quinta-feira, 16 de maio de 2019

Frutos e Ossos I Pedro Valdez Cardoso


Frutos e Ossos

Pedro Valdez Cardoso

Texto de Katherine Sirois

ISBN 978-989-8902-75-7 | EAN 9789898902757

Edição: Abril de 2019
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 21 x 28 cm (brochado)
Número de páginas: 80 (a cores)

Edição bilingue: português-inglês




Sem que lhe falte a meditação melancólica sobre a finitude humana, a extinção e as ruínas, a instalação «Frutos e Ossos» será talvez uma forma indirecta de reflectir sobre a possibilidade de imaginar de novo e de actualizar a esperança e a capacidade de agir no nosso próprio tempo.


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Frutos e Ossos», realizada na Galeria águas livres 8, em Lisboa, de 11 de Abril a 11 de Maio de 2019.


A presente instalação consiste numa constelação de vários grupos de peças que representam formas orgânicas, naturais e de criação humana — frutos, legumes, vários objectos de uso quotidiano como garrafas, talheres e pratos, e também ossos humanos e de animais. A natureza familiar e muitas vezes botânica dos objectos que compõem a instalação insere-a na tradição pictórica de cenas de mercado e interiores de cozinha, especialmente populares nos Países Baixos durante o século XVII. […] Estas cenas, que geralmente procuravam representar riqueza e abundância ou os meses do ano e o ciclo das estações (e da vida), incorporavam igualmente sugestões eróticas, evocando a fertilidade e certas partes do corpo humano. […]
A representação escultural dos frutos feita por Valdez Cardoso não possui a sensualidade voluptuosa das representações do passado. De facto, tanto o processo da corrupção como o potencial regenerativo que pairava por trás da ameaça da putrefacção desapareceram por completo. […]
Sem que lhe falte a meditação melancólica sobre a finitude humana, a extinção e as ruínas, a instalação «Frutos e Ossos» será talvez uma forma indirecta de reflectir sobre a possibilidade de imaginar de novo e de actualizar a esperança e a capacidade de agir no nosso próprio tempo. Logo, pareceria um convite a repensar e alterar activamente as nossas opções globais enquanto colectivo humano. Em vez de cultivarmos uma ética de desprendimento, como habitualmente defende a antiga disciplina ascética do memento mori, somos antes de mais nada encorajados a renovar o nosso olhar e a respirar outra vez a vida, revigorando a vibrante policromia da sensualidade, convivência e voluptuosidade nas nossas existências interligadas. Estamos certamente a lidar aqui com uma espécie de memento vivere.
[Katherine Sirois]

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