sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Persistência da Obra II — Arte e Religião


Persistência da Obra II
— Arte e Religião 
Persistance de l’oeuvre II — Art et religion 

Boyan Manchev, Alfredo Teixeira, Federico Ferrari, 

Jean-Luc Nancy, Tomás Maia, Paulo Pires do Vale 


Organização de Tomás Maia 

ISBN 978-989-9006-64-5 | EAN 9789899006645 

Edição: Dezembro de 2020 
Preço: 20,76 euros | PVP: 22 euros 
Formato: 17 × 21 cm (brochado) 
Número de páginas: 368 

Com o apoio do CIEBA e do CITER 

Edição bilingue: português-francês

«Proponho hoje esboçar um outro gesto: distinguir arte, política e religião,
 começando por desatar os nós mais apertados de uma tal encruzilhada. 
É a única maneira de proceder, parece-me, para que a obra enfim se liberte.»

A persistência também se faz na e através da diferença — das formas, dos tons e dos estilos. Para todos os participantes, bastou-nos um acordo profundo, ainda que por vezes tácito, sobre a necessidade ou mesmo a urgência de pensar a persistência da arte. Com efeito, poderia mesmo dizer-se que os dois encontros (sobre arte e política, primeiro, e sobre arte e religião, depois) procuram desenhar aquilo a que se poderia chamar a encruzilhada moderna da arte, mostrando a impossibilidade, o impasse ou mesmo o desastre aos quais conduziram as combinações ou as fusões variadas entre estas três vias (arte, política e religião). E sendo a obra (ou a sua ideia), de cada vez, o operador de uma aliança estético-política e/ou estético-religiosa, compreende-se que já se tenha podido responder a esse desastre com a injunção da «inoperância» (désoeuvrement). Todavia, tal nunca implicou que a ideia de obra, confinada exclusivamente ao campo artístico, devesse alguma vez ser abandonada. 
Tal é a razão pela qual proponho hoje esboçar um outro gesto: distinguir arte, política e religião, começando por desatar os nós mais apertados de uma tal encruzilhada. É a única maneira de proceder, parece-me, para que a obra enfim se liberte

*

Não haverá, pois, um terceiro encontro em torno do par «política e religião» (ainda que, em larga medida, seja esse par — ou essa aliança — a determinar catastroficamente o nosso destino colectivo, e há longa data). O projecto da «persistência» — que finda com este segundo volume — sempre e somente existiu sob o signo da obra. Se subtrairmos a «obra» a esse outro horizonte comum, então talvez comecemos a desaparelhar a política e a religião. Assim, também procurei assinalar que tanto a religião quanto a política — mas sobretudo a política (designando assim o nosso cuidado de libertação partilhada) — permanecem inteiramente por repensar sob outras categorias.
[Tomás Maia]

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