quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Cagliostro

Cagliostro 
Vicente Huidobro 

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes 

ISBN 978-989-8833-59-4 | EAN 9789898833594 

Edição: Agosto de 2021 
Preço: 12,26 euros | PVP: 13 euros 
Formato: 14,5 × 20,5 cm (brochado, com badanas) 
Número de páginas: 128

A leitura desta novela faz-nos compreender que houve uma adaptação do texto cinematográfico à literatura. A sua acção é «visual» mas literária; e é improvável que um guião pensado para o cinema mudo tivesse diálogos de página inteira, que exigiriam sucessivos intertítulos com extensas interrupções da imagem e que dariam um inevitável desequilíbrio do ritmo cinematográfico. 

O primeiro texto de Cagliostro (escrito em francês) submetia-se à forma guionista dos argumentos para cinema, e Huidobro chegou a contratar para o seu projecto um realizador romeno […] Houve, segundo se sabe, filmagens; e também se sabe que este Cagliostro chegou em 1923 à fase de montagem, mas que Huidobro muito pouco lhe encontrou do caligarismo formal, sonhado para a obra onde o seu nome aparecia como argumentista e produtor; e que o desentendimento entre Huidobro e Mizu foi insanável. O filme nunca foi estreado e desconhece-se hoje o destino, provavelmente de chamas, que Huidobro determinou ao seu frágil e combustível celulóide. 
Ao guião de Cagliostro coube, no entanto, um singular prolongamento que se estendeu até uma glória e um posterior mau acaso. […] O mau acaso veio a acontecer nesse mesmo ano porque O Cantor de Jazz, um filme da Warner Brothers, inaugurava o cinema sonoro e punha de repente na prateleira muitos projectos e actores só pensados para se mostrarem na tela sem voz, para se imporem na representação com essa expressividade corporal intensa, característica do cinema mudo. 
O imprestável guião, porque hostil à novidade sonora e visual do cinema, foi convertido numa novela escrita em castelhano e publicada em 1934 como «novela visual». A sua edição em inglês (Cagliostro, Mirror of a Mage) foi antecedida por esta explicação do autor: No que respeita à forma deste livro, só quero dizer que podemos chamar-lhe uma novela visual, feita com uma técnica influenciada pelo cinema. Creio que o actual público, já com hábito adquirido do cinema, conseguirá interessar-se por uma novela com palavras que o autor escolheu pelo seu carácter visual e cenas idealizadas para serem compreendidas pelos olhos. […] A construção das personagens deve ser agora mais sintética, mais compacta do que era. A acção não pode ser lenta. Os acontecimentos devem movimentar-se com maior rapidez. Se assim não for, o público aborrece-se. 
[Aníbal Fernandes]

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