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quinta-feira, 13 de julho de 2023

De Natura

De Natura
Cristina Ataíde

Textos de Doris von Drathen, Maria Filomena Molder e Rui Chafes
Design gráfico de Beatriz Horta Correia

ISBN 978-989-568-102-0 | EAN 9789895681020

Edição: Junho de 2023
Preço: 20,75 euros | PVP: 22 euros
Formato: 17 × 24 cm (brochado)
Número de páginas: 176 (a cores)

Com o apoio da DGArtes e da Fundação Carmona e Costa

Edição bilingue: português-inglês


Doris von Drathen: «Ataíde conhece várias formas de jogar com a sua arte e a natureza: por um lado, encontra na natureza pedras, paus, torrões de argila onde reconhece esculturas a que dá visibilidade; por outro, pode pintar com o Riotinto, depois de lhe misturar pigmentos na sua corrente.»

 



Imaginei um encontro entre Bill Viola e Cristina Ataíde (inesperado será só para aqueles que não sabem esperar).

Primeira cena. Ele falaria daquilo que tem aprendido com os seus vídeos. «E o que é?» pergunta ela. Responde ele, «Que ultrapassa aquilo que é suficiente para continuar a fazê-los.» «E, então?» insiste ela. «É que o vídeo é só um instrumento...» Ela interrompe: «Para ver qualquer coisa sobre a vida e sobre ti próprio?» «É isso.»

Segunda cena. É ainda ele que começa: «Imagina o que descobri nas minhas leituras sobre o funcionamento do cérebro.» «Sim, é apaixonante e surpreendente», concorda ela, adiantando-se-lhe já. «É que,» continua ele, «todos os neurónios estão desligados uns dos outros, começando e terminando com um pequeníssimo quiasma de espaço vazio.» E ela comenta: «Qualquer coisa de imprevisível, não é? O nosso cérebro a ajudar-nos a abrir finíssimas brechas entre as nossas convicções, que se costumam agarrar umas às outras, formando uma pasta agreste.» «Sim», concorda ele, acrescentando: «Todos os nossos pensamentos têm no seu cerne esta pequena estampagem de nada.» Ela promete entusiasmada: «Vou já oferecer-te o meu óculo.»

[Maria Filomena Molder]

 

Querida Cristina

Os meses passaram, o sol brilhou e a chuva deixou-nos em silêncio, as viagens sucederam-se, também os trabalhos e as alegrias e as dores e as imagens que se evaporam no ar, à nossa frente… em todo este tempo o maravilhoso livrinho que me ofereceste não parou de me observar, de me esperar, de me acompanhar (sempre dentro de mim). O teu gesto, tão bonito e tão cheio de significado, deixou-me sem palavras, surpreso por existirem pessoas como tu que, neste mundo já tão pouco rigoroso, seguem o rigor cristalino do seu coração, assim, sem medo nem inquietação. Encontramo-nos poucas vezes mas tenho sempre a impressão de que nos acompanhamos há anos, na distância. Essa beleza não a quero perder! […]

Tens razão, tudo são trocas, entre nós, os homens que pensamos com a alma.

[Rui Chafes]

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Durante o Fim


Durante o Fim 
Rui Chafes 

Textos de Manuel Castro Caldas, Maria Nobre Franco, Rui Chafes, Aurora Garcia 
Fotografias de Alcino Gonçalves 

ISBN 978-989-8833-67-9 | EAN 9789898833679 

Edição: Outubro de 2021 
Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado) 
Número de páginas: 192 

Edição bilingue: português-inglês

Maria Nobre Franco: Durante o Fim é uma viagem interior feita de inquietações e ousadias. A travessia de um espaço mental acossado pelo mistério, pela perturbação e por uma estranha magia que envolve a condição humana, o destino. Não é isso determinante em Rui Chafes?» 



