sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Persistência da Obra I — Arte e Política


Persistência da Obra I — Arte e Política 
Persistance de l’oeuvre I — Art et politique 

Boyan Manchev, Silvina Rodrigues Lopes, 

Jean-Luc Nancy, Federico Ferrari, Tomás Maia, 

Isabel Sabino 


Organização de Tomás Maia 

ISBN 978-989-9006-63-8 | EAN 9789899006638 

Edição: Dezembro de 2020 
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros 
Formato: 17 × 21 cm (brochado) 
Número de páginas: 280 

Com o apoio do CIEBA 

Edição bilingue: português-francês

«Talvez a arte seja apenas isso — a declaração do nosso
 nascimento. Sempre suspenso sobre um abismo.»

Aqui mesmo, nove anos depois, persisto: a questão da persistência é a questão moderna da arte. Quer isto dizer que o nome «persistência» continua a prestar-se para abordar o que nos está a acontecer desde o advento da modernidade. 
Pois «moderno» é o pensamento do resto (da arte) que se separa da política e da religião — e que, ao separar-se, mostra a arte a si mesma, ou seja, mostra-nos a totalidade da arte. Se a arte existe desde a Pré-história ou, segundo uma outra história, desde os Gregos, o facto é que um tal resto que comunica com toda a arte só se revelou abertamente na era moderna. Daí a extraordinária e abundante experimentação sobre o limite da arte (ou da representação) que, pelo menos desde o primeiro Romantismo, atravessou todos os modos de expressão ou géneros artísticos. A persistência diz isso mesmo em todas as letras: o que atravessa ( per-) a história é o resto, e o que insiste é o todo da arte — a integralidade das formas que voltam até nós a partir de um tal resto. Se isto for compreendido, não haverá necessidade de forjar qualquer pós-modernidade ou, inversamente, sustentar um regresso nostálgico aos tempos pré-modernos. 
[…] 
Por ocasião da presente edição deste primeiro volume de Persistência da Obra, dedicado à relação entre arte e política (volume que se publica pela primeira vez em bilingue, aquando da publicação do segundo volume), proponho um texto inédito — «Igualdade da arte» — que procura apresentar uma tese na sequência da «Introdução» anteriormente escrita (inflectindo, como se poderá notar, o teor desta). Foram igualmente introduzidas pequenas correcções em todo o volume, bem como, no frontispício, uma reprodução de uma obra de Claudio Parmiggiani: um ovo (em mármore branco) encravado entre duas rochas altas no meio de uma floresta. A graça de uma tal peça parece condensar a fragilidade de qualquer criação: das mais estritas condições materiais surge, brotando ou caindo, a promessa de um novo ser. Talvez a arte seja apenas isso — a declaração do nosso nascimento. Sempre suspenso sobre um abismo. 
[Tomás Maia]

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