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quarta-feira, 24 de março de 2021

O Filho de Duas Mães

O Filho de Duas Mães 
Edith Wharton 


Tradução e apresentação Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-9006-69-0 | EAN 9789899006690 

Edição: Março de 2021 
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 128


Bernard Berenson: «Edith Wharton mantém-se apenas incontactável, num sítio qualquer onde não a ouvimos e de onde não pode responder-nos. É muito duro, mas não aquilo a que chamamos morte.»


Em 1906 Edith Wharton decide viver quase permanentemente em Paris. Tem ali oportunidades de convívio que a América, mesmo oferecendo com frequência a sua mesa a convivas escolhidos, não lhe saberia dar. E Paris também a faria esquecer-se dos lados negativos do seu marido inerte. Envolveu-se com o jornalista americano Morton Fullerton, representante de The Times na França, e teve as noites de amor com a intensidade que o seu poema «Terminus» nos revela (Wonderful were the long secret nights you gave me, my Lover…, lemos no seu primeiro verso). [...]
Em Paris, a vida agitada desfaz-lhe uma grande parte dos vazios que ela, no seu «quarto secreto», não consegue nunca preencher. Vive rodeada de relacionamentos masculinos que vão de Paul Bourget a Anna de Noailles, que vão de Henry James a Howard Sturges; sente-se bem no centr
o de homens cultos, de uma corte onde é adulada e elogiada, sobretudo por homossexuais. […] 
Mas esta celebração literária, estes sucessivos êxitos de crítica e público, são ensombrados por uma porção de desgostos que lhe tocam muito de perto os sentimentos. Em 1927 Walter Berry, o «seu» advogado americano, o dedicatário de Pastiches et Mélanges de Proust, o homem a quem ela chamava the love of my life, morre em Paris; pouco depois morrem-lhe dois dos seus antigos empregados; e um criado de quarto é assassinado pela sua mulher.
A sua literatura acusa estes maus dias enchendo-se de histórias com subtilezas amargas, pessimis
mos e sombras. Talvez por tudo isto, em 1933 se tenha resolvido a escrever Her Son (O Filho de Duas Mães, que ocupa o maior número de páginas de Human Nature), onde a rivalidade esgrimida entre duas «falsas mães» se resolve num sombrio desaire de esplendorosa ironia. 
Edith Wharton terá mais quatro anos de vida. Em 11 de Abril de 1935 é atingida por um premonitório ataque cardíaco; outro, dois anos mais tardee mais grave, deixa-a fechada no Pavillon Colombes queela tinha adquirido sete anos antes em Saint-Brice-sous-Fôret, perto de Paris. Morre a 11 de Agosto de 1937, e é enterrada no cemitério de Versalhes, ao lado de Walter Berry. 
[Aníbal Fernandes]

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

«Cinco contos assombrados e inquietantes de Edith Wharton»


«Por vezes, “pequenos incidentes” transformam-se em “Acontecimentos Extraordinários”. As expressões, e as maiúsculas, são de Edith Wharton (1862-1937), nova-iorquina de boas famílias que se tornou esposa-troféu de um banqueiro, passou a vida em mansões, festas e viagens, foi amiga e discípula de Henry James, e escreveu quatro ou cinco livros que se tornaram clássicos. O romance A Idade da Inocência (1920) valeu-lhe o Prémio Pulitzer, que nunca tinha sido ganho por uma mulher.
(…)
Como nota, na introdução, Aníbal Fernandes, o grande trunfo de Wharton é cingir-se ao ponto de vista do narrador ou do protagonista, limitando aquilo que sabemos. Há por isso um “não-dito” que sustenta toda uma atmosfera de mistério e ameaça. E o naturalismo psicologista dá lugar à modernidade das narrativas sem desfecho.
(…)»

Pedro Mexia, «Fantasmagorias», «Actual»/ Expresso, 2 de Agosto de 2014

sexta-feira, 20 de junho de 2014

«Cinco Histórias de Luz e Sombra», de Edith Wharton



Cinco Histórias de Luz e Sombra 
Edith Wharton 

Selecção, tradução e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN: 978-989-8566-50-8 

Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros 
Formato: 14,5x20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 240 


procure-o na sua livraria habitual

Edith Wharton [ Nova Iorque, 1862 – Saint-Brice-sous-Forêt, 1937 ] fez-se uma hábil construtora de atmosferas batidas pela luz, pela sombra, e sobretudo por um não-dito que lhes garante a peculiar sedução. E em quase todas plana a fundamental lição dos textos de Henry James: o ponto de vista exclusivo de uma das personagens, limitador e a deixar-nos entregues ao que a sua participação na intriga permite conhecer. As escolhas deste livro passeiam por cinco destes textos «perturbados» [«A Sineta da Criada de Quarto», «Confissão», «Mais Tarde», «Segundo Holbein», «Uma Garrafa de Perrier»]. 

[ Aníbal Fernandes ]

Diz-se que o estilo de Edith Wharton é um claro e luminoso meio de fazer as coisas surgirem precisas e de nos atingirem para lá do que realmente está escrito. Mas não deixará aqui de se ter isto por verdadeiro: que o mistério e a ameaça das areias infinitas, o calor envolvente, a ausência da passagem do tempo, o silêncio, a inacessibilidade — tudo se faz luminoso embora seja mais qualquer coisa do que isso; é algo que nos põe a cismar, nos assombra quando fica claro, e acaba por desembocar na precisão, atingindo-nos para lá do que o seu desenho revela.

[ Ellery Queen ]