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quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Partida do Fim

 

Partida do Fim
Diogo Bolota


Textos de Ana Anacleto, Eva Mendes e Diogo Bolota
Fotografia de Maria Leonardo Cabrita
Tradução de José Gabriel Flores

ISBN 978-989-568-101-3 | EAN 9789895681013

Edição: Outubro de 2023
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 17 × 22 cm (brochado)
Número de páginas: 102 (a cores)

Edição bilingue: português-inglês
Com a Giefarte



Mudamos o contexto (como sugere Wittgenstein) e mudamos o sentido: uma «partida» pode afinal ser também isso mesmo: uma armadilha.




Este livro foi publicado por ocasião da exposição Partida do Fim, de Diogo Bolota, com curadoria de Ana Anacleto, realizada na Giefarte, de 14 de Abril a 9 de Junho de 2023.

 

Assumindo uma continuidade processual — que tem vindo a ser revelada nos contextos expositivos que tem integrado —, um manifesto interesse pela linguagem, pelos processos interpretativos, pela circularidade e pela dinâmica do jogo enquanto metáfora da vida e da própria condição humana, o artista propõe-nos a criação de um ambiente imersivo, detalhadamente pensado para a edificação de uma espécie de armadilha interpretativa. A presença e cuidada distribuição das obras no espaço, a sua envolvente, a escala e os seus aspectos materiais e formais ajudam a construir um universo de combinatória e estratégia que em muito favorece a instauração de um lugar de questionamento e de especulação.

Há uma secura, uma espécie de clareza formal seca que atravessa toda a exposição e que — como é aliás característico no seu trabalho — constitui uma extraordinária matriz para a concentração de uma temperatura psicológica tensa. Um estado de suspensão psicológica, que é criado pela presença das várias imagens de bolas de bilhar que parecem flutuar sobre fundos negros profundos (e sabemos o quanto o bilhar é um jogo que concilia aspectos de perícia e execução, com estratégia e azar, e o quanto o campo especulativo é, por inerência, o seu território privilegiado de actuação).

Encontramo-nos no território do jogo (desportivo ou recreativo, justo ou manipulado, vivido ou performatizado) onde a relação entre as regras e o livre-arbítrio se estabelece em permanente tensão, e onde a manifestação dos estados emocionais e psicológicos promove uma inevitável aproximação à vida.

[Ana Anacleto]

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Floresta


Floresta
Ana Izabel Miranda Rodrigues


Texto de Maria Filomena Molder
Fotografia de António Jorge Silva
Tradução de José Gabriel Flores

ISBN 978-989-568-070-2 | EAN 9789895680702

Edição: Novembro de 2022
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 17 × 22 cm (brochado)
Número de páginas: 96

Com a Giefarte

Edição bilingue: português-inglês


Maria Filomena Molder: «A floresta é um lugar onde se vai saindo para fora da vida em comum, onde se entra para conhecer os perigos de se perder. […] Não se avistando ninguém nestas florestas, sente-se que anda por lá alguém, isto é, as florestas são domicílios da mais secreta expectativa […].»


 
Este livro foi publicado por ocasião da exposição Floresta, de Ana Izabel Miranda Rodrigues, realizada na Giefarte, em Lisboa, de 19 de Novembro de 2022 a 14 de Janeiro de 2023.


 
Aprendi com Kleist que não há mal absoluto (o que não afecta o conceito de mal radical nem a sua versão arendtiana de «banalidade do mal»), quase equivalente a «Deus escreve direito por linhas tortas» ou a uma concepção cósmica do mal. Bem, cósmico é capaz de ser exagerado, talvez seja suficiente subir ao pico de um monte (e não é preciso que seja nos Himalaias). Vemos então que os atrasos e os adiamentos da exposição da Ana Izabel (desde 2019), que pareciam tão irritantes e desmoralizadores, acabaram por se mostrar favoráveis, propícios. A artista mudou tudo, a primeira leva de desenhos de jardins a tinta-da-china (caneta) sobre papel foi despachada para lugar protegido e, em vez deles, apareceram vinte desenhos em papel de arroz pincelado a tinta-da-china diluída em água e três dezenas de pequenas esculturas, moldadas em terra, que espontaneamente foram baptizadas como Orelhas. E são. Agora fazem parte de um conjunto chamado Nuit. Os desenhos chamam-se Floresta.
[…]
Não será por acaso que Ana Izabel Miranda Rodrigues começou por preparar a exposição para a Giefarte com uma série de desenhos de jardins, e depois os substituiu pela série das florestas. Continuamos no reino elementar (as plantas alimentam-se directamente de luz e de ar, a água e a terra penetram nelas através dos seus órgãos), em que o desejo sossega e as angústias do tempo tendem a apaziguar-se, isto é, o encontro consigo mesma aprofunda-se. Aí o ouvido nocturno põe-se alerta e dispõe-se a escutar.
[Maria Filomena Molder]

quarta-feira, 23 de março de 2022

A Vida na Terra

A Vida na Terra 
Pedro Valdez Cardoso 

Textos de Sérgio Fazenda Rodrigues, Ana Anacleto, Sandra Vieira Jürgens, Nuno Faria e João Pinharanda 
Tradução de José Gabriel Flores 

