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sexta-feira, 29 de julho de 2022

Sobre «Palavras Aladas», por José Tolentino Mendonça


O QUE TORNA MUITAS VEZES INESQUECÍVEL O VERÃO É A FORMA COMO ASSOCIA CONVERSAS E CAMINHOS
 
Nesta estação sabe bem uma conversa com vagar, sem propósito imediato e que se alongue como uma viagem por dentro do tempo. São assim as conversas que os atalhos do verão permitem ou as que, por exemplo através da leitura, podemos escutar a outros. Li recentemente a esplêndida conversa que Maria Filomena Molder manteve com Cristina Robalo e que a Editora Documenta publicou com o título “Palavras Aladas”. A expressão “palavras aladas” é uma daquelas fórmulas a que Homero recorre com frequência na sua poesia, quase sempre para introduzir o discurso direto, típico das conversas. E palavras aladas porquê? Porque numa conversa as palavras têm asas, saem da boca e voam com a fantasia dos pássaros, com a veemência veloz das flechas, expandem-se e fluem no aberto como auriflamas ou pairam mesmo se pobremente, intercalam-se, interrogam-se, esclarecem-se, revelam no enxame do som novas possibilidades. Como diz Filomena Molder, são aladas porque “vão pelo ar até aquele que está ao pé de mim” e porque são mais preciosas do que a subestima que frequentemente lhes dedicámos. É belo o modo perentório que a filósofa assume: “Nunca serei das pessoas que acham que as palavras valem menos do que quer que seja. Não, não!
 
Nunca serei dessas pessoas.” Uma conversa é também uma oportunidade para reborar ou redescobrir o valor das palavras, sem o qual a vida é menos. Precisamos, porventura até mais do que estamos dispostos a reconhecer, de acostar as nossas palavras às dos outros, de dar tempo à hospitalidade mútua que é a audição, de enraizar essa forma de companhia.
 
Recordo especialmente as palavras que Maria Filomena Molder dedica à sua arte, a filosofia (“a filosofia implica um comércio profundo com a vida... é um esforço de ver mais claro... é um gesto contemplativo...”), evocando mestres importantes no seu percurso, como Giorgio Colli ou Fernando Gil. Aquelas com que descreve as imagens construídas por algum motivo na infância e que depois nos habitam a vida inteira (“As imagens da infância jorram, são inevitáveis, são o nosso alimento... Provavelmente, das mais profundas não temos notícia, alimentam a nossa vida e nós ainda não chegámos a elas”). Ou as que utiliza para explicar o grande, escondido e inescusável confronto que mantemos com a morte (“Olhe, Cristina, acho que não há nada criativo, em nenhum povo, que não seja uma forma de enfrentar a morte, de lutar contra ela, de a banir”). Mas as palavras que me fizeram, terminada a leitura da sua conversa, entabular outras ainda são as que lhe servem para falar dos pés. Os gregos antigos sabiam que a mesma condição alada podia unir palavras e pés (pense-se na figura de Hermes). E o que torna muitas vezes inesquecível o verão é a forma como associa conversas e caminhos.
 
Molder cita o que leu no livro de Osip Mandelstam “Conversas sobre Dante”. Para Mandelstam, em Dante Alighieri poesia e filosofia estão sempre a caminho, palmilham tudo a pé.
 
PRECISAMOS, PORVENTURA ATÉ MAIS DO QUE ESTAMOS DISPOSTOS A RECONHECER, DE ACOSTAR AS NOSSAS PALAVRAS ÀS DOS OUTROS, DE DAR TEMPO À HOSPITALIDADE MÚTUA QUE É A AUDIÇÃO, DE ENRAIZAR ESSA FORMA DE COMPANHIA 
 
Por isso, “o Inferno e ainda mais o Purgatório celebram a caminhada humana, a medida e o ritmo dos passos, o pé e a sua forma”. Uma das obras mais curiosas publicadas no âmbito do VII centenário da morte de Dante (celebrado em 2021) é a assinada por Giulio Ferroni, mais de mil páginas para nomear os lugares e as errâncias que compõem a geografia da “Divina Comédia”. Não admira que Filomena Molder parta daqui para defender que “o pé é uma medida da vida” e que “nesse aspeto vivemos numa época de perda imensa, nós que já não sabemos quase nada dos nossos pés”. Em cada verão, porém, estamos como que a tempo de remediar esta perda.


