]



Ambrose Bierce nasceu no Ohio no Condado de Meigs no dia 24 de Junho de 1842 e pensa-se que terá falecido a 26 de Dezembro de 1913 ou 1914, provavelmente no México. Depois de uma incursão em território mexicano, desapareceu sem deixar rasto.
Dizem que foi fuzilado pelo exército revolucionário de Pancho Villa, mas nem isso é absolutamente seguro. Em língua portuguesa destaca-se a obra Um Incidente na Ponte de Owl Creek e além desta, um livro de Contos e ainda Esopo Emendado & Outras Fábulas Fantásticas, Fábulas Fantásticas e, finalmente, Histórias de Fantasmas. O Dicionário do Diabo (1911) é a sua obra mais conhecida.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Arte e Poder na Era Global I Alexandre Melo


Arte e Poder na Era Global

ISBN: 978-989-8834-39-3

Edição: Outubro de 2016

Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado, com badanas]
Número de páginas: 128


Sistema das artes é a expressão que adoptamos para designar o conjunto de relações entre as práticas criativas e as dimensões económicas e institucionais da sua inserção no âmbito das práticas culturais (em sentido lato) e das práticas sociais em geral. Chamamos práticas criativas ao conjunto das artes consagradas pela tradição da história das artes, sem excluir (mas também sem ignorar as especificidades de) outras actividades criativas que assumiram uma recente tendencial inclusão no — ou candidatura ao — estatuto artístico (é o caso da fotografia, arquitectura ou design, em sentido lato). […]
Olhando para os sistemas das artes de um modo que nos permita descrever, de forma genérica, as suas configurações, neste início do século XXI, detectamos um conjunto de características que julgamos poder tomar como ponto de partida e para as quais escolhemos as designações que a seguir enunciamos.
Globalização, em termos de tendência histórica.
Segmentação e hierarquização, em termos de estruturas de produção.
Pluralismo e relativismo, em termos de discursos de legitimação.
Experimentação, eclecticismo e transdisciplinaridade, em termos de processos de trabalho.
Mediação generalizada, em termos de modo de inserção social.
Explicaremos o que entendemos por cada uma destas noções, dando também, de modo não exaustivo, alguns exemplos da forma como se manifestam em diferentes áreas da produção artística, designadamente, cinema, música, artes do espectáculo, artes plásticas ou literatura. 
[Alexandre Melo]



Alexandre Melo nasceu em Lisboa, onde vive e trabalha. Licenciado em Economia e Doutorado em Sociologia, é professor no ISCTE, onde lecciona Sociologia da Arte e da Cultura Contemporânea. Desde o início da década de 1980 que escreve para jornais e revistas internacionais de arte contemporânea. Organiza exposições, participa em colóquios e conferências e escreve para catálogos e antologias, em Portugal e no estrangeiro. Tem vários livros publicados, entre os quais Velocidades Contemporâneas, Julião Sarmento, Artes Plásticas em Portugal, Arte e Mercado em Portugal.

Triunfo da Crise Económica I Alexandre Melo


Triunfo da Crise Económica

ISBN: 978-989-8834-40-9

Edição: Outubro de 2016
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado, com badanas]
Número de páginas: 168




Um espectro assola a Europa e o mundo: o espectro da crise. Há uma espécie de horror à palavra «crise». […] 
A realidade é que só há, sempre e só, crise.
A vida é liberdade. A liberdade é luta pela liberdade porque (todos?) os seres humanos querem aquilo que querem e para poderem tentar obter aquilo que querem precisam de liberdade e por isso lutam pela liberdade para poderem lutar por aquilo que querem. A menos que não queiram nada ou nunca tenham pensado no assunto, o que torna a vida (ou seja a luta, a crise) mais fácil para os outros. Mas é difícil encontrar pessoas que pelo menos não queiram respirar, comer, beber, coisas de cariz sexual […] e ainda mais algumas coisas.
As consequências do facto de a vida social dos seres humanos ser o conjunto das acções das pessoas empenhadas em fazer aquilo que querem são igualmente evidentes.
Não é possível todas as pessoas fazerem tudo o que querem porque muitos não sabem o que querem (a cabeça é fraca, ou seja, o sistema nervoso humano é muito complexo) e porque essa imensidade de coisas queridas pelas pessoas contém uma imensidade de desejos incompatíveis.
Por isso a vida é liberdade. A liberdade é luta. A luta é crise.
O «capital» é a liberdade. A «luta de classes» é liberdade. O problema é a definição de «classe», mas esse é um outro problema.
Transferindo estas reflexões singelas para o terreno da economia e do pensamento económico a constatação primordial é igualmente simples.
As pessoas tendem a querer mais, embora seja sempre bem vindo, até pela sua raridade, o contributo (cristão?) daqueles que por ventura já estejam satisfeitos, ou queiram menos ou nada. […]
Todos querem mais. «Everybody wants money. That’s why they call it money».
«Não há dinheiro. Qual das palavras desta frase é que não percebem?». Não há nem nunca vai haver dinheiro que chegue.
Para designar todas estas coisas óbvias utilizam-se, segundo as diferentes tradições do pensamento económico dos séculos passados, palavras e expressões como «liberdade de escolha», «luta de classes» ou «capital». São sinónimos e designam apenas a evidência do facto de a vida económica ter a forma de crise. 
Só há crise.

[Alexandre Melo]



Alexandre Melo nasceu em Lisboa, onde vive e trabalha. Licenciado em Economia e Doutorado em Sociologia, é professor no ISCTE, onde lecciona Sociologia da Arte e da Cultura Contemporânea. Desde o início da década de 1980 que escreve para jornais e revistas internacionais de arte contemporânea. Organiza exposições, participa em colóquios e conferências e escreve para catálogos e antologias, em Portugal e no estrangeiro. Tem vários livros publicados, entre os quais Velocidades Contemporâneas, Julião Sarmento, Artes Plásticas em Portugal, Arte e Mercado em Portugal.