Este livro foi publicado pela primeira vez (Assírio & Alvim, Outubro 2000) por ocasião da exposição Durante o Fim, de Rui Chafes, com curadoria de Maria Nobre Franco, de 15 de Outubro de 2000 a 15 de Janeiro de 2001, em três espaços de Sintra: Palácio Nacional da Pena, Parque Histórico da Pena / Parque Natural de Sintra-Cascais e Sintra Museu de Arte Moderna. Esta edição (Documenta, Outubro 2021) foi publicada como homenagem a Maria Nobre Franco (Messejana, 1938 – Cascais, 2015), durante a exposição No Reino das Nuvens: os Artistas e a Invenção de Sintra, realizada entre Maio e Outubro de 2021, no Museu de Artes de Sintra (MU.SA). 

E já então eu sabia que vivemos porque outros vivem, só por isso. Porque o que me mostram passa a ser meu: é essa a crua generosidade desta vida desamparada. Um minúsculo olho gigantesco que tudo vê e no qual tudo se reflecte: quartos, portas, retratos pendurados na parede, janelas. Tudo reflectido na esfera de vidro desse olho que um dia me ofereceste, embrulhado em papel claro. Por sermos como pedras lançadas no ar que, eventualmente, um dia se encontrarão, sempre a tua voz me foi uma indizível dádiva. Contigo, por ti, por existires, o Mundo tornou-se maior, enorme. 
E quando morrermos, se morrermos, Deus não saberá o que fazer. Muito mais do que isto não temos. Mas é tanto. «Não, não chores, tu não», disseste, «tens os olhos claros e quem tem os olhos claros não pode chorar nunca». Todos acreditam que através dos olhos claros tudo se vê de forma mais clara. E era sobretudo quando não havia sol e a névoa cobria a floresta da montanha, que subias os penedos para chegar à estátua do Guerreiro, que também teria os olhos claros. É curioso que lhe chamem a Estátua do Gigante, ou do Parsifal, ou do Arquitecto, do Construtor. Aliás, que outra coisa se pode fazer neste mundo a não ser construir? Dizem-me. Construir como quem tenta dar um sentido à sua efémera passagem. Tão evidente, não é? 
[Rui Chafes]

sábado, 2 de novembro de 2019

Tudo É Outra Coisa I Rui Chafes



Tudo É Outra Coisa
Rui Chafes

Texto de Manuel de Freitas

ISBN 978-989-8902-94-8 | EAN 9789898902948

Edição: Outubro de 2019
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 13,5 x 20,5 cm (encadernado)
Número de páginas: 64

Com a Câmara Municipal de Almada

Edição bilingue: português-inglês




Manuel de Freitas: 
«Na sala de exposições, o Verão e o Inverno dialogam frontalmente, materializando-se (ou desafiando-se?) em duas estruturas ondulantes que se completam e que têm a nobreza firme de armaduras medievais.»

Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Tudo é Outra Coisa» de Rui Chafes, com curadoria de Filipa Oliveira, encomendada e produzida pela Câmara Municipal de Almada, a qual teve lugar no Convento dos Capuchos, entre 16 de Março a 19 de Outubro 2019.

[…] O que esta exposição me ensinou passa, seguramente, por uma funda noção de humildade e por um extremo respeito pelo espaço sagrado ou natural em que acontecem as esculturas de Rui Chafes. Senti-o noutras exposições, noutros espaços, por exemplo na igreja de São Cristóvão ou no Jardim da Sereia (onde o meu nome e o do Rui por acaso se cruzaram, muito antes de nos conhecermos).
Mas eu não acredito em acasos, para ser franco. Há cerca de dez anos, um amigo meu perguntou-me se queria ficar com o número de telemóvel do Rui. Disse-lhe que não; caso tivéssemos de nos conhecer, isso aconteceria naturalmente, sem que nenhum de nós procurasse o outro. Assim foi.
Assim, creio, terá acontecido sempre nesta terra gasta, onde tantas vezes os nossos verdadeiros contemporâneos morreram há muito — mas revivem em nós através de gestos, palavras, sílabas de metal, silêncios.