 [José Tolentino Mendonça]

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Nos Passos de Etty Hillesum 2.ª edição (revista e aumentada)

Nos Passos de Etty Hillesum 

2.ª edição (revista e aumentada) 

Filipe Condado, José Tolentino Mendonça 

Fotografias e selecção de textos de Filipe Condado 
Traduções do neerlandês de Maria Leonor Raven-Gomes (Diário), 
Ana Leonor e Patrícia Couto (Cartas) 

ISBN 978-989-8833-66-2 | EAN 9789898833662 

Edição: Setembro de 2021 
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado) 
Número de páginas: 192 (a cores)


José Tolentino Mendonça: «Filipe Condado é o primeiro autor a concretizar aquilo que está mais perto de ser um projecto de fotobiografia [de Etty Hillesum].» 



[…] fui desafiado pelo José Tolentino Mendonça a participar numa peregrinação à Holanda — Nos Passos de Etty Hillesum —, organizada pela Capela do Rato em Lisboa. Propósito: não apenas conhecer a sua vida e os seus lugares, mas sobretudo entrar na sua espiritualidade e deixar-se transformar por ela. 
Além de integrar o grupo como peregrino, tinha a missão de produzir um registo fotográfico que pudesse, mais tarde, com uma escolha de textos do seu Diário, vir a ser materializado num livro ou numa exposição. […] 
Em Amesterdão hospedei-me perto da casa da Etty, pois queria fazer daí o meu ponto de partida. No primeiro dia, noite adentro, percorri inúmeras vezes o caminho entre a sua casa e a casa de Julius Spier («o parteiro da sua alma»). Esperava com isso encontrar inspiração, mas nada acontecia. Ao frio e debaixo de chuva, senti-me como um mendigo perdido pelas ruas de Amesterdão. Numa das voltas, sentei-me naquelas escadas do n.º 27 da Courbetstraat, onde Etty também se terá sentado a absorver os progressos que o seu coração ia fazendo. Mas nem aí me saía nada. Senti que era tudo demais para mim. 
Voltei ao caminho e, a dada altura, percebi que a chuva intensa me conduzia o olhar para o chão, impedindo-me de ver o que se passava à minha volta.
Levantei a cabeça como quem deixa de olhar para dentro e comecei a fixar-me no interior das casas. O escuro da rua e o enquadramento das próprias janelas criavam a ilusão de estar no cinema a ver filmes de vidas reais: amigos à volta de uma mesa; casais aconchegados no sofá; crianças de pantufas aos saltos na cama. Cenas familiares de um quotidiano feliz e tranquilo. 
Quando cheguei de novo a casa da Etty, também olhei para dentro, mas estava tudo apagado. 
Então, senti que tinha diante de mim o seu legado. […] 
Ela, como ninguém, ensinou-me a importância de exercitar a gratidão. 
Ela, como ninguém, mostrou-me que é o facto de esperarmos um destino comum que nos faz cúmplices e irmãos na aventura do caminho. 
[Filipe Condado]

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Herbário Júlio Dinis — Filices

Herbário Júlio Dinis — Filices 
Júlio Dinis

Textos de Nuno Faria e José Tolentino Mendonça 

ISBN 978-989-9006-95-9 | EAN 9789899006959 

Edição: Agosto de 2021 
Preço: 33,02 euros | PVP: 35 euros 
Formato: 21,3 × 34 cm (encadernado) 
Número de páginas: 96 (a cores) 

Com o Museu da Cidade (Câmara Municipal do Porto)

José Tolentino Mendonça: «Esta Colecção dos Fetos, Equisetos e Lycopodios da Flora Madeirense é, naturalmente, um herbário, mas também é mais do que isso. 
Deve ser lido, para todos os efeitos, como um testamento.» 