Hospital Miguel Bombarda — 1968 I José Fontes


Hospital Miguel Bombarda — 1968
José Fontes

Textos e organização de António Fernando Cascais e Margarida Medeiros

ISBN: 978-989-8618-39-9

Edição: Outubro de 2016

Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 23,5 x 22,5 cm [brochado]
Número de páginas: 156


[Livro com apoio no âmbito do Projecto Cultura Visual da Medicina]

Quando o médico José Fontes fez a sua colecção de fotografias da vida quotidiana do Hospital Miguel Bombarda no final da década de sessenta, a corrente institucionalizadora dos doentes mentais continuava a prevalecer e, em alguns países, ainda se registaram nessa época picos históricos de internamento. Embora as correntes antipsiquiátricas fortemente críticas da institucionalização começassem a fazer-se ouvir e o recurso aos psicofármacos se começasse a generalizar, potenciando uma antiga tendência despsiquiatrizadora que hoje se sabe ter sempre acompanhado afinal a própria teoria e prática psiquiátrica, não era então nada certo que as já perceptíveis mudanças nas concepções de prestação de cuidados de saúde mental fossem de molde a levar à completa obsolescência, e consequente desaparecimento, do hospital-asilo de que o Miguel Bombarda constituía ao mesmo tempo um símbolo e uma eminente realização material.
Significa isto que as imagens fotográficas de José Fontes ignoram, porque não lhes seria dado saber no momento de serem feitas, tanto o destino iminente daquilo que registavam, como o seu próprio valor enquanto documento que o passar do tempo multiplicaria de forma exponencial, até se tornarem no património absolutamente precioso que doravante são. [António Fernando Cascais]


José Fontes [Abrantes, 1940] iniciou a frequência do Curso de Medicina em Lisboa. Foi membro da Comissão Pró-Associação de Estudantes e aí fundou a Secção de Intercâmbio e Turismo. Continuou a frequência do Curso de Medicina em Coimbra e nesse período, conjuntamente com António Portugal, fundou a Secção Fotográfica da Associação Académica de Coimbra. Organizou cursos de fotografia conjuntamente com outros médicos e professores ilustres. Voltou a frequentar a Faculdade de Medicina de Lisboa, onde dirigiu o departamento fotográfico (primeiro como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e depois como bolseiro do Instituto de Alta Cultura). No Instituto de Anatomia montou um serviço de radiologia e um departamento de microangiografia para apoio a doutorandos e outros investigadores. Paralelamente, como associado do Foto Club 6 x 6 (membro do International Federation of Fotografic Art — FIAP), fez parte do seu Conselho Artístico e participou em concursos nacionais e internacionais, tendo igualmente efectuado exposições individuais.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O Olho Divino: Beckett e o cinema I Tomás Maia seguido de Filme I Samuel Beckett


O Olho Divino: Beckett e o cinema 

seguido de

Filme
Samuel Beckett

Tradução de André Maranha e Tomás Maia

ISBN: 978-972-8834-44-7

Edição: Outubro de 2016

Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado, com sobrecapa]
Número de páginas: 136



E se a nossa história — toda a história humana — narrasse uma perseguição, perseguição imparável que exprime uma busca íntima? 
E se a história humana fosse primeiramente determinada pela nossa condição de caçadores, os homens perseguindo-se a si mesmos através e à custa de outros homens? E — sobretudo — se perseguir Deus não fosse outra coisa senão a autoperseguição do eu que se quis e quer identificar de vez? 
Então, talvez compreendêssemos que o problema não está no facto de perseguir, mas na perseguição de uma identidade plena ou definitiva causando a morte que nos devasta colectivamente —imemorialmente. Se começarmos por aceitar a «ausência de Deus» — e de todos os seus sucedâneos —, compreenderemos que não há um sujeito que se persegue, porque a «fuga» dos homens é, somente, a do tempo: é a abertura que precede qualquer «sujeito». O curso da história só mudará decisivamente quando interrompermos, em nós mesmos, a relação entre a presa indefesa e o predador ou o guerreiro invencível. 
São estas as hipóteses de fundo deste livro. Todavia, as páginas seguintes acompanham uma única obra partindo deste princípio: o cinema é essencialmente uma busca, e nesta confunde-se tanto a procura que visa deter o tempo (e é a autoperseguição) como aquela que seria a fuga do próprio tempo (e é a perseguição de um outro que nos precede e nos sucede infinitamente). […] 

Beckett vai mostrar-nos assim não só a verdade da autoperseguição, como também a possibilidade de um cinema — e, mesmo, a possibilidade do cinema — que não cede à ilusão mortífera dos caçadores. Um cinema que simplesmente dá a ver aquilo mesmo que faz o cinema: esse olho que, desprovido de qualquer vontade subjectiva, de qualquer tempo próprio ou desejo mortífero, perseguirá não um Sujeito, mas aquilo que o precede: o nascimento do visível. E se esse olho exercerá sempre um poder fascinante sobre o espectador, um poder que retoma e renova o fascínio causado pelo olhar dos primeiros ídolos (isto é, das primeiras representações de mortos), então vou dar-lhe o nome de olho divino. [Tomás Maia] 

Misquoteros — A Selection of T-Shirt Fronts I Eduardo Batarda




Misquoteros — A Selection of T-Shirt Fronts
Eduardo Batarda

Textos de Ana Anacleto, Eduardo Batarda, João Fernandes

ISBN: 978-989-8834-43-0

Edição: Novembro de 2016

Preço: 35,85 euros | PVP: 38 euros
Formato: 21 x 28 cm [brochado]
Número de páginas: 176

[Em colaboração com o MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia]



Catálogo publicado por ocasião da exposição «Eduardo Batarda. Misquoteros — A Selection of T-Shirt Fronts», realizada no MAAT — Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa, com curadoria de Ana Anacleto e João Fernandes, de 9 de Novembro de 2016 a 13 de Fevereiro de 2017.

