quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Meu Irmão Feminino e «Noites Florentinas»


Meu Irmão Feminino e «Noites Florentinas» 
Marina Tsvietaieva 


Tradução dos originais franceses e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-8833-36-5 | EAN 9789898833365 

Edição: Novembro de 2020 
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 112

«O meu leitor nascerá daqui a cem anos» — disse Tsvietaieva 
na década de trinta. Só errou em cinquenta. 

Rejeitada pelos Russos, Tsvietaieva tentava penetrar no meio literário de Paris. Escrevia poemasem francês; traduzia-se para francês, escolhendo um dos seus longos poemas russos e chamando-lhe Le Gars; compunha duas prosas singulares: Meu Irmão Feminino e «Noites Florentinas» (nenhuma delas publicada durante o seu tempo de vida). São prosas escritas entre 1932 e 1934, a primeira dirigida a Natalie Barney («a amazona» que transtornava cabeças de homens e mulheres pelos salões da cidade, pretexto para reflexões sobre a grande fatalidade do amor lésbico), inspirada a segunda pelo belo Abraham Vichniak (que lhe desencantava mais fatalidades, agora do amor heterossexual), ambas sob a forma epistolar, ambas dirigidas a interlocutores «ausentes». Com um núcleo escrito originalmente em russo, o texto essencial de «Noites Florentinas» foi traduzido (melhor dizendo, recriado) em francês pela autora, segundo nos diz numa carta a Anna Teskova. Tsvietaieva fala do seu trabalho durante o Inverno de 1932-33 e destaca a tradução de nove cartas acrescentadas por outra, que lhes dá resposta, e ainda por um Posfácio ou A Face Póstuma das Coisas e o relato do último encontro com o destinatário cinco anos depois, na noite de passagem do ano. Diz também que de tudo isto resulta uma obra completa, redigida pela própria vida. 
[Aníbal Fernandes]

«Marina Tsvietaieva toda a vida se defendeu da banalidade quotidiana, graças ao trabalho, e no dia em que isto lhe pareceu um luxo inadmissível, e teve temporariamente, por causa do filho, que sacrificar uma agradável paixão e lançar à sua roda um olhar sensato, descobriu o caos imóvel, insólito, entorpecido que a sua criação repelira e, afastando-se assustada e sem saber onde meter-se, cheia de horror, foi esconder-se apressadamente na morte, pousando a cabeça numa corda como se fosse uma almofada.» 
[Boris Pasternak] 

Marina Ivanovna Tsvietaieva nasce em Moscovo, em Setembro de 1892, filha de um filólogo e historiador de artee de uma pianista de origem polaca. Regressa à Rússia em 1906, depois de estudarem colégios internos, em Lausana e em Friburgo. Casa-se com Serguei Efron, em 1912. […] Em 1940 Marina Tsvietaieva vive numa casa de repouso dos escritores, em Golicyno. Subsiste como tradutora literária de textos que lhe são propostos por Pasternak. Efron morre no cárcere em 1941. A guerra com a Alemanha é pretexto para a enviarem, com um grupo de «trabalhadores da literatura», para Ielabuga, na República Tártara. Enforca-se a 11 de Agosto de 1941.

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