*

Temos pouco tempo, como é sabido. O mais provável é que eu nunca mais regresse ao Convento dos Capuchos da Caparica. Foi um dia de sol. E seria uma redundância dizer que foi um dia irrepetível ou inolvidável, embora isso em nada faltasse à verdade. Também a verdade é uma coisa extremamente frágil.
Vê-se, mas talvez não se possa provar. Tal como não se pode cientificamente demonstrar que a luz atravessa o ferro (mas atravessa) ou que só havia mar e árvores à espera do nosso olhar, enquanto o ferro cantava. Mas foi assim, este dia.
[Manuel de Freitas]

sábado, 31 de março de 2018

Todos os Títulos Estão Errados I Paulo Quintas


Todos os Títulos Estão Errados
Paulo Quintas

Textos de Isabel Carlos, Sara Antónia Matos, Rui Chafes

ISBN 978-989-8902-09-2 | EAN 9789898902092

Edição: Março de 2018
Preço: 26,42 euros | PVP: 28 euros
Formato: 20 x 25,4 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 224 (a cores)

Edição bilingue: português-inglês

[EGEAC, Documenta, Fundação Carmona e Costa]



Quintas tem vindo a construir uma obra assente na rarefacção da imagem, onde o «escavar» é tão importante como o colocar ou o acrescentar camadas, na incerteza  do destino da interpretação e num regresso ao gesto primeiro da pintura. 


Na pintura de Paulo Quintas […] não há figuração humana e a rarefacção da figura, em geral geométrica e abstracta, a dissolução ou erosão das formas nas superfícies pictóricas parecem ser marcas da sua obra — o que me leva a dizer que a pintura  de Paulo Quintas é tocada pela índole da morte e da anulação. Tudo nela é da ordem da erosão, tudo tende a desaparecer e como que a desfazer-se na superfície da tela, tudo nela remete para a dissolução espacial. 
[Sara Antónia Matos

A designação da exposição impôs-se, assim, com uma clareza tão luminosa quanto cortante: «Todos os títulos estão errados», ou poderíamos dizer o seu contrário, todos os títulos estão certos. A intenção é propositadamente instalar uma espécie de desconforto com as afirmações, as nomeações, as sínteses, as grandes definições e os sistemas fechados: «Gosto de dizer uma coisa e o seu contrário. Os fragmentos estão cheios de identidade» (PQ). 
[Isabel Carlos

Gosto desta pintura, porque é verdadeira e corajosa. É directa, vem de dentro, de uma urgência de a fazer para a poder ver feita. […] 
Esta é a pintura de quem gostaria de se enterrar e deixar de ser (a vida do artista é a cova que ele vai cavando com os pés até desaparecer por completo na terra, enquanto vai revelando ao Mundo as «verdades místicas»). É a Obra de alguém que sabe que o preço é altíssimo: de alguém que paga as coisas (e a vida) com a própria alma. 
[Rui Chafes]



Paulo Quintas nasceu na Ericeira, em 1966. Vive e trabalha em Santa Rita, Torres Vedras. Frequenta o curso de Doutoramento em Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2009); Pós-graduação em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2005); Licenciatura em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (1997). Participa em exposições individuais e colectivas, no país e no estrangeiro, desde 1990. Está representado nas seguintes colecções: BANIF MAIS, Lisboa, Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Lisboa; Fundação PLMJ, Lisboa; Culturgest - Caixa Geral de Depósitos, Lisboa; Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, Lisboa; ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações, Lisboa; Colecções privadas em Portugal, Espanha e Suíça.