Desde os anos de 1960 que Eduardo Batarda tem utilizado textos, tanto combinados com imagens como em pinturas sem qualquer presença figurativa. O ciclo Misquoteros enfrenta os temas da decadência e do esgotamento dos artistas, o sucesso e o insucesso na carreira, e a problemática dos estilos tardios. O ciclo conta com trinta quadros, sobre os quais se distribuem 646 frases obtidas por colagem de textos, muitas vezes com recurso ao acaso, como num longo cadavre exquis individual. Quase todas as frases partem de expressões correntes ou de ideias feitas. Algumas referem afirmações muito ouvidas, sobre as virtudes da maturidade ou relativas à decadência que vem com a idade avançada. O mesmo acontece com as 64 que contêm fragmentos ou palavras soltas de três artigos relativos a Picasso, a Tiziano e a Greco, artistas cujas «fases tardias» foram objeto de debate. A série, preparada e executada entre o Outono de 2014 e o começo de Julho de 2016, é encarada pelo autor como um conjunto indivisível.

Eduardo Batarda [Coimbra, 1943] frequentou a Faculdade de Medicina entre 1960 e 1963, ano em que foi admitido e se matriculou na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. Terminou os respectivos Cursos, Geral e Complementar, de Pintura em 1967 e 1968, e cumpriu serviço militar obrigatório entre 1968 e 1971. Neste mesmo ano começou a frequentar, em Londres, o Royal College of Art, Faculty of Fine Art, School of Painting, onde se diplomou em 1974 (MaRCA). De 1976 até 2008 foi professor na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Expôs pela primeira vez em 1966, e realizou exposições individuais a partir de 1968. Destas, a última teve lugar no Porto, em 2013. Foram organizadas várias retrospectivas do seu trabalho: em 1975, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, do seu trabalho como bolseiro em Londres; em 1998, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (Eduardo Batarda. Pinturas, 1965-1998); em 2009, no Centro de Arte Manuel de Brito, em Oeiras (Eduardo Batarda no CAMB); e em 2011, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto (Outra Vez Não. Eduardo Batarda). Em Maio de 2016, no Pavilhão Branco do Museu de Lisboa — Palácio Pimenta, realizou-se uma exposição antológica, intitulada Mise en abyme. Eduardo Batarda recebeu em 2007 o Grande Prémio Fundação EDP Arte.

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O que Diz a Pintura I Pedro Chorão



O que Diz a Pintura
Pedro Chorão

Textos de José-Luís Porfírio, Pedro Chorão, Fernando de Azevedo, Rocha de Sousa, Alexandre Pomar, Jorge Silva Melo, Paulo Henriques

ISBN: 978-989-8834-46-1

Edição: Novembro de 2016

Preço: 37,74 euros | PVP: 40 euros
Formato: 24 x 29 cm [brochado com sobrecapa]
Número de páginas: 296


[Em colaboração com a EGEAC e a Fundação Carmona e Costa]



Catálogo publicado por ocasião da exposição retrospectiva «Pedro Chorão. O que Diz a Pintura», com curadoria de José-Luís Porfírio, realizada no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, Lisboa, de 12 de Novembro de 2016 a 19 de Fevereiro de 2017, e na galeria de exposições da Fundação Carmona e Costa, Lisboa, de 23 de Novembro de 2016 a 7 de Janeiro de 2017.

… os quadros de Pedro Chorão são feitos de um quase nada, os mais feitos, em meu entender. O que é, logo, o mais difícil para um pintor, e ainda mais de reparar, se não é isso apenas um assomo hábil, mais precisamente um despojar-se, um significar-se sem ênfase, saber que o muito se reduz ao tamanho da sua verdade na perseguição que se faça ao encontro do essencial. [Fernando de Azevedo]

O gesto solto, a tinta líquida, a cor seca, a escrita à flor da luz, signos, colagens e afloramentos figurativos — eis alguns dados caracterizadores da Pintura de Pedro Chorão, agora, ontem, talvez amanhã. [Rocha de Sousa]

Vale a pena olhar estes quadros e revê-los também, deixar que o tempo participe, sem pressas, na nossa percepção deles, ir entendendo a vida oculta que se passa sob a superfície aparentemente calma, vale a pena senti-los vibrar com as diferenças de luz. Nesse tempo de olhar e perceber chegará também o tempo de entendermos a persistência do pintor na sua pintura: não um modo de vida, mas um modo de Ser. [José-Luís Porfírio]

Pedro Chorão nasceu em Coimbra, em 1945. Entre 1963 e 1967 viveu em Liverpool, onde começou a interessar-se por pintura. Frequentou o curso de História da Arte na École du Louvre, Paris (1967-1968). Licenciou-se em Pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa em 1976. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris (1976-1978) e em Portugal (1987-1989). Expõe individualmente e em diversas exposições colectivas desde 1972 e a sua obra está presente em variadas colecções. Recebeu os prémios AICA-Philae, 1986; Prémio Bienal de Lagos, 1990; e a Menção Honrosa no Grande Prémio de Pintura BANIF, 2003.

