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terça-feira, 21 de julho de 2020

Pedro Saraiva > gabinetes I Maria João Gamito



Pedro Saraiva > gabinetes
Maria João Gamito

ISBN 978-989-9006-37-9 | EAN 9789899006379

Edição: Junho de 2020
Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros
Formato: 17 x 23 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 376
Com a Fundação Carmona e Costa  e o 
CIEBA – Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes




> gabinetes é, portanto, o encerramento provisório de uma causa por concluir. Voo ou queda — e não importa o quê porque de ambos só assistimos ao arrebatamento de tudo o que, na duração que lhe é consentida, resiste ao poder infalível da gravidade —, o desígnio é o da oposição, mas de uma oposição pretendida no que de mais fundamental nos consente no mundo e nele nos situa entre os seres e as coisas que se nos opõem, por ser essa a condição do que só pode existir fora de nós.



> gabinetes é o título da exposição que encerra o projecto homónimo iniciado por Pedro Saraiva em 2008 e que, ao longo de dez anos, pôs em contacto Cristina Rosa Agostinho, dita a ‘Linfa’, (1912-1973), Manoel Celestino Alves, ‘o Dr. Cambedo’, (1912-1990), Alberto Maria de Oliveira Bárcea (1908-1978), António Rodrigues Carrera (1900-1948), António Maria Codina (1896-1954), João Gregório (1884-1964), Manuel dos Prazeres Dias Linares (1898-1968), Francisco José Martins, mais conhecido por ‘Panero’, (1895-1955), Musad Maïga (1952-2017) e Pedro Saraiva (1952). Eles são o álibi das obras e os nomes que, através de fragmentárias biografias, consubstanciam os espólios, visíveis em cada exposição sob a designação do gabinete que os identifica.
> gabinetes constitui o ensaio geral das exposições que paradoxalmente tiveram lugar antes dele e cujos despojos se acumulam no avesso das paredes do gabinete > saraiva, núcleo irradiante da exposição e lugar íntimo — lugar dentro de lugar — exposto como a vida em casa, acessível e discreto porque foi nessa discrição, e na penumbra do tempo lento que a envolve, que aconteceu a indagação da concordância entre os autores e os lugares, os lugares e as obras, as obras e os autores, os autores e os autores, Pedro Saraiva entre eles.
O que se resgata nessa concordância é a desinteressada curiosidade pelos espaços onde a memória que se fixa nas palavras e nas imagens remete para as coisas e para os processos que activam a ficção do quotidiano. E o que ela precipita, na surpreendente escassez de meios de que dispôs, é o entendimento do gabinete e do atelier — e da exposição em que se materializam — como reserva mental, localidade sem localização fixa, sistema e depósito do que permanece dos encontros que se inventam e se revelam no sumário do saber circular do mundo, encenado na visão total própria dos panoramas, ela mesma ficcionada na espiral em abismo dos loops por fechar que, na vertigem das fugas barrocas, rodopiam a caminho da sua eternidade.
[Maria João Gamito]

quinta-feira, 17 de abril de 2014

«gabinete > panero», de Pedro Saraiva


gabinete > panero 
Pedro Saraiva 

Texto de Maria João Gamito 

ISBN: 978-989-8566-53-9 

Edição: Abril de 2014 

Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros 

Formato: 15x21 cm (brochado) 

Número de páginas: 112 (a cores) 

[ em colaboração com a Fundação Carmona e Costa ]


A caixa com as inscrições 1602B.CS é tudo o que resta da vida e da obra de Panero. Mesmo sabendo que a vida se cumpriu inteiramente na escrita que a escreveu, mesmo sabendo que a obra — ou o que dela se conhece, e foi tudo o que aconteceu — cabe na caixa que agora vemos e de onde nunca saiu, aquilo a que assistimos, indiferentes ao que sabemos, é à invenção do impulso que, entre reflexos e citações, recupera a memória dos lugares que antecedem a criação dos museus e, mais recentemente, a norma asséptica do cubo branco. 

Na invenção desse impulso, Pedro Saraiva é o coleccionador e o autor de uma metaficção — ficção (da obra e do autor) dentro da ficção (da arte) — onde a privacidade e o anonimato se confundem, como, em cada uma das ficções que a constituem, se confundem o artista e a obra, o autor e o coleccionador. Idem per idem. [Maria João Gamito] 

Pedro Saraiva (Lisboa, 1952) vive e trabalha em Lisboa. Artista plástico representado em colecções particulares e públicas (Galeria Redies, Centro Cultural de Almansil, Casa-Museu Teixeira Lopes, Museu de Catania/Itália, Museu Municipal de Sintra, Secretaria de Estado da Cultura, Faculdade de Direito, Casa da Cerca, UNISYS, PLMJ – Soc. Advogados, Fundação Carmona e Costa, Banco Comércio e Indústria, Ministério dos Negócios Estrangeiros, etc.), nacionais e estrangeiras.