quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Conversazioni con José — Conversas com José


Conversazioni con José — Conversas com José 
José Barrias, Simona Venturino 

Conversas com José Barrias, elaboradas por Simona Venturino 
Traduzidas para português por Maria José Lancastre 
Acervo iconográfico ao cuidado de Elisabetta Longari 

ISBN 978-88-86748-13-1 | EAN 9788886748131 

Publicação: Colpo di Fulmine Edizioni 
Edição: Maio de 2021 
Preço: 23,58 euros | PVP: 25 euros 
Formato: 15 × 21 cm (encadernado) 
Número de páginas: 96 (a cores) 
Edição bilingue: italiano-português

Seja onde estiver, aqui ou lá, serei sempre um estrangeiro, ou seja, o habitante de um espaço situado entre duas terras que não me podem pertencer inteiramente. 

O olhar gera pensamentos e os pensamentos geram imagens? 
Sim, há uma interconexão na minha maneira de trabalhar. Por um lado, o pensamento narra-se por imagens e as imagens, por sua vez, suscitam outros pensamentos, como acontece na banda desenhada, em que a palavra mágica é: «continua». 
Meditação imaginosa… 
Portanto, a obra não se forma seguindo a ideia de um projecto inicial, mas antes, partindo sempre dele, evolui e modifica-se, conforme os pensamentos e as solicitações que nascem no decorrer do trabalho.
[…] 

A propósito do teu sentido cumulativo, gostaria de saber mais acerca das três línguas que frequentaste ao longo da tua vida: o Português, o Francês e o Italiano. 
O Português é a minha língua-mãe. Por sua vez, o Francês foi uma língua que comecei a aprender na escola, por volta dos meus 13 anos, no que era então chamado «2.º ciclo do liceu». Era também considerada a língua da cultura pelas famílias de extracção burguesa. Tive ocasião de a aperfeiçoar mais tarde, até no dia-a-dia, em Paris, durante os quase dois anos (1967-1968) da minha estada na capital francesa, depois de ter desertado do exército português e de ali ter encontrado abrigo e refúgio político.
Pelo que diz respeito ao Italiano, a língua em que respondo aqui às tuas perguntas, diria que é uma língua que eu adoptei e que me adoptou. Frequento-a quotidianamente há 52 anos e é preciso dizer que foi nela que me tornei pai de uma filha e avô de três netos. Posso, portanto, afirmar que o Italiano é agora, e sê-lo-á para sempre, a língua das distâncias aproximadas, uma minha autêntica segunda pátria, habitada culturalmente e vivida afectivamente. Gostaria apenas de acrescentar a esta clara certeza que a minha relação com a arte não é certamente alheia a tudo isto, visto ser mediada e estruturada por estes três ramos linfáticos.

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