Ridi Paglaccio I Pedro Cabrita Reis


Ridi Paglaccio

Texto de Mirian Tavares

ISBN: 978-989-8834-38-6

Edição: Outubro de 2016

Preço: 12,26 euros | PVP: 13 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado, com badanas]
Número de páginas: 72

[Em colaboração com a Galeria Ala da Frente]



Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Pedro Cabrita Reis — Ridi Paglaccio», com curadoria de António Gonçalves, realizada na Galeria Ala da Frente, em Vila Nova de Famalicão, de 15 de Outubro de 2016 a 21 de Janeiro de 2017. 

A ópera a que Cabrita Reis [Lisboa, 1956] se refere no título desta exposição, Pagliacci, é considerada uma peça do verismo de Leoncavallo, autor contemporâneo de Wagner, e aparece como leitmotiv de um projecto desenvolvido especialmente para a Galeria Trem e agora exposto na Ala da Frente — uma série de desenhos que se sobrepõem a imagens do álbum pessoal do artista, nada oficiais e, algumas delas, profundamente íntimas. O artista, nestas imagens, ora actua ora se despe para uma plateia que não conhecemos, mas da qual passamos a fazer parte, convocados, pela obra, a participar desta claque. Há um desvelamento absoluto em cada uma mas, ao mesmo tempo, marca-se claramente um distanciamento entre artista e espectador, entre personagem e persona, entre Cabrita Reis e as suas imagens. Porque o artista não se expõe, reinventa-se. […] 
O artista é uma pessoa e é para ela que o autor escreve a sua ópera. O fato de palhaço é apenas um fato. Também a obra de Cabrita Reis é um fato que lhe cai bem e que ele exibe com mestria, ao mesmo tempo que nos convida a participar da sua intimidade, confundindo-nos com a sua obra-fato-artista. Sem ser um autor romântico, Cabrita Reis persegue a obra de arte total a cada nova exposição, a cada nova mostra daquilo que faz e que é parte integrante daquilo que ele é. 

Mirian Tavares 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Eduardo Batarda I Misquoteros – A Selection of T-shirt Fronts


Eduardo Batarda, XXIX - Made a fortune with that, 2016. 
Fotografia: Paulo Cintra e Laura Castro Caldas


EDUARDO BATARDA
MISQUOTEROS - A SELECTION OF T-SHIRT FRONTS
Curadores
Ana Anacleto e João Fernandes

Inauguração
8 de Novembro de 2016, às 18h30

Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia
Av. Brasília, Central Tejo | 1350-598 Lisboa
SALA CENTRAL 2 
9 de Novembro de 2016 - 13 de Fevereiro de 2017
12h00 - 20h00
(encerra às terças-feiras)

Catálogo
FUNDAÇÃO EDP | DOCUMENTA

No ano em que comemora cinquenta anos após a sua primeira exposição, Eduardo Batarda apresenta no MAAT o seu mais recente corpo de trabalho. Com uma carreira centrada na prática da pintura e com uma aturada investigação sobre as questões conceptuais, históricas, formais e cognitivas que atravessam a disciplina, tem vindo a desenvolver um trabalho idiossincrático, recorrendo a referências eminentemente pessoais que influenciam o seu trabalho e as flexões e inflexões deste ao longo do tempo de forma determinante.

O recurso à ironia, ao registo tragicómico e ao sarcasmo (sobretudo virado para si próprio e para o desempenho da sua condição de artista) alia-se às questões inerentes à prática e à história da pintura. Com o título Misquoteros – A Selection of T-shirt Fronts, a exposição reúne um conjunto de trinta pinturas com características formais e conceptuais semelhantes entre si, e que o autor considera como uma só obra. Texto e imagem são, aqui, um e o mesmo, num jogo entre a compreensão, a criação de sentidos e a total ilegibilidade.

Eduardo Batarda é representado pela 
Calçada de Monchique, 3 |  4050-393 Porto  

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Histórias Aquáticas I Joseph Conrad

Histórias Aquáticas
Joseph Conrad

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8833-08-2

Edição: Setembro de 2016

Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 160



A água
cenário para uma intimidade de homens
língua vigiada pela indevassável floresta
força para um combate difícil.

Juntam-se neste livro três textos dominados pelo elemento aquático, correspondendo cada um deles a uma forma específica, reconhecível como característica no relacionamento literário de Joseph Conrad com água: – a água não mais do que cenário a rodear o navio, e a fazer dele uma ilha onde prevalece uma intimidade de homens com leis próprias, distante do mundo dirigido pelas leis da terra («O Parceiro Secreto»); o mar força hostil, que pede ao marinheiro a sua luta e tudo faz para não ser vencido num combate fácil («Mocidade»); entre estes dois a estreita língua de água de um rio, de um lago ou de uma laguna onde o homem sente próxima de si uma presença de terra, sem conseguir mais do que imaginá-la atrás de um mistério de espessas cortinas, as do seu indomável esplendor vegetal («A Laguna»). [Aníbal Fernandes]

«Devia haver no ar um brilho que nos dificultava a visão, porque o meu olhar errante só no momento em que o sol nos deixou descobriu qualquer coisa para lá da mais alta crista da ilhota principal do grupo, que pôs longe a solenidade de uma perfeita solidão. A maré de trevas rebentava com destreza; e um enxame de estrelas surgiu com rapidez tropical acima da terra escurecida, o que me fez retardar ali um pouco com a mão pousada ao de leve na balaustrada do meu navio, como no ombro de um amigo de confiança. Mas ao sentirmos toda a multidão de corpos celestes a olhar lá de cima para nós, ficava afastada de vez a sensação de conforto dessa apaziguadora comunhão.» [Joseph Conrad]


Joseph Conrad nasceu em 3 de Dezembro de 1857, numa região da Polónia anexada pela Rússia (actual Ucrânia); os pais eram nacionalistas polacos, expulsos do país em 1862. Aos vinte e um anos, em Inglaterra, decide-se pela marinha mercante. Em 1886 é cidadão britânico e, passados vinte anos de mar (Extremo Oriente, Congo, América do Sul), torna-se escritor – em inglês. Faleceu em 3 de Agosto de 1924.