«Tem vindo a desenvolver, desde o final da década de oitenta, um percurso artístico sólido e radicalmente individual, impermeável a modismos ou tendências diáfanas e talvez seja por isso que a sua obra não tem tido a visibilidade merecida.» [Isabel Carlos]

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

sábado, 9 de setembro de 2017

quarta-feira, 19 de julho de 2017

LER+ Plano Nacional de Leitura 2017


Livros Sistema Solar, Documenta e BI 
no LER+ Plano Nacional de Leitura 2017


clicar nas imagens das capas para aceder a mais informação em www.sistemasolar.pt

Ensino Secundário (sugestão de leitura)

Ensino Secundário (sugestão de leitura)

Ensino Secundário (sugestão de leitura)

Ensino Secundário (sugestão de leitura)

3º Ciclo (leitura autónoma)

 Formação de adultos (sugestão de leitura)

Formação de adultos (sugestão de leitura)

Formação de adultos (sugestão de leitura)


Ensino Secundário (sugestão de leitura)


9º Ano (leitura orientada na sala de aula)



quinta-feira, 10 de março de 2016

Rui Chafes: Sob a Pele - conversas com Sara Antónia Matos


Rui Chafes: Sob a Pele
conversas com Sara Antónia Matos
Rui Chafes, Sara Antónia Matos

Apresentação de Sara Antónia Matos

ISBN: 978-989-8833-00-6

Edição: Fevereiro de 2016

Preço: euros 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 12 x 17 cm [brochado]
Número de páginas: 192

[ Em colaboração com o Atelier-Museu Júlio Pomar ]


«[…] No nosso mundo actual, tudo é horizontal, tudo está ao mesmo nível e tem o mesmo valor. Os valores são todos iguais, não há hierarquias, os conhecimentos não são transmitidos dos mais velhos para os mais novos: as pessoas não olham para cima, olham para o lado, logo, nunca aprendem, só copiam.
Interessa-me mais uma ética samurai, corajosa e vertical, determinada, radical, consequente até ao fim. Gosto de pessoas (e de artistas) verticais, que pensam e agem desta maneira. Talvez esteja a falar dos últimos samurais.»

«A palavra pode ter um poder conciliador ou mortal, um poder redentor ou destrutivo. Uma palavra pode salvar uma pessoa ou aniquilá-la. Todos nós já tivemos experiências dessas, momentos em que alguém nos disse alguma coisa que nos levantou ou, pelo contrário, arruinou. “Diz uma só palavra e seremos salvos…”».

«Eu acredito que nada que um artista diga tem demasiada importância face à sua obra, a obra deve valer por si. Ela fala e transporta uma voz mais poderosa do que as suas pobres palavras. Só a obra tem uma linguagem auto-suficiente, própria, interna, o resto surge como acessório. O que não significa que não haja um complemento indispensável à obra que passa pelo discurso e pela tentativa de produção de pensamento. Não é só o objecto que conta, é importante que exista um corpo de ideias e um discurso por detrás, a acompanhar, a sustentar ou a fundamentar a obra, e que a torne diferente dos outros objectos e artefactos comuns.» [Rui Chafes]


Rui Chafes nasceu em Lisboa, em 1966. Formou-se em Escultura na ESBAL, em 1989, seguindo depois para Dusseldórfia, onde frequentou a Kunstakademie, sob a direcção do artista alemão Gerhard Merz. Expôs pela primeira vez individualmente em Lisboa (1986) numa exposição intitulada Pássaro Ofendido. Sonho e Morte, Centro Cultural de Belém, Lisboa (1993). Würzburg Bolton Landing (CAM/FCG), Lisboa (1995) e Durante o Fim, Sintra Museu de Arte Moderna, Palácio Nacional da Pena, Sintra (2000), são algumas das suas exposições mais importantes. Publicou vários livros (Würzburg Bolton Landing, Durante o Fim, O Silêncio de…), escolheu e traduziu Fragmentos de Novalis. Vencedor do Prémio Pessoa 2015.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Júlio Pomar e Rui Chafes: Desenhar


Júlio Pomar e Rui Chafes: Desenhar
Júlio Pomar, Rui Chafes

Textos de Sara Antónia Matos, João Barrento, Maria João Mayer Branco

ISBN: 978-989-8618-98-6

Edição: Janeiro de 2016

Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros
Formato: 17 × 21 cm [brochado, com sobrecapa]
Número de páginas: 192 (com imagens a cores)

Edição bilingue: português-inglês

[ Em colaboração com o Atelier-Museu Júlio Pomar ]

Catálogo publicado por ocasião da exposição «Júlio Pomar e Rui Chafes: Desenhar», realizada no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, de 8 de Outubro de 2015 a 21 de Fevereiro de 2016.