Um abismo. O herbário é o memento mori de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, de Júlio Dinis. Espantar-nos-á sempre a emergência de objectos artísticos como este, na exacta medida em que sendo raros, escondidos, votados à escuridão, destinados a permanecerem ocultos, são-nos um dia revelados — fatalmente fora de tempo, já sem a mediação do seu autor — como uma aparição que consubstancia gestos secretos mas palpáveis. 
Fantasmagoria, objecto que releva quase da magia na forma como desafia as leis naturais e a passagem do tempo, feito pelas próprias mãos do escritor, do artista — sim, porque se trata de uma obra de artista e não de botânico —, as pranchas do Herbário de Júlio Dinis são o toque, o tacto que nos faltava na recepção da obra literária, aquilo que um livro não nos pode dar. Nesse sentido, e imaginando nós que se destinavam a desaparecer, constituem um milagre. 
[Nuno Faria] 

Lembro-me de que, por um período, Lourdes Castro repetia com frequência estes versos do poeta japonês Kobayashi Issa: «Nous marchons en ce monde / sur le toit de l’enfer / en regardant les fleurs». Olhar é uma especialidade de Lourdes Castro. E olhar as diferentes espécies botânicas tornou-se para ela uma espécie de escolha de vida, um pacto ético e espiritual de grande impacto, uma forma de caminhar, pensar e cartografar o mundo. Nas notas pessoais que acompanham o seu projecto intitulado Grand herbier d’ombres, além de descrever o modo como, num Verão do século XX, na Ilha da Madeira, decidiu fixarem papel heliográfico a variedade vegetal acessível à sua volta, explica-se assim: «sobretudo gosto de plantas, sempre vivi com elas, cuidei delas e vi-as crescer». Esta nota aparece datada de 1973. Numa outra que se lhe segue, datada de 2002, acrescenta ainda: «constantemente aprendo com elas». […] 
A resiliência para continuar, mesmo do telhado do inferno, a olhar as flores é uma extraordinária lição que Júlio Dinis deixa ao futuro. No epistolário madeirense desses que são os últimos anos da sua vida (o escritor viria a morrer, no Porto, em Setembro de 1871) refere-se com insistência à importância do reencontro com a natureza. 
[José Tolentino Mendonça]

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

O Ponto Perfeito I Maria Pia Oliveira


O Ponto Perfeito
Maria Pia Oliveira

Design de Paula Prates

ISBN 978-989-9006-11-9 | 9789899006119

Edição: Novembro de 2019
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 17 x 22,5 cm (brochado)
Número de páginas: 80 (a cores)

Com a Fundação Carmona e Costa

Edição bilingue: português-inglês



O caminho é perolado,
O caminho é dourado.
[Maria Pia Oliveira]


Catálogo lançado por ocasião da exposição «O Ponto Perfeito», de Maria Pia Oliveira, na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa, de 22 de Novembro de 2019 a 4 de Janeiro de 2020.


O artista como sacerdote do espírito.
[José Tolentino Mendonça]


Eu faço, sem dúvida, pintura e escultura. Desde sempre. Desde a primeira vez que comecei a desenhar e a pintar. E faço-o para viver na realidade, para me defender, para me alimentar, para ser mais sólido. Para me afirmar e defender melhor. Para melhor atacar, para juntar e avançar o mais possível a todos os níveis, em todas as direcções. Para me defender contra a fome e o frio, contra a morte. Para ser o mais livre possível, para procurar com todos os meios à minha disposição, para ver melhor e melhor compreender o que me rodeia. E compreender melhor para ser mais livre. Para me consumar. Para me consumar o mais possível em tudo o que faço. Para correr a minha aventura, para descobrir novos mundos.
[Alberto Giacometti]


Arte destituída de arte é a forma de arte mais elevada.
[Elisabeth Haich]


Tal como todos os raios se encontram presos ao centro e ao aro da roda, também todas as coisas vivas se encontram presas ao primeiro princípio.
[autor desconhecido pela autora]

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Clareira — Escultura 1984-2018 I Manuel Rosa