ISBN 978-989-8833-84-6 | EAN 9789898833846 

Edição: Março de 2022 
Preço: 28,30 euros | PVP: 30 euros 
Formato: 20,5 × 30 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 280 (a cores) 

Com o apoio da Fundação Carmona e Costa e dgARTES 

Edição bilingue: português-inglês


Sérgio Fazenda Rodrigues: «[…] o trabalho de Pedro Valdez Cardoso inquire os protocolos do poder, num recorte que vai do indivíduo à sociedade, e do passado à contemporaneidade.» 



O que realmente interessa a PVC é aquilo que está nas entrelinhas, o que não se lê ou diz mas é demasiado perceptível. Interessam-lhe os mecanismos de controlo, as relações de poder, a subjugação permanente, ainda que subversiva, do outro. 
O efeito de paralaxe em que frequentemente vivem as suas peças é a pedra-de-toque de um discurso que se constrói sobre uma lógica de intervalo, de lacuna e de antecipação — o pré-conceito como dispositivo. Interessa-lhe, basicamente, a forma de contar, a história e os elementos no seu interior, por esta ordem. 
O que parece estar sempre em cena, ou em causa, é o corpo, em rigor o único barómetro mensurável, o único lugar comum e último reduto da individualidade e da diferença — o lugar de todas as formas de dominação. A natureza, a animalidade, a caça, a guerra, são, finalmente, formas de (des)figuração de um medo original, de uma dobra escondida: o outro em nós. Porque, afinal, «o inferno são os outros». 
[Nuno Faria] 

Encontrarmo-nos perante uma obra de Pedro Valdez Cardoso é permitirmo-nos responder ao desafio do cruzamento e da dissolução, conscientes de que, dos vários processos de justaposição que vai promovendo na dinâmica construtiva própria do seu trabalho podem resultar momentos de maravilhamento que carregam sempre um peso, lembrando-nos que por detrás de uma máscara está sempre um rosto que é ele próprio, simultaneamente, sempre uma máscara. 
[Ana Anacleto] 

Degelo

Degelo 
Inez Teixeira 

Edição e apresentação de Nuno Faria 
Tradução de José Gabriel Flores 

ISBN 978-989-568-009-2 | EAN 9789895680092 

Edição: Fevereiro de 2022 
Preço: 24,52 euros | PVP: 26 euros 
Formato: 22 × 31 cm (encadernado) 
Número de páginas: 192 (a cores) 

Com a Fundação Carmona e Costa 

Edição bilingue: português-inglês


Nuno Faria: «[…] o desenho não é aqui um espaço de representação, mas de revelação; uma forma de conduzir forças interiores que, misteriosamente, nos pertencem e transcendem.» 


Este livro foi publicado por ocasião da exposição «DEGELO — Desenho 1989-2021», de Inez Teixeira, com curadoria de Nuno Faria, realizada na Fundação Carmona e Costa, de 19 de Fevereiro a 21 de Maio de 2022. 



A produção em desenho de Inez Teixeira tem permanecido na sombra de um percurso cuja face visível e reconhecível é a pintura. E é, eloquentemente, da sombra que este amplo, diverso e desconcertante conjunto de desenhos desponta para revelar uma particular sensibilidade à emergência da imagem como negativo, decalque, vestígio. 
Desenho, desenhar, entendidos em sentido amplo, como campo de imanência e de experiência sensível do mundo. A prática do desenho não tanto como exercício autoral mas como indagação interior, como campo de possibilidades, como ritual meditativo. 
O conjunto de desenhos reunidos na exposição «Degelo», realizados durante um extenso período de tempo, inédito na sua quase integralidade, revela um programa de pesquisa livre de constrangimentos formais e um entendimento do desenho como prática processual e experiencial. 
Da exposição (e deste livro) constam cerca de uma centena de desenhos, sobretudo organizados em séries, pontuadas por surpreendentes excepções, e um singular conjunto de pequenas esculturas em que a artista integra pedras encontradas no espaço natural. 
A pedra, elemento geológico, que remete para um fazer da terra — aquém, portanto, do exercício artístico — é, pois, o elemento transitivo desta experiência em que se constitui não somente a prática do desenho, mas também o conjunto de aflorações presentes nesta exposição. 
[Nuno Faria]

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Linha Funda / Deep Line | Nuno Sousa Vieira

 

