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terça-feira, 21 de julho de 2020

Mare Aethiopicum I Paulo Quintas


Mare Aethiopicum
Paulo Quintas

Texto de Carlos Vidal
Design de António Lobo

ISBN 978-989-9006-34-8 | EAN 9789899006348

Edição: Junho de 2020
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 19,5 x 24,8 cm (brochado)
Número de páginas: 72 (a cores)

Com a GIEFARTE
Edição bilingue: português-inglês



O pintor faz a pintura que parece que se faz a si mesma. Faz com que ela se faça.


Este catálogo foi publicado por ocasião da exposição Mare Æthiopicum, de Paulo Quintas, realizada na Giefarte entre 7 de Março de 2020 e 6 de Junho 2020.


Depois da sua muito extensa e indispensável (heterodoxa!) antológica, Todos os Títulos estão Errados, na Cordoaria, Paulo Quintas expôs […] novos trabalhos que desenvolviam pressupostos de sempre; estes trabalhos, outros trabalhos, talvez todos um pouco mais do que pinturas, também espaços, geografias de imagens, «rotas marítimas» imprevisíveis ou descobertas; sintetizaria assim: há sempre muito pouco que ver, ou que «alimente» a visão, na pintura do autor. Digamos de outro modo, creio e estou mesmo certo de que só há um tema na pintura de Paulo Quintas: a amostragem ou revelação do seu processo. E, ao mesmo tempo, só há um tema não mostrado nem revelado nesta pintura: precisamente a exibição ou revelação do seu processo. […]
O pintor faz a pintura que parece que se faz a si mesma. Faz com que ela se faça. Logo, faz (um pouco de) tudo, e quanto mais simples é o processo menos a pintura se «faz» — e Paulo Quintas aprecia «fazer pouco» e escolher procedimentos básicos. Aliás, se a pintura se faz como a volta do «mar largo» o pintor não faz praticamente nada. Certo e errado. […]
O círculo, sem princípio nem fim, forma peculiar, portanto, faz esta pintura circular em torno de si mesma. E, no final, revela-se camada inédita, imprevisível. Mas um imprevisível escolhido entre muitos e muitas hipóteses. O pintor escolhe um tipo de imprevisibilidade. A escolha certa: escolher as modalidades da perda. Cada tela é uma «tela certa» com título «errado». É uma afirmação sólida e desfeita pela vontade do pintor. A matéria apaga-se. Fica a forma. Exacta. No final desaparece a hesitação. Nunca há hesitação.
[Carlos Vidal]

sábado, 31 de março de 2018

Todos os Títulos Estão Errados I Paulo Quintas


Todos os Títulos Estão Errados
Paulo Quintas

Textos de Isabel Carlos, Sara Antónia Matos, Rui Chafes

ISBN 978-989-8902-09-2 | EAN 9789898902092

Edição: Março de 2018
Preço: 26,42 euros | PVP: 28 euros
Formato: 20 x 25,4 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 224 (a cores)

Edição bilingue: português-inglês

[EGEAC, Documenta, Fundação Carmona e Costa]



Quintas tem vindo a construir uma obra assente na rarefacção da imagem, onde o «escavar» é tão importante como o colocar ou o acrescentar camadas, na incerteza  do destino da interpretação e num regresso ao gesto primeiro da pintura. 


Na pintura de Paulo Quintas […] não há figuração humana e a rarefacção da figura, em geral geométrica e abstracta, a dissolução ou erosão das formas nas superfícies pictóricas parecem ser marcas da sua obra — o que me leva a dizer que a pintura  de Paulo Quintas é tocada pela índole da morte e da anulação. Tudo nela é da ordem da erosão, tudo tende a desaparecer e como que a desfazer-se na superfície da tela, tudo nela remete para a dissolução espacial. 
[Sara Antónia Matos

A designação da exposição impôs-se, assim, com uma clareza tão luminosa quanto cortante: «Todos os títulos estão errados», ou poderíamos dizer o seu contrário, todos os títulos estão certos. A intenção é propositadamente instalar uma espécie de desconforto com as afirmações, as nomeações, as sínteses, as grandes definições e os sistemas fechados: «Gosto de dizer uma coisa e o seu contrário. Os fragmentos estão cheios de identidade» (PQ). 
[Isabel Carlos

Gosto desta pintura, porque é verdadeira e corajosa. É directa, vem de dentro, de uma urgência de a fazer para a poder ver feita. […] 
Esta é a pintura de quem gostaria de se enterrar e deixar de ser (a vida do artista é a cova que ele vai cavando com os pés até desaparecer por completo na terra, enquanto vai revelando ao Mundo as «verdades místicas»). É a Obra de alguém que sabe que o preço é altíssimo: de alguém que paga as coisas (e a vida) com a própria alma. 
[Rui Chafes]



Paulo Quintas nasceu na Ericeira, em 1966. Vive e trabalha em Santa Rita, Torres Vedras. Frequenta o curso de Doutoramento em Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2009); Pós-graduação em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2005); Licenciatura em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (1997). Participa em exposições individuais e colectivas, no país e no estrangeiro, desde 1990. Está representado nas seguintes colecções: BANIF MAIS, Lisboa, Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Lisboa; Fundação PLMJ, Lisboa; Culturgest - Caixa Geral de Depósitos, Lisboa; Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, Lisboa; ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações, Lisboa; Colecções privadas em Portugal, Espanha e Suíça.

«Tem vindo a desenvolver, desde o final da década de oitenta, um percurso artístico sólido e radicalmente individual, impermeável a modismos ou tendências diáfanas e talvez seja por isso que a sua obra não tem tido a visibilidade merecida.» [Isabel Carlos]