Clareira — Escultura 1984-2018
Manuel Rosa

Textos de José Tolentino Mendonça, Manuel Castro Caldas, Nuno Faria
Design de Pedro Falcão

ISBN 978-989-8902-58-0 | EAN 9789898902580

Edição: Maio de 2019
Preço: 33,19 euros | PVP: 35 euros
Formato: 23,3 x 32,9 cm (brochado)
Número de páginas: 272 (impressas a 5 cores)

Com a Fundação Carmona e Costa

Edição bilingue: português-inglês



José Tolentino Mendonça: «As esculturas de Manuel Rosa são pedra, gesso, areia, argila, metal, mas cantam. E fazem-no com a língua dos aborígenes reunidos à volta do fogo, o assobio dos nómadas através do deserto, o grito dos artesãos populares que vêm desde o princípio, o acento helénico de Pitágoras ou de Anaximandro.»


Manuel Rosa é um dissidente. Reporta-se a uma temporalidade censurada pelos oficiais do progresso, e maneja práticas essenciais de artesanato que a ideologia tecnológica pretende substituir e eliminar. Reivindica a solidão do desenho contra o enxame das imagens virais. Esculpe barcos para voltarmos a reencontrar florestas; fornece figuras para encabeçarmos rituais extensos e viagens pelo desconhecido; mandata-nos para encontrar a luz que o vazio projecta na sombra; encoraja-nos a entretecer modos primitivos que são a porta de acesso ao ignorado mundo primeiro.
[José Tolentino Mendonça]


O vocabulário de Manuel Rosa é amplo em termos formais, temáticos e materiais. É um trabalho que, entre referências à escultura primitiva e pré-clássica, à Arte Povera e à geração de escultores britânicos surgida nos anos 80 do século passado, se destacou pela forma como construiu um forte sentimento de intemporalidade, por um lado, e uma intensa ligação à terra e aos materiais do lugar, por outro. Reiterando, por um lado, arquétipos poderosos — a casa, o barco, o corpo humano —, e, por outro, objectos sem aura, de uso corrente ou índole industrial — cabaças, bolas, baterias de automóvel —, o artista opera, com desconcertante liberdade processual, uma ininterrupta circulação entre energia e forma, figura e sombra, cheio e vazio, totalidade e fragmento, pequena e grande escala, o efémero e o perene.
[Nuno Faria]


Como sucede com muitos outros artistas da mesma geração, a figura tutelar de Beuys não anda longe (por influência directa ou indirecta), levando a que o trabalho de configuração abarque, como Pellizzi faz notar, não tão simplesmente a produção de «imagens» ou «coisas», mas a transmissão de «estados de espírito» que fazem das obras «resíduos de actos intensos mas precários de “sobrevivência Poética”».
[Manuel Castro Caldas]

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Nos Passos de Etty Hillesum I Filipe Condado, José Tolentino Mendonça


Nos Passos de Etty Hillesum
Filipe Condado, José Tolentino Mendonça

Fotografias e selecção de textos de Filipe Condado
Traduções do neerlandês de Maria Leonor Raven-Gomes (Diário), Ana Leonor e 
Patrícia Couto (Cartas)

ISBN 978-989-8902-79-5 | EAN 9789898902795
Edição: Maio de 2019
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado)
Número de páginas: 168 (a cores)

Com o apoio da GIEFARTE



José Tolentino Mendonça: «Filipe Condado é o primeiro autor a concretizar aquilo que está mais perto de ser um projecto de fotobiografia dela [Etty Hillesum].»