«Júlio Pomar e Rui Chafes: Desenhar» dá início a um programa de exposições do Atelier-Museu que procura cruzar a obra de Júlio Pomar com a de outros artistas, de modo a estabelecer novas relações entre a obra do pintor e a contemporaneidade.

A exposição foi pensada, desde a sua génese, como uma intervenção específica no espaço do Atelier-Museu, onde Júlio Pomar [Lisboa, 1926] e Rui Chafes [Lisboa, 1966] desenham recorrendo às qualidades dos traços negros, esboçados ora em linhas de carvão e grafite ora em linhas de ferro tridimensionais, assim investindo sobre uma ideia particular de «desenho» que toma corpo no espaço.

Sendo a exposição pensada como um desenho que ocupa todo o Atelier-Museu, transformando-se o espaço do museu no suporte dessa disciplina, isso envolve questões disciplinares, nomeadamente a de pensar o desenho no campo da espacialidade, e a permeabilidade da obra pelo espectador, que nela penetra ao entrar no espaço. [Sara Antónia Matos]

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Exúvia, Gelo e Morte – A arte de Rui Chafes depois do fim da arte I Luís Quintais


Exúvia, Gelo e Morte – A arte de Rui Chafes depois do fim da arte
Luís Quintais

ISBN: 978-989-8566-93-5

Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado)
Número de páginas: 120

Edição bilingue: português-inglês

[Em colaboração com a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão (Ala da Frente)]

Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Exúvia», de Rui Chafes, com curadoria de António Gonçalves, em colaboração com a Galeria Filomena Soares, realizada na Galeria Ala da Frente, em Vila Nova de Famalicão, de 17 de Outubro de 2015 a 23 de Janeiro de 2016.

Uma medida de melancolia ou uma hipótese elegíaca torna-se manifesta. O trabalho de Rui Chafes adquire tonalidades que o colocam do lado de uma certa consciência de que vivemos num mundo onde a beleza é um dilaceramento, uma contemplação do gelo, um confronto com uma inscrição violenta e ilegível que percorre a pele da terra, da Natureza, do rosto de humanos nas grandes metrópoles do abandono […]. [Luís Quintais]

terça-feira, 5 de maio de 2015

Oracular Spectacular: Desenho e animismo I Daniel Barroca, Rui Chafes, Alexandre Conefrey, Mattia Denisse, Otelo Fabião, Jorge Feijão, Rui Moreira, Pedro A.H. Paixão, Gonçalo Pena, António Poppe, Paulo Serra, Thierry Simões


Oracular Spectacular: Desenho e animismo
Vários autores

Edição bilingue – português/inglês

ISBN: 978-989-8618-62-7

Edição: Abril de 2015

Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 16 × 24 cm
Número de páginas: 264 (a preto e branco e a cores)

[ Co-edição: A Oficina, CIPRL ]

Catálogo publicado por ocasião da exposição «Oracular Spectacular: Desenho e animismo», de Daniel Barroca, Rui Chafes, Alexandre Conefrey, Mattia Denisse, Otelo Fabião, Jorge Feijão, Rui Moreira, Pedro A.H. Paixão, Gonçalo Pena, António Poppe, Paulo Serra, Thierry Simões [24 de Janeiro 2015 – 5 de Abril 2015, na Plataforma das Artes e da Criatividade / CIAJG, Guimarães], produzida pelo Centro Internacional das Artes José de Guimarães.

