terça-feira, 20 de setembro de 2016

Decorativo, Apenas? – Júlio Pomar e a integração das artes



Decorativo, Apenas? – Júlio Pomar e a integração das artes
Júlio Pomar

Textos de Sara Antónia Matos, Catarina Rosendo, Júlio Pomar

ISBN: 978-989-8834-31-7

Edição: Julho de 2016

Preço: 23,58 euros | PVP: 25 euros
Formato: 17 × 21 cm [brochado]
Número de páginas: 276

[Em colaboração com os Cadernos do Atelier-Museu Júlio Pomar]


Catálogo publicado por ocasião da exposição «Decorativo, Apenas? – Júlio Pomar e a integração das artes», realizada no Atelier-Museu Júlio Pomar, com curadoria de Catarina Rosendo, de 5 de Maio de 2015 a 8 de Setembro de 2016.

– «Um motivo decorativo, apenas…»
– Não é verdade que isto se ouve muitas vezes? Ora na boca de um arquitecto, ao solicitar a colaboração do pintor ou do escultor, ora na de um destes; ou com um arzinho escondido de desculpa, ou com as maviosidades do cigano que impinge burro velho. De passagem se diga que é possível também ouvi-lo dito com inocência, dado que a inocência em matéria de arte é muito mais corrente do que se pinta.
De passo em falso a passo em falso, tem-se consolidado uma concepção empobrecida do decorativo. Cortaram-se à garçonne as tranças de estafe: fazer «moderno» passou a ser pôr 10 onde dantes se punha 100, e usar à vontade de uns tantos cosméticos, sem cuidar primeiro de lavar a cara.
Quantas santas almas puderam assim encontrar o descanso!
E deste modo, «decorativo» foi significando arrebique, boneco de estampar, farfalhice obrigatoriamente inexpressiva.
[…]
Eu creio que, entre nós, se tem empurrado a obra decorativa, voluntária ou involuntariamente, para a categoria de Parque Mayer das artes. À parte raras tentativas honestas, que vemos? Um coro mal afinado em que se juntam o conformismo, o delicodoce, as soluções mil vezes gastas. O que faz com que tantos vão interpretando o decorativo como uma espécie de doença vergonhosa, e não, afinal, como a expressão, de todas a mais viva, da arte do nosso tempo. [Júlio Pomar]

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