[…] fui desafiado pelo José Tolentino Mendonça a participar numa peregrinação à Holanda — Nos Passos de Etty Hillesum —, organizada pela Capela do Rato em Lisboa. Propósito: não apenas conhecer a sua vida e os seus lugares, mas sobretudo entrar na sua espiritualidade e deixar-se transformar por ela.
Além de integrar o grupo como peregrino, tinha a missão de produzir um registo fotográfico que pudesse, mais tarde, com uma escolha de textos do seu Diário, vir a ser materializado num livro ou numa exposição. 
[…]
Em Amesterdão hospedei-me perto da casa da Etty, pois queria fazer daí o meu ponto de partida.
No primeiro dia, noite adentro, percorri inúmeras vezes o caminho entre a sua casa e a casa de Julius Spier («o parteiro da sua alma»). Esperava com isso encontrar inspiração, mas nada acontecia. Ao frio e debaixo de chuva, senti-me como um mendigo perdido pelas ruas de Amesterdão. Numa das voltas, sentei-me naquelas escadas do n.º 27 da Courbetstraat, onde Etty também se terá sentado a absorver os progressos que o seu coração ia fazendo. Mas nem aí me saía nada. Senti que era tudo demais para mim.
Voltei ao caminho e, a dada altura, percebi que a chuva intensa me conduzia o olhar para o chão, impedindo-me de ver o que se passava à minha volta.
Levantei a cabeça como quem deixa de olhar para dentro e comecei a fixar-me no interior das casas. O escuro da rua e o enquadramento das próprias janelas criavam a ilusão de estar no cinema a ver filmes de vidas reais: amigos à volta de uma mesa; casais aconchegados no sofá; crianças de pantufas aos saltos na cama. Cenas familiares de um quotidiano feliz e tranquilo.
Quando cheguei de novo a casa da Etty, também olhei para dentro, mas estava tudo apagado.
Então, senti que tinha diante de mim o seu legado. 
[…]
Ela, como ninguém, ensinou-me a importância de exercitar a gratidão.
Ela, como ninguém, mostrou-me que é o facto de esperarmos um destino comum que nos faz cúmplices e irmãos na aventura do caminho.
[Filipe Condado]

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Etty Hillesum na Capela do Rato [convite]

clicar na imagem para a aumentar



Não raro, reduzimos a espiritualidade ao estatuto de grafia tipicamente religiosa, desligado do resto. Para Etty Hillesum, porém, a espiritualidade foi uma experiência unificante e inteira, onde a descoberta de Deus era indissociável do ardente encontro consigo mesma.
[José Tolentino Mendonça]

Ela, como ninguém, ensinou-me a importância de exercitar a gratidão.
Ela, como ninguém, mostrou-me que é o facto de esperarmos um destino comum que nos faz cúmplices e irmãos na aventura do caminho.
[Filipe Condado]



HOMENAGEM A ETTY HILLESUM
18 de Maio de 2019, sábado, 18horas
Capela do Rato, em Lisboa



18h00

Abertura da Sessão

Padre António Martins

18h05
Momento de oração

18h15
Momento de silêncio pelas vítimas do holocausto

18h20 
J.S. Bach — Andante (Sonata III para viola gamba e cravo)
Ana Sofia Sequeira (guitarra) e Maria José Barriga (cravo)

18h25 
Prelecção do Professor Doutor Klaas Smelik, director EHOC
«Etty Hillesum — a difusão da sua obra em 16 idiomas, incluindo a língua portuguesa»

18h40 
Leitura de um excerto do «Diário» de Etty Hillesum
Luís Miguel Cintra

18h55 
J.S. Bach — Prelúdio
Ana Sofia Sequeira (guitarra)

19h00 
Leitura de uma Carta de Etty Hillesum
Maria Rueff

19h15 
João Madureira, «Ecos», para guitarra e cravo
[estreia absoluta]
Ana Sofia Sequeira (guitarra) e Maria José Barriga (cravo)

19h20 
Apresentação do livro
Nos Passos de Etty Hillesum,
de Filipe Condado e José Tolentino Mendonça
Sistema Solar / Documenta

Palavras de Filipe Condado

19h25 
Intervenção de D. José Tolentino Mendonça

19h55 
Encerramento da Sessão
Padre António Martins

20h00 
Sessão de autógrafos

segunda-feira, 16 de maio de 2016

In Principio – A Bíblia Medieval em diálogo com a pintura de Ilda David



In Principio – A Bíblia Medieval em diálogo 
com a pintura de Ilda David
José Mattoso, Xavier van Binnebeke, Luís Correia de Sousa,
José Tolentino Mendonça, Teresa Duarte Ferreira,
Ana Cristina de Santana Silva, Lígia de Azevedo Martins

