quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Hospital Miguel Bombarda — 1968 I José Fontes


Hospital Miguel Bombarda — 1968
José Fontes

Textos e organização de António Fernando Cascais e Margarida Medeiros

ISBN: 978-989-8618-39-9

Edição: Outubro de 2016

Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 23,5 x 22,5 cm [brochado]
Número de páginas: 156


[Livro com apoio no âmbito do Projecto Cultura Visual da Medicina]

Quando o médico José Fontes fez a sua colecção de fotografias da vida quotidiana do Hospital Miguel Bombarda no final da década de sessenta, a corrente institucionalizadora dos doentes mentais continuava a prevalecer e, em alguns países, ainda se registaram nessa época picos históricos de internamento. Embora as correntes antipsiquiátricas fortemente críticas da institucionalização começassem a fazer-se ouvir e o recurso aos psicofármacos se começasse a generalizar, potenciando uma antiga tendência despsiquiatrizadora que hoje se sabe ter sempre acompanhado afinal a própria teoria e prática psiquiátrica, não era então nada certo que as já perceptíveis mudanças nas concepções de prestação de cuidados de saúde mental fossem de molde a levar à completa obsolescência, e consequente desaparecimento, do hospital-asilo de que o Miguel Bombarda constituía ao mesmo tempo um símbolo e uma eminente realização material.
Significa isto que as imagens fotográficas de José Fontes ignoram, porque não lhes seria dado saber no momento de serem feitas, tanto o destino iminente daquilo que registavam, como o seu próprio valor enquanto documento que o passar do tempo multiplicaria de forma exponencial, até se tornarem no património absolutamente precioso que doravante são. [António Fernando Cascais]


José Fontes [Abrantes, 1940] iniciou a frequência do Curso de Medicina em Lisboa. Foi membro da Comissão Pró-Associação de Estudantes e aí fundou a Secção de Intercâmbio e Turismo. Continuou a frequência do Curso de Medicina em Coimbra e nesse período, conjuntamente com António Portugal, fundou a Secção Fotográfica da Associação Académica de Coimbra. Organizou cursos de fotografia conjuntamente com outros médicos e professores ilustres. Voltou a frequentar a Faculdade de Medicina de Lisboa, onde dirigiu o departamento fotográfico (primeiro como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e depois como bolseiro do Instituto de Alta Cultura). No Instituto de Anatomia montou um serviço de radiologia e um departamento de microangiografia para apoio a doutorandos e outros investigadores. Paralelamente, como associado do Foto Club 6 x 6 (membro do International Federation of Fotografic Art — FIAP), fez parte do seu Conselho Artístico e participou em concursos nacionais e internacionais, tendo igualmente efectuado exposições individuais.

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