Memórias Íntimas e Confissões de um Pecador Justificado I James Hogg

Memórias Íntimas e Confissões de um Pecador Justificado
James Hogg

Tradução e introdução de José Domingos Morais

ISBN: 978-989-8833-11-2

Edição: Setembro de 2016

Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 320



Uma feroz e profunda parábola sobre
o fanatismo.




«Como escrevo de memória, não me recordo de nada mais acontecido nestes primeiros dias que valha a pena ser contado. Que fui um grande e abstruso pecador, isso confesso, mas guardo ainda a esperança de vir a ser perdoado, pois nunca pequei por questões de princípio, mas por acidente e, nessas ocasiões, sempre tentei arrepender-me desses pecados aos magotes, pois a um e um era impossível. É certo que os meus esforços nem sempre eram bem sucedidos, mas isso não dependia de mim. A graça do arrependimento era-me recusada e assim, não me considerava responsável por essas faltas. Por outro lado, havia muitos dos pecados mais mortais que eu nunca cometera, pois receava aqueles que na Revelação são designados por pecados que implicam a exclusão, dos quais constantemente me acautelava. Em particular consegui desprezar, senão mesmo execrar, a beleza das mulheres, considerando-a a maior armadilha a que a humanidade está submetida e, embora os jovens, tanto rapazes como raparigas e até as velhas (entre as quais a minha mãe) me acusassem de ser um miserável sem vergonha, gabava-me e glorificava-me por essa minha façanha. Ainda hoje me sinto agradecido por ter escapado ileso à mais perigosa de todas as armadilhas.» [James Hogg]

James Hogg [Escócia, 1770-1835], poeta, romancista e ensaísta. Na sua juventude foi trabalhador agrícola e pastor, por isso a sua educação foi maioritariamente autodidacta, através da leitura. Foi amigo de grandes escritores da sua época, como Sir Walter Scott, de quem mais tarde escreveu uma biografia não autorizada. Memórias Íntimas e Confissões de um Pecador Justificado, de 1824, é o seu romance mais conhecido. Muito criticada na altura da sua publicação, acusada de ser um «grave atentado contra a religião e um insulto ao gosto moderno», a obra permaneceu na sombra até 1947, quando foi republicada com um posfácio entusiástico de André Gide. Outras obras de James Hogg incluem o longo poema The Queen's Wake (1813), a colecção de canções Jacobite Reliques (1819), e os dois romances The Three Perils of Man (1822) e The Three Perils of Woman (1823).

A Imagem-Movimento. Cinema 1 I Gilles Deleuze


A Imagem-Movimento. Cinema 1
Gilles Deleuze

Tradução de Sousa Dias

ISBN: 978-989-8566-97-3

Edição: Setembro de 2016

Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 328



Este estudo não é uma história do cinema. É uma taxinomia, uma tentativa de classificação das imagens e dos signos. Mas este primeiro volume vai limitar-se a determinar os elementos, e mesmo assim os elementos de uma só parte da classificação.
[…]
Tratamos nesta primeira parte da imagem-movimento e das suas variedades. A imagem-tempo será objecto de uma segunda parte. Os grandes autores de cinema pareceram-nos confrontáveis não só com pintores, arquitectos e músicos mas também com pensadores. Eles pensam com imagens-movimento e com imagens-tempo, em vez de conceitos. A enorme proporção de nulidade na produção cinematográfica não é uma objecção […] não é por isso que o cinema deixa de fazer parte da história da arte e do pensamento, sob as formas autónomas insubstituíveis que esses autores souberam inventar e fazer passar apesar de tudo.

Gilles Deleuze [França, 1925-1995] é hoje internacionalmente considerado como um dos nomes maiores do pensamento contemporâneo. Michel Foucault, outra grande referência da filosofia do nosso tempo, considerava Deleuze o único verdadeiro filósofo de todo o século XX francês. E o italiano Giorgio Agamben, talvez o mais importante filósofo vivo, afirmou algures que o século XX só conheceu dois filósofos da estatura dos grandes clássicos da história da filosofia: o alemão Heidegger e, precisamente, Deleuze. A obra filosófica de Deleuze teve, já em vida do pensador, mas vem tendo entretanto cada vez mais, e por toda a parte, uma extraordinária importância não só na filosofia mas em vários outros domínios, uma vez que essa obra sistematicamente confrontou, de uma
forma sempre criativa, a filosofia com a literatura, a psicanálise, o cinema, a pintura, a ciência e a política.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Por Dentro das Imagens – Obras de cinema. Ideias do cinema I Sérgio Dias Branco


Por Dentro das Imagens – Obras de cinema. Ideias do cinema

Sérgio Dias Branco

ISBN: 978-989-8618-92-4

Edição: Junho de 2016

Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 160


Estas páginas demonstram bem o que sempre me fascinou e continua a fascinar nas imagens em movimento: o modo como pedem para ser analisadas e pensadas dentro do movimento que as anima.
A primeira parte inclui análises a obras de cinema, de filmes isolados a grupos de filmes de cineastas. A segunda parte contém reflexões sobre ideias do cinema, não aquelas desenvolvidas pelos artistas, mas aquelas que emergem da história e prática do cinema e do pensamento que as tenta acompanhar. As duas partes conjugam-se, demonstrando as cisões e intersecções entre a análise fílmica e a reflexão teórica. A experiência de uma obra no presente dá lugar, mais tarde, à consideração dessa experiência passada que se torna presente. De igual modo, as ideias do cinema estão antes e depois da percepção dos filmes e da reflexão sobre eles, num permanente durante.