ISBN: 978-989-8834-21-8

Edição: Abril de 2016

Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 17 × 22 cm [brochado]
Número de páginas: 120, a cores

[Em colaboração com a Biblioteca Nacional de Portugal]


Esta obra foi publicada por ocasião da exposição «A Bíblia Medieval – do Românico ao Gótico (sécs. XII-XIII) – em diálogo com a pintura de Ilda David», organizada pela Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) e pelo Instituto de Estudos Medievais, com a curadoria de Luís Correia de Sousa e o apoio da Fundação EDP, e que decorreu na BNP, entre 16 de Fevereiro e 21 de Maio de 2016.

«Ao reunir numa exposição as Bíblias medievais que existem em Portugal, em acervos públicos, a Biblioteca Nacional dá voz a esses vestígios privilegiados do passado. Convida-nos a escutá-los, não tanto para compreender intelectualmente a história que contam, como para recriar as emoções que outrora lhes deram vida. Para isso é preciso uma certa iniciação.
Mas, uma vez vivido o sagrado, os fragmentos que o materializam não cessam mais de desafiar o desejo. Chamam-nos para mostrar aspectos novos da sua mensagem e convidam-nos a sentir a sua unidade. As obras de Ilda David, expostas com as Bíblias medievais, representam uma ressonância contemporânea, concreta, igualmente palpável, como os próprios códices, da mensagem divina, mediante a leitura que ela fez. Convidam-nos a experimentar o nosso «silêncio de leitura», ou seja, a deixar que a semente do verbo interior frutifique em imagens ou sons, e, por meio deles, alimente a nossa comunhão com Deus.» [José Mattoso]

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Imagens Proféticas e Outras – 4.º volume I João Bénard da Costa


Imagens Proféticas e Outras – 4.º volume
João Bénard da Costa

Edição de Lúcia Guedes Vaz

ISBN: 978-989-8566-92-8

Edição: Novembro de 2015

Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros

Formato: 14,5 x 20,5 cm

Número de páginas: 272 (com reproduções a PB)


A escrita de Bénard, costurada em digressões permanentes, parêntesis e alvéolos, mostra, além disso, como a palavra é inseparável da memória. Nos ambientes gregos inspirados, ela era tida por omnisciência de carácter divinatório, expressa no mantra: «o que é, o que será, o que foi». Nos meios judaicos e cristãos, era interpretada pelo binómio profecia e cumprimento. A memória não é apenas o suporte da palavra: é, sobretudo, a potência (poética, maiêutica…) que confere ao verbo o seu estatuto de significação máxima.
[José Tolentino Mendonça, no Prefácio ao 1.º Volume]

João Pedro Bénard da Costa [Lisboa, 1935-Lisboa, 2009], foi crítico de cinema e ensaísta. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa em 1959. Em 1963 tornou-se cofundador e, mais tarde, chefe de redacção e director da revista O Tempo e o Modo. Seis anos depois, assumiu a coordenação do Sector de Cinema do Serviço de Belas-Artes da Fundação Calouste Gulbenkian, função que desempenharia até 1991. Entre 1973 e 1980 foi professor de História do Cinema da Escola Superior de Cinema do Conservatório Nacional, e, em 1980, foi nomeado subdirector da Cinemateca Portuguesa, tornando-se, em 1991, seu director.
Publicou, ao longo da sua vida, várias obras de filosofia, pedagogia e história do cinema. Entre outras homenagens, foram-lhe concedidas, em 1990, as comendas de Oficial das Artes e das Letras de França e a Ordem do Infante D. Henrique; em 1995 foi destacado com o Prémio de Estudos Fílmicos da Universidade de Coimbra; em 1997 foi nomeado Presidente da Comissão do Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas – cargo, aliás, que continuaria a ocupar nos anos seguintes; e, em Dezembro de 2001, foi galardoado com o Prémio Pessoa.
Publicou, ao longo da sua vida, várias obras de filosofia, pedagogia e história do cinema. Entre outros títulos, destacam-se os livros Alfred Hitchcock (1982), Luis Buñuel (1982), Fritz Lang (1983), Nicholas Ray (1984), Emmanuel Mounier (1960), Os Filmes da Minha Vida (1990), Histórias do Cinema Português (1991), Muito Lá de Casa (1993) e O Cinema Português Nunca Existiu (1996).