Linha Funda / Deep Line 

Nuno Sousa Vieira 

Textos de Sérgio Fazenda Rodrigues e Nuno Sousa Vieira 
Traduções de José Gabriel Flores 
Design de Vera Velez 

ISBN 978-989-9006-48-5 | EAN 9789899006485 

Edição: Outubro de 2020 
Preço: 20,75 euros | PVP: 22 euros 
Formato: 20,5 × 26,3 cm (encadernado, com tecido) 
Número de páginas: 144 (a cores) 

Com o apoio da Fundação Carmona e Costa 

Edição bilingue: português-inglês


Nuno Sousa Vieira: 
«Não me lembro da primeira vez que olhei para o céu e muito provavelmente não me irei lembrar da última. Estarei, nesta altura, algures no intervalo entre ambas, procurando encontrar uma nova postura para inscrever uma outra tomada de vista.»


Nuno Sousa Vieira desenvolve o seu trabalho em torno da presença e da percepção do objecto artístico, ancorando-se nas práticas do desenho, da escultura e da instalação. Numa lógica que inclui registo gráfico, objecto e espaço, o artista questiona a natureza e a leitura da obra para reflectir sobre os lugares da sua produção e legitimação. Debatendo a importância do estúdio, a noção de site-specific e a expressão do local de exposição, Sousa Vieira indaga modelos e formatos de trabalho, focando-se nos modos de funcionamento do sistema que os enquadra. 
A importância do que motiva a produção e a relevância do contexto ou dos locais onde esta ocorre, se apreende e valida, informam uma reflexão sobre o modo como a obra surge, se activa e manifesta. Esta reflexão aparece frequentemente associada a uma dimensão performativa que é dada pela acção do artista, quando este manipula e altera os objectos e a exposição, mas também pela posição do espectador que a isso reage. 
[Sérgio Fazenda Rodrigues] 

Tenho vindo a aperceber-me de que para o meu trabalho «ver» é sempre extremamente importante. Interessa-me ir percebendo e entendendo as implicações do ver, ou melhor, ir tomando consciência das deformações inerentes ao acto de ver. Ver é uma acção que, por princípio, «desfigura». E se, por um lado, a nossa visão em perspectiva é prova cabal dessa circunstância, por outro esse acontecimento é corroborado pela física quântica, que comprova que as partículas de um objecto são estimuladas pelas ondas que os movimentos oculares produzem. 
[Nuno Sousa Vieira] 

Nuno Sousa Vieira (Leiria, 1971), doutorado em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, é docente no Instituto Politécnico de Tomar desde 2004 e professor convidado na área da Instalação da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa desde 2010.

Vaivém | Bruno Pacheco

 


Vaivém 

Bruno Pacheco


Texto de Bruno Marchand 
Design de Maria João Macedo 
Traduções de José Gabriel Flores 

ISBN 978-989-9006-17-1 | EAN 9789899006171 

Edição: Outubro de 2020 
Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros 
Formato: 16,5 × 24 cm (encadernado, com tecido) 
Número de páginas: 124 (a cores) 

Com a EGEAC e a Fundação Carmona e Costa 

Edição bilingue: português-inglês



Apresentar pinturas dispostas e sequenciadas nas páginas de livros significa aproximar deliberadamente a experiência pictórica da experiência da leitura.



Contas feitas ao conjunto de obras presentes em Vaivém, o número de combinatórias que esta profusão de relações e de vizinhanças viabilizava situava-se na ordem dos largos milhares. Tal dado não é de somenos importância: de entre todas as suas exposições, esta é aquela em que Bruno Pacheco mais explora o potencial narrativo que a maioria das apresentações públicas (suas ou de outros artistas, em pintura ou noutros media) contém. A presença do livro e a sua íntima relação com a experiência da narrativa, a possibilidade de folhear os volumes e alterar a face visível da exposição, a multiplicidade de obras em presença no mesmo plano e abarcáveis pelo mesmo golpe de olhar, os títulos de cada volume e até a recorrência de algumas imagens (que apareciam em versões distintas em mais do que um livro) eram todos eles elementos que concorriam para o estabelecimento de um contexto posto ao serviço, não propriamente da desorganização da experiência expositiva, mas da sua autonomização. E embora Bruno Pacheco não tenha abdicado de exercer a sua influência através das escolhas que plasmou na organização interna de cada livro, é indiscutível que tudo o que daí em diante projectou teve como objectivo criar condições para reduzir ao mínimo a incidência de qualquer operação de ordem curatorial ou institucional, deixando nas mãos do espectador todos os instrumentos necessários à condução, livre e irrestrita, da sua experiência. Uma outra forma de leitura; o vislumbre de uma partilha radical que faz do espectador um cúmplice, muito mais do que um corpo testemunhal. 
[Bruno Marchand]