Sérgio Dias Branco é Professor Auxiliar de Estudos Fílmicos na Universidade de Coimbra, onde coordena os Estudos Fílmicos e da Imagem e dirige o Mestrado em Estudos Artísticos. Integra o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) da Universidade de Coimbra, colabora com o Instituto de Filosofia da Nova (IFILNOVA) e é membro convidado do grupo de análise fílmica da Universidade de Oxford, «The Magnifying Class». Leccionou na Universidade Nova de Lisboa e na Universidade de Kent, onde lhe foi atribuído o grau de doutor em Estudos Fílmicos. É co-editor das revistas Cinema: Revista de Filosofia e da Imagem em Movimento (http://cjpmi.ifl.pt/) e Conversations: The Journal of Cavellian Studies (https://uottawa.scholars portal.info/ojs/index.php/conversations). O seu trabalho de investigação sobre a estética das obras da imagem em movimento, nas suas relações com a filosofia, a história, o marxismo, e a religião tem sido apresentado em universidades portuguesas e estrangeiras e publicado em revistas com arbitragem científica como a Fata Morgana e a L’Atalante.
Mais informações em: www.sdiasbranco.net

Da Crítica I Andreas Arndt, Christian Berner, Judith Butler, João Pedro Cachopo, Bruno C. Duarte, Rodolphe Gasché, Diogo Sardinha, Márcio Seligmann-Silva, Denis Thouard


Da Crítica
Andreas Arndt, Christian Berner, Judith Butler, João Pedro Cachopo, Bruno C. Duarte, Rodolphe Gasché, Diogo Sardinha, Márcio Seligmann-Silva, Denis Thouard

Edição e organização de Bruno C. Duarte

ISBN: 978-989-8834-02-7

Edição: Junho de 2016

Preço: 21,70 euros | PVP: 23 euros
Formato: 16 × 22 cm [brochado]
Número de páginas: 272




ENSAIOS SOBRE 
WALTER BENJAMIN, THEODOR W. ADORNO, MICHEL FOUCAULT, 
IMMANUEL KANT, FRIEDRICH SCHLEGEL, FRIEDRICH SCHLEIERMACHER



A nossa época é a verdadeira época da crítica, à qual tudo tem de submeter-se. A religião, pela sua santidade, e a legislação, pela sua majestade, querem geralmente esquivar-se a ela. Mas desse modo provocam contra si mesmas uma justificada desconfiança, e não podem reivindicar o sincero respeito que a razão concede apenas aos que podem suportar o seu livre e público exame. [Immanuel Kant]

[…] e o que devo dizer em primeiro lugar a propósito desta época? A mesma época em que também nós temos a honra de viver; a época que, para tudo dizer numa palavra, merece o modesto mas significativo nome de época crítica, de modo que muito em breve tudo será criticado, com a excepção da própria época, e tudo se tornará sempre mais crítico, e aos artistas ser-lhes-á permitido nutrir a justa esperança de que a humanidade se eleve enfim em massa e aprenda a ler. [Friedrich Schlegel]

A palavra crítica exorta à crítica, a palavra faculdade do juízo ao julgar; nenhuma delas é dada ou arrendada a quem quer que seja. [J.G. Herder]

A crítica nem sempre dá provas do seu olhar aguçado; ignora frequentemente as manifestações mais insignificantes. [Karl Kraus]

Há uma diferença entre dar-se conta da omnipresença (soletrada ou implícita) da noção de crítica no pensamento «contemporâneo» – dito assim, mais uma vez, por falta de um melhor ou de um pior termo – e tentar apreender essa noção como um conceito unido a si mesmo. Inversamente, há uma diferença entre procurar a crítica e dar de caras com ela. É precisamente na tensão trazida por essa diferença que se torna necessário encontrar a coragem ou a imprudência de enfrentar a questão: que experiência é possível ter da «própria crítica»? É nesse ponto que é preciso recuar, por um instante que seja, e, antes de enunciar ou lançar qualquer juízo sobre a relevância e a necessidade, isto é, sobre o presente e sobre a presença da crítica, tentar encontrar ou reencontrar a percepção que é ainda possível ter desse conceito por si mesmo e junto a si mesmo, na sua individualidade.

É muito provável que o problema central da crítica não seja, em primeira instância, o de definir qual o seu conteúdo, a sua função ou a sua finalidade, mas sim o de discernir o limite do confronto com a composição e decomposição formais do seu núcleo. De uma forma ou de outra, a constituição do conceito enquanto conceito regressa continuamente do sentido partitivo e reflexivo do nome, descobre na crítica algo que volta da crítica – e aí reside a sua maior dificuldade.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Decorativo, Apenas? – Júlio Pomar e a integração das artes



Decorativo, Apenas? – Júlio Pomar e a integração das artes
Júlio Pomar

Textos de Sara Antónia Matos, Catarina Rosendo, Júlio Pomar

ISBN: 978-989-8834-31-7

Edição: Julho de 2016

Preço: 23,58 euros | PVP: 25 euros
Formato: 17 × 21 cm [brochado]
Número de páginas: 276

[Em colaboração com os Cadernos do Atelier-Museu Júlio Pomar]


Catálogo publicado por ocasião da exposição «Decorativo, Apenas? – Júlio Pomar e a integração das artes», realizada no Atelier-Museu Júlio Pomar, com curadoria de Catarina Rosendo, de 5 de Maio de 2015 a 8 de Setembro de 2016.

– «Um motivo decorativo, apenas…»
– Não é verdade que isto se ouve muitas vezes? Ora na boca de um arquitecto, ao solicitar a colaboração do pintor ou do escultor, ora na de um destes; ou com um arzinho escondido de desculpa, ou com as maviosidades do cigano que impinge burro velho. De passagem se diga que é possível também ouvi-lo dito com inocência, dado que a inocência em matéria de arte é muito mais corrente do que se pinta.
De passo em falso a passo em falso, tem-se consolidado uma concepção empobrecida do decorativo. Cortaram-se à garçonne as tranças de estafe: fazer «moderno» passou a ser pôr 10 onde dantes se punha 100, e usar à vontade de uns tantos cosméticos, sem cuidar primeiro de lavar a cara.
Quantas santas almas puderam assim encontrar o descanso!
E deste modo, «decorativo» foi significando arrebique, boneco de estampar, farfalhice obrigatoriamente inexpressiva.
[…]
Eu creio que, entre nós, se tem empurrado a obra decorativa, voluntária ou involuntariamente, para a categoria de Parque Mayer das artes. À parte raras tentativas honestas, que vemos? Um coro mal afinado em que se juntam o conformismo, o delicodoce, as soluções mil vezes gastas. O que faz com que tantos vão interpretando o decorativo como uma espécie de doença vergonhosa, e não, afinal, como a expressão, de todas a mais viva, da arte do nosso tempo. [Júlio Pomar]

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Acções Desenhos I Sérgio Taborda


Acções Desenhos
Sérgio Taborda

Texto de Maria do Mar Fazenda

ISBN: 978-989-8834-28-7

Edição: Agosto de 2016

Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 15 × 21 cm [brochado]
Número de páginas: 152

[Em colaboração com a Fundação Carmona e Costa]



Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Acções Desenhos», de Sérgio Taborda, realizada na Fundação Carmona e Costa, com curadoria de Maria do Mar Fazenda, entre 17 de Setembro e 29 de Outubro de 2016.

A espera, o tempo de espera que envolve uma relação com um acontecimento, desde a escolha do sítio e das condições em que ele ocorre, o trabalhar a acção que vai ser desencadeada a partir desse sítio, com uma duração específica, o que acontece a partir do momento em que é activado, tudo isto é para mim parte integrante do que chamo uma acção-desenho que o lança num irreversível movimento uma vez «disparado» da situação inicial em que se encontrava no espaço. O que me interessa nas acções-desenhos não é tanto o desenho em si mas o seu tornar-se outra coisa por acção de uma força-atrito que sobre ele actua. [Sérgio Taborda]

Sérgio Taborda nasceu em Coimbra em 1958. Vive e trabalha em Lisboa e Berlim. Após ter concluído o curso de Escultura do Ar.Co e frequentado o curso de Cinema do Conservatório de Lisboa, licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e fez o mestrado e o doutoramento na mesma universidade. Leccionou Escultura e Desenho no Ar.Co (Lisboa) e as disciplinas de Projecto, Desenho e Seminário de Mestrado na ESAD-CR (Caldas da Rainha). Actualmente é artista/investigador residente no Arsenal-Institut for film and Video-Art em Berlim onde vive e trabalha no âmbito de uma bolsa de investigação individual de pós-doutoramento. Em 2012 concebeu ciclos de filmes e vídeos experimentais, apresentados no CAM e na Cinemateca Portuguesa. Expõe individualmente desde 1985, concentrando-se a partir de 1992 em instalações para espaços específicos conjuntamente com o músico/compositor Luís Bragança Gil. Deste trabalho a dois resultaram em 1997 e 1998 as instalações áudio e vídeo imersão e travelling.

Prova de Estado I José Pedro Croft


Prova de Estado
José Pedro Croft

Texto de Amador Vega

ISBN: 978-989-8834-30-0

Edição: Agosto de 2016

Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 88

[Em colaboração com a Galeria Ala da Frente]


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «José Pedro Croft – Prova de Estado», com curadoria de António Gonçalves, realizada na Galeria Ala da Frente, em Vila Nova de Famalicão, de 4 de Junho a 17 de Setembro de 2016.

«Tenho diante dos olhos uma série daquilo que os gravadores denominam “prova de estado”: os múltiplos ensaios a que o artista submete a placa de cobre, os ensaios múltiplos a que a pressão do rolo da prensa submete o papel empapado em tinta. E de novo me surge uma pergunta: a que se deve a multiplicidade das acções? A que se deve a insatisfação do artista que, uma e outra vez, como nos textos antigos, diz para si mesmo: “não é isto, não é isto” e, nas longas horas de atelier, começa de novo. Que relação mantêm as duas perguntas: margem e espaço de liberdade, por um lado, e “prova de estado”, por outro? Pode haver uma obra de arte que escape à “prova de estado”? Trata-se de uma prova de quê? De algo que se pretende definitivo? Acaso uma pretensão, o chegar a uma conclusão ou perfeição da acção sobre as coisas do mundo? Não me parece que o artista, tal como o filósofo e também o poeta, possa aspirar a algo mais que o ensaio: a prova de estado. Toda a sua vida é uma paciente leitura dos gestos da criação, a partir do movimento dos céus, dos movimentos da natureza e dos estados em que esta larga e abandona os seus seres; um cuidadoso olhar aos misteriosos animais que, com o seu desassossegado vaivém, nos deixam ainda mais perto do campo da interpretação; e a vida do artista é também uma combinação elaborada dos gestos, dos olhares e dos estados de alegria, compaixão, dor e indiferença que nós, os humanos, esboçamos no dia-a-dia.
Sim, uma prova de estado que ponha à prova o estado da criação, que tome o pulso à vida enquanto só movimento, enquanto dinâmica fiel do devir, no qual o que acontece em nada se diferencia do mesmo acontecimento.» [Amador Vega]

Noite, noite mais do que hoje I João Jacinto


Noite, noite mais do que hoje
João Jacinto

Texto de Jorge Silva Melo

ISBN: 978-989-8834-34-8

Edição: Setembro de 2016

Preço: 9,43 euros | PVP: 10 euros
Formato: 16,5 × 22 cm [brochado]
Número de páginas: 48

[Em colaboração com a Giefarte]


Este livro, com desenhos de João Jacinto, foi publicado por ocasião da exposição «Noite, noite mais do que hoje», realizada nos Artistas Unidos, Teatro da Politécnica, Lisboa, em Setembro e Outubro de 2016.

«Quando a taciturna chegar e decapitar as túlipas», dizia Paul Celan, o poeta que logo procurei ao chegar um dia destes do atelier do João Jacinto, e de ele me mostrar uma infinidade de papéis (não disse desenhos, não sei se são, o carvão aqui pinta o magma, a noite sem redenção, serão pintura). «Quando a taciturna chegar.» E neste poema, ele pergunta: «quem assomará à janela?» Procuro esta poesia para salvar o susto? Redimir o temor? Procuro estes dizeres para arrumar o medo? Para sobreviver ao inverno dos corpos? Na arte (mortuária? espectral?) de João Jacinto, emergem figuras, assombrações, pesadelos, fantasmagorias. Emergem, disse. Mas podia também dizer «afundam-se». E repetem-se, repetem-se, repetem-se, avassaladoras. [Jorge Silva Melo]

João Jacinto [Mafra, 1966] vive e trabalha no Monte Estoril. Em 1985 iniciou os seus estudos artísticos na ESBAL. Leccionou entre 1989 e 1992 no Ar.Co em Lisboa. É, desde 2001, professor na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Expõe individualmente desde 1987, tendo participado em inúmeras exposições individuais e colectivas. A sua obra encontra-se representada em várias colecções: CAM – Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Caixa Geral de Depósitos, Lisboa, Colecção António Cachola – MACE – Elvas, Fundação PLMJ, Lisboa, Museu do Chiado (Depósito Isabel Vaz Lopes), Lisboa, Museo Extremeño Iberoamericano de Arte Contemporaneo, Badajoz, Veranneman Foundation, Kruishoutem, Bélgica, Art Collectors, Genebra, Fine Arts Gallery, Bruxelas, Renate Schröder Gallery, Colónia, Gallery Catherine Clerc, Lausanne, Collection Kierbaum & Partner, Colónia, Fundação Carmona e Costa, Lisboa, entre outras.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

O Fogo-Fátuo I Drieu la Rochelle

O Fogo-Fátuo
Drieu la Rochelle

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8833-10-5

Edição: Julho de 2016

Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 160


O suicídio
vingança antiga
eterna
o gesto do vencido
que ao vencedor
atira o seu sangue.


O Fogo-Fátuo imagina Jacques Rigaut nos seus últimos dias de vida, através de sete encontros com pessoas das suas relações que lhe fazem sentir, de diferentes formas, uma eficiente cumplicidade com o mundo, nenhuma com lugar possível entre as dúvidas e as certezas do seu percurso de homem belo mas pouco hábil no amor, de escritor falhado, de um não resistente às seduções da heroína, de um ser ferido pela incapacidade de amar e se fazer amar.
O Alain de La Rochelle atravessa as suas páginas em luta contra alguns demónios; os de uma medíocre eficiência sexual, cada vez menos desculpada perante o decréscimo dos seus atributos físicos, o do medo de um envelhecimento que lhe recuse a protecção de mulheres ricas, única forma que conhece de suportar o mundo e a vida. E por causa de tudo isto ouve-se, desde a primeira página, o estampido de um tiro final.
Será inútil querer encontrar um qualquer conteúdo político em O Fogo-Fátuo. O seu Rigaut, aqui chamado Alain, brilha e apaga-se como a chama dos pântanos na noite de Paris povoada por seres que ele não consegue prender nem chamar à sua necessidade de afecto.
A sua maior contradição – de um pequeno-burguês com supremas exigências de elegância, e do dinheiro que essa elegância necessita para se fazer mostrar numa sociedade que ele, por outro lado, despreza – fá-lo arrastar-se por uma solidão armada com espinhos interiores. Ela não lhe consente encontrar razões para viver, e apenas lhe denuncia a mentira daqueles que o rodeiam. Alain sente como única solução o suicídio, recurso dos homens com a mola roída pela ferrugem, a ferrugem do quotidiano. Eles nasceram para actuar mas retardaram a acção, e a acção volta por ricochete a atingi-los. O suicídio é um acto, o acto dos que não conseguiram levar outros até ao fim.

A obra literária [de Drieu la Rochelle, Paris, 1893-Paris, 1945] soube resistir ao limbo imposto, por decência política e patriótica, aos colaboracionistas da ocupação da França pelos nazis. Mas passado um período de nojo e temor, os editores franceses relembram-no e mantêm-no generosamente disponível nos seus catálogos; hoje ele é, sobretudo, o autor dos contos de La Comédie de Clarleroi (1934) – Marcel Arland: «Tenho-os pela sua obra-prima»; é o autor de Gilles (1939) – François Mauriac: «É um livro importante, essencial, verdadeiramente carregado com um terrível peso de sofrimento e erro.», uma das suas obras maiores e literariamente mais ambiciosa (o mais anti-semita dos romances franceses?); é o autor deste célebre O Fogo-Fátuo (1931) – Bernard Frank: «Acho-o o melhor livro de Drieu». [Aníbal Fernandes]