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Crónicas: Imagens Proféticas e Outras – 3.º volume | João Bénard da Costa



Crónicas: Imagens Proféticas e Outras – 3.º volume
João Bénard da Costa

Edição de Lúcia Guedes Vaz

ISBN: 978-989-8566-71-3

Edição: Outubro de 2014
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm
Número de páginas: 272 (com reproduções a PB)


«A escrita de Bénard, costurada em digressões permanentes, parêntesis e alvéolos, mostra, além disso, como a palavra é inseparável da memória. Nos ambientes gregos inspirados, ela era tida por omnisciência de carácter divinatório, expressa no mantra: “o que é, o que será, o que foi”. Nos meios judaicos e cristãos, era interpretada pelo binómio profecia e cumprimento. A memória não é apenas o suporte da palavra: é, sobretudo, a potência (poética, maiêutica…) que confere ao verbo o seu estatuto de significação máxima.» [José Tolentino Mendonça, no Prefácio ao 1.º Volume] 

João Pedro Bénard da Costa [Lisboa, 1935 – Lisboa, 2009], foi crítico de cinema e ensaísta. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa em 1959. Em 1963 tornou-se co-fundador e, mais tarde, chefe de redacção e director da revista O Tempo e o Modo. Seis anos depois, assumiu a coordenação do Sector de Cinema do Serviço de Belas-Artes da Fundação Calouste Gulbenkian, função que desempenharia até 1991. Entre 1973 e 1980 foi professor de História do Cinema da Escola Superior de Cinema do Conservatório Nacional, e, em 1980, foi nomeado subdirector da Cinemateca Portuguesa, tornando-se, em 1991, seu director. Publicou, ao longo da sua vida, várias obras de filosofia, pedagogia e história do cinema. Entre outras homenagens, foram-lhe concedidas, em 1990, as comendas de Oficial das Artes e das Letras de França e a Ordem do Infante D. Henrique; em 1995 foi destacado com o Prémio de Estudos Fílmicos da Universidade de Coimbra; em 1997 foi nomeado Presidente da Comissão do Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas – cargo, aliás, que continuaria a ocupar nos anos seguintes; e, em Dezembro de 2001, foi galardoado com o Prémio Pessoa. 

Publicou, ao longo da sua vida, várias obras de filosofia, pedagogia e história do cinema. Entre outros títulos, destacam-se os livros Alfred Hitchcock (1982), Luis Buñuel (1982), Fritz Lang (1983), Nicholas Ray (1984), Emmanuel Mounier (1960), Os Filmes da Minha Vida (1990), Histórias do Cinema Português (1991), Muito Lá de Casa (1993) e O Cinema Português Nunca Existiu (1996).

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Pedra Angular (4)

Deus Vem a Público
Entrevistas sobre a transcendência
 
(I volume)
António Marujo

ISBN: 978-989-97119-1-4 / Preço: 26,42 PVP: 28,00

 formato: 15×21cm; número de pp.: 480


Quem Vigia o Vento Não Semeia
José Augusto Mourão


ISBN: 978-989-97119-2-1 / Preço: 23,58 PVP: 25,00

 formato: 15×21cm; número de pp.: 368


O Nome e a Forma — Poesia reunida
José Augusto Mourão


Apresentação de José Tolentino Mendonça

ISBN: 978-989-96145-4-3 / Preço: 16,98 PVP: 18,00

formato: 15×21cm; número de pp.: 320



A Noite de Natal
Clement C. Moore

Ilustrações originais de
Jessie Willcox Smith

Tradução de Helder Moura Pereira


ISBN: 978-989-97119-7-6 / Preço: 8,49 PVP: 9,00

formato: 24×16,5cm; número de pp.: 49
Mais informação no blogue da Pedra Angular