Reenviando para o título da exposição, familiar a um alargado conjunto de pessoas por ser o título de um álbum de uma conhecida banda de música pop, mas de certa forma misterioso na formulação e na terminologia, procuramos relevar o cariz ou a natureza propiciatória, divinatória do desenho, que é tributário, por um lado, da rapidez, leveza e intuição, capacidades aliadas ao inconsciente, e, por outro lado, da minúcia, qualidade de pormenorização e de ordenação que, indiscutivelmente, possibilita. Assim, o desafio foi de revelar o modo particular como, num conjunto amplo de uni-versos artísticos, se processa, se formula o momento antes de mostrar, antes de fixar a forma ou a figura. No fundo, fazer aceder o espectador ao círculo que delimita o território interdito do ritual, o espaço do sagrado e do segredo do fazer artístico do qual o desenho participa. Oracular Spectacular convoca e faz conviver aparições, fantasmas, esconjurações, ocultações, camadas temporais e semânticas, corpos sem forma e formas sem corpo, cantos, orações e meditações, o ar e a terra, entidades humanas, vegetais e animais, num mesmo plano de significação. [Nuno Faria]

O desenho provém das zonas mais íntimas e luminosas de um artista, aquelas que o acompanham sempre e das quais ele não poderá fugir nunca. O desenho é uma linha contínua, permanente em toda a caminhada que um artista faz através do Mundo. É uma escrita de fogo, frágil e irredutível ao mesmo tempo. Para qualquer artista, é a linha mais curta entre a cabeça e a mão, entre o coração e a alma: é, sem dúvida, o trabalho mais íntimo de um artista. São estas frágeis linhas que são capazes de instaurar as mais profundas sombras neste mesmo Mundo. [Rui Chafes]

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Luz e trevas são a mesma coisa...


«Luz e trevas são a mesma coisa, em ambas reside a mesma energia. Quem possui ouro no seu âmago tem de aprender a trabalhar com ele, para que as outras pessoas consigam ver que, por trás da aparente escuridão, existe um ser de luz, um ser luminoso. A luz vem das trevas, pois é aí que nasce a luz.» 

Rui Chafes, «O perfume das buganvílias», Entre o Céu e a Terra.

sábado, 17 de novembro de 2012

«Entre a Terra e o Céu», de Rui Chafes


Entre o Céu e a Terra
Rui Chafes


ISBN: 978-989-97719-6-3

Edição: Outubro 2012

Preço: 9,43 euros | PVP: 10 euros

Formato: 17×21 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 64 (com reproduções)

«Luz e trevas são a mesma coisa, em ambas reside a mesma energia. Quem possui ouro no seu âmago tem de aprender a trabalhar com ele, para que as outras pessoas consigam ver que, por trás da aparente escuridão, existe um ser de luz, um ser luminoso. A luz vem das trevas, pois é aí que nasce a luz.»


Rui Chafes, «O perfume das buganvílias», Entre o Céu e a Terra

«Reunindo a autobiografia do escultor (tão exacta quanto a memória o permite) e o registo de uma sua conferência, Entre o Céu e a Terra testemunha uma posição no mundo e, ao mesmo tempo, a dificuldade de resistir, sem nunca desistir.
Também a resistência poética que uma obra oferece, inclusivamente ao seu próprio autor, é a medida da sua qualidade. Uma obra de arte exige trabalho e esforço do público, não pode ser apenas mais um sedutor espectáculo para preguiçosos. Ela não deve menosprezar o espectador, tem de o ajudar a defender a sua dignidade nesta era de massificação, banalização, frivolidade, superficialidade, efemeridade mediática, consumismo desenfreado e sensacionalismo que espelham a vacuidade dos desígnios desta civilização do espectáculo que nos habituámos a aceitar com passiva indiferença.
Na esterilidade deste vazio, não se pode desistir de procurar a beleza e a verdade. Há que densificar o trabalho, para que possa existir espírito e pensamento. Será necessário instaurar pontos ásperos, baços, rugosos, e foscos num mundo escorregadio, brilhante e digital.